Siren

23 O Espadachim do Sul


— Vejo que precisam de ajuda — Disse o jovem rapaz para Jisoo.

— Precisamos… — Jisoo estava aflita — Mas ela é muito forte, é uma sereia, e você é um humano, por sinal ainda muito jovem e…

— Não precisa dizer mais nada, minha nobre donzela. Não se preocupe comigo — O rapaz tinha um tom de voz carinhoso — Não parece mas sou bem forte.

Jisoo olhou para a espada embainhada do rapaz, imaginando que ele realmente poderia ser alguém forte. Sua postura revelava mais do que aparentava sua aparência desleixada. Embora parecesse um mendigo, ele tinha o ar de um príncipe majestoso, talvez um fugitivo de casa ou alguém que, em algum momento, conviveu com a realeza. Se olhasse com mais atenção, poderia notar que ele não era um simples garoto, nem um simples humano. Ele carregava uma força e determinação inegáveis.

— Eu vou ajudar, talvez em dois consigamos derrotá-la… — Jisoo ficou em posição de luta, suas pernas bambearam e o rapaz percebeu isso.

— Não há necessidade. Consigo derrotá-la sozinho. Cuide de suas amigas, elas precisam de você.

Jisoo nunca havia conhecido um humano bondoso como aquele. Sentia uma energia boa e positiva emanando do rapaz, algo que nunca imaginou encontrar em um ser humano.

— Obrigada por nos ajudar — disse Jisoo, com sinceridade em sua voz. — Não imaginava que humanos pudessem ser assim.

— Você não conheceu os humanos certos — O rapaz sorriu — Se bem que a grande maioria só serve pra sujar o nome dos humanos mesmo.

— Como é seu nome?

— Meu nome? — Ele olhou para ela e sorriu mostrando os dentes — Meu nome é Jeon Jungkook, mas pode me chamar apenas de Kook. E o seu?

— Obrigada Sir Kook — Jisoo fez uma reverência — Meu é Kim Jisoo.

— Não precisa me agradecer, senhorita Jisoo — Jungkook voltou sua atenção para a mulher que o encarava com um sorrisinho maldoso — Afinal de contas, eu ainda não fiz nada.

— O que uma criança fedelha como você acha que pode fazer contra mim?

— Jogá-la de volta no mar? — Ele deu de ombros — Venho lhe procurando há um bom tempo, Senhora Bruxa — Mesmo sabendo que era sua oponente e que poderia matá-lo sem pestanejar, o jovem Jungkook ainda assim a respeitava devido sua idade.

— Me jogar de volta ao mar? — Ela deu risada — Você quer mesmo morrer por elas? Sabe que são sereias e que elas se alimentam da sua espécie, não sabe?

— Sim, eu sei, isso é o de menos. A minha espécie mata a própria espécie, isso é bem pior. Mesmo assim, eu ainda não perdi a fé na humanidade — Jungkook sorriu ao se lembrar do pequeno príncipe de cabelos claros e olhos azuis, que estava perdido na cidade quando lhe deu aquelas deliciosas maçãs. Aquele príncipe, um simples humano frágil, o ajudou sem se importar com sua aparência desleixada — Assim como ainda existem humanos de bom coração, creio que também existem sereias bondosas, e por isso vou ajudá-las.

— Ainda é muito jovem para entender sobre a vida, por isso não teme a morte — Disse a sereia.

— Todos temem a morte, mas eu não deixo de lutar por causa disso. Vou defender quem precisa de ajuda, mesmo que eu tenha que morrer tentando.

Ela o olhou fixamente, tentando ler seu coração e achar seu desejo mais profundo para hipnotizá-lo, mas estranhamente ele não parecia ter desejo algum. Jungkook parecia ser alguém que já tinha tudo o que queria, alguém livre de cobiça e ambição. Seus olhos revelavam uma paz interior e uma determinação inabalável, algo que ela raramente via em outros seres.

— Jovem tolo, irá morrer cedo.

— Não me importo, com tanto que eu morra salvando alguém. Ela o encarou e tentou lançar um feitiço, dessa vez na tentativa de seduzi-lo. Sentia que ele realmente era forte e queria evitar um confronto direto. Deu um passo à frente, seus movimentos eram suaves e femininos. Ela o olhava com o olhar carregado de malícia, seu sorriso era encantador e atraente. Sua aparência agora se assemelhava à de uma jovem moça, mas talvez apenas Jungkook estivesse vendo aquilo.

— Poderíamos fazer coisas mais interessantes, você não acha? — Disse a mulher, que aparecia para Jungkook como uma moça jovem e atraente.

— Coisas mais interessantes? — Perguntou Jungkook, confuso — Tipo o que?

— Posso te fazer um homem feliz e posso te satisfazer…

— Que nojo! Eu não vou fazer isso com você não. Com todo respeito, minha senhora. Mesmo que tenha mudado sua aparência na tentativa de me seduzir, isso não vai dar certo — Jungkook a olhou de cima a baixo, com olhar de desprezo.

— Qual é o seu problema? É um humano macho e tolo como qualquer outro, mas por que minha magia não está dando certo? — Perguntou a mulher, realmente frustrada e sem entender como aquele garoto não era enfeitiçado pela sua magia.

— É porque você não faz o meu tipo — Jungkook revirou os olhos.

— Parece que minha magia não funciona com você, então terei que matá-lo da forma menos interessante — Ela sacou a espada.

— Finalmente, achei que a senhora iria ficar o dia inteiro falando… — Jungkook sorriu animado e sacou sua espada.

A mulher avançou com sua espada em direção a Jungkook, mas ele girou os calcanhares e se esquivou habilmente, fazendo com que seu golpe acertasse apenas o ar. Recomposta, ela voltou à posição de luta, fuzilando-o com um olhar carregado de ódio. Tentou novamente acertá-lo, mas ele era tão rápido que parecia se teletransportar. Ela nunca havia visto um humano tão habilidoso. Talvez no mar ganhasse vantagem, mas em terra firme, aquela batalha seria difícil. Mesmo assim, continuou suas investidas, determinada a acabar com a luta o quanto antes.

Enquanto eles lutavam, Jisoo tentava desesperadamente curar Jennie, que ainda estava inconsciente devido à grande quantidade de veneno que havia ingerido. Rosé, por sua vez, concentrava-se em Lalisa, que começava a abrir os olhos lentamente. Lalisa tentou falar, mas estava fraca demais para formar palavras.

— Não se force, Lisa — Rosé acariciou seus cabelos — Estamos cuidando de tudo e logo estaremos em casa. Vai ficar tudo bem.

Lalisa balançou a cabeça negativamente, parecia querer falar algo, mas não conseguia.

— Está tudo bem, Lisa. Vamos resolver umas coisas aqui e logo voltamos pra casa — Rosé liberou um pouco mais de energia para tentar curá-la. Lisa se sentiu sonolenta com o efeito da magia e então dormiu.

Enquanto Jisoo tentava curar Jennie, os sons das espadas tilintando e a risada maléfica da sereia ecoavam ao redor. A mulher tentava a todo custo acertar Jungkook, que se defendia habilmente, ignorando suas provocações.

— Precisamos levá-las para um local seguro — disse Jisoo, mantendo as mãos sobre o corpo de Jennie na tentativa de curá-la completamente. — Vamos procurar um abrigo e eu voltarei para ajudar o garoto Kook. Estou preocupada com ele.

— Ele me parece muito bem — comentou Rosé, observando impressionada o duelo entre Jungkook e a mulher. Seus passos eram tão leves e rápidos que pareciam uma coreografia de dança. Pelos movimentos ágeis e precisos, era evidente que ele conseguia prever os ataques da mulher, tornando-se quase impossível para ela atingi-lo.

Jungkook se movia com uma graça que parecia sobrenatural, esquivando-se dos golpes da sereia com facilidade e respondendo com contra-ataques rápidos e precisos. A mulher, frustrada e furiosa, continuava a atacar com uma ferocidade crescente, mas Jungkook permanecia imperturbável, sua expressão concentrada e calma.

— Mesmo assim, não podemos deixá-lo sozinho — insistiu Jisoo, sentindo-se dividida entre o desejo de proteger suas amigas e a necessidade de ajudar Jungkook.

Rosé concordou, olhando para Jennie e Lalisa, que ainda estavam fracas, mas começavam a mostrar sinais de recuperação.

Jennie acordou, abrindo os olhos lentamente e tossindo com a respiração fraca.

— J-Jisoo... — chamou com dificuldade.

— Jennie! Você acordou? — Jisoo se aproximou rapidamente, aliviada ao ver a amiga consciente.

— M-Me escuta, por favor... não a mate — Jennie fez um esforço para falar, sua voz fraca e entrecortada. Jisoo a olhou, confusa.

— Olha o que ela fez com vocês. Ela vai nos matar, precisamos detê-la!

— P-Por favor... não a mate... ela é Jennifer Kim... — Jennie fez uma pausa, seu semblante triste e soturno. — Ela é a minha mãe.

Notas finais
Agora complicou...