Sinners...
15 Chapter Thirteen - Peter Pan...
Notas iniciais
Sinners...
(Pecadores...)
Penny já estava em sua segunda ou terceira tigela de sopa, ninguém sabia ao certo, talvez ninguém estivesse se importanto realmente, afinal, a fome atingia a todos e cada um estava focado em sua própria refeição. Penny ergueu seus olhinhos coloridos e brilhantes para Carol, e sorriu. Após tanto tempo vivendo apenas com seu pai e seu tio, era reconfortante ter uma mulher. Alguém que a fazia recordar de sua mãe. O tempo passaria, o mundo continuaria acabado, as coisas se tornariam cada vez mais difíceis. Mesmo assim, Penny ainda precisaria de algum tipo de amor fraterno e maternal, e ela apostava todas as fichas em Carol. Talvez, aquele Deus que todos dizem existir, ainda continuava olhando de algum lugar, e escutou os doces pedidos silenciosos de Penny. Carol levantou-se e caminhou até a pequena loirinha, e a chamou para deitar, que contaria uma história que faria a pequena dormir. Talvez, só talvez, alguém ainda olhava para a doce pequena de algum lugar no céu. Carol não sabia ao certo o que a havia feito chamar a pequena, apenas sentiu uma imensa vontade de fazê-lo, então o fez. Carol pensou habilmente em algumas histórias que poderia contar. Desde João e Maria, a Peterpan. Escolheu a história do menino que nunca cresce, era a predileta de sua Sophia.
Carol deitou num amontoado de cobertores, e trouxe Penny para deitar em seu braço. Começou a história, abdicando-se de falar o clichê “Era uma vez”, apresentou os personagens e contou sobre o tal pó de fada. Era uma história tão simples e apaixonante, afinal, não crescer deveria ser solitário, mesmo para um garotinho que voava em suas loucas aventuras contra piratas, talvez por culpa da solidão ele tenha se apaixonado por Wendy, porém no fim, não pôde ir com ela. Ele tinha coisas a fazer, um lugar inteiro pra proteger. Era uma história sobre o amor também.
Encostado em uma prateleira, Philip encarava sua filha fazendo caras e bocas enquanto Carol lhe contava uma história qualquer. O homem sabia o quão importante Carol estava se tornando para sua filha, era reconfortante, pois felizmente, Carol era uma mulher forte o suficiente para proteger sua filha caso ele precisasse.
Brian colocou um pouco mais de lenha, na baixa fogueira no centro do estabelecimento. Era a única fonte de luz no local. As brasas eram baixas, o fogo era apenas para iluminar, não poderiam acender mais pra se aquecer, se contentariam com aquilo por hora.
Daryl tinha um plano em mente, seguir um caminho seguro com Carol. Era tudo que ele queria, era tudo que ele conseguia pensar por enquanto. Era a primeira vez que ele se importava mais com alguém, do que consigo mesmo. Era estranho que ele fosse encontrar uma pessoa justamente naquele mundo fodido. Ele já havia se acostumado em ser o bronco que atraía as mulheres que queriam apena suma noite com ele. Um cara que elas nunca confiariam para seguir uma vida. Ele era simplesmente o cara errado, o cara de apenas sexo. Mas, droga, ele havia caído. Estava apaixonado.
***
__Carl! – A voz de Sophia reverberou por toda a casa. Era uma das casas abandonadas da cidade. Por mais que ela conhecesse muito bem sobre manter o silêncio, ela ainda se divertia demais pra se conter. Fazia tempos que ela não encontrava alguém com sua idade, que tinha a mente parecida com a sua, e que gostava de agir como adolescente que era. Talvez esconde-esconde seja uma brincadeira infantil demais para eles, porém ninguém se importava. Era apenas uma forma de esquecer todo aquele tempo difícil e fodido. Sophia caminhou pela cozinha em passos lentos, tentando olhar em todos os lugares possíveis que ele pudesse se enfiar. __... Eu vou te achar e você sabe disso! – Ela gritou sufocando uma risada quando ouviu algo subindo os degraus rapidamente.
Ela voltou para o hall de entrada e subiu as escadas rapidamente, de dois em dois degraus. No segundo andar, ela não pensou com clareza, foi logo em direção ao quarto principal. Abriu a porta e encontrou o local vazio. Caminhou lentamente e olhou o guarda-roupa, embaixo da cama, no banheiro anexado e qualquer pequeno vão que alguém pudesse se enfiar. No banheiro havia outra porta além da que levava de volta ao quarto principal. A família dividia o banheiro principal. Passando por aquela porta encontrou o quarto que provavelmente pertencia a alguma criança. Encontrou Carl encostado na parede com uma revista em quadrinho nas mãos. Era Deadpool.
__Será que as pessoas que viviam nessa casa, estão vivas? – A voz de Carl é quase um sussurro silencioso pelo cômodo.
__É difícil saber... Quando meu pai e eu chegamos aqui, o muro já estava sendo erguido... – Sophia caminhava pelo local passando os dedos lentamente sobre os móveis sujos de poeira. __As pessoas já estavam meio que vivendo uma vida aqui. Nós apenas acompanhamos sem saber algumas coisas.
__Entendo... – Carl sussurrou abrindo uma das gavetas para encontrar mais revistas em quadrinho, de muitos personagens distintos.
__Talvez eles sejam pessoas como nós. Sobrevivendo por aí. Sem rumo... – Sophia murmurou. __Eu penso todo dia em minha mãe. É fácil ter esperança de que ela ainda está por aí. Em qualquer lugar...
__É o mesmo que sinto em relação ao meu pai. Também penso que ele está por aí. Esperando por mim e por minha mãe. – Carl diz e dá um sorriso. Era simples conversar com ela. Não tinha pena, nem nada. Era simples.
__Será que tem algum do Homem aranha? – Sophia murmurou lembrando-se de seu herói favorito.
__Deve ter... – Carl pegou a pilha de revistas na gaveta e colocou no colchão, começando a procurar pelo pedido da garota.
***
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