Siren
22 Por que?

Ao emergirem na superfície, Jisoo segurou firmemente a mão de Rosé e se arrastou pela areia. Esperava ansiosamente o retorno de suas pernas, agora um processo rápido e indolor, ao contrário da primeira vez. Assim que suas pernas apareceram, Jisoo ajudou Rosé a se levantar e, juntas, correram em direção a Jennie e Lalisa. As duas estavam sentadas ao pé de uma árvore, ainda sonolentas e fazendo um esforço para se levantarem.
Jisoo olhou para trás e viu a mulher saindo do mar. Ela também se arrastava pela areia, e suas pernas começaram a surgir enquanto avançava. A visão fez Jisoo apertar o passo, determinada a colocar mais distância entre elas e a sereia.
— Precisamos ir para um lugar seguro!
— Para onde, Chichu? — Rosé tentava fazer Lisa ficar de pé, apoiando-a em seus braços.
— Tem um vilarejo aqui perto, talvez alguém possa nos ajudar. Ajude Lisa que irei ajudar Jennie e ande o mais rápido possível, essa mulher louca está atrás da gente.
Rosé olhou para trás e viu a mulher já se aproximando da areia. Ela andava a passos lentos, com um sorriso maldoso no rosto, como se não tivesse pressa nenhuma para alcançá-las, confiante na facilidade de sua tarefa.
Apressaram-se, conscientes de que, se a mulher as alcançasse, seria difícil lutar nas condições em que estavam. Ao chegarem ao vilarejo, Jisoo arrastou Jennie até a casa mais próxima e bateu desesperadamente na porta.
— Por favor, nos ajude! — Jisoo gritou, com a voz carregada de urgência. Rosé olhou ao redor, em busca de qualquer sinal de apoio ou refúgio.
A porta se abriu lentamente, revelando apenas uma fresta. Jisoo só conseguiu ver uma moça que a olhava desconfiada.
— O que querem aqui? — Perguntou a moça.
— Precisamos de ajuda, por favor. Cuide de minhas amigas, precisamos de um curandeiro ou um médico, estou desesperada.
A moça pareceu entender do que se tratava e, sem esperar Jisoo terminar de falar, fechou a porta na cara dela. Jisoo suspirou desanimada, sentindo o peso do desespero em seu peito.
— Chichu, vamos nas outras casas, talvez alguém possa nos ajudar. Aquela mulher estranha não está mais nos seguindo — Disse Rosé ofegante, carregando Lalisa com dificuldade.
Jisoo olhou para trás e viu que a mulher realmente havia desaparecido.
— Isso não é nada bom — Afirmou Jisoo — Ela vai voltar, tenho certeza disso. Mas enquanto isso, vamos procurar algum abrigo.
Indo de porta em porta, elas procuraram incessantemente por ajuda, precisavam desesperadamente de um médico que pudesse cuidar do envenenamento de Lalisa e Jennie. Porém, em cada casa, encontravam apenas portas fechadas e olhares desconfiados. Ninguém estava disposto a ajudar. A presença da mulher sereia, que parecia dominar a vila com seu poder e medo, era uma sombra constante sobre o lugar.
— Vamos fazer uma pausa — Jisoo ajudou Jennie a sentar.
— Precisamos ao menos cuidar dos ferimentos delas — Rosé aconchegou Lalisa em seu colo.
— Espere... — Disse Jisoo, colocando as mãos sobre os ferimentos de Jennie. Murmurando encantamentos de cura, uma luz suave emanou de suas mãos, e os ferimentos começaram a fechar, deixando apenas pequenas cicatrizes. Em seguida, fez o mesmo com Lalisa — Só não consigo tirar o veneno.
Jisoo sentiu-se sem forças, sua visão começou a turvar devido ao esforço excessivo de energia que usara para curá-las. Ela cambaleou, quase caindo, mas Rosé a amparou.
— Você fez o que pôde, Chichu. Agora descanse um pouco — Disse Rosé, sua voz cheia de preocupação — Elas vão ficar bem. São fortes e…
De repente, foram interrompidas.
— Vejo quatro sereiazinhas querendo fugir de mim — Disse a mulher, surgindo de repente e surpreendendo-as.
Jisoo se levantou num pulo. Ainda estava exausta e sem energia, mas precisava defender suas amigas. Colocou-se na frente delas, encarando a mulher com ódio.
— Não vou deixar que faça mal às minhas amigas — Falou com determinação e a voz firme, tentando esconder sua exaustão.
A mulher sorriu com desdém.
— E vai fazer o quê? Vejo que está sem condições de lutar, minha querida. Façamos um acordo: você me entrega Jennie e deixo vocês irem embora. É uma boa proposta, não acha? Posso te derrotar facilmente, mas te dou essa chance por sermos da mesma raça e…
Jisoo riu desdenhosamente, interrompendo-a.
— Acha mesmo que vou trair minhas amigas por causa de uma proposta ridícula? — Retrucou, sua voz carregada de desprezo — Somos mais fortes juntas do que você imagina.
A mulher estreitou os olhos, a diversão desaparecendo de seu rosto.
— Não entendo essa sua fixação com Jennie — Jisoo continuou —, e nem quero entender. O fato é que não vou deixar Jennie para trás, ela é uma de nós, e vamos voltar juntas.
Jisoo tateou sua bainha e sentiu falta de sua espada, um frio na barriga ao se lembrar que a havia deixado para trás. Mesmo assim, assumiu uma posição de luta, erguendo os punhos. Faria qualquer coisa para não deixar aquela mulher se aproximar de suas amigas.
— Esqueceu de algo? — A mulher riu ao ver que Jisoo estava desarmada. — Lamento informar, mas terei que colocar um fim nisso.
— Você não vai sair vitoriosa, isso eu te garanto — Jisoo respondeu com determinação.
A mulher avançou com um sorriso cruel, e Jisoo se preparou para defender suas amigas com tudo o que tinha. Sentia a exaustão em cada fibra de seu corpo, mas a força do seu amor por suas amigas a mantinha firme.
Sem esperar pelo ataque, Jisoo deu um impulso e avançou contra a mulher, desferindo um soco de frente, que passou raspando no rosto da mulher. Ela rapidamente se esquivou e deu um soco certeiro no estômago de Jisoo.
— Como quer salvar suas amigas se não consegue salvar nem a si mesma? — A mulher riu ao ver Jisoo ajoelhada no chão, com a mão no estômago e tossindo devido ao golpe.
Jisoo tentava se levantar com dificuldade, suas pernas cambaleando, mas mesmo assim, esforçava-se para se manter de pé.
— Nem que eu tenha que morrer tentando! Vou levá-las de volta pra casa em segurança! — Olhou para a mulher, a raiva estampada em seu rosto.
— Me olhar com raiva não vai salvar suas amigas. Mas se quer morrer aqui inutilmente, seu desejo é uma ordem — A mulher respondeu, com um sorriso cruel.
Jisoo se preparou para o ataque da mulher, que desferiu um golpe direto com a espada. Jisoo se esquivou, mas acabou caindo devido à fraqueza que sentia depois de usar toda sua energia curando as meninas. Rosé gritou em desespero, chamando por ajuda, mas ninguém veio. Todos os moradores da vila simplesmente ignoraram e entraram em suas casas, fingindo que nada acontecia.
— Ninguém vai vir te salvar, querida — Disse a mulher com um sorriso maldoso — Eles têm mais medo de mim do que pena de vocês. Graças a sua amiga idiota, vocês perecerão.
— Por que? — Perguntou Jisoo, exausta, tentando se levantar — Por que você está fazendo isso com a gente? Somos da mesma raça. Por que quer tanto fazer mal a nós?
— Por que? Quer saber mesmo o porquê? Acho que sua amiga Jennie poderia explicar, mas deixa-me ver… ela está desmaiada não é mesmo? — A mulher deu risada — Como pode ser a “Princesa” dos mares sendo tão fraca? Jennie é uma vergonha para as sereias…
— Não fale isso dela! Jennie é uma pessoa forte e amorosa. Ela irá reinar os mares de Amicitia de forma justa e bondosa. Acredito nela e a sigo fielmente.
— Então você segue Jennie fielmente? — A mulher deu uma gargalhada — Isso vai te levar a morte, minha querida! Aceite o fato de que já estão mortas. Na verdade, você será a última a morrer, faço questão de matar suas amigas na sua frente… e ninguém nesse lugar virá te salvar.
— Ninguém? — Perguntou uma voz desconhecida.
Um rapaz se aproximou, comendo uma maçã pacientemente. Ele usava roupas de espadachim, até mesmo chinelos de madeira. Suas vestes estavam maltrapilhas, remendadas, gastas e sujas, fazendo-o parecer mais um mendigo do que um espadachim. A única coisa de valor que possuía era sua espada, cujo cabo, com detalhes em ouro branco, reluzia entre suas roupas largas. Seus cabelos escuros, na altura do queixo, estavam desgrenhados, mas seu rosto, apesar da aparência desleixada, revelava um jovem de aparência bela.
— Quem é você? Seu imundo? — Perguntou a mulher, torcendo o nariz.
O rapaz deu uma última mordida na maçã e jogou fora o talo, parecendo confortável e despreocupado.
— Quem sou eu? — Ele fez uma pausa encarando a mulher com um sorrisinho — Sou o Espadachim do Sul, o melhor espadachim de Amicitia, à sua disposição — O rapaz fez uma reverência irônica — E, aliás, também sou alguém que não gosta de ver injustiças.
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