Notas iniciais
Okay, até agora estou cumprindo o prazo super bonitinha, tô até orgulhosa de mim mesma :3 Então espero que gostem e agora realmente a história começa a esquentar! Pra quem já odeia o Dio, vai odiar muito mais. Boa leitura!

Depois de esperar o que me pareceu uma eternidade, finalmente chegou o dia de encontrar novamente Camila. Eu ainda estava um pouco cautelosa com tudo que estava acontecendo no Clube e acabei ficando paranoica em guardar meu celular somente comigo ou com Normani, pois ninguém, em sã consciência, chegaria perto das coisas de Mani, pois ela realmente é muito ciumenta com suas coisas.

De manhã, fui para academia e ainda estava muito agitada e ansiosa com o nosso pequeno encontro, então voltei até meu apartamento e apenas troquei de camiseta, por uma mais larga, para correr. Coloquei meus fones de ouvido e depois de não perceber que corri por 7 quadras inteiras, recebi uma mensagem de Camila.

"Tô louca pra sair daqui, sério. Esse escritório nunca foi tão chato quanto hoje."

Parei ofegante no meio da calçada, e sorri para a confissão dela. O dia realmente está demorando mais que o normal para passar, pois mesmo acordar 8 horas da manhã, apenas pra ir na academia, ficar lá 1 hora e meia e ainda correr 7 quadras, ainda não eram nem 11 horas da manhã. Voltei andando pra casa, apenas ouvindo música e olhando ao redor, pois aquela quadra me era diferente. Não sei se era um sinal ou impressão minha ou até minha mente tentando pregar uma peça, mas naquele quarteirão tinha muito mais floriculturas, alguns até com cestas de flores e bombons ou flores e pelúcias.

Fiquei observando um buquê em particular, que era de flores amarelas com algumas pétalas roxas, que estavam juntas com uma pelúcia pequena de uma banana sorrindo. Achei engraçado o sorriso da pelúcia, que lembrava em algo o sorriso de Camila.

— Dahlia. — Pelo pequeno susto que tomei, meu corpo ficou tenso, enquanto encarava a mulher pequena ao meu lado.

— Como? — A mulher loira e com traços infantis riu, soltou uma pequena tosse, para em seguida estender a mão.

— Sou Bernette, e essa flor que está tanto olhando, se chama Dahlia. — Enquanto cumprimentava a mulher, concordei com a mesma. As flores eram lindas, e a pequena banana combinava com Camila, não sabia porque, porém, queria sentir o cheiro para, talvez, me decidir.

— Sou Lauren. Posso sentir o cheiro delas?! — O sorriso da mulher aumentou e assentiu forte com a cabeça. A segui pela loja, que era pequena porém muito cheirosa e aconchegante. A loira se abaixou para apanhar o buquê de flores, que estava entrelaçado com a pelúcia. Estendeu para mim, como se fosse um bebê. — Obrigada... — Sentindo seu cheiro, lembrei de sopa de ervilha, pois tinha um agradável aroma de algo quente, que nos deixa aquecidos e seguros... Como a droga do abraço de Camila.

— Gostou? — Assenti, lembrando vagamente do momento que as mãos de Camila me ajudaram a tirar minha jaqueta preta, no seu próprio aniversário.

— Bernette, eu só esqueci minha carteira em casa, porque nem estava na intenção de comprar... — A mesma riu, tossiu mais uma vez, sorriu abertamente e fez sinal para um rapaz alto, também loiro, que pegou o buquê com cuidado e foi para o caixa.

— Apenas me passe o endereço para entrega e depois o seu, para poder cobrar, em dinheiro ou cartão, como preferir. — Sua fala me fez sorrir e balançar a cabeça. A mesma tinha uma ótimo intuição e sabia vender muito bem, pois nem perguntei o preço e vou levar mesmo assim.

— Na verdade, pode entregar no meu endereço mesmo, pois quero entregar o presente em mãos. — Bernette pegou rapidamente o celular, que encontrava-se no seu avental bordado, e digitou rapidamente, enquanto passava o endereço do meu apartamento. — Muito obrigada e conquistou uma cliente!

Depois de finalmente voltar a andar em direção ao meu apartamento, olhei novamente o visor do meu celular, apenas para checar algo de Camila, porém, nada. Já era meio dia e eu estava realmente com fome, então, para não perder tempo, corri as poucas quadras restantes. Assim que dobrei a esquina e já tinha retirado as chaves do pequeno bolso da bermuda, vi Dionísio, parado em frente a portaria do lugar.

— Ficou com saudades, Dionísio?! — Ouvindo seu nome, fez uma careta e sorriu ironicamente.

— Saudades de bater nesse seu rostinho lindo e macio, talvez. E você sabe que é Dio! — Dionísio era bem alto e bem magro, mesmo a jaqueta lhe dando volume. Como braço esquerdo e direito do dona do clube, vivia dando "corretivo" nas dançarinas que "mereciam", de acordo com ele mesmo. Um perfeito vagabundo.

— Fala logo o que você quer porque eu não tenho o dia todo. Na verdade, pra você, não tenho nem uma hora! — Fechou a cara feia, como se estivesse amedrontando alguém. — E você sabe que cara feia pra mim é fome, anda, fala logo.

— Vamos subir então... — Soltei uma gargalhada, realmente achando que ele queria subir.

— Tá louco, é?! Pirou de vez? Você anda cheirando muito, sabia, Dionísio?! Nem fudendo que você vai colocar os pés no meu lugar. — Ri ainda mais da cara de descrença que ele fez. Esses moleques estão ficando muito folgados. — Fala aqui mesmo. Anda logo.

— Não brinca com fogo, Michelle... você pode se queimar. — Agarrou meu pulso com força, enquanto senti meu próprio rosto se contrair. Não de dor, mas de raiva.

— Primeiro: É Lauren. Segundo... — Soltando meu pulso da mão grande que ele tem, depositei um forte soco em suas costelas, fazendo ele se curvar de dor, para que em seguida, acertar em cheio o nariz reto e firme, vendo na mesma hora, o sangue escorrer pela pele pálida. Abaixei a cabeça, para ficar próximo de seu rosto e falar baixo, para não chamar ainda mais a atenção dos pedestres que paravam ao ver o rapaz gemer de dor. — Se acha que vai me ameaçar assim, está enganado. Ou faça, ou não faça, e ambos sabemos que você, Dionísio, não faz nada que o "boss" não peça. E cá entre nós, porque ele mandaria acabar com a melhor dançarina e puro lucro daquele lugar, huh?!

Empurrando o corpo curvado para a escada, abri a porta da portaria, sem nem ao menos olhar para o ser que nem sequer falava, apenas gemia de dor. Devo ter quebrado o nariz dele ou sei lá. Chamei o elevador, logo em seguida, puxando o celular do bolso e abrindo a mensagem que recebi exatamente 12:18.

"Okay, apenas mais 2 horas pra sair desse inferno. Parece que hoje tá dando tudo errado!"

Já estava com dó de Camila, pois ela parece ainda mais ansiosa que eu. Isso porque ela estava mais ocupada que eu também, que apenas tinha que esperá-la sair do trabalho para ir buscá-la. E isso me lembrou que eu não tenho carro para ir buscá-la, ela que teria que ir com o próprio para o lugar marcado. E isso também me lembrou que eu teria que chegar antes no lugar, para fazer a pequena surpresa pra ela.

Gosto de agradá-la, como nunca gostei de fazer por ninguém. Gosto de fazê-la sorrir, pois ninguém tinha me feito sorrir apenas em sorrir pra mim. E eu sinceramente não sabia o porque, porém Camila tem algo que... bom, me atrai.

Assim que cheguei, tranquei a porta com as duas trancas que tinha, uma em cima e a outra bem embaixo da porta, e girei a chave duas vezes. Esse engraçadinho do Dionísio não vai me botar medo, mas hoje não quero que nada estrague meu dia.

Estava com fome, então peguei uma lasanha pronta, congelada na geladeira e apenas deixei na pia, enquanto o forno esquentava. O apartamento era minúsculo, então eu já sabia que iria esquentar consideravelmente a temperatura, por causa do forno, então já pequei minha toalha branca e comecei a tirar a roupa, para tomar um banho frio e para amenizar o calor que sentia pela corrida, porém, assim que joguei meus tênis embaixo da cama, uma batida na porta soou. Bufei e fui conferir pelo olho mágico.

Não era o canalha do Dionísio e sim o rapaz da floricultura. Abri todas as trancas para abrir a porta, enquanto pegava a carteira, que estava perto da TV. Assim que abri a porta, a voz grossa e irritante de Dionísio fez-se presente.

— Sabe, Michelle, nunca pensei que estava tão ruim a ponto de comprar flores pra si mesma. — Falava com deboche, enquanto apontava uma arma na costela do pobre rapaz.

— Desculpe por isso, menino, mas juro que ele é inofensivo. Olha aqui seu dinheiro e não precisa de troco, aceite como uma desculpa por ter uma arma, desengatilhada, apontada pra você, ok?! Obrigada pela gentileza e agradeça a sua... mãe?! — O menino, mesmo não estando com semblante assustado, acenou rapidamente com a cabeça, me passando o buquê. — Agradeça a sua mãe e agradeceria se não contasse isso a ninguém também, combinado?! — Acenou novamente com a cabeça, enquanto eu o via engolir com dificuldade e fechar os olhos. Olhei feio para o idiota com o rosto ainda pouco sujo de sangue, que colocou a arma na calça, novamente e deu um pequeno tapa no pescoço do menino, que sem nem olhar, virou e entrou correndo no elevador, fazendo um sinal religioso.

— Pra quem é isso?! — Escutei ele perguntar, enquanto eu ajeitava o buquê na mesa, via que Dionísio estava prestes a entrar no meu apartamento, então virei novamente, com as mãos vazias, espalmando pelo peito magro dele, empurrando para longe da porta. — Michelle, eu preciso...

Sem deixá-lo terminar, entrei no apartamento como um foguete, abri a gaveta da pequena cômoda que segurava a TV grande e fina, peguei um revolver e apontei para a cabeça de Dio, que já estava com um pé dentro do meu apartamento.

— O que eu disse sobre entrar no meu lugar?! — Eu não estava pra brincadeira, e ainda precisava colocar a porcaria da lasanha no forno. — Eu tô com calor, com fome e irritada. Nada aqui é da sua conta, entendeu?! E a menos que queira levar um tiro no meio dos olhos, eu acho melhor você girar nos calcanhares e sair bem depressa, fui clara?!

O olhar espantado em seu rosto me disse muita coisa. Primeiro: Ele realmente estava surpreso por eu ter uma arma em casa, mas o que ele não sabia é que aquilo em minhas mãos era uma arma usada nos circos, que não funcionava, apesar de ser de verdade. Segundo: Ele não tinha algo interessante para me dizer, só veio espionar minha vida, descobrindo que realmente eu estava saindo com alguém. Terceiro: O que fizeram com Camila estava longe de ser apenas um trote e ela corria perigo por minha causa, mesmo eu não sabendo o porque.

— Okay, eu vou embora. Depois eu desconto o meu nariz machucado. — Sorri, sabendo que minha expressão era de ironia.

— Se tentar chegar perto de mim de novo, é bom que seja com seu chefe. Quero trocar uma palavrinha com ele... — Dio engoliu nervosamente, sabendo do que se tratava. — E se tentar me espionar de novo, me fazendo de boba desse jeito, eu mato você e faço parecer suicídio. E você sabe que eu sou inteligente o suficiente para isso, já que aprendi muito com vocês.

Dionísio levantou os braços, em forma de rendição e abriu um sorriso irônico. Ele sabia muito bem que quem mexe comigo, não se safa bem. Quando eu quero ser, sou encrenca, pois fui ensinada a ser forte e não piedosa, principalmente quando mexem com o que me pertence.

Com o olhar irônico ainda pairando sobre seu rosto, afastou-se da porta, virando seu corpo para o elevador. Sua postura estava tensa por talvez pensar que estava de costas para uma mulher com uma arma na mão, ainda apontada para ele. Eu abaixei meu braço apenas quando vi o elevador fechar, soltando todo o ar que havia prendido. Fechei novamente a porta, com todas as trancas e corri para a cozinha pequena, que estava muito quente. Abaixei o fogo do forno e coloquei a lasanha numa travessa de vidro, para enfim colocá-la no forno.

Voltei para onde estava, perto da porta do banheiro, em frente ao meu quarto. Deixei a arma falsa na minha cama, tirei a roupa rapidamente, entrando no banheiro e abrindo o registro que tinha a forma de um coração prata. Entrei rápido, na água fria, causando um pequeno choque em meu corpo, que se arrepiou como se tivesse ganhado um beijo. E Camila novamente pairou em meus pensamentos. Essa mulher ainda vai me enlouquecer.

Enquanto ensaboava meu corpo com um sabonete líquido, desliguei o registro e pensei no que levar para nosso pequeno encontro. Talvez morangos, chocolate... chá ou café?! Não sei do que ela gosta direito! A única coisa que realmente sei é que teria que ter uma conversa franca com Camila. Se ela quer mesmo seguir em frente comigo, precisa saber sobre minha vida. Não conseguia imaginar minha vida amorosa sem Camila, pois a única vida amorosa que já tive, estava acontecendo. E o fato de que minha vida parece um livro do Mario Puzo, deixava-me, pela primeira vez em muito tempo, insegura.

Não sei como ela irá reagir aos fatos da minha vida, muito menos as histórias que tenho para contar. Mas de qualquer jeito, quero que ela saiba de tudo! Sempre odiei segredos, desde pequena, quando mentiam pra mim sobre meu pai ou sobre a profissão de minha mãe. E a última coisa que quero é estragar algo que nem começou, ainda mais com Camila, que é incrível.

Enquanto lavava meu corpo, pensava no porque de achar Camila tão irresistível. Já conheci garotas lindas, inteligentes, delicadas... mas não na mesma proporção que ela. Camila fazia com que eu me transportasse para um espaço de tempo em que eu poderia ser quem eu realmente quisesse, e com ela, sempre quero ser mais do que sou, sempre quero mais do que tenho. Com ela, poderia ser ingênua ou sexy que sei que ela se agradaria com qualquer um dos dois. Poderia ser Lauren ou La Morgado...

E tanto Lauren quanto La Morgado, apaixonaram-se por Camila.

Notas finais
Alguém tem teoria do que porquê estão importunando Lauren? Ou porquê ela mente sobre sua vida?!