Sintonia

2 Dois - Sentimentos reprimidos.


Notas iniciais
Oi!! Atualizei rápido dessa vez, né? HAHAHA Mas não se acostumem! Estou no terceiro ano e to em época de provas finais do primeiro trimestre, além de no tempo livre eu sentar num cantinho e chorar pensando no ENEM. Vida de estudante não é fácil, galera. Mas enfim, espero que gostem desse capítulo e juro que vou tentar atualizar tão rápido quanto nessa vez, embora existam os motivos de cima.

Dominique estava deitada na sua cama, apenas olhando para o teto. Já eram dez horas da noite, e ela estava daquele jeito desde que voltara do trabalho às cinco e meia da tarde. Ainda não acreditava nas suas próprias reações. O acordo entre eles foi claro, e ela lembrava daquele dia como se fosse o atual.

“James pressionou Dominique contra a parede, e a loira envolveu as suas duas pernas no quadril do garoto ao pular. Aquilo era extremamente satisfatório; ela não aguentava mais olhar para os olhos azuis intensos de James Sirius e nunca poder fazer nada. A sensação de tirar sua camisa e tocar nas saliências no tórax dele eram maravilhosas, e sentir sua pele na dele era melhor ainda.

— Antes de avançarmos… — Ela disse ofegante, enquanto eles ainda tiravam as roupas freneticamente —Sem compromisso, nem contaremos a ninguém. Está entendendo?

— Sim, estou. Tudo que quiser. —James respondeu, igualmente ofegante.

Por fim, ele a agarrou pela nuca, puxou-a para ainda mais perto e a beijou tão intensamente que foi capaz de levar Dominique às nuvens. Contemplou seu corpo nu e teve que admitir a si mesmo que nunca viu uma obra de arte como aquela. A loira olhou-o nos olhos, azul no azul. E teve a certeza que queria aquilo mais do que tudo no mundo no momento.

Quando todo aquele fogo apagou-se, eles gostaram tanto que decidiram que só parariam quando um se apaixonasse por outra pessoa. Pelos próximos dois anos eles manteriam aquela relação em segredo, fazendo com que ela ficasse ainda melhor.”

O pior de tudo não foi a confusão de Dominique: ela estava começando a ter uma paranoia de que eles já não eram mais os mesmos desde que tomaram aquela decisão. Quando eram adolescentes, James costumava ser seu melhor amigo de todas as horas, seu confidente. Mas como uma boa dramática, a loira se perdeu nos seus pensamentos e surtou; ele com certeza tratava-a bem, mas já não era a pessoa a quem contava cada segundo de seu dia, esse trabalho agora pertencia a Fred e, de vez em quando, Rose. E então ela percebeu que já não era tão aberta com James pois achava estranho ꟷ algo que não devia achar.

Esvaziou sua mente assim que ouviu a campainha tocar. Deixando sua linda e confortável cama, ela foi atender a porta só para ver um Fred agitado no corredor. Sem nem perguntar se poderia entrar, Dominique arqueou as sobrancelhas pensando sobre o que aquilo se tratava.

— Ok, não pude deixar de notar a sua reação sobre o que contei sobre James mais cedo. — Fred II sentou-se no sofá como se estivesse passando mal, e a prima revirou os olhos.

— Você veio aqui, no meu apartamento, às dez horas da noite só por causa disso? — Ela riu de forma debochada — Eu só fiquei meio chocada, quer dizer, ele não saiu com ninguém por quase três anos.

Ele olhou para Dominique como se ela fosse uma louca. Fred sabia que ela devia saber de alguma coisa, afinal ela estava sempre com James. E a loira conhecia aquele olhar do primo; ele estava desconfiado. Desde os tempos de Hogwarts, ela dizia que ele devia ter entrado na Corvinal ao invés da Grifinória, pois o garoto sempre estava certo quando deduzia algo.

— E é a mesma coisa que aconteceu com você, certo? — Ele levantou-se do sofá e começou a rodeá-la, querendo colocar um mistério inexistente no momento — Não vejo você com nenhum cara desde o começo do sétimo ano. De fato, eu lembro que naquela festa de começo de ano das casas vocês dois sumiram completamente por uma hora.

Dominique suspirou. Sabia que não conseguia esconder nada do melhor amigo quando ele perguntava — era péssima para esconder sentimentos.

— Você acha que aconteceu algo entre eu e James? — perguntou, como se não soubesse da resposta.

— Mas é claro! — ele deu um gritinho. — Você acha que eu sou burro, Dominique?

Ela sabia que aquele era um caso perdido, então bufou e fez uma expressão de derrotada, logo sentando-se no sofá.

— Você está certo. — disse. — Eu e James tivemos um “caso” durante quase três anos. Satisfeito?

Fred olhou para Dominique, e a conhecendo desde as fraldas, ele podia ver o quão perdida e confusa ela parecia estar. Odiava vê-la daquele jeito, já que ela sempre transparecia a imagem de uma mulher independente e atrevida. Ele não a via nesse estado há muito, muito tempo.

— Por que não me contou? — Fred sentou ao lado dela e colocou os braços na volta do corpo dela.

— Eu e James não queríamos falar para ninguém para que não houvesse aquele velho papo de “alguém vai acabar se machucando”, “nunca vai dar certo”. — Dominique fez uma careta pensativa — E não que eu esteja machucada, mas só estou meio chocada. Conseguimos manter isso por quase três anos, sabe? Eu já estava acostumada.

— Tão acostumada que chegou a pensar que duraria para sempre?

Dominique não disse nada, afinal não sabia a resposta para aquela pergunta, então acabou apenas dando de ombros e deitando a cabeça no peito do melhor amigo. Por mais que ele sabia que era “sim” o que ela provavelmente diria, não queria deixá-la ainda mais irritada.

— Acho que você deveria falar com James. Dizer o que você sente. — aconselhou-a.

— Na verdade eu estava pensando em passar no apartamento dele para ver como ele se sente sobre a nova garota. Também concordamos que se realmente começássemos a gostar de alguém, pararíamos seja lá o que for que temos.

Fred assentiu e mudou de assunto, tentando alegrar ela. Começou a mostrar fotos de cãezinhos com fantasias e eles começaram a discutir sobre mitologia grega. Dominique gostava de ter um amigo como ele, ela também tinha Rose, porém ela se mudara para Liverpool.

A loira passara por maus bocados entre o quarto e o sexto ano; ela era anoréxica. Na sua adolescência, botara em sua cabeça a ideia de virar modelo — achava que tinha o corpo e a aparência para tal; e estava certa. O problema era que sua mãe, nunca satisfeita, gostou da ideia mas acabou falando que ela estava gorda demais. Já que era o sonho de Dominique naquela época, ela fez de tudo para emagrecer cada vez mais, mas nenhum resultado parecia suficiente.

O seu quinto ano foi o pior. Ela passou mais da metade do seu ano letivo internada no St. Mungus, mas os professores foram compreensivos e ela estudou para passar. Aquele ano foi o pico da sua falta de saúde mental e física, e ela estremecia cada vez que lembrava seus dias no hospital, tomando soro e deitada na cama pois não conseguia ficar em pé.

Mas Dominique era eternamente grata aos seus amigos e familiares, principalmente seus irmãos, Fred, Rose e James. Eles a ajudaram muito, a visitavam sempre que podiam e faziam dos seus dias mais alegres. Depois de ela se recuperar razoavelmente, todos eles fizeram uma promessa que sempre estariam ali caso Dominique precisasse, e até os dias atuais ela sentia que nunca agradecera-os o suficiente.

Após aumentar o astral de Dominique, Fred acabou decidindo que iria embora por estar muito tarde e nenhum dos dois tirava folga. Deu um beijo na testa da prima antes de ir.

— Obrigada pela ajuda, Freddie. — Ela o abraçou.

— Tudo pela garota que me ajudou a descobrir que eu não gostava de garotas. — Ele brincou, e Dominique deu um empurrãozinho no seu ombro.

— Em minha defesa, eu estava bêbada.

Os dois riram, mas Fred acabou indo embora mesmo assim. Dominique agora estava mais relaxada e calma, e assim que deitou sua cabeça no travesseiro e fechou os olhos, tudo ficou mais calmo.

XX

Os raios de sol incidiam sobre a janela do quarto de James e aos poucos ele foi abrindo os olhos. Que noite fora aquela? Ainda tentava processar os acontecimentos da madrugada. Quando acordou devidamente, observou cabeleiras morenas ao seu lado e estranhou, já que estava acostumada com loiras; mas logo lembrou que era Jill, e a mesma começou a revirar-se na cama.

— Bom dia. — Ela abriu um sorriso, o qual James retribuiu.

— Bom dia, Jill.

Depois de mais de dois anos acordando ao lado da mesma pessoa, o sentimento de ver uma diferente era… bem, James não sabia como descrever. Ele gostara muito de Jill, e ao contrário da sua impressão inicial, ela não era nada reservada, — embora fosse fofa — ela era muito selvagem. Era como uma garota sensualmente fofa. Mas, de alguma maneira, ele sentia que algo estava faltando.

Jill gostara muito de James; ele era seu tipo. Era engraçado, bonito — muito, aliás —, beijava bem, mas também era um pouco sério e gentil. Além de ter um corpo de se derreter por. Nunca pensou que gostaria de alguém tão rápido daquele jeito e queria que aquilo desse certo. Nadando pela imensidão daqueles olhos azuis, Jill percebera que ele tinha a cara de alguém que talvez lhe trouxesse problemas; mas ela não se importava. Conquistaria ele com o tempo, afinal era sempre assim que sua vida amorosa funcionava.

E tão cedo da manhã, James ouviu o tocar da campainha, pensando quem diabos queria vê-lo naquela hora da manhã. Levantou da sua cama com toda a lerdeza e preguiça do mundo, avisando Jill que logo estaria de volta. Ele foi até a porta praticamente arrastando seus próprios pés e abriu a porta.

Na sua frente, estava Dominique Weasley devidamente arrumada e claramente pronta para ir ao trabalho. James queria fechar a porta o mais rápido possível, pois por alguma razão ele tinha a sensação que estava a traindo, quando não era o caso. Ela entrou calmamente e abriu um sorrisinho amarelo.

Ela esperava que James já estaria pronto para o trabalho, afinal ele geralmente acordava meia hora antes do horário atual — ele costumava acordar oito e meia, e já eram nove horas da manhã —, mas ao invés disso ele estava com seu cabelo mais desarrumado que o normal e as ramelas em seus olhos eram mais do que visíveis, e para completar ele só estava usando uma cueca; e nem percebera.

— Eu preciso falar com você. — Ela disse.

Antes que ele pudesse responder, Jill apareceu sorridente. Dominique pensou que aquela deveria ser a garota, e suspirou pelo fato de que eles já tinham dormido juntos. Lembrou que James disse que só dormiria com alguém além dela se ele realmente gostasse da pessoa.

— Hum… — James parecia desconfortável; o que ele realmente estava — Jill, essa é a minha prima, Dominique Weasley.

A morena, muito simpática, estendeu a mão para que Dominique a cumprimentasse, o que ela fez.

— Eu lembro de você Dominique, eu era da Sonserina e sou dois anos mais nova. — Disse, e Dominique balançou a cabeça, fingindo que realmente lembrava dela.

James explicou para a mais nova como Dominique precisava conversar com ele e como a encontraria no trabalho, e Jill despediu-se dele com um beijo e um sorriso. A loira suspirou, afinal parecia que ela tinha gostado bastante dele também. James Sirius olhou para ela, esperando que o assunto começasse, mas Dominique parecia estar perdida em seus pensamentos.

— O que queria falar comigo? — Ele perguntou, parado na frente da prima com os braços cruzados. Ela parecia tão distraída, tão distante e James não pôde deixar de questionar-se se aquilo era por causa dele.

— Ela parece gostar bastante de você. — Dominique parecia cuspir as palavras de sua boca enquanto olhava fixamente para a porta, onde Jill acabara de sair. Dessa vez, James realmente ficou preocupado.

— Você está bem, Domi? — Ele se aproximou dela e ficou analisando-a. Ela apenas virou o rosto em direção a James e abriu um sorriso.

— Totalmente. — Respondeu, ainda sorridente. Ela respirou fundo, tentando se recompôr para tratar logo do assunto. — Bem, James, Fred me falou sobre Jill.

James suspirou e passou a mão na nuca, logo fazendo uma careta.

— É… Eu ia passar no seu apartamento depois do trabalho para conversar sobre isso.

Dominique engoliu em seco. Sentia como James estivesse a traindo, quando não era verdade. Ela estava começando a concordar com o que Fred disse mais cedo; que aquilo acabara durando tanto tempo, que Dominique ficou esperando que não acabasse.

— Então você gostou dela? — Ela pressionou os lábios após fazer uma pergunta cuja não queria saber a resposta.

James assentiu.

— Mesmo com apenas um encontro, creio que possa dar certo. — Disse, e aquilo foi como um golpe final para que Dominique fosse nocauteada.

— Então acho que não tenho mais o que fazer aqui, certo? — A risada breve de Dominique tivera um toque triste que James sequer percebeu, mas antes que a mão da loira alcançasse a maçaneta da porta, James agarrou seu pulso.

— Está tudo bem entre nós? — Ele perguntou e olhou nos olhos dela. Às vezes se esquecia da beleza dos olhos azuis de Dominique, e no momento sentia que não tinha apreciado-os o suficiente.

— Claro, Jay. — Era como tudo que ela dizia parecia mentira. — Me ligue ou mande uma carta quando precisar de algo.

Dominique abriu e fechou a porta o mais rápido que pudera, pois seus olhos marejaram por algum motivo. Ela se encostou numa parede do corredor e deixou as lágrimas rolarem. Queria que elas parassem, queria descobrir a razão que ela mesma não enxergava; o sentimento de ciúmes, de que ela acabara de terminar um relacionamento de anos, o que não era verdade.

E do outro lado, James estava com todos os tipos de sentimentos misturados. O de felicidade, por encontrar alguém tão legal quanto Jill; e o de preocupação, por achar que Dominique não estava nada bem. Conhecia a melhor amiga mais do que a si mesmo, e anos atrás ele prometera que a cuidaria, mas nos últimos tempos ela mostrava uma força inabalável, de que conseguiria tomar conta de si mesma. O problema era que James Sirius não podia evitar se preocupar, e quando foi procurá-la pelo prédio, ela já não estava mais lá.

Notas finais
Gostaram do capítulo? Se sim, por favor, comentem. Embora essa não seja a típica fic "movida a comentários" (odeio), significa muito saber que vocês estão gostando dela. Beijinhos e até a próxima