Sinners...
2 Chapter Two - Arcanjo...
Notas iniciais
Sinners...
(Pecadores...)
A morte não tem nada de glorioso.
Qualque um pode morrer.
Johnny Rotten
(...)
Chapter Two – Arcanjo...
A densa floresta de eucaliptos ganha finalmente o ar apocaliptico á qual Carol está acostumada, o vento gélido lhe atinge naquele fim de tarde, o cheiro de podridão e morte a faz tapar a boca e nariz com a mão livre, no chão úmido da floresta alguns corpos estão estendidos, alguns abertos decompõem á céu aberto, todos tem furos na cabeça, furos pequeninos se comparados aos buracos que uma bala deixaria. Olhou para o céu tentando encontrar algum alivio olhando a lua sendo encoberta por uma cinzenta nuvem ao longe, logo iria escurecer, ela contava mentalmente os dias que passara naquela floresta, fazia três dias que ela andava á esmo. Não sabia onde estava indo, apenas ia... Escondeu o bastão numa moita baixa, agarrou a mochila com força e começou a escalar uma árvore, era alta, mas tinha fácil acesso para que ela escalasse, era o melho lugar, a manteria longe do chão e dos mordedores. Ela sabe que passará fome dentro de alguns dias, não tinha muitas frutas por ali, não estavam em época. Abriu a mochila e se recostou ao tronco, esparramando o corpo no grande galho que conseguira alcançar, abriu a mochila e retirou uma barra de cereal de dentro, a fome a atingindo rapidamente, bebericou um pouco da água, sabendo que tinha que racionar tudo, não sabia quanto tempo ficaria ali. Mastigou lentamente a barra, o gosto do doce meio murcho faziam seus olhos revirarem, pra quem não tinha muito o que comer, qualquer coisa se tornava um manjar dos Deuses.
As horas se arrastaram, em nenhum momento Carol se deixou dormir, estava atenta á todos os ruídos e gemidos, em algum momento ela se perdeu no próprio silencio e foi tarde que ela percebeu o grupo de mordedores se aproximando. Ela prendeu o ar ao notá-los, dali ela conseguira contar treze, pareciam agitados, Carol sempre notara o quanto eles ficavam irritadiços quando em grupo, ela agradecia veemente por estar tão suja com escrementos e sangue de mordedores, assim eles não notariam sua presença ali. O grupo passou lentamente, mancando em um ritmo quase unico. Os ultimos logo surgiram, um casal, a mulher com um vestido estilo dona de casa e um avental que um dia fora branco, o homem usava uma calça capri e um casaco moletom, os olhos vazios e mucosos brilharam em atenção quando pareceram sentir a presença de Carol, o pequeno embrulho com a barra de cereal acabou fazendo um ruído entre seus dedos, os mordedores esgarniçaram os dentes em sua direção, dentes podres e alguns já caídos, a baba preta escorre deliberadamente para fora. Carol toca institivamente sua Glock, buscando por algum alivio. Ela precisava pensar. O casal de mordedores começaram a ganir, e gemer, logo os mordedores que haviam passado seriam atraídos, as pernas de Carol tremelicam, ele tem pavor. Ela retira a Glock do coldre e aponta em direção á mordedora, estranhamente a mordedora parece entender o que aconteceria e começa a ganir em desespero, grunhindo fortemente. Desnorteada Carol assistiu quando os quase doze mordedores viraram em sua direção e se aglomeraram no tronco, tentando envão alcançá-la. Ela vagamente escutou sons de punhos enquanto batiam contra o tronco da árvore, ela sabia que logo eles arrumariam um jeito de alcançá-la. Derrubando a arvore, ou se aglomerando um sobre os outros como uma escada de corpos. Carol olhou novamente para os seres mortos abaixo de si, vendo no meio da multidão de olhos mucosos, um ser menor, uma menina, com mãosinhas pequenas e olhos pequeninos e cinzentos, ela não tinha metade do lábio superior, usava um pijama fofo de coelhinhos, ela grunhia enquanto a baba preta escorria de sua “boca” deformada.
Carol não queria morrer daquele jeito, o quão patético soaria? Morta em cima de uma árvore como um gatinho assustado... Tudo porque ela não seguiu seu código mais primordial desde que tudo começou. Não confie em ninguém. Era o que ela sempre dizia, e havia sido pega por um simples segundo, confiar em alguém. E agora, ali estava ela, encurralada por um grupo de pedaços podres de carne que se locomoviam como se ainda fossem “vivos”. Ela encarou novamente a menina. Uma criança... Uma criança como Sophia... Ninguém estava á salvo. Ela iria exitar, ela nunca exitou antes, sempre atacava qualquer um daqueles bichos, até deformar seus crânios, ela sabia que precisava atingir o cerebro para que eles “morressem”. Carol nunca foi muito religiosa, simplesmente não se prendia a costumes como aqueles, ela sempre estava mais preocupada em pôr comida na mesa. Para ela, Deus nunca olhou, então por que se importar...?
Ainda tremendo Carol apontou a Glock em direção á mordedora menor, os olhinhos mucosos brilharam, quase num pedido: Me acerte! E foi o que ela fez. Ela arrebentaria quantos crânios podres conseguisse, ela lutaria uma ultima vez. Deixou seu dedo alisar levemente o gatilho, antes de pressionar e o estampido da arma soar alto, espantando algumas aves que voara para longe. Ela assistiu com estranha excitação o projétil atingindo a testa da pequena mordedora, a bala alojada no centro de sua testa, sangue podre e infectado jorrou para fora, até que o corpo foi ao chão. Os mordedores se agitaram mais com o tiro e a morte. Pareciam entender como se tivessem inteligencia ou coisa do tipo.
Outro estampido ecoou pela floresta, outro mordedor caía no chão úmido da floresta, numa poça de escrementos e sangue fétido. Carol continuou a disparar, um mordedor por vez ia caindo, ela não se permitiu errar, uma bala e menos um errante. Ela estava atravessando uma linha sem volta, a cada corpo que ia ao chão, mais os mortos-vivos se atiçavam, ela deslizou para baixo, rapidamente caindo em pé no chão, continuou atirando, vendo cada tiro certeiro derrubar um dos errantes. Faltavam pouco mais de cinco quando ela apertou o gatilho e viu que não tinha munição. Não teria tempo de abrir a mochila e pegar mais bala, então apenas se virou para a moita e agarrou o bastão de Basebol, se era para morrer, morreria lutando. Tecido cerebral estava por todo o canto. O primeiro avançou faminto em sua direção, Carol balançou o quadril e acertou com força a cabeça do mordedor, sangue preto esguichou num jato para fora, enquanto o cranio mole se partia e se grudava ao taco, o rosto de Carol ganhou os resquicios do nojento golpe, seu rosto estava repleto de sangue infectado. Ela viu com fraqueza que dois avançavam, ela não teria escapatória. Seus carrascos a havia encurralado finalmente. Tentou usar o taco como barreira, quando um deles se lançou contra seu corpo, presa entre o tronco e mordedor, ela viu de perto a dimensão de tudo aquilo, o cheiro forte de carne morta invadiu suas narinas, a boca com baba preta próxima o suficiente para fazê-la desmaiar, os dente podres e amarronzados quase a centimetros de seu rosto. Tantas vezes ela havia visto a morte, mas somente agora ela via que não havia escapatória. Seus pensamentos foram para Sophia, queria encontrar a filha, de um jeito ou de outro. Quem sabe a pequena não estivesse no céu, em um lugar melhor. E agora Carol teria a chance de encontrá-la. Se ela fosse pro céu, o que não era muito certo dada a personalidade de Carol. Fechou os olhos e esperou a mordida. Mas ela não veio. Sentiu quando sangue espichou em seu rosto, abriu levemente os olhos vendo o mordedor deslizar pro chão com um tipo de flecha preso em seu crânio. Ela olhou vendo que os outros mordedores jaziam caídos no chão, cada um com uma flecha certeira no crânio. Pensou estar sonhando quando seus olhos recaíram sobre um homem. A Crossbow equilibrada em seu braço enquanto ele ainda apontava com precisão, a respiração de Carol ficou presa na garganta. Quem era aquele?
O homem deslizou em passadas firmes até Carol, os cabelos loiros e revoltos caíam sobre seus olhos miúdos e azuis. Carol de longe se deixou contemplar seu herói, um Arcanjo do céu. Munido de uma Crossbow bonita e as flechas pendidas em suas costas. Ele apenas virou-se e indicou para seguí-lo. Carol não iria questionar, catou o bastão com força e correu seguindo o mesmo caminho que o homem de colete havia seguido. Os gemidos e grunhidos estavam perto, sinal de que mais mordedores haviam sido alertados pelos tiros. Correu, correu como nunca antes. Até que avistou um enorme Casarão, o muro alto e imponente lembravam-na algo como uma mansão. Correu mais rápido, aflita pelo o que poderia acontecer. O grande portão de ferro possuía correntes pesadas e um cadeado grande o suficiente para fazer um estrago se arremessado. O homem com ar meio caipira empurrou o latão de lixo para próximo do portão e usou aquilo para subir, sentou sobre o portão e estendeu a mão para Carol. A mulher jogou a mochila e o bastão para dentro antes de negar a ajuda, e subir sozinha, saltando rapidamente para dentro. Olhou com atenção o quão grande era aquela casa.
Talvez ouvesse mais pessoas ali...
Ela estacou no lugar quando o pensamento lhe atingiu não agradando. Pessoas não eram mais confiaveis naquele mundo. Em grupo então, menos ainda. Nem sabia o nome do homem que a salvara. Será que ele era como os outros?... Sem saber ao certo, viu ele pegar a chave da porta no bolso e abrir revelando a entrada da casa. Tinha muita poeira no chão mais nada que não pudesse ser facilmente cuidado por ela. Andaram até a sala e ela não deixou o encalço do homem, vigiou cada local esperando por algo ou alguém, qualquer coisa que fosse parecia melhor do que nada. Ela viu quando ele a olhou, os olhos densos e azuis desprovidos de qualquer sentimento humano, frio e vazio como uma pessoa oca.
__A arma... – Ele inquiriu apontando a Glock em sua cintura. Era óbvio que ele não a deixaria ficar com a arma.
__Está descarregada... – Era óbvio que ela também não contaria que possuía balas. Colocou a arma e o bastão sobre a mesinha de centro na sala.
__Sou Daryl... – Ele sussurrou e pegou a arma e o bastão. Parecendo medir o peso da arma.
__Carol. – Ela disse enquanto analisava novamente a casa procurando sinais de outros sobreviventes. Ela continuou estudando a sala onde estava, não tinha energia eletrica, meio óbvio que não possuísse, uma fina parte da janela estava aberta, deixando fachos da luz da lua clarearem o local. Os olhos dela encontraram os dele e ali pararam, ele a encarava com fixação, então ela resolveu devolver o olhar, mas não conseguiu o manter por muito tempo.
__Tem água encanada, mas minha hospitalidade termina aí. Meus outros companheiros foram até a cidade em busca de suprimentos. – Carol anotou mentalmente que havia outros. __Tem um poço lá trás, de onde tiramos a água. Também tem uma cisterna que capita água da chuva. Mas não tem chovido muito por aqui. – O tal Daryl explicou ao olhar confuso de Carol.
A possibilidade de um banho frio alimentou Sakura, um banho era tudo que ela queria.
__Vocês são quantos... Digo... Quantos de vocês são aqui? – Ela perguntou olhando o resto da casa.
__Somos quatro... – Ele disse não a olhando. Carol abriu a mochila e tirou de lá a jaqueta.
__Não tenho nada para vestir... – Ela disse e viu quando o olhar do homem recaiu sobre ela novamente.
__Talvez uma das minhas roupas possa servir em você... – Foi o momento que Carol sentiu seu rosto e pescoço pegando fogo. Que tipo de mulher boba ela estava ficando? __O banheiro fica no segundo andar, primeira porta á direita... – Ele instruiu. __Deixo a roupa e toalha na porta do banheiro. – Carol se impediu de corar enquanto respondia um obrigado. __A proposito, foram ótimos tiros... – Se ela já estava se sentindo envergonhada antes, aquilo a havia deixado a beira de um colapso. Um elogio acabava com suas estruturas tão bem erguidas...
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