Siren

21 Uma luta embaixo d'água


— Então é assim que quer me enfrentar? Usando armas humanas — Disse a mulher sacando sua espada. Jisoo a olhava atenta a qualquer movimento.

A mulher avançou e desferiu um golpe. Jisoo se defendeu, conseguindo de última hora, conter seu ataque.

— Chichu! — Rosé a chamou, se aproximando em sua direção, desesperada.

— CHAE, NÃO! TIRE AS MENINAS DAQUI, AGORA! — Disse Jisoo, fazendo esforço para continuar segurando o golpe daquela sereia.

Rosé estava aflita, dividida entre a necessidade de proteger Jisoo e a urgência de salvar Jennie e Lalisa. Com o coração pesado, ela decidiu agir. Nadou rapidamente até Jennie e Lalisa, segurando-as pelos braços e puxando-as em direção à superfície. A tarefa não era fácil, pois além da distância até a encosta, Jennie e Lalisa estavam fracas demais para nadarem por conta própria.

Rosé nadava com todas as suas forças, sentindo a resistência da água enquanto carregava o peso de suas amigas. Finalmente, alcançou a superfície e se arrastou até a areia da praia. Lá, cuidadosamente, deitou Jennie e Lalisa na areia, garantindo que estivessem fora de perigo imediato.

— Jennie, Lisa, me esperem aqui. Vou voltar para ajudar Jisoo e em breve volto aqui com vocês — Rosé nem deixou que as duas respondessem e rastejou novamente para dentro do mar, nadando a toda velocidade para chegar até Jisoo.

De longe, Rosé viu Jisoo lutando com a outra sereia, em um duelo onde magia não adiantaria, apenas ataques físicos eram eficazes. A uma distância curta, Rosé se concentrou e, com seus poderes psíquicos, controlou dois tubarões, ordenando que atacassem a sereia. A mulher, sem deixar de se defender dos golpes de Jisoo, estendeu a mão para os tubarões que se aproximavam velozmente e, com um simples gesto, os lançou para longe, sem sequer precisar tocá-los.

— Duas contra uma? — Disse a mulher com um sorriso sarcástico.

— Chae, saia daqui! — Ordenou Jisoo — Não quero que se machuque. Fique em um lugar seguro com as meninas.

— Não vou te deixar sozinha!

— Meu amor… — Jisoo não deixava de ficar atenta aos movimentos da mulher — Por favor, saia daqui, eu consigo lutar contra ela, vou ficar bem.

— Não adianta Jisoo, não vou sair! Vamos derrotá-la juntas.

A mulher deu uma gargalhada estrondosa, fazendo as duas pararem de falar e voltarem sua atenção para ela.

— Não queria interromper o belo casal, mas preciso pegar minhas prisioneiras de volta. Estou sem tempo para brincar com vocês.

— Não vou deixar que você as leve — Jisoo ergueu sua espada e com um impulso desferiu um golpe, mas a mulher defendeu facilmente.

— Você não é páreo para mim, não passa de uma sereiazinha fraca. Acha mesmo que pode me derrotar?

— Você não vai sair vitoriosa. Não deixarei que leve minhas amigas — Mais uma vez Jisoo tentou atacá-la, mas a mulher com sua força e habilidade, desviava de todos os ataques.

Novamente, Rosé tentava fazer alguns tubarões atacarem a mulher, mas seus esforços eram em vão, pois ela se defendia facilmente de todos os ataques com uma mão enquanto se protegia dos golpes de Jisoo com a outra. A magia, como o canto hipnotizante de Rosé, não seria eficaz contra aquela adversária. Desesperada, Rosé concentrou-se em controlar as criaturas marinhas a seu favor, tentando incansavelmente com seu poder mental induzi-las a obedecer e atacar a mulher.

Ela convocou uma variedade de criaturas, desde tubarões assassinos até polvos de anéis azuis que liberavam um veneno mortal, mas nada surtia efeito. A mulher bloqueava cada ataque com uma facilidade aterradora, sua expressão permanecendo imperturbável e cheia de desdém. A frustração e o medo cresciam em Rosé enquanto ela se esforçava para encontrar uma forma de ajudar Jisoo e derrotar aquela inimiga implacável.

Foi então que Rosé elaborou um ataque combinado. Ordenou que três tubarões atacassem a mulher pela direita enquanto Jisoo desferia golpes pela esquerda. A mulher gargalhava com o esforço das duas, convencida de que estavam longe de conseguir sequer tocá-la. Em meio aos seus risos e escárnios, ela não percebeu o ataque surpresa de Rosé. Uma enguia de quase dois metros de comprimento, comandada por Rosé, se esgueirou pela areia e subiu furtivamente, desferindo um ataque certeiro nas costas da mulher e eletrocutando-a imediatamente.

A mulher caiu no chão ao sentir o choque, incapaz de evitar o ataque que não havia visto chegar. Seu riso cessou abruptamente, substituído por um grito de dor e surpresa.

— Isso foi um golpe de sorte, sua sereia imunda. Agora vocês conseguiram me deixar com raiva. Farei questão de arrancar suas escamas lentamente.

Com impulso e uma velocidade surpreendente, a mulher nadou até Jisoo, grudando as mãos em seu pescoço e a enforcando. Jisoo se debateu tentando se livrar das mãos odiosas daquela mulher, cuja expressão era um tanto maldosa.

— CHICHU! — Rapidamente Rosé tentou ir até Jisoo, mas a mulher a empurrou para longe.

Jisoo sentiu o pânico se infiltrar em sua mente quando viu Rosé cair contra as rochas. Seu coração batia descontrolado enquanto se debatia desesperadamente, tentando se livrar das mãos da mulher que a sufocava lentamente. Seu pescoço doente latejava de dor, e o medo de perder o ar lhe consumia cada vez mais. No susto, sua espada escapou de suas mãos e estava agora fora de seu alcance. A mulher apertava sua traqueia impiedosamente, e Jisoo sabia que não demoraria muito para perder a consciência. Um pensamento angustiante cruzou sua mente: se a mulher vencesse aquela luta, Rosé seria seu próximo alvo. Então, usando sua última força, ela grudou as mãos no rosto da mulher, enfiando os dedos em seus olhos. A mulher a jogou para longe, tapando os olhos que doíam com a pressão infringida, quase os afundando na órbita de seu rosto.

— MALDITA! EU VOU MATAR VOCÊS. VOU MATAR TODAS VOCÊS! VOU DESTRUIR AQUELE LUGAR — A mulher esbravejava de ódio com as mãos cobrindo os olhos.

Com sua mente ainda turva, Jisoo correu até Rosé e a puxou consigo, nadando o mais rápido que podia em direção à superfície. Sentia seu pescoço latejar de dor após o sufocamento quase fatal. Enquanto nadava, uma esperança crescia em seu coração: talvez em terra firme, aquela mulher não fosse tão forte. Olhou para trás e seu olhar fugiu por um instante para sua espada fincada na areia no fundo do mar, mas a presença da mulher ao lado dela a fez desistir de recuperá-la. Decidida a alcançar a segurança da terra firme, Jisoo nadou com ainda mais determinação, mantendo Rosé firmemente em seus braços enquanto sentia a presença ameaçadora da sereia perseguindo-as implacavelmente. O único pensamento que ocupava sua mente era chegar à superfície e garantir a segurança de Rosé e das outras, pois o que viria depois era uma incógnita diante da ira daquela sereia desconhecida.