Singular
5 Sei
Notas iniciais
Sabe quando a gente tem vontade de encontrar
A novidade de uma pessoa
Quando o tempo passa rápido
Quando você está ao lado dessa pessoa
Quando dá vontade de ficar nos braços dela
E nunca mais sair
.
Sabe, quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali
Em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo, muito
Os lábios desejados da sua pessoa
Quando quer que acabe logo a viagem
Que levou ela pra longe daqui
.
Rony caminhava de um lado para outro, estava ansioso e sentia seu coração bater em sua garganta.
— Vai fazer um buraco no chão.
Ignorou Harry, fazia três semanas que não via Hermione, tinha planejado tudo, alugou um quarto num hotel em Hogsmeade, comprou a melhor garrafa de vinho, pois sabia que era a bebida preferida dela, estava banhado de perfume e com uma aliança no bolso do jeans.
— Acha que ela vai aceitar?
Harry queria rir diante do nervosismo dele, mas também estava ansioso para ver Gina, aquelas aulas em Hogwarts e o curso de Auror pareciam uma tortura, três semanas pareciam um ano.
Então elas apareceram no lugar combinado, foram comer juntos, num encontro a quatro, Rony não conseguia desgrudar os olhos dela, de seus sorrisos e sua boca.
Desde que se beijaram em meio a guerra ele achou que sua vontade de sentir seus lábios juntos aos seus fosse acabar. Mas o contrário, agora que sabia o seu gosto, queria se afogar neles cada vez mais e a todo instante. Tanto que conseguiu se livrar de Harry e Gina rápido, logo estava com ela no quarto reservado com a garrafa de vinho aberta.
Tudo estava programado, passariam a noite de sábado no hotel, iriam almoçar num restaurante no domingo, então ela voltaria para Hogwarts e ele para a academia de Auror. Durante a noite de sábado, pediria ela em noivado colocando estrategicamente o anel na taça de vinho.
Mas assim que entraram no quarto ela saltou em seus braços e o beijou como da primeira vez, o beijo “Ron e Hermione” com os pés dela flutuando pelo chão e ele correspondendo com a mesma urgência que ela.
— Sabe eu estava morrendo de vontade de te encontrar... – ele começou a dizer em meio aos beijos.
— Eu sei... – ela confirmou começando a tirar seus sapatos.
— Desejo que o tempo não passe rápido, pois tenho algo importante para...
— Eu sei, vamos aproveitar o tempo... – ela começou a tirar a camiseta dele ainda o beijando.
— É que eu tenho um pedido...
Ela parou de o beijar e olhou brava para ele.
— Estou há três semanas sem te beijar, sem sentir seus braços em volta de mim, sem te encontrar, quero aproveitar todos os segundos que posso... Então, diga o que tem para dizer depois.
Ele apenas concordou com a cabeça voltando a beija-la, deixaria o pedido para depois. Talvez quando ela estivesse mais calma em seus braços sem nunca mais querer sair, ou enquanto almoçavam no dia seguinte. Teria tempo. Por hora queria encontrar todas as novidades dela, se afogando em sua boca e em seus carinhos.
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Sabe, quando passa a nuvem em brasa
Abre o corpo, o sopro do ar que traz essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui
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Hermione tinha tomado uma decisão. Depois de ter ido procurar seus pais e antes de voltar para Hogwarts. Ela sabia o que queria, passou aquelas semanas desejando pelo beijo dele, pelos braços, principalmente pelas mãos dadas. Queria voltar a dormir e acordar ao lado de Rony, então decidiu que o faria da única maneira que ainda não tinha o feito.
Depois que o beijou pela primeira vez estava constantemente desejando pelos lábios dele, sonhando com tudo que poderia vir além, que poderia vir a mais. Sempre que se despedia no fim da noite sentia o calor irradiando de seu corpo como se ficar longe dele incendiasse seu peito.
Quando se decidiu ficou tão ansiosa que mal conseguia falar com as pessoas. Para convencer, o agora namorado, fazer um encontro na Londres trouxa foi difícil, desde a guerra ele parecia ainda mais apegado a família. Quando aparataram em uma rua pouco movimentada poucos metros longe do hotel que ela havia reservado a chuva começou a cair com força. Correram pela rua enquanto riam, os cabelos de Rony grudados em seu rosto, Hermione sorria enquanto os afastava, as gotículas de água fazendo os olhos azuis brilharem com maior intensidade.
Antes de pedir a chave para a atendente confusa ela o beijou. Aproveitando o beijo molhado, o perfume e todo o toque dos corpos com as roupas grudadas, guardaria aquele momento junto com os que viriam pela frente. Sorriu assim que se separaram e se apaixonou ainda mais pela expressão confusa no rosto daquele garoto estabanado e de autoestima questionável. Parecia que a cada vez que olhava para ele voltava a se apaixonar. Estava sendo assim desde o beijo, talvez até antes disso.
Ronald Weasley não estava entendo o que tudo aquilo significava. Não entendeu o motivo do hotel, de precisarem ir para Londres trouxa, mas aceitou. Hermione conseguia o convencer de todas as coisas. O beijo que ela lhe entregou apesar de molhado pela chuva, era mais quente que brasa.
Subiram as escadas, ela segurando sua mão como se jamais fosse soltá-la. Seu sorriso tímido, radiante, ultrapassando o limite de beleza. Os lábios rosados por culpa dos beijos anteriores. O quarto era bonito, daria dois quartos do dele. Ela sentou-se na cama. Ele estava perdido. Mas também sentou-se ao lado dela.
— Logo eu vou voltar para Hogwarts, você vai para o treinamento de Auror. Eu sei que é a hora certa.
Suas palavras o atingiram o peito. Ele também sabia que era a hora certa. Não imaginava que mais uma vez ele tomasse a iniciativa, mas sentiu-se grato por tomá-la. Por ela ter planejado tudo o trazia a segurança que ele sempre buscava, que sempre precisava. Quando sentia-se seguro de si, era capaz de conquistar o mundo. Era o momento de conquistar o mundo de Hermione e fazê-lo girar.
Beijou-lhe a testa e continuou segurando sua mão. Também resolveu beijá-la e foi delicadamente subindo os beijos pelos braços, pelo pescoço. Ela desabotoava o vestido que tinha escolhido, deixando-o cair pelo chão do quarto, revelando a pela âmbar e com leves sardas nos ombros. Estava mais linda do que nunca.
Ajudou Rony a retirar a camiseta, tocando no peito do garoto com cuidado, contornando todas as cicatrizes que ele cultivou ao longo dos anos, das lutas que travaram juntos. Beijou lado a lado a clavícula dele. Se permitindo escutar os suspiros agudos de sua garganta. Sentindo o coração contra o peito em ritmo acelerado.
Fixaram os olhos. Sabiam o que era desejar por aquela pessoa. Sabiam que aqueles braços seriam moradia, verdade absoluta. Sabor e Vicio.
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— Você engana as pessoas. – Rony disse a ela beijando o topo de sua cabeça.
Estavam alinhados num abraço logo depois de terem feito amor. Rony morava no quartinho de cima da loja de lougros e brincadeiras de seu irmão, na qual era sócio. Tinha desistido de ser Auror um ano depois de sua formatura e seis meses depois que havia começado a trabalhar. Percebera que aquilo não era para ele, a primeira pessoa que confessou o que queria fazer foi Hermione, ela o apoiou.
— Engano como? – ela perguntou passando os dedos pelas cicatrizes de seu braço, uma mania sua todas as vezes que estava alinhada a ele. Lembrava-se da Aparatação incompleta que fizera naquele dia que fugiam do Ministério, sentia em parte culpada por essas cicatrizes.
— Todos te conhece no ministério da magia toda mandona de nariz empinado, dizendo o quanto as leis são retrógradas e que tem novas ideias para implantar e realizar, faz todos te ouvirem, faz eles te temerem. Depois de um longo dia de trabalho, só aparece na loja e bom...
— E... – ela ergueu a cabeça o encarando curiosa.
— Bom... Sou tão sortudo em ser o único a saber seu eu que ninguém vê.
— E qual seria esse eu? – ela queria ouvir todas as palavras pela boca dele. Todas as que tinha direito.
— A que me beija sem pensar em parar, a que me abraça como se fosse me perder em seguida, a que me arrepia com um simples tocar de dedos em minha cicatriz. A Hermione que só se mostra para mim, toda frágil e quebrável, nada brava, só a minha Hermione.
Ela o encarava sorrindo, era impossível não se mostrar de forma única a ele, Rony a fazia viver e ser feliz a ter tanto amor dentro de si, um amor que não sabia existir.
— Durante muito tempo eu achei que te amava enquanto estudávamos. Eu sofria e sonhava em te abraçar, em te beijar, agora que tenho tudo isso e somos tão sortudos de termos sobrevivido a tudo o que vivemos, eu não quero mais me segurar, nem fingir que não te quero. Eu achei que te amava tanto na época de escola, aquele amor de adolescente, mas agora vejo que meu amor por você além de crescer se transforma a cada dia. – ela o beijou suavemente e ele correspondeu sem nenhuma urgência, aproveitando cada detalhe dela. – Mas a Hermione raivosa ainda existe para você.
Separou-se dele, cruzou os braços, enrugou sua testa fingindo estar brava.
— Sorte minha saber exatamente o que fazer quando isso acontecer.
E voltou a beija-la, com a certeza de ser o único a saber todos os segredos de Hermione Granger futura Weasley.
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Havia nuances que marcavam eles em todas as épocas. As brigas por causa de um gato e um rato em Hogwarts, o enfrentar trasgos, aranhas e basiliscos, o vencer xadrez gigante, o usar viratempo para mais que assistir todas as aulas, o ciúme em um baile de inverno, a sutileza de um beijo na bochecha antes de um jogo de quadribol, o dar as mãos em meio a insônia e o medo de uma guerra que estavam para enfrentar, o pesadelo de uma partida errada e o medo de não se verem nunca mais, uma tortura física e mental, um beijo por causa de elfos, um abraço que dizia mais que tudo no pós-guerra, a felicidade vindo em meio as dores, as singularidades em meio o relacionamento crescendo, os filhos chegando, as brigas mudando, não mais por ciúmes ou gato e rato e sim por causa de exageros pela hora trabalhada e pela bagunça da casa. Os dois sempre foram feitos de várias partes que os marcavam como um casal, um trio que virou em certa altura uma dupla. Eles sabiam o que eram, todos que olhavam a volta dos dois sabiam o que eram.
— Mamãe, me conte a história de como conheceu o papai? – Rose de cinco anos pedia a mãe antes de dormir.
— Tudo começou porque seu pai estava fazendo um feitiço errado...
Rony passou as mãos pelo ombro da esposa, como se dissesse em pensamento que sabia exatamente o que sentia por ela desde aquela viagem de trem. E ela respondia em pensamento que sabia... “eu sei...”. Sim, todos sabiam...
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Ronald Weasley era uma farsa. Ou poderia ser se quisesse. Porque na maior parte do tempo o garoto parece viver absorto em um mundo de sentimentos simples e rápidos. Não atoa muitas vezes foi considerado insensível, grosso, incapaz de tomar decisões e iniciativas. E mesmo sendo todo engraçado e tendo facilidade de fazer amizades, existia uma parte dele que ficava em segredo.
E ele foi revelando lentamente. Hermione já sabia o que era se apaixonar por ele, já sabia como era se entregar a esse amor, mas acabou descobrindo que mesmo tendo apenas um coração, podia se apaixonar todos os dias de uma maneira diferente pela mesma pessoa de faces tão distintas.
Ela conseguiu encontrar em todas as confusões e desastres a doçura que Rony tinha a oferecer. Oferecia quando passaram a andar de mãos dadas pela rua e principalmente pela casa. Oferecia no beijo na testa, no jeito que tocava o pescoço dela, da maneira que brincava com os cabelos desarrumados que ela não tinha mais vergonha de exibir pela vida. Oferecia no café da manhã feito as pressas, na massagem nos ombros e pés, na lembrança de que ele não colocava açúcar nem no café, nem no suco, nem em nada. Oferecia no dia a dia, nas cartas tímidas enviadas em papel pardo. Oferecia no meio dos lençóis desarrumados, da pele grudenta, das bocas entreabertas suspirando mais forte do que deveriam.
Não se importava com a diferença entre o garoto brincalhão entre amigos, e no amante intenso que tinha entre os braços e pernas, desarrumando cabelos e arranhando a pela cheia de sardas e pintas. Não se importava de tê-lo apenas para ela, inteiro, de corpo, alma, vida.
Gostava de acordar sentindo o peito subir e descer embaixo dela, de sentir as batidas cardíacas lentas de quem dorme e sonha. Gostava de saber que aquilo era o que escolhera ter, que sonhará, que finalmente tinha. Que levaria pela vida inteira. Gostava do sabor do beijo, do nariz brincando em seus cabelos, de encontrar todos os dias uma novidade nele, no jeito de enxergar a vida. Gostava de encontrar seus olhos perdidos no corpo dela, do sorriso em seus lábios pronunciando todas as letras de seu nome.
Sabia que entregaria para ele não apenas o corpo, a presença, o coração e a alma. Entregaria todos os dias da vida, os sonhos, a certeza de que os dias poderiam ser melhores, poderiam ser piores, mas juntos era claro que seriam certos. Verdadeiros.
— Você está acordada? — a voz dele rouca depois de tanto tempo em silêncio.
Hermione acenou a cabeça e levantou os olhos para poderem se encarar.
— Estava apenas pensando. — Ela sorriu.
— Você está sempre pensando, essa cabecinha não para nunca. — Ele a beijou na cabeça, era um dos beijos preferidos, que mostrava o quanto o amor deles era mais do que físico, era proteção, respeito.
— Estava pensando em nós.
— Meu Merlim, não pode fazer isso. — Ele disse a afastando um pouco.
— Por que não?
— Se pensar muito pode perceber que eu não sou o tal do precipício encontrado. — Rony disse com a expressão séria. O que fez Hermione começar a rir.
— É príncipe encantado e não precipício… — Seus olhos lacrimejando pela risada. — E eu nunca sequer gostei de príncipes.
— Que bom, porque não chego nem perto disso.
— Ron, você é exatamente quem precisa ser. — Ela o beija na testa. — Eu sei disso. Eu sei.
Se enrolam um no outro voltando a dormir, enquanto lá fora o sol começava a clarear o mundo.
Sei
Eu sei
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