Sinners...
12 Chapter Eleven – Lábios manchados na chuva...
Notas iniciais
Sinners...
(Pecadores...)
“O homem que não tinha nada tinha de tudo
Artrose, Artrite, Diabetes, e o que mais tiver,
Mas tinha dentro da sua alma muito conteúdo
E mesmo sem ter quase nada, ele ainda tinha fé.”
Projota feat Negra Li – O homem que não tinha nada.
(...)
Chapter Eleven – Lábios manchados na chuva...
O sussurro cálido do vento frio é como um leve abraço no fim do dia. Os trovões haviam parado momentaneamente de soltar seus berros contra o céu. Apenas as gotas geladas caíam despropositalmente do céu escuro. Os dedos ágeis da mulher de curtos cabelos brancos desembolam com precisão a corda presa entre a maçaneta da porta de entrada, protegida sobre a varanda de uma pequena casinha ela tentava agora, retirar a tábua grossa de pouco mais de seis centímetros, que mantinha a porta do pequeno casebre fechada e “bloqueada”, de seus lábios quentes a fumaça saía a cada simples respiração, o frio ali fora estava quase insuportável. A chuva caía incansavelmente do céu escuro, Carol e Daryl haviam encontrado a pequena casinha depois de saírem da estrada. Parecia um pequeno refúgio protegido pelos pinheiros que rodeavam a estrada principal. Uma pequena estradinha de terra os havia levado até ali. Parecia um belo presente dos céus.
Daryl ergue a crossbow enquanto Carol empurra a porta finalmente aberta, o silencio é tudo que perpetua dentro da casa. Era simplesmente incomodo para Carol estar num lugar milimetricamente vazio. Era como se a qualquer momento um dos mortos fossem saltar em sua frente. Os lábios roxos da mulher moveram-se rapidamente enquanto ela dizia que vasculharia os armários da cozinha.
Em seguida subiu para o segundo andar, onde vasculhou o quarto de casal, havia caixas de papelão jogadas pelo chão, a cortina grossa de cor escura e densa, balançava com o vento forte que vinha da janela aberta. A cama de casal estava perfeitamente coberta por um grosso edredom preto. Carol deu alguns passos em direção a cama e levou uma das mãos sobre o colchão macio. Mordeu os lábios lentamente se virando em seguida para a janela aberta. O frio ainda a fazia tremelicar levemente. Foi até a janela fechando-a com força, sentindo o imediato frio sumir aos poucos. O barulho de um gemido já conhecido por ela foi ouvido. O corpo de Carol se retesou entrando em modo de defesa. Ela girou em direção ao som, vinha detrás de umas das portas fechadas. Provavelmente seria o banheiro. Com passadas lentas ela foi até a porta, com as mãos tremendo ela pôs uma sobre a maçaneta, respirou uma última vez abrindo a porta com rapidez. Ela escancarou a porta, deixando a mesma bater contra a parede num barulho alto. O errante dentro do banheiro tinha olhos opacos, uma pequena mordida estava em seu braço esquerdo. Aquele bicho havia sido uma bonita menina. Os cabelos loiros bagunçados caiam por seus ombros finos, os lábios mortos abriram-se lentamente enquanto ela soltava um urro, e dava um passo lento pra fora do banheiro. Parecia que ela havia se escondido ali após a mordida. Se transformou em total solidão.
“Num só golpe...”
Carol sussurrou á si mesma e atingiu o lado esquerdo do crânio da menina.
A solidão é uma das coisas mais tristes. Não somente naquela nova realidade fodida de mundo.
Carol puxou o corpo morto até um dos tapetes do quarto e o enrolou. O cheiro pútrido já não incomodava seu nariz. Ela arrastou o corpo para o corredor, no alto da escada avistou Daryl.
__Hey, o que houve? – Ele questionou segurando algumas velas.
__Tava no banheiro do casal. – Carol puxou o tapete com a menina pela escada, logo tendo a ajuda de Daryl, que pôs o corpo enrolado sobre os ombros. __Vou subir. Trocar essa roupa molhada, o armário do casal ainda tem roupas. Vou procurar algo pra você também. – Carol diz lembrando do armário do casal, onde roupas estavam organizadas.
Já no quarto Carol abriu o grande guarda roupa, pegou uma calça jeans desbotada e foi pra frente do espelho pondo a peça em frente ao corpo, averiguando se caberia em seu corpo. Jogou a peça sobre a cama, levaria aquela consigo. Escolheu outras calças, jogando em cima da cama também. Escolheu algumas camisetas e blusas, e por fim um casaco. Ao fundo do guarda roupa estava uma jaqueta de couro pendurada, era bonita e levemente feminina. Era linda. Em outra época não teria coragem de usar por conta de sua idade, mas estava pouco se fodendo naquela nova realidade. Guardou as roupas escolhidas em sua mochila. Trocou de roupa rapidamente, pondo um short curto de tecido grosso, que Carol jurou ter sido feito para uma criança. Pegou um casaco moletom, com capuz e bolsos grandes. O emblema de um time de faculdade estava sobre um dos bolsos. Ela vestiu o casaco e catou umas meias colocando-as em seguida.
Era estranho furtar roupas de uma pessoa morta, mas era junto pensando que a pessoa talvez ficasse feliz em ceder á outra pessoa que precisasse já que ela não teria condições de usar. Avistou uma escova de cabelo sobre a mesinha de cabeceira, uma cartela de chicletes e uma cartela de analgésicos estavam ao lado do objeto. Virou-se em direção ao banheiro onde a menina estava. Foi até o cômodo e parou diante da pia, suja de sangue seco, a menina provavelmente havia tentado lavar a mordida. Abriu o armarinho sobre a pia e sorri mediantes os objetos. Achou fio-dental, mais frascos de remédios, mas estes ela não soube identificar para que serviriam, um frasco de xampu quase cheio, um pacote de camisinhas sabor morango e um pacote de absorventes — que ela agradeceu grandemente por ter encontrado.
Ela voltou ao quarto contente com os achados. Dobrou uma roupa quente para Daryl e desceu para entrega-lo.
__Encontrei chicletes no quarto... – Ela falou enquanto mascava, lançando a cartela sabor menta em direção ao caipira que fabricava um pouco de fogo, com o algodão e álcool achados na dispensa.
__Achei macarrão instantâneo, milho enlatada e salsicha. – Daryl disse parecendo contente.
__Também achei camisinhas... – Carol diz se abaixando e colocando a roupa no espaço ao seu lado. Ela não fazia ideia do porquê havia dito aquilo, então rapidamente continuou. __... e analgésicos, e xampu. – Disse com o rosto vermelho.
__Camisinhas, hu? – O caipira disse dando um sorriso divertido.
__Não seja bobo. – Ela disse.
__Então pare de tentar transar comigo. – Daryl disse de forma bem humorada.
__Eu não quero transar com você! – Ela berrou ficando em pé num segundo, com o rosto em chamas.
__Oh por favor, você quer sim! – Daryl disse ficando também em pé.
__Daryl! – A mulher berrou constrangida.
__Carol... – Daryl apenas sussurrou deixando o nome enrolar por sua língua.
Nenhum dos dois decidiu adiar mais. Num único movimento as bocas estavam coladas. Difícil era dizer quem havia dado o primeiro passo. Os dedos de Carol se embrenharam no cabelo ainda úmido do caipira, seu corpo magro foi puxado com força para ainda mais perto. A língua de Daryl pressionou sobre sua boca, que se abriu com lentidão, enquanto ele puxava-a para mais perto e apertava sua bunda. As mãos femininas ferozes buscava um pouco mais do corpo, puxando o homem pelo colete que usava. Num puxão firme Daryl colocou a mulher em seu colo, Carol apenas cruzou as pernas sobre sua cintura sentindo o homem por completo, ou quase. Ele a levou até o sofá e deitou sobre ela.
__...tem certeza... – Ele perguntou descolando a boca da dela por um segundo respirando fracamente enquanto tentava puxar o casaco de moletom que ela usava.
__Inseguro? – Os olhos brilhavam provocativos de uma forma única.
__Curioso... – O homem sussurrou beijando e mordendo o queixo da mulher.
__Não vou me arrepender... – Ela sussurrou.
__Então... – Ele puxou o casaco pra cima, revelando a barriga lisa e branca como um copo de leite. O sutiã roxo parecia tilintar na pele clara. __...eu não vou te deixar escapar... – Ele sussurrou deslizando um dedo sobre um dos seios. Puxou lentamente pra baixo uma das partes, os olhos brilharam em puro contentamento.
Os lábios da mulher soltaram um som agudo quando sentiu ele por um dos seios na boca. Ela agarrou-lhe pelo cabelo, e deixou as sensações que ele lhe provocava dançando sobre seu cérebro. Ele era infindavelmente perfeito.
Seguiria aquele rumo. Sem dúvida.
(...)
A lâmina da machadinha atingiu a parte posterior do crânio morto, uma rajada úmida e amorfa de sangue negro e doente esvoaçou pelo ar. Lascas do osso podre explodiram em direções uniformes. Outro golpe, e respingos de sangue negro manchou a camisa cinza do rapaz coreano. O errante ergueu seus olhos, duas bolas de gude cinza, a ferida em sua cabeça ainda soltava o liquido preto. Glenn bufou e tentou puxar a machadinha presa na parte inferior do morto vivo, em um solavanco conseguiu puxar, o morto foi pra frente, e Glenn o empurrou com o pé pra trás.
Sophia sorriu tirando o livro de romance da frente de seus olhos, apenas para encarar o morto jogado ao chão. Sorriu para o jovem rapaz e descruzou a perna. Estava sentada sobre o balcão da cozinha, e viu o exato momento em que o morto vivo foi atraído para ali pelo coreano que usava um boné encardido. O homem caído ao chão provavelmente era o homem do lar. Podia se afirmar isso pelo terno cinza escuro e pelo sapato de couro legitimo, além da aliança dourada e brilhante, presa em seu dedo podre anelar. A mãe e as duas crianças estavam no outro cômodo, provavelmente teriam sido mordidos e transformados uns pelos outros.
__Ei... – Sophia chamou pelo Coreano que apenas a encarou de canto de olhos. __Estou pensando sobre a proposta. – Ela sussurrou lembrando do que o rapaz havia lhe pedido na noite anterior quando ele furtivamente foi para seu quarto.
__Sei que foi estranho. Você nunca deixou seu pai depois que tudo isso aconteceu... – O coreano abaixou o olhar levemente. __Mas eu quero um pouco de paz. Quero te beijar quando eu quiser sem medo do que pode me acontecer.
__Fugir... – Ela sussurrou. __Não é que eu não queira. Mas sabe, é o papai... – Ela sussurrou e abaixou a cabeça.
__Tudo bem Princesa. Não estou pedindo pra você escolher. Já sei sua resposta... – Ele disse baixo.
__Eu vou embora com você. Juro que vou... – Ela sorriu como a menininha que era. Sabendo estar prometendo algo que nunca conseguiria cumprir de verdade.
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