Sk8er Boy
13 Ciúmes
Notas iniciais
Desde que comecei a namorar com Elliott, uma nova onda de sensações tomou conta de mim. É como se eu não me reconhecesse mais e, por Deus, eu amo esse novo “eu”. É como se eu tivesse me tornado uma pessoa muito mais alegre e espontânea sem nem perceber. Até meus pais disseram que eu estou agindo diferente.
Por falar em pais, estou nesse momento sentado em frente aos dois. Decidi que era a hora de contar a eles que Elliott e eu estamos namorando, afinal são meus pais e merecem saber da verdade.
— Mãe, pai, eu preciso contar uma coisa para vocês... – Eu precisava falar aquilo, não gostava de esconder nada dos meus pais. – Mas eu queria pedir que não surtem.
— Pode falar, meu amor. – Se manifestou minha mãe, sorrindo.
— É que eu e o Elli, nós estamos, é... – Me senti nervoso como não me sentia há certo tempo perto deles. E digo perto deles, porque perto de Elliott estou sempre nervoso. – Namorando.
— Namorando? – Minha mãe pareceu surpresa, mas em seguida abriu um enorme sorriso. – Até que enfim! Eu já estava quase trancando vocês dois em um quarto para obrigá-los a admitirem que se gostam, mas seu pai não deixou...
— Não deixei mesmo, eles tinham que fazer isso por si próprios e não serem forçados por uma mulher louca. – Meu pai ria, tirando a tensão que eu pensei que estivesse presente. – Se você está feliz é o que importa, Will.
— Ah, eu estava com medo que vocês não aceitassem isso... Mesmo que eu já tivesse falado com a mãe, eu ainda estava receoso.
— Você é nosso filho e nosso único problema seria se você chegasse e nos dissesse que está usando drogas, ou que está muito triste, está com problemas ou qualquer coisa assim. – Meu pai disse ainda sorrindo.
Os dois se aproximaram e me abraçaram, eu ainda parecia uma criança em relação a tamanho se ficasse assim no meio dos dois. Eu já estava arrumado para a festa que eu iria com Elliott e estava o aguardando. Quando o som da campainha soou na sala, corri para porta e a abri, puxando Elliott para dentro e o levando até a sala.
— Mãe, pai, vocês já conhecem o Elli, mas agora eu posso apresentar ele como meu namorado. – Vi as bochechas de Elliott ficarem vermelhinhas e sorri com aquilo, ficando com a minha mão entrelaçada na dele.
— Cuide bem do meu filho nessa festa, viu? E não estou dizendo por você ser namorado dele e sim por ser mais velho. – Advertiu meu pai, me deixando um pouco envergonhado.
— Ah, pode deixar, Sr. Mackenzie.
— Para que tanta formalidade? – Riu meu pai, abraçando Elli e em seguida me abraçando. – Boa festa para vocês!
— Obrigado, pai!
Meu pai murmurou algo quando Elliott disse “até mais, sogrão”, algo que só me fez rir e muito. Elli tinha chamado um táxi, o qual adentramos assim que cruzamos o chão de pedra que ligava minha casa à calçada da rua. Ao entrar no táxi, finalmente vi como Elliott estava vestido: calça jeans na cor preta e uma camisa também preta, com direito a uma gravata borboleta branca. Claro que ele estava de all star, como sempre, mas estava tão lindo.
O caminho foi tranquilo e, ao chegarmos lá, dava para se perceber que era a festa ali apenas pelo som alto que provinha da grande casa. Saímos do táxi e andamos em direção à grande residência, sendo atendidos por Dalton, o mesmo amigo de Elliott que nos convidou para a festa.
O som estava bem alto e muitas pessoas dançavam no meio da sala, outras em cima dos móveis e algumas pelo pátio. Tinha gente se beijando por todos os cantos e alguns estavam quase fazendo algo a mais por ali mesmo, sem se preocupar de não estarem sozinhos. Eu não me importava com aquilo, afinal cada um sabe o que faz, o que me incomodou mesmo foi outra coisa.
Um garoto, mais alto que eu, com uma roupa consideravelmente “descolada”, não só se aproximo de Elliott como ainda o beijou no rosto. NO ROSTO! Mas não foi simplesmente no rosto: FOI QUASE NA BOCA!
Elliott sorriu para o garoto e começou a falar com ele, me deixando de lado. Essa era para ser uma boa experiência de primeira festa e ele prometeu que não ia me deixar de lado, mas não, ele precisava fazer isso. Andei com raiva até Dalton, já que ele era a única pessoa da minha sala que, as vezes, falava comigo.
— Fala aí, Shakespeare. – Cumprimentou ele, sorrindo. – Quer beber alguma coisa?
— Quero. – Minha raiva era tanta que até meu tom de voz saiu irritado. – Dalton, quem é aquele que está conversando com o Elliott?
— Ah, é o John, ex-ficante dele ou algo assim... – Deu de ombros. Apenas assenti, sentindo a raiva borbulhar pelas minhas veias. – Você ‘tá com ciúme dele? Eles eram bem próximos, mas a briga que os separou foi bem feia. Nunca entendi o motivo e o Lincoln nunca me falou também.
— É claro que eu estou com ciúme. Não deveria? Ele simplesmente ignorou a minha existência! – Falei incrédulo, negando com a cabeça enquanto Dalton servia algo em um copo para mim.
— Qual dos dois te ignorou? – Me entregou o copo. – Cuidado que é forte, fiz uma mistura louca para você. Deve ter ficado doce, mas é bom.
— Os dois me ignoraram. – Reclamei meio manhoso. – E obrigado pela bebida.
— Sem problemas, se quiser mais é só pegar ali. E não dá bola para o John, Lincoln ‘tá contigo, então deve gostar de você, se tem uma coisa que ele não suporta, é falsidade, William. Ele não falaria isso da boca para fora, entende? – Deu um tapinha no meu ombro e sorriu. – Eu vou dançar um pouco. Mais tarde falo com você.
Vi ele se afastar e então coloquei o líquido do copo na boca. Era bom, era doce, mas era ao mesmo tempo forte, senti minha garganta arder com aquilo, mas ignorei e ingeri o líquido sem problemas. Eu estava sim com ciúme e ter a visão de Elliott conversando com aquele idiota bem na minha frente não estava me ajudando em nada a melhorar esse ciúme.
Ele ria tanto conversando com aquele garoto. Não do mesmo jeito que ria comigo, mas ele sorria muito e isso me irritava, porque o sorriso dele era lindo demais para ser admirado por um outro garoto qualquer. Deveria ser só meu, por mais possessivo que isso seja – e eu sei que é muito possessivo.
Elliott virou na minha direção e sorriu para mim, me chamando com a mão para que eu me aproximasse, mas fiquei no mesmo lugar onde estava. A distância era a mesma, ele que viesse até mim. Isso soou meio cruel de minha parte, não? Talvez esse fosse o motivo de eu não querer um relacionamento sério agora, eu sou muito ciumento. Se eu tenho ciúme de músicas, com pessoas é muito pior.
Meu namorado continuou conversando e rindo e eu continuei bebendo, pegando qualquer coisa e me servindo, sentindo minha garganta até parar de arder com a quantidade de álcool que ingeri. Senti minha cabeça girar, fiquei meio tonto e provavelmente meio alterado, mas eu não me importava. Ah, não me importava mesmo.
...ELLIOTT LINCOLN...
Quando cheguei na festa com Will não esperava encontrar John, muito menos esperei que ele fosse me alugar por mais de uma hora para ficar conversando. Mas eu percebi que Will ficou irritado com isso, pois se afastou e não venho até mim quando o chamei. Então, resolvi deixar ele aproveitar sua primeira festa e permaneci conversando. Eu não pensei que isso fosse afetá-lo, muito menos pensei que fosse presenciar o que estou presenciando agora.
William está em cima de uma mesa dançando com duas meninas e um menino. Ele só pode estar bêbado, porque envergonhado do jeito que ele é ele não teria essa coragem toda. Quando vi esse outro menino, que estava com Will e as outras meninas, passar a mão pelo tronco do MEU NAMORADO e o mesmo não fazer nada, um ódio mortal passou pelo meu corpo inteiro e eu larguei John falando sozinho e fui para cima dele.
Puxei o tal garoto de cima da mesa, o fazendo cair com tudo no chão. Will nem se mexeu, apenas desceu também da mesa e ficou me olhando. Peguei seu copo, aquilo parecia vodca com mais um monte de bebida junto.
— Vamos embora. – Proferi baixo, apenas para ele, que negou com a cabeça. – Will, por favor.
— Não quero ir, Elli... – Sua voz era manhosa e quase me convenceu. Quase!
— Amor, por favor, vamos...
Acho que o convenci só por ter o chamado de amor. Era isso que eu queria mesmo, arrastá-lo para fora dali. Chamei um táxi, vendo que Will estava bem tonto e falando tudo enrolado. Nem mesmo me despedi de Dalton ou John, tinha um garoto bêbado para tomar conta agora.
Tudo bem, não foi a festa que eu esperava que seria e me arrependo de ter deixado Will sozinho.
Quando entramos no táxi, Will escorou a cabeça em meu braço, pensei até que ele estava dormindo, até que senti sua mão acariciando minha coxa, me apertando e subindo lentamente, encostando logo onde não deveria, não naquele momento. Então quer dizer que o Will com álcool no sangue fica bem mais saidinho do que o Will sóbrio? Interessante.
— Will, se controlar, por favor. – Pedi, mas ele não pareceu me escutar e continuou a me acariciar, até que segurei sua mão e ele me encarou sério. – Você vai tomar um banho frio quando chegar em casa.
— Eu não vou para sua casa? – Perguntou com um sorriso malicioso nos lábios. – Quero dormir com você, Elli. – Ele mordeu minha orelha, arrastando a língua pelo meu pescoço em seguida.
Acabei dando o meu endereço para o taxista mesmo, porque o plano de antes era mesmo que ele dormisse na minha casa. Eu só tinha medo porque ele está desse jeito porque tem álcool em seu corpo, ele normalmente não age desse jeito e eu fico assustado de pensar que ele diga que eu abusei dele por ele estar vulnerável, até porque eu não bebi.
Ao chegarmos em minha casa, Will ria sozinho e falava besteiras no meu ouvido. Acabei o beijando para ver se assim ele ficava em silêncio, ou acabaria acordando meus pais. Subi com ele para meu quarto e logo o enfiei no banheiro.
E agora? Eu tiro a roupa dele ou não? Eu não tenho coragem de dar um banho frio nele, mas quando eu fiquei bêbado pela primeira vez meu pai fez isso comigo... se bem que meu pai não é lá dos mais cuidadosos. Ainda assim eu não queria fazer isso com ele, queria cuidar dele.
Me escorei na parede enquanto pensava e vi Will começar a abrir lentamente sua camisa, botão por botão, me encarando com aqueles olhos coloridos e lindos. Ele estava sem seus óculos e me fitava tão penetrantemente que eu me senti em um forte êxtase. Ele se despiu lentamente, peça por peça, sem tirar seus olhos do meu e eu não consegui parar de olhar. Quando ele estava completamente despido, aproximou-se mais de mim e me puxou pela nuca, me obrigando a me abaixar um pouco para poder beijá-lo.
Senti suas mãos na minha gravata, a desfazendo e jogando no chão, lugar onde minha camisa logo foi parar também. Mas ao contrário dele, não fiquei totalmente despido, continuei com minha boxer vermelha, a qual ele disse que era simplesmente muito atraente.
A nossa primeira vez não seria com ele bêbado, arriscando nem lembrar disso no dia seguinte. Eu não era tão idiota assim. Não iria transar com ele só porque ele estava meio alterado e permitindo que eu o tocasse a vontade.
— Entra aí que você vai tomar um banho antes de dormir. – Ele não teimou comigo, apenas assentiu e entrou no box comigo.
Tirei o relógio do pulso que eu tinha esquecido e logo liguei o chuveiro, deixando uma água morna caindo sobre nós. Will tocava meu peito, passando sua mão por cima das tatuagens que via por ali. Quando me virei rapidamente de costas para ele, senti sua mão me apalpar sem dó. Ele estava mesmo sem limites e eu não podia nem fingir que não estava gostando, porque era mesmo bom aquilo.
— Me toca também, Elli. – Aquela voz doce e que eu tanto era apaixonado sussurrou no meu ouvido, acabando com o pouco de sanidade que ainda havia em mim.
Puxei Will pela cintura com certa força, o grudando em seguida contra a parede. Por ser mais alto, não era muito confortável estar bem curvado para beijá-lo, então o segurei pelas pernas e o fiz entrelaça-las na minha cintura, fazendo com que assim ele ficasse um pouco mais alto e eu conseguisse alcançar seu pescoço com mais facilidade. O beijava com vontade, sabendo que talvez seu pescoço ficasse marcado.
William puxou minha mão e a levou até seu membro, aquilo era errado e talvez ele discutisse comigo no dia seguinte por eu ter levado as coisas tão adiante, mas naquele instante eu não conseguia pensar em nada, nada além da minha mão o masturbando e seus gemidos escapando de seus lábios diretamente sussurrados em meu ouvido.
Era bom demais sentir aquilo, sendo que eu o tocava e ele apenas apertava meus ombros e, vez ou outra, beijava meu pescoço ou meus lábios, tentando abafar seus gemidos que tanto teimavam em escapar. Com a outra mão eu segurava sua cintura, a apertando para mantê-lo grudado a mim. Queria ir até o final, mas aí já seria demais também.
Quando ouvi ele gemer mais alto em meu ouvido, logo vi ele atingir seu ápice, me encarando em seguida e me beijando. Seus olhos foram de encontro aos meus e eu fiquei com minha testa colada na sua, o encarando serenamente.
— Você me fez te amar tão fácil... – Murmurei, o largando no chão.
— Elli... – Me chamou e eu voltei a o encarar. – Posso te tocar também?
— Melhor não. – Desviei meu olhar do dele. – Você ‘tá bêbado, Will. Outro dia eu... – Perdi o que estava falando quando senti sua mão invadir minha boxer. – Will, para...
— Eu não sei o que fazer, Elli... – Sussurrou ele, me encarando fixamente. – Me ajuda!
Como resistir a aqueles olhinhos coloridos e brilhantes que tanto me encantavam? Dane-se a quantidade de álcool no sangue, dane-se tudo, eu só quero ter ele para mim, só isso.
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