Sinners...
10 Chapter Nine - Lojinha...
Notas iniciais
.. (Pecadores...)
“Eles partem com o sol se pondo, todos olhando para o utilitário atolado, que fica a distância, como um navio naufragado no esquecimento”.
Robert Kirkman — A Ascensão do Governador (Página 77)
(...)
Chapter Nine — Lojinha...
O grupo seguia rapidamente pela rodovia, não queriam ficar muito tempo em campo aberto. Eles seriam um prato forte para uma horda desavisada que estivesse caminhando por aqueles lados, era tudo que eles menos precisavam. As carcaças de carros chamuscados ficaram pra trás na rodovia, e um ou dois errantes eram encontrados pela rodovia, e era rapidamente morto por algum dos sobreviventes. Os olhos atentos de Philip procurava o melhor lugar para passarem a noite. Ao fim da rodovia uma pequena lojinha chama a atenção do grupo. É uma pequena mercearia, parece vazia, com a vidraça quebrada e os portões antifurtos soltos o suficiente para que um corpo magro passe. Carol passa pelo buraco e entra na loja para fazer uma varredura do local, antes de abrir o portão e deixar o resto do grupo entrarem. A tarde já havia chego á muito, e a loja estava completamente escura. Ela pega na mochila uma lanterna e ilumina toda a loja. O lugar está aparentemente vazio, Algumas prateleiras caídas no chão, formando escombros que atrapalham o caminho. O odor da loja é puro, ela não sente o costumeiro fedor pútrido que exala num local que possui algum errante. Ela vislumbra os banheiros ao fim da loja. Um masculino e um feminino. A mulher de cabelos grisalhos põe a mochila no chão, e segura firmemente o bastão de baseball.
Ela opta por vasculhar o banheiro masculino primeiro, o lugar fede, mas não a morte e sim a urina. Ela caminha rapidamente até as cabines, abrindo uma por uma, e se certificando de que o banheiro estava vazio. Foi até a pia e tentou abrir o registro. Não tinha água como o esperado. Virou para as cabines e caminhou até a caixa de água das privadas.
A porta foi aberta num rompante e Carol se assustou. Com a mão sobre o peito ela encara o caipira que tem a besta em mãos.
__Daryl! – Ela grita exasperada, ainda assustada. __Quer me matar do coração?! – Ela diz irritada.
__Você estava demorando droga... – Ele diz emburrado.
__Eu estava vasculhando os banheiros... E o portão...? – Ela questionou com medo da resposta. Viu o homem coçar a nuca e fazer uma expressão envergonhada. __Você pôs o portão abaixo Daryl? – Ela questionou já sabendo a resposta.
__Você estava demorando... – Ele sussurrou e desviou os olhos. Carol resolveu não discutir e acompanhou Daryl até o banheiro feminino.
Em uma das cabines está uma figura esparramada no chão sujo de sangue seco. Carol congela no lugar, a pequena garotinha morta no chão, esticada e recostada contra a parede da cabine, não tem as duas pernas. Pela trilha de sangue e gosma, fica claro que a menina se arrastou até o banheiro. Ela parece um pouco mais nova que Sophia e isso tira um pouco do ar de Carol. A mulher sabe que precisa sair urgentemente dali, não conseguia olhar um ser tão pequeno que lhe arremetia á Sophia. Porém seu olhar não consegue se desviar do corpo patético sentado sobre os próprios fluidos, que obviamente vazaram dos cotocos apodrecidos que eram suas pernas.
__Droga... Eu não consigo... – Carol diz baixinho mais pra si mesma, do que para Daryl que está ao seu lado. __Ela está sozinha... Aqui. Como um bicho! – Carol diz e vira o rosto incapaz de olhar o ser no chão. __Sophia é um pouco mais velha que ela. Imagine o que minha menininha está passando agora.
__Quer que eu faça? – Daryl pergunta e Carol assente silenciosamente entregando o taco á Daryl. Ela vira-se e sai da cabine, ouvindo o som úmido e molhado de um golpe firme. Ela volta para loja e encontra Brian e Penny vasculhando as prateleiras caídas no chão. Philip e T-dog trabalham na proteção de janelas, e vitrines quebradas. Eles utilizam pregos e tabuas retiradas das prateleiras para pregarem na janela.
Carol senta no chão e encosta as costas na parede. Com o olhar levemente perdido ele encara o grupo divido em tarefas distintas. Penny deu pulinhos felizes segurando uma revistinha de princesas. Era um livro da Cinderela. Penny correu em direção á Carol, com o livrinho em mãos.
__Lê pra mim Carol...? – A menina perguntou já se lançando no chão, entre as pernas de Carol.
__Claro. – Carol respondeu e pegou o livro das mãos da menininha.
Quem sabe aquilo a distrairia...
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