Singelas Ameaças
14 O caso de Lauren e o misterioso dossiê
Notas iniciais
Point of View – Camila
Depois que Lauren dormiu por causa dos remédios, as meninas me chamaram para conversar. Dinah era, com toda a certeza, a pessoa mais calma ali, pois sempre manteve a calma diante de situações de extremo estresse. Muito raro vê-la saindo de controle por pura tensão. Normani não fazia contato visual comigo, deixando claro que não queria se abrir no momento. Allyson, ainda chorando baixinho, me explicou como encontrou Lauren.
Os fatos: Lauren ligou para Ally, logo de manhã, que estranhou por ser tão cedo. Lauren apenas informou que precisava que Ally fosse buscá-la, perto da linha de trem mais afastada da cidade, pois estava com problemas. Quando Ally chegou, ainda dentro do carro, viu Lauren ser atacada por 3 rapazes, enquanto um conhecido delas, Dionísio, saia de uma casa. Dio atirou em direção a Ally, que abaixou, mas ouviu o vidro do carro quebrar. Ally contava sobre isso com fúria, parece que eles eram bem próximos e ela nunca havia imaginado uma coisa dessas. Atropelou dois rapazes que batiam em Lauren, que já estava sangrando no chão, e saindo do carro correndo, conseguiu fazer com que Lauren deitasse no banco de trás, por cima dos cacos de vidro mesmo, por isso seus braços estavam com vários cortes pequenos.
Normani havia comentado que encontrou elas já no hospital, não se conformando com o ataque de Dionísio com Ally. Os dois trabalhavam juntos, e ele era quase um guarda para as meninas.
— Quer saber? Quero Lauren bem, antes de mais nada. — Enquanto eu ouvia sobre o acontecimento, minha criatividade juntou-se com minha fúria e já havia imaginado, pelo menos, seis formas de vingar Lauren pelo que aconteceu, mas não adiantaria nada agora. Era difícil, mas tentava me controlar sempre que estava muito nervosa, pois meus atos ficam sempre desastrosos quando não penso direito antes.
Sofi ligou para Dinah, perguntando se estava tudo bem. Eu havia esquecido meu celular no carro e Sofi sempre liga antes do almoço, pra dizer que está indo tudo bem na escola. Depois de conversarem e DJ explicar por cima, o que houve, me chamou pra conversar. Nos afastamos mais do quarto, deixando Ally e Normani conversando sobre o que vão fazer sobre o clube, afinal, Ally é gerente e não vai deixar isso barato. Vendo como ela estava furiosa e ainda chorando, não vai deixar nada barato.
— Sabe, Mila... andei pensando. Você nem chegou a falar com Lauren sobre os documentos, certo? — Dinah sempre foi rápida em pensar em soluções para problemas. Falta dinheiro? Ela investia em planos que não teria como dar errado, como alugar o loft. Brigas? Ela era quase uma psicóloga para fazer as pessoas perceberam e lidarem com seus problemas o mais rápido possível. E agora, os documentos de Lauren, porém, dessa vez, eu já havia pensado nisso.
— Eu sei, eles podem estar atrás desses documentos. E não, ainda não tive a oportunidade, afinal, achamos ontem de noite! — Sussurrávamos uma para a outra, mas acabei me descontrolando, atraindo a atenção de Normani. Seu olhar para Dinah foi... muito intimidador. — Mani parece que vai te matar. Conta tudo o que sabemos e o que você acha. Precisamos trabalhar juntas nisso, afinal!
Dinah, parecia apavorada. Eu já havia percebido que nos duas, eu com Lauren e ela com Normani, perdemos nossa percepção normal das coisas ao redor com as outras duas. Talvez... era cedo, mas talvez fosse um sentimento muito maior do que qualquer outro.
Talvez...
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Point of View – Lauren
Tudo o que eu sentia era desespero e dor. A cada chute, uma lágrima. Eu não ousava abrir os olhos e protegia minha cabeça com as mãos, tendo meus braços em frente ao rosto. Levantaram meu corpo, fazendo-me sentir mais leve, porém, por pouco tempo. Minhas costas bateram em algo duro e em seguida, senti uma pancada forte em meu rosto. Ardia, doía e latejava. Eu já não gritava como antes, quando começaram a me espancar, mas gritei quando ouvi um tiro. Abri os olhos, vendo concreto e ouvindo som de um carro derrapando.
Ally.
A pequena que havia me salvado uma vez, coloca sua vida em risco por mim, salvando-me novamente. Sentindo meu corpo doer e pesar, tentei sentar no banco do carro, enquanto ela apertava minha cintura, ainda gritando alguma coisa. Desajeitada e sem me importar com nada, deitei meu corpo de lado, sentindo meus braços esquentarem com os cortes.
Depois dos barulhos diminuírem, senti minha cabeça ficar ainda mais pesada, ouvindo Ally dizer algo sobre hospital. Mesmo com os olhos fechados, sentia lágrimas quentes escorrerem por minhas bochechas, enquanto eu soluçava baixo deitada no banco.
Sentindo mãos quentes em meu rosto, abri os olhos. Camila me olhava assustada e percebi que estava realmente chorando, mesmo acordando de um pesadelo. Fechei os olhos novamente, tentando sentar na cama sem gemer de dor, pois meu corpo parecia muito mais pesado que o normal. Camila colocou suas mãos quentes em meus ombros, ajudando-me a ficar ereta. Soltei um suspiro, sentindo as mãos delicadas passarem pelos meus cabelos.
— Detesto ficar tão indefesa. — Camila soltou um muxoxo, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Abri os olhos, vendo o quanto ela parecia cansada também.
— Você se faz de durona, Lauren, mas nós duas sabemos que você é frágil. — Soltei uma pequena risada baixa e em seguida, um gemido de dor. Recostei meu corpo na cama e vi Camila pegando um travesseiro da outra cama e colocar atrás de mim, deixando muito mais confortável. — A médica disse que você terá alta de noite, se tudo correr bem. Não tem nenhuma lesão interna e terá que ficar de repouso e nada de mexer esse braço por algumas semanas, tá bem?
— Tá bem, enfermeira Camila. Podemos tomar banho agora? Me sinto suja. — Sua gargalhada ecoou pelo quarto, que percebi estar vazio. Não tinha ideia de que horas eram mas meu estômago roncou de fome.
— Você é uma idiota. Quase me mata do coração e ainda faz piadinha. — Passou os dedos pelo meu queixo, fazendo um arrepiou tomar conta do meu corpo. Eu definitivamente não tinha me acostumado com tanto carinho apenas pra mim, mas com certeza iria me acostumar. Talvez mais rápido do que realmente pensei... — Tá com fome? Sei o quanto comida de hospital é sem gosto nenhum, então, se quiser, posso pegar uma refeição decente pra você, huh?
— Tem certeza de que não morri e tô no céu?! — Camila riu novamente e acariciou meu cabelo, negando com a cabeça. — Eu agradeço pelo cuidado, mas não precisa... eu sobrevivo a uma refeição no hospital.
— Tá bem, então. De qualquer jeito, será bem cuidada em casa. — Franzi as sobrancelhas, sorrindo para Camila, que agora brincava com a coberta branca da cama.
— Serei? — Um leve rubor instalou-se no rosto de Camila, fazendo meu sorriso alargar.
— Não vou te deixar sozinha depois de tudo isso. E... Dinah e eu precisamos te mostrar umas coisas. — Apesar do constrangimento que sei que era para Camila, ela foi firme. Parece sério.
— Tá bem... e aproveito e conheço minha cunhada, hein?! — Sorrindo, apertou minha coxa coberta pelos lençóis.
— Claro. E também, meu bebê, Joker. — Camila havia se apaixonado pelo cachorrinho que, pela foto, realmente era uma gracinha. Obviamente, alguns arrepios se fizeram presentes e minha mente vagou por imagens feitas pela minha criatividade que, até o momento, estava dormindo. Talvez ela tenha acordado junto com minha vontade de beijar Camila e acabaram se misturando, deixando claro que em meus pensamentos, eu não tenho controle algum.
— É algo para eu me preocupar? O que vocês têm pra me mostrar...?! — Camila apertou novamente minha perna por cima dos lençóis, fazendo meu íntimo pulsar. Merda, eu estou quebrada e com tesão? Isso não é nada justo.
— Não, é só... alguns documentos que achamos quando fomos limpar o loft dos meus pais para alugar, sabe?! — Franzi minhas sobrancelhas e acenei com a cabeça, não entendendo o que eu, Lauren, tenho haver com os documentos dos pais de Camila. Ela havia dito que ambos eram advogados e morreram no acidente que ela e a irmã, sofreram com eles num carro, enquanto passeavam no dia do seu aniversário. Uma tragédia, mas... nunca tive contato com nenhum advogado.
— Eu não vejo a hora de sair daqui logo, então. Tô louca pra conhecer teu quarto... — Camila ficou surpresa, talvez pela minha maior insinuação até agora. Eu sou paciente! Mas não fazia ideia do quanto meu corpo precisa de Camila.
— Vai com calma, você tá quebrada. Nem poderia mexer o braço, Lauren! — Minha vez de gargalhar.
— Touché, Camz... por enquanto.
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Point of View – Normani
— DJ, eu já disse! Não sei muito da vida da Lauren, ela não é tão aberta pra falar da própria vida! — Pela quinta vez, desde que começamos a conversar sobre os documentos que Dinah e Camila acharam, suas sobrancelhas franziram e ela bufou baixinho. Seria uma discussão?
Dinah explicou sobre os documentos e o que eles eram. Uma espécie de dossiê sobre a família Jauregui. A teoria de Dinah era que Lauren Michelle era o centro de uma investigação e tudo girava em torno dela, mesmo talvez, bem provavelmente, que ela não saiba nem a existência de tais documentos, muito menos de uma investigação sobre sua família. Dinah não conseguiu raciocinar uma explicação para minha pergunta feita logo quando entendi sobre o que se tratava os documentos.
A pergunta? Simples. Se era uma investigação e os pais de Camila eram apenas advogados, porque eles estavam com tantos documentos sobre o caso e porque eles morreram em um acidente de carro, sendo que o mais provável era que estavam colaborando para tal investigação? O problema? E se não tivesse sido um acidente? E se eles não estavam colaborando e sim, ocultando tais documentos? E porque eles atacariam Lauren sendo que ela não faz ideia nem da existência desse dossiê?
— Droga, Normani. Você é boa em fazer perguntas. — Ri baixinho, chegando perto do corpo esbelto de Dinah, que estava apoiada na fachada do hospital. Estava um dia gostoso, com sol baixo que apenas iluminava e não esquentava. Passei uma de minhas mãos pela nuca de Dinah, sentindo sua tensão muscular logo no pescoço.
— Que tal ir comermos alguma coisa? Você precisa parar um pouco de maquinar isso tudo e respirar direito. Talvez assim tenha uma de suas ideias geniais. — Ela gargalhou, passando os braços pela minha cintura, abraçando levemente meu corpo.
— Ideia geniais? Tipo quais? — Sorri, beijando levemente seu queixo, sentindo um certo alivio de saber que estando juntas, talvez dê certo tudo para todas. Ally estava estressada a ponto de fumar, soltando fumaça enquanto falava no telefone, agitada, perto da porta do hospital. Lauren provavelmente estava comida alguma comida ruim de hospital e Camila estava com tudo o que Dinah me disse e mais seus próprios pensamentos para lidar. Estando juntas, temos que fazer dar certo. Certo para Lauren e Camila, pois caso contrário, não iria acertar nada. Nem eu, nem Ally, muito menos Dinah comigo.
— Tipo ir falar comigo no camarim. Ou melhor! Ter levado sua amiga para lá, fazendo todas nós ficarmos juntas como uma equipe! — Rindo baixinho, encarou meu rosto que estava sorrindo. Dinah Jane sempre manteve o olhar no meu, como se para tentar desvendar meus pensamentos ou minha alma. Nunca tinham me olhado assim, e eu ficava extremamente sem graça.
— Quer dizer então que somos uma equipe? Já tão cedo? — Sua voz estava rouca e baixa, como se pronunciasse aquelas palavras como um segredo apenas para mim. Seu rosto estava numa expressão suave, nem parecia que estava tão tensa sobre o caso de Lauren e o misterioso dossiê.
— Bom, sim... nós cinco somos uma equipe. Mas eu e você somos muito mais que isso. — Dinah havia dito uma vez, em nossas conversas por mensagem, que não gostava de sorriso e eu disse que era algo em comum com Lauren, que não gostava dos próprios dentes da frente, que segundo dela, eram grandes demais. Os sorrisos de ambas iluminavam qualquer dia, de qualquer pessoa, mas o sorriso de Dinah Jane iluminava minha vida toda.
E sorrindo, puxou meu corpo para mais perto do seu, fazendo-me olhar em volta, para checar se alguém estava olhando nossa cena íntima. Na frente das garotas, ok. Somos um casal! Mas nunca gostei de demonstrar carinho na frente de desconhecidos, o que estava mudando de conceito com Dinah, que me abraçava, beijava e abusava a hora que quisesse. "Você tá comigo! Eu posso, não posso?". E droga, como ela podia.
E naquela tarde senti que não precisava falar com Dinah igual Lauren fez com Camila. Eu já tinha mais que certeza que Dinah estava comigo e com mais ninguém, assim como eu estava com ela e só com ela.
Sua boca envolvia a minha com desejo, entretanto, naquele momento, senti muito mais do que apenas desejo ou apenas admiração. Era carinho, cuidado... era talvez, só talvez, amor. Porque eu realmente amava sentir que era dela. Mesmo sendo minha e de mais ninguém, um pedaço meu, Dinah roubou. Eu era minha e dela. Eu era minha, muito melhor com ela.
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