Sing of the times

2 The Things We Don’t Say


Notas iniciais
Oieee meus amores !!! Esse capítulo é silencioso… mas perigoso. Depois do reencontro no gala, Bella e Edward precisam voltar para as vidas que construíram ao longo de dez anos , casamentos, rotinas, responsabilidades e aparências perfeitas demais para desmoronar. O problema é que algumas memórias não permanecem enterradas quando finalmente despertam. Boa leitura. 🖤

Capítulo 2: The Things We Don’t Say

O silêncio de Manhattan após as duas da manhã tem uma textura diferente; ele não é a ausência de som, mas o peso acumulado de milhões de segredos guardados atrás de janelas de vidro duplo. Quando o Bentley preto finalmente atravessou os portões de ferro da mansão Swan-Salvatore, a chuva havia diminuído para uma névoa persistente que emoldurava a propriedade com uma aura fantasmagórica. Bella sentia cada músculo do seu corpo protestar contra a rigidez da postura que mantivera durante toda a noite. Ao seu lado, Damon mantinha uma mão possessiva, mas suave, sobre sua coxa, um gesto de conforto que ela, em qualquer outro dia, aceitaria com gratidão. Mas hoje, o toque parecia queimar através do veludo marinho de seu vestido.

— Chegamos, querida — murmurou Damon, a voz carregada de uma ternura que Bella sentia como um peso sobre o peito.

Eles entraram na mansão em silêncio. Enquanto Damon entregava o casaco ao mordomo de plantão, Bella subiu as escadas de carvalho escuro com passos leves, quase etéreos. Seu destino imediato não era o quarto principal, mas o santuário de Charlotte. Ela empurrou a porta entreaberta, onde a luz de um abajur em forma de estrela banhava o quarto com um tom âmbar suave. Charlotte, aos quatro anos, era a única coisa puramente real na vida de Bella. A menina dormia profundamente, com os cabelos castanhos espalhados pelo travesseiro e um pequeno urso de pelúcia apertado contra o peito.

Bella aproximou-se, o coração apertado por uma culpa que não conseguia nomear. Ela ajeitou a manta de seda sobre os ombros da filha e depositou um beijo casto em sua testa, sentindo o cheiro de lavanda e infância. Com um movimento cuidadoso, deixou um pequeno chocolate artesanal, embrulhado em papel dourado, sobre a mesa de cabeceira, um ritual silencioso de "eu estive aqui enquanto você sonhava". Ela ficou ali por um minuto, observando a respiração rítmica da filha, e a imagem de Edward na varanda voltou como um flash cegante. Charlotte era o fruto de sua escolha pela estabilidade, pela segurança, pelo império. E, no entanto, olhar para a filha agora era como olhar para o mapa de uma estrada que ela nunca deveria ter abandonado.

Ao entrar na suíte master, o cenário era de uma sedução meticulosa. Damon já havia se despojado do paletó e da gravata; a camisa social branca estava aberta até a metade do peito, revelando a pele bronzeada e os músculos relaxados. O som da água correndo na suíte vizinha indicava que o banho estava pronto. O ar estava saturado com o aroma de sais de banho de sândalo e eucalipto.

— Achei que você precisaria disso — disse Damon, aproximando-se dela com a elegância predatória e charmosa que o tornara uma lenda nos círculos sociais. Ele envolveu a cintura de Bella com os braços, puxando-a para perto. — Você estava em outro lugar hoje à noite, Bella. Quero você de volta aqui. Comigo.

Ele a conduziu para o banheiro vasto, onde a banheira de mármore transbordava vapor. Damon começou a descer o zíper do vestido dela com uma lentidão torturante, beijando cada centímetro de pele que era revelado.

— Damon... eu estou exausta — ela sussurrou, mas sua voz não tinha convicção. Era uma defesa automática de quem temia a própria vulnerabilidade.

— Eu vou cuidar de você — ele murmurou contra a curva do pescoço dela, as mãos descendo por seus quadris com uma adoração quase religiosa.

Damon entrou na água com ela, posicionando-a entre suas pernas, envolvendo-a em um abraço quente e úmido. Ele começou a lavar os ombros dela com uma esponja natural, seus movimentos eram de uma entrega absoluta. Damon Salvatore a amava com uma intensidade que beirava a obsessão saudável; ele adorava a curva de suas costas, o modo como seus cabelos colavam na pele molhada, o som de sua respiração. Ele era o marido perfeito, o amante que antecipava cada desejo, o homem que transformara sua casa em um altar para ela.

No início, Bella estava seca. Seus olhos estavam abertos, fixos nos azulejos de ardósia, enquanto seu corpo recebia as carícias de Damon de forma mecânica. Ela sentia a língua dele em seu ombro, as mãos dele explorando sua intimidade sob a água quente com uma perícia apaixonada. Mas sua mente estava a quilômetros dali. Ela estava na varanda. Ela sentia o cheiro de cedro. Ela sentia o braço de Edward roçando o seu.

Foi então que o desejo reprimido de dez anos colidiu com a realidade. Bella fechou os olhos e, em vez do rosto clássico e protetor de Damon, ela projetou a imagem de Edward Cullen. Ela imaginou aqueles olhos verdes escurecidos pela raiva e pela luxúria, imaginou as mãos frias e firmes de Edward em vez das mãos quentes e acolhedoras de seu marido.

Subitamente, a resposta dela mudou. Bella soltou um suspiro ofegante e arqueou as costas contra o peito de Damon, suas mãos buscando o cabelo dele com uma urgência que ele nunca tinha visto. O sexo tornou-se selvagem, um embate de corpos onde a suavidade de Damon foi substituída por uma agressividade desesperada por parte de Bella. Ela o beijava com uma fome que não era dele, cravando as unhas em seus ombros. Damon, acreditando que finalmente a tinha quebrado, que sua esposa estava se entregando a ele com a mesma paixão que ele sentia, intensificou os movimentos, elevando o prazer a um clímax ruidoso e exaustivo que ecoou pelas paredes de mármore.

— Eu te amo, Bella... — ele ofegou contra o ouvido dela, o corpo ainda tremendo.

Bella não respondeu. Ela apenas escondeu o rosto no ombro dele, sentindo o gosto de sal e mentira em seus lábios.

Do outro lado da ilha, na cobertura minimalista dos Cullen, o ambiente era gélido. Edward entrou em casa e foi recebido pelo som alto de uma televisão ligada em um canal de futilidades. Caroline estava sentada no sofá de couro branco, ainda com o vestido de gala, checando as métricas de suas últimas postagens nas redes sociais.

— Edward! Você viu quantas menções tivemos? A Vogue postou uma foto nossa! — ela exclamou, levantando-se e caminhando até ele com um sorriso que não chegava aos olhos, focada apenas na imagem que projetavam. — Mas você estava tão estranho... nem sorriu para a foto com os Salvatore.

— Eu estava trabalhando, Caroline. O evento era sobre negócios, não sobre o Instagram — ele respondeu, a voz cortante como uma navalha. Ele atravessou a sala, querendo apenas o isolamento de seu escritório, mas Caroline bloqueou seu caminho.

Ela percebia a distância dele e, como sempre, usava a única ferramenta que acreditava ser capaz de mantê-lo por perto. Ela deslizou as alças do vestido, deixando o tecido cair ao chão, revelando um corpo esculpido e impecável, mas que para Edward parecia apenas mármore frio.

— Deixe os negócios para amanhã — ela sussurrou, puxando-o pela gravata em direção ao quarto.

Na cama, Edward agia com uma precisão técnica. Ele conhecia cada curva de Caroline, sabia onde tocar para fazê-la gemer, mas seus olhos permaneciam fechados. Ele não queria ver o rosto dela. Ele queria o rosto que vira refletido no vidro fumê da varanda. A cada toque que dava em sua esposa, ele imaginava a pele de Bella. Ele imaginava o calor dela, o sarcasmo dela, o modo como ela o desafiava com apenas um olhar.

A frustração de dez anos de silêncio transformou o ato em algo sombrio e intenso. Caroline, surpresa com a força repentina dele, com o modo como ele a possuía com uma urgência quase violenta, sentiu-se vitoriosa. Ela achou que tinha finalmente rompido a barreira de gelo de Edward Cullen. Ela não sabia que, naquele momento, Edward não estava com ela. Ele estava em um passado que nunca morreu, possuindo uma fantasma que habitava seus pensamentos mais proibidos. Ele terminou com um rosnado abafado, o nome de Bella quase escapando de sua garganta como uma confissão de traição.

Mais tarde, quando a madrugada se tornou cinzenta, o paralelo se completou.

Na mansão Salvatore, Bella estava acordada, olhando para o teto enquanto Damon dormia profundamente ao seu lado, com um braço protetor sobre sua cintura. Ela sentia o chocolate na mesa de cabeceira de Charlotte como um lembrete de que ela tinha tudo o que uma mulher deveria querer, e ainda assim, sentia-se vazia.

Na cobertura Cullen, Edward estava na varanda, ignorando o frio, olhando em direção ao sul da ilha. Caroline dormia dentro do quarto, satisfeita com uma conexão que nunca existira de verdade.

Naquela madrugada, pela primeira vez em anos, Bella Swan e Edward Cullen descobriram que o verdadeiro perigo não era desejar um ao outro. Era perceber que jamais haviam deixado de desejar. Algumas ruínas começavam com fogo; as deles começaram com a memória.

A manhã seguinte em Manhattan nasceu sob um céu de um cinza metálico, filtrado pelas imensas paredes de vidro da sala de reuniões principal da Cullen & Swan Holdings. O ambiente exalava o cheiro de café caro, papel timbrado e couro novo. No centro da mesa de carvalho polido, o mapa de fusão com o grupo europeu estava estendido como um tabuleiro de guerra. Bella ocupava a cabeceira esquerda, sua postura era uma linha reta de disciplina, os cabelos presos em um coque tão firme que parecia impedir qualquer pensamento intrusivo. Edward estava sentado exatamente à sua frente.

A tensão entre eles não era visível para os outros sócios, mas era palpável para os dois. Cada vez que Edward ajustava os óculos ou que Bella batia levemente a caneta no papel, o ar parecia vibrar. O silêncio da noite anterior ainda ecoava em seus ossos, a memória do sexo fantasmagórico com seus respectivos cônjuges agindo como uma ressaca moral que nenhum café forte poderia curar.

A reunião foi subitamente interrompida pelo som abafado de risadas infantis no corredor. A porta pesada se abriu e Damon Salvatore entrou, carregando uma aura de calor e domesticidade que parecia alienígena naquele bunker corporativo. Ele estava impecável em um blazer casual, segurando a mão pequena de Charlotte, que ainda usava o uniforme escolar, uma saia xadrez e um cardigã azul com o emblema da escola de elite.

— Desculpem a interrupção, senhores, mas alguém não parava de perguntar pela mamãe depois da aula — Damon disse, com aquele sorriso charmoso que desarmava qualquer conselho de administração.

O efeito foi imediato. A frieza da sala derreteu. Charlie Swan, que até então discutia cláusulas contratuais com severidade, iluminou-se instantaneamente ao ver a neta.

— Minha pequena Swan! — Charlie exclamou, afastando a cadeira para receber o abraço da menina.

Carlisle Cullen, sempre a imagem da compostura aristocrática, não foi diferente. Ele se inclinou na cadeira, os olhos brilhando com uma doçura rara.

— Venha aqui, Lottie. Deixe-me ver se você cresceu desde o fim de semana — Carlisle murmurou, rendido à presença da pequena.

Charlotte era uma obra-prima genética de contradições. Ela herdara os cabelos castanhos de Bella, uma cascata de ondas sedosas que caíam pelas costas, mas os olhos... os olhos eram de um azul cristalino e magnético, a assinatura inconfundível dos Salvatore. Ela caminhou ao redor da mesa com a confiança de quem nascera naquele império, parando para dar um beijo na bochecha de cada um.

— Oi, Vovô Charlie! Oi, Vovô Carlisle! — ela dizia, sua voz doce agindo como um bálsamo.

Edward observava a cena imóvel. Seus dedos apertavam a borda da mesa de tal forma que os nós dos dedos estavam brancos. Em sua mente, um cenário alternativo, cruel e vívido, começou a se desenhar como um filme proibido. Ele não via Damon ali. Em sua projeção mental, era ele quem trazia a menina. Aqueles cabelos castanhos eram o vínculo entre ele e Bella; os olhos daquela criança deveriam ter o verde dele, não o azul de Damon. Ele imaginou o orgulho de ver aquela pequena herdeira correndo pelo escritório e chamando-o de pai, enquanto Bella olhava da cabeceira com um sorriso que não seria uma máscara. O vácuo no peito de Edward tornou-se um abismo.

Damon, alheio ao tormento interno de Edward, aproximou-se de Jasper Hale e de seu irmão, Stefan.

— E aí, como está a tecnologia do futuro, Jasper? — Damon brincou, dando um tapinha no ombro do cunhado. Jasper riu, relaxando a postura.

Stefan Salvatore, que revisava uma planilha de contabilidade, foi atacado por um abraço nas pernas.

— Dindo! — Charlotte exclamou, agarrada aos joelhos de Stefan.

— Ei, princesa! — Stefan a pegou no colo, fazendo-a rir ao girá-la. — Trouxe o relatório de fofuras para o seu padrinho hoje?

A interação era perfeita. Uma família funcional. Um comercial de felicidade que Edward assistia da primeira fila, sentindo-se um intruso em sua própria empresa.

Charlotte, então, desceu do colo de Stefan e caminhou em direção a Edward. O silêncio voltou a cair sobre ele. Ela parou ao lado da cadeira dele, inclinando a cabecinha da mesma forma exata que Bella fazia quando estava curiosa.

— Você é o Edward, né? — ela perguntou, com a mãozinha apoiada no braço da cadeira dele. — A minha mãe disse que você é muito inteligente.

Edward sentiu o coração falhar. Ele olhou para Bella por um segundo; ela estava pálida, observando a interação como se estivesse prestes a ver um desastre. Edward limpou a garganta, sua voz saindo mais rouca do que o pretendido.

— Sim, eu sou, Charlotte. E você... você é muito parecida com a sua mãe.

— O papai diz que eu sou a cara dele, mas que eu mando em tudo igual à mamãe — ela respondeu com uma esperteza que arrancou risadas de Jasper e Rosalie ao fundo.

Edward esboçou um sorriso pequeno, um gesto que parecia doer. Ele estendeu a mão e, por um breve instante, tocou o topo da cabeça de Charlotte, sentindo a maciez dos cabelos que eram idênticos aos de Bella. Foi um contato elétrico. Ele sentiu que estava tocando em um futuro que ele mesmo assassinou dez anos atrás.

Bella interveio, sua voz soando levemente instável.

— Damon, obrigada pela surpresa, mas precisamos terminar a pauta. Charlotte, vá com o papai, a mamãe chega logo para o jantar.

Damon deu um beijo rápido em Bella, um gesto de posse casual que fez Edward desviar o olhar para o papel à sua frente, e conduziu a pequena para fora, seguida pelas brincadeiras de Stefan e Jasper.

A porta se fechou. O calor saiu da sala. A reunião voltou ao seu tom cinzento de milhões de dólares e cláusulas de rescisão. Mas o estrago estava feito. Bella e Edward não conseguiram mais se olhar. O fantasma daquela criança e de tudo o que ela representava ,o sucesso dele como executivo e o fracasso dele como homem, agora ocupava a cadeira vazia ao lado deles. A reunião continuou, mas para Edward, o aquela sala nunca parecera tão real e tão devastadora.

Notas finais
✨ E então a linha começou a desaparecer. Quero saber MUITO o que vocês acharam desse capítulo, principalmente das dinâmicas entre os casais e da chegada da pequena Charlotte na empresa. 👀 Acho que, pela primeira vez, Bella e Edward começaram a perceber que o problema nunca foi esquecer… mas sobreviver ao fato de que nunca conseguiram. Nos vemos no próximo capítulo de Sign of the Times. 🖤