Sinners...
9 Chapter Eight - Viagem...
Notas iniciais
Sinners...(Pecadores...)
“Eles partem com o sol se pondo, todos olhando para o utilitário atolado, que fica a distância, como um navio naufragado no esquecimento”.
Robert Kirkman — A Ascensão do Governador (Página 77)
(...)
Chapter Eight – Viagem...
O vento gélido da manhã sussurra o pleno luto de mais um dia comum. Depois do fim do mundo, todos os dias, eram considerados Luto pelo mundo. Carol desceu as escadas da casa, com o bastão de basebol firme entre os dedos, a mochila nas costas e a Glock presa em sua cintura. Esfregou o nariz rapidamente notando que o resfriado começava a lhe atingir. Caminhou até a cozinha e lá encontrou Daryl, com a Crossbow nas costas e o colete que sempre usava quando saía dos muros que envolviam a casa. Porém, ele não estava sozinho. Philip e Brian estavam na mesa, também vestidos como se fossem sair. Foi com espanto que ela ouviu que Brian, Philip, Penny e T-dog iriam com eles para Nova Iorque.
__Esse centro de refugiados parece uma boa ideia. Não teremos munição para sempre... – Philip diz e puxa o mapa onde ele o melhor caminho para seguir viagem. __A rodovia não me parece uma boa ideia. Mas é o caminho mais rápido... – Philip pondera e com uma caneta vermelha circula o ponto onde seria o refugiados. __Levaremos dois dias no máximo para chegar lá. – Carol assente e logo a pequena Penny entra na cozinha. Vestida com uma calça rosa, casaco branco com capuz, e uma botinha rosa de camurça.
__Tia Carol, estou bonita?... – A pequena perguntou girando nos calcanhares e mostrando todos os ângulos da roupa.
__Parece uma princesa... – Carol sussurra e estende os braços pegando Penny no colo.
__Posso te contar um segredo...? – Penny diz e aproxima os lábios do ouvido da mulher, colocando a mãozinha na frente para esconder o que ela falava. __”Foi o tio T-dog que escolheu a roupinha...” – Ela sussurra baixinho e ri ao final.
__Você tá linda... Uma princesinha... – Brian diz e logo Penny se lança em seus braços.
__Qual o melhor caminho? – Philip questiona um pouco irritado com a falta de atenção do pessoal com o plano.
__A rodovia parece uma boa opção. Podemos encontrar suprimentos em carros e gasolina para a ambulância... – Carol diz com um dar de ombros.
__Tanto faz pra mim... – Daryl diz não se importando muito.
__Contanto que fiquemos vivos no fim... – Brian diz.
__Então tá decidido, vamos pela rodovia. – Philip diz e levanta da mesa. __Vou ajeitar a ambulância, senta para comer Penny. Brian, pega os suprimentos que dê para todos nós durante a viagem.
Penny e Carol se sentaram para o café. Algumas bolachas, café e barra de cereal. Carol se alimentou e deixou Penny na cozinha enquanto seguia em direção á Daryl, ainda recostado na parede.
__Acha que pode dar certo? – Ela pergunta um pouco aflita.
__Claro que vai dar certo... – Ele sorri. __Sem dúvida... – Ela funga e esfrega o nariz com as costas da mão. __Doente? – Ele pergunta.
__Só um resfriado. Esse tempo que muda a toda hora... – Ela diz com um dar de ombros. Sentiu o corpo arrepiar ao sentir a mão quente de Daryl em sua testa.
__Não tá com febre... Ainda... – Ele sussurrou ao fim. __Vou pegar uns remédios com o Dale. Só por precaução.
__Calma... Não precisa... Eu melhoro...
__É só um remédio. Seja uma boa menina e tome remédio... – Ele caçoou e Carol gargalhou.
__Vá buscar logo o remédio. Vou ajudar Penny, te encontro na ambulância... – Ela diz e se vira para a menininha que mastigava lentamente as bolachas.
***
A pequena de cabelos curtos e loiros andava pela rua com a mochila com formato de bichinho nas costas. Ela ergueu os olhos para a mulher a um metro a frente. O corpo morto se arrastava em passadas desengonçadas, suas roupas sujas e em farrapos mostrava que ela já estava naquele estado á muito tempo. Os olhos de tubarões tilintavam para a pequena loirinha que sorriu vendo a mulher de cabelos longos andando em sua direção. A menininha era mais rápida, esperou o errante estar próximo o suficiente para derruba-lo com uma banda. O corpo da mulher morta tombou contra o asfalto frio, o rosto foi de encontro ao chão num baque úmido e quase silencioso, a pequena erguer a pequena chave de fenda, e com um sorriso afundou a ferramenta no lobo frontal do morto-vivo. Deleitou-se com a visão da coisa morta, apaga-se finalmente.
__Sophia! – Ouviu a voz de seu pai que saía de uma das casas, com uma mochila e alguns suprimentos. Ao lado do homem forte e robusto que era seu pai, estava um menino magrelo e olhos puxados. __Vamos voltar pro Centro... – A menina assentiu e correu de encontro ao Jipe militar que os levaria de volta á salvo. Porem, a garotinha preferia a adrenalina do lado de fora. Somente nas ruas, ela sentia que ainda encontraria a mãe.
***
Uma fileira de carros chamuscados está espalhada ao longo da rodovia, impedindo a passagem da ambulância, em que o grupo se encontra. As carcaças dos automóveis queimados formam a cena de luto que significava a ultrapassagem do perímetro. O fogo não atrai nenhum morto vivo o que deixa Carol confusa. Apenas uma fogueira conseguia atrais dezenas deles, como pode uma trilha de carros em chamas não atrair nenhum?
Brian que estava no volante, para o carro a uma distancia segura. Daryl é o primeiro a descer do carro, se aproxima do resquício de chama que cobre alguns carros. O incêndio havia acontecido a muito tempo, algumas carcaças chamuscadas, já estavam frias. Philip se aproxima das carcaças frias e cinzentas e tenta enxergar o outro lado da pista. Havia umas duas filas de carros atrás da primeira, nada que não pudessem passar. Com a ajuda de Daryl, Philip se ergue sobre a pilha retorcida de metal e ferro. Olha sobre os carros, a rodovia limpa e livre. Alguns carros abandonados, mas nem sinal de errantes.
__O que faremos? – Carol grita, já fora do carro. __O que você vê aí de cima?
__Vamos seguir a pé daqui... – Philip diz e logo Brian já colocava Penny em seus ombros. __O centro é na cidade. Vamos encontrar outro carro, e um abrigo pra hoje. Antes que anoiteça... – Ele avisa e todos assentem...
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