Sixteen
13 Escape. Hope.
Notas iniciais
Anteriormente em Sixteen:
“De dentro do carro, os quatro observaram Will calmamente por coisas no banco de trás do carro, dar a partida e sair.”
Cuidadosamente eles seguiram o carro de Will, sempre atentos, é claro, se ele faria algum movimento “suspeito”. Como usar o telefone, por exemplo.
Após 45 minutos de viagem eles chegaram a um galpão no meio do nada. Will entrou na pequena estradinha de chão que dava acesso ao galpão, e Pops, para não dar suspeitas, continuo indo reto.
Ele parou o carro a uma distância “segura” e ligou o pisca alerta.
– Fiquem aqui. Eu vou até lá cautelosamente e vejo o que está acontecendo. Já que ele não me conhece, não será um problema.
– Pops, você tem certeza? Will é perigoso demais! Se ele desconfiar de algo... Sabe lá Deus o que ele fará com a Bones. Eu vou com o senhor!
– Seeley, não. Já pensou se ele o vir? Será muito pior. Fiquem aqui e liguem para a polícia. Eu já volto.
Hank pegou as chaves do carro e desceu. Andou em direção ao porta-malas do carro, pegou o triângulo e o colocou a certa distância do veículo.
Seu plano, basicamente, constituía-se em: 1º fingir que o carro tinha quebrado; 2º abordar Will; 3º dar um jeito de entrar no galpão para salvar Temperance. No terceiro passo espera realmente que a polícia já estivesse no local, pois não teria a mínima chance de salvar Temperance caso Will estivesse acompanhado, e ele tinha a máxima impressão de que estava certo. E estava.
Contudo, ao chegar à entrada da estradinha o carro de Will tinha, simplesmente, sumido.
*-*-*-*-*-*-*-*-*
– Não acredito que você deixou eles te seguirem Will!
– Cala boca James! Ou te entrego para a polícia! – Will dirigia em alta velocidade pela continuação da estrada de chão, que era cortada pelo galpão.
Ele só percebera que tinha sido seguido quando estacionou o carro em frente ao galpão. Achou muito estranho alguém ir para aqueles cantos da cidade de madrugada, e chegou à conclusão quando viu, por entre as árvores, as luzes de freio do carro de Hodgins serem acionadas logo após ele parar o carro.
Temperance encontrava-se desmaiada, amarrada e amordaçada no banco de trás do carro. Como não podiam mais correr riscos até acharem outro lugar seguro, eles decidiram dopá-la. Will sabia que ela era muito inteligente para sua idade e sabia que se descuidasse por um único minuto, ela poderia fugir.
– Me entrega é? Como se você fosse um cara muito limpo. – disse James com desdém, olhando para trás para ver se não estavam sendo seguidos novamente.
– Sou mais limpo que você, disso tenho certeza.
Há cerca de 5 km de distância Hank volta frustrado ao carro. Ele recolhe o triângulo, o devolve ao porta-malas e entra no veículo.
– Ele fugiu.
– O QUE? – Os três jovens praticamente gritam, ao mesmo tempo.
– Isso mesmo que ouviram. Ele fugiu. Provavelmente percebeu que estava sendo seguido e fugiu.
– E agora senhor Hank, como vamos encontrá-la? – Angela tinha lágrimas nos olhos, que caíram facilmente ao sentir o toque de Hodgins a lhe amparar.
– Vamos nos acalmar e pensar com clareza, ok? – Hank olhou diretamente para Seeley, pois sabia o quanto seu neto era impulsivo.
Seeley estava de olhos fechados e com a cabeça encostada no vidro, controlando-se para não chorar em desespero. Toda a esperança que tinha juntado enquanto perseguiam Will foi rapidamente embora junto com sua fuga. Ele simplesmente não conseguiria mais viver sem Temperance. Com ela ele se sentia completo, pleno, como se quando estivesse ao lado dela o mundo poderia acabar que ele morreria feliz, por simplesmente estar com ela. E agora, via tudo escorrer pelos seus dedos. Todas as chances, planos com ela, indo embora, como água ao passar pelo moinho.
– Vocês ligaram para a polícia? – perguntou Hank.
– Sim senhor. Eles disseram que estariam aqui em dez minutos. – respondeu Hodgins rapidamente.
– Pelo menos já temos um ponto por onde começar. E, se a estrada por eles fugiram for de terra, o que eu tenho certeza que sim, será mais fácil localizá-los.
Temperance acordou lentamente, sem abrir os olhos. Sentiu o macio do banco sob si, e pensou estar em sua cama. Pensou que tudo fora apenas um terrível pesadelo e que logo estaria indo para a escola e encontraria Booth, Angela, Hodgins... Mas, ao sentir as amarras e ouvir James e Will conversando no banco da frente percebeu que era real. Resolveu continuar de olhos fechados, assim não precisaria olhar para nenhum dos dois, muito menos ouvir as ameaças deles. Ela queria apenas estar nos braços de Booth, ou no aconchego de sua cama quente, ou, ainda melhor, mas totalmente impossível, queria estar com sua mãe. Deus, como sentia falta dela. Falta das longas conversas secretas sobre garotos, de vê-la se arrumando para ir a algum lugar e desejar ser tão linda, delicada e elegante quanto ela quando crescesse. Sentia falta do seu abraço, do seu carinho, do seu colo, até mesmo de suas broncas quando ela e Russ estavam brigando. Contudo, estava profundamente magoada por sua mãe ter fugido e ter a deixado sozinha para trás. Claro que ela tinha Russ, mas o mesmo havia ido embora também, logo depois de seus pais. Não conseguia entender como um ser que dizia a amar tanto podia, simplesmente, partir. Assim, sem mais nem menos.
Seu coração doía ao pensar neste dia novamente. Ao pensar na decepção e mágoa que sua mãe havia lhe causado. Ao pensar que estava sozinha, na mão de dois homens mal intencionados. Ao pensar que a qualquer momento poderia ser torturada, estuprada ou até mesmo morta. Tudo que queria agora era o colo de sua mãe, estar bem juntinho dela, a ponto de ouvir seu coração bater.
Estava com tanto medo, tão desesperada, que não sentiu as lágrimas quentes descerem torrencialmente por seu rosto. Apenas quando deu um soluço audível que se deu conta que estava chorando. Reprimiu-se mentalmente por tamanho descuido, enquanto levava as mãos atadas ao rosto, a fim de secá-lo.
– Olha Will, a princessinha acordou. – disse James, com um sorriso nojento no rosto, enquanto olhava para Temperance.
– Quer saber das ultimas notícias Temperance? – perguntou Will, sem tirar os olhos da estrada, mesmo sabendo que ela não poderia responder com a mordaça na boca. James ria bobamente ao seu lado. – Sabe quem veio atrás de você? Seu namoradinho escroto e o velho avô idiota dele.
Todo o medo, desespero e insegurança de Temperance se esvaíram ao fim da frase de Will. Ele estava atrás dela! Ele não tinha desistido! Ele realmente a amava! Pela primeira vez em horas Temperance sorriu.
– Mas infelizmente, eles perderam nosso rastro. Oh, coitadinho do galante Seeley Booth.
No fundo Temperance sabia que isso era um blefe de Will para ela perder as esperanças e ficar vulnerável novamente. Mas isso não iria acontecer. Agora que sabia que Booth estava próximo, não iria desistir de lutar.
– Pops, vamos segui-los! – Disse Seeley inconformado. – Logo a polícia estará ai, e então ligamos novamente e pedimos para fazerem o caminho contrário, para encurralarmos eles... Não sei! Só não podemos ficar parados enquanto eles se afastam cada vez mais!
O velho Booth ficou em silencio por uns instantes, olhando para o volante.
– Você tem razão baixinho. – Ele deu a partida e arrancou a todo vapor estrada adentro.
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