Notas iniciais
✨ oieee meus amores... Acho que esse foi o capítulo mais emocional de Sign of the Times até agora. 🤍 Aqui, Bella e Edward finalmente deixam o passado escapar pelas rachaduras, e talvez o mais perigoso sobre certas histórias seja perceber que elas nunca realmente acabaram. Preparem o coração para Londres, aeroportos, promessas quebradas e sentimentos que ficaram presos no tempo. 🖤

Capítulo 3: Hard Feelings

O ar condicionado da sede da Cullen & Swan trabalhava em uma frequência baixa, mas o ambiente na sala de reuniões, às oito da manhã de uma terça-feira, parecia prestes a entrar em combustão. Bella Swan Salvatore já estava em sua terceira xícara de café preto. Ela olhava para a tela do notebook, revisando os termos da fusão europeia, mas as palavras pareciam flutuar. Sua mente era uma galeria de imagens proibidas da noite anterior: o toque de Damon, o fantasma de Edward, a imagem de Charlotte no colo de Stefan.

A porta de vidro deslizou. Edward entrou. Ele não estava apenas impecável em seu terno grafite; ele exalava uma energia hostil que era, paradoxalmente, a coisa mais familiar que Bella conhecia. Ele não olhou para ela ao se sentar. Ele apenas abriu sua pasta, colocou o tablet sobre a mesa e soltou um suspiro pesado.

— Você está atrasando o cronograma de Londres em duas semanas com essa revisão de riscos, Isabella — Edward disse, sem preâmbulos, sua voz fria e técnica cortando o silêncio. — O mercado não espera pela sua cautela excessiva.

Bella lentamente ergueu o olhar. Seus olhos castanhos, geralmente controlados, brilharam com uma faísca de ressentimento que ela não conseguiu conter.

— O que você chama de cautela excessiva, eu chamo de competência, Edward — ela rebateu, a voz baixa e perigosa. — Eu não vou colocar o patrimônio da minha família em risco só porque você tem uma necessidade patológica de provar que é o homem mais rápido da sala.

— Rapidez e eficiência são o que construíram este lugar — Edward retrucou, finalmente encarando-a. O olhar verde dele era uma lâmina. — Mas talvez você tenha passado tempo demais cercada pela... suavidade doméstica dos Salvatore para se lembrar de como se joga no alto escalão.

O golpe foi baixo. Inevitável. Bella apertou a caneta entre os dedos, os nós das mãos ficando brancos.

— Não envolva a minha vida pessoal nas nossas divergências profissionais. Isso é amador, até para os seus padrões.

Ao fundo da sala, Rosalie Hale e Stefan Salvatore observavam a cena. Eles não estavam apenas vendo dois executivos discutirem; eles estavam assistindo a uma reprise de um filme que viram há dez anos, mas com riscos infinitamente maiores. Rosalie trocou um olhar carregado com Stefan. Ela viu o modo como Bella respirava — curto, pesado — e como Edward se inclinava para a frente, invadindo o espaço pessoal de Bella mesmo com a mesa entre eles.

— Eles estão fazendo aquilo de novo — Rosalie sussurrou para Stefan, fingindo ler um documento em seu tablet. — Aquela dança de destruição mútua.

Stefan, que até então estava com uma expressão sombria, assentiu. Ele sentia uma lealdade profunda por Damon, seu irmão, mas conhecia Edward desde a infância. Ele sabia que o que estava acontecendo ali não era sobre Londres.

— É pior do que antes, Rose — Stefan murmurou de volta, a voz tensa. — Antes eles tinham vinte anos e nada a perder. Agora, eles têm um império, dois casamentos e a Lottie no meio do fogo cruzado. Se eles não pararem, vão levar todo mundo junto.

A reunião formal começou minutos depois, com Carlisle, Charlie e o restante do conselho. Durante duas horas, Bella e Edward transformaram a sala em um campo de batalha de subtextos. Eles não precisavam de nomes para se ferirem. Cada crítica técnica de Edward sobre o "conservadorismo" de Bella era, na verdade, uma acusação de que ela se tornara previsível e submissa. Cada contra-ataque de Bella sobre a "arrogância imprudente" de Edward era uma forma de dizer que ele continuava o mesmo homem egoísta que a deixara para trás.

Eles terminavam as frases um do outro apenas para distorcer o sentido no final. Edward previa os argumentos dela antes mesmo de ela abrir a boca, e Bella desconstruía as estratégias dele com uma precisão que só alguém que conhecia seus pontos cegos poderia ter.

— É impressionante — comentou Charlie Swan, sorrindo para Carlisle no final da sessão, sem perceber a tensão assassina entre os dois. — Eles discordam em tudo, mas o ritmo de trabalho deles é idêntico. Parecem duas engrenagens feitas sob medida.

Edward e Bella se olharam por um segundo. Foi um reconhecimento amargo. Eles se odiavam por serem tão parecidos, por se conhecerem de forma tão obscena que o segredo de dez anos atrás parecia estar escrito em neon em suas testas.

Quando o conselho se dispersou, o destino — ou o azar — fez com que ambos permanecessem na sala para organizar os documentos finais. O silêncio que se seguiu à saída de Charlie e Carlisle era pressurizado. Bella sentiu o peso do olhar de Edward em suas costas enquanto ela guardava o notebook.

— Você não tem o direito de olhar para a minha filha daquele jeito — Bella disparou subitamente, quebrando o silêncio sem se virar. A voz dela tremeu, uma rachadura rara em sua armadura de gelo.

Edward, que estava prestes a sair, estancou. Ele se virou lentamente, a expressão endurecendo.

— E como exatamente eu olhei para ela, Bella? — ele perguntou, a voz saindo em um tom baixo que era quase um rosnado.

— Como se ela fosse um erro de cálculo. Como se a existência dela fosse uma ofensa pessoal a você — Bella se virou, os olhos marejados de raiva. — A Charlotte é a melhor coisa que eu já fiz na vida. Ela não é parte do seu jogo corporativo.

Edward deu três passos largos, diminuindo a distância entre eles até que Bella pudesse sentir o calor emanando do corpo dele. O perfume de sândalo e o cheiro de café forte a atingiram como uma lembrança física.

— Eu não olhei para ela como um erro — Edward disse, as palavras saindo entre dentes, a face a centímetros da dela. — Eu olhei para ela e vi você. Eu vi o que você se tornou enquanto eu não estava por perto. E dói, Isabella. Dói perceber que o mundo continuou girando e criando vidas novas enquanto eu estava congelado no tempo que nós perdemos.

— Você não tem o direito de sentir dor! — Bella sussurrou, a voz carregada de um ressentimento antigo. — Você escolheu o legado! Você escolheu Londres! Você me deixou sozinha naquele aeroporto esperando por uma promessa que você nunca teve intenção de cumprir!

— Eu voltei! — Edward explodiu, a voz ecoando nas paredes de vidro, sua mão batendo na mesa de carvalho com um estrondo. — Eu voltei e você estava usando o sobrenome de outro homem e carregando o filho dela!

A respiração de ambos estava descompassada. A tensão sexual, alimentada por dez anos de raiva e saudade, era um terceiro elemento físico na sala. Edward estendeu a mão, segurando o braço de Bella com uma firmeza que não era agressiva, mas desesperada. O toque foi como um curto-circuito. Bella sentiu cada fibra do seu ser gritar por ele, uma necessidade química que seu casamento perfeito com Damon jamais fora capaz de suprir.

Eles ficaram ali, parados na fronteira da destruição. Edward olhava para a boca de Bella com uma fome que beirava a agonia, e Bella sentia o mundo girar, a sanidade escapando por entre os dedos.

—Voltou 5 anos depois, sem nunca ter dado notícias ou ligado... Me solta... solta o meu braço, Edward — ela pediu, mas não se moveu. O comando era fraco, uma mentira que ambos reconheceram.

Edward afrouxou o aperto, mas não se afastou. Seus dedos deslizaram pela pele do braço dela antes de caírem ao lado do corpo.

— Vá para casa, Bella — ele disse, a voz agora rouca e quebrada. — Vá para o seu marido perfeito e para a sua vida perfeita. Mas não ouse dizer que eu não sinto nada. Porque a única razão de eu ser tão bom nesse trabalho é porque eu não tenho mais nada que seja real.

Bella pegou sua bolsa, as mãos tremendo tanto que ela quase derrubou o celular. Ela saiu da sala sem olhar para trás, cruzando o corredor como se estivesse fugindo de um incêndio.

No elevador, ela encontrou Rosalie. A loira não disse nada; apenas observou a respiração descontrolada da cunhada e os olhos vermelhos. Rosalie colocou a mão no ombro de Bella e apertou suavemente.

— Ele é o seu ponto cego, Bella — Rosalie disse, a voz cheia de uma preocupação genuína. — E você é o dele. Só toma cuidado... o Damon não merece o que esse incêndio vai causar quando sair de controle.

Bella fechou os olhos enquanto o elevador descia. Ela sabia que Rosalie estava certa. Mas, pela primeira vez em dez anos, ela não se sentia como a vice-presidente impecável da Cullen & Swan. Ela se sentia como a garota de vinte e dois anos que ainda estava esperando no porto, vendo o navio de sua vida queimar antes mesmo de zarpar.

Na sala de reuniões, Edward permaneceu imóvel, olhando para a cadeira vazia onde Bella estivera. Ele entendeu, com uma clareza aterrorizante, que o problema não era mais o passado. Era o presente. Porque agora ele sabia que, por baixo de todo aquele ódio e ressentimento, Bella Swan ainda falava a mesma língua que ele. E ele faria qualquer coisa para ouvi-la dizer o seu nome outra vez.

O elevador descia em um silêncio pressurizado, quebrado apenas pelo zumbido eletrônico dos andares ficando para trás. Bella encarava o próprio reflexo nas portas de aço polido, mas não reconhecia a mulher que olhava de volta. Seus lábios estavam levememente inchados, seu pescoço exibia uma pulsação errática e seus olhos... seus olhos pareciam ter sido acesos por um incêndio que ela jurou ter extinguido no dia em que assinou sua certidão de casamento com Damon.

— Respire, Bella. — A voz de Rosalie era calma, mas carregava o peso de quem via através de cada camada de blindagem da cunhada. — Você está segurando o ar desde que saímos daquela sala.

Bella soltou uma respiração trêmula, fechando os olhos com força. Suas mãos ainda formigavam onde o calor de Edward a tocara.

— Eu não... eu não sei do que você está falando, Rose. Foi apenas uma discussão profissional que passou dos limites. O Edward é exasperante.

— Não tente fazer isso comigo. Não tente ser a Vice-Presidente agora. — Rosalie se virou para ela, ignorando a etiqueta corporativa. — Eu vi vocês há dez anos. Eu vi o estado em que você ficou quando ele não apareceu naquele aeroporto. Eu vi você definhar até o Damon aparecer e reconstruir os seus pedaços. Eu achei que vocês tivessem enterrado isso, Bella. De verdade.

— Nós enterramos — Bella sibilou, a voz saindo cortante, defensiva. — Eu tenho uma vida, Rose. Eu tenho um marido que me adora, eu tenho a Charlotte. Eu enterrei o Edward no momento em que entendi que ele nunca me escolheria antes do sobrenome dele.

— Não — Rosalie rebateu, sua voz soando cansada, quase lamentosa. — Vocês não enterraram nada. Vocês só colocaram dinheiro, ações, sobrenomes e outras pessoas em cima de uma ferida aberta. E agora que o Edward voltou, você está percebendo que a terra em cima desse túmulo é muito rasa.

O elevador parou no térreo com um plim indiferente. Bella saiu apressada, o salto de seus sapatos batendo no mármore com uma fúria cega. Ela não queria ouvir a verdade. A verdade era um luxo que ela não podia se dar ao luxo de processar.

Enquanto isso, trinta andares acima, a sala de reuniões permanecia em penumbra. Edward estava sentado na mesma cadeira de antes, mas sua postura impecável havia desaparecido. Ele estava curvado, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos enterradas nos cabelos acobreados. A gravata estava frouxa, o colarinho aberto, e sua respiração ainda ecoava o rastro do perfume de Bella.

Ele encarou a cadeira vazia dela. Por um segundo, o mundo moderno de Manhattan desapareceu e ele foi jogado de volta para 2015.

Londres. O frio cortante do aeroporto de Heathrow. O telefone tocando sem parar no bolso de seu sobretudo. Carlisle à sua frente, com aquela expressão de "o império depende de você". Edward tinha a passagem para Nova York na mão esquerda. Ele tinha prometido a Bella que, se ele não voltasse em seis meses, ela deveria ir encontrá-lo, ou ele largaria tudo. Mas os seis meses viraram nove. As reuniões emergências viraram uma crise na zona do euro. Carlisle disse que, se ele saísse daquela sala, a fusão colapsaria. Edward olhou para o portão de embarque. Ele olhou para a vida que o esperava. E ele desligou o telefone. Ele escolheu a coroa de espinhos de ouro.

Naquele dia, ele acreditou que estava garantindo o futuro deles. Ele não entendeu que estava apenas assinando o atestado de óbito da única coisa que o mantinha humano.

A porta da sala abriu suavemente. Alice entrou, sem o barulho habitual de seus passos rápidos. Ela não disse nada por um longo tempo, apenas ficou parada perto da mesa, observando a desintegração silenciosa do irmão.

— Você está com aquela cara de Londres de novo — ela disse finalmente. Sua voz era pequena, mas atingiu Edward como um tiro.

Edward congelou. Ninguém mencionava Londres. Era o capítulo proibido da biografia dos Cullen.

— Eu não sei do que você está falando, Alice.

— Sabe sim. — Alice caminhou até ele, colocando uma mão delicada em seu ombro. — A Rosie viu como você olhou para a Lottie hoje cedo. Ela viu como você saiu de si naquela reunião. Nos achamos que você tivesse aprendido que o dinheiro não abraça de volta à noite, Edward.

— Eu achei que ela me odiasse, Alice — ele confessou, a voz rouca, quase inaudível. — Eu vivi dez anos me convencendo de que o ódio dela seria o meu castigo e que eu conseguiria lidar com isso. Mas ela não me odeia, ela está destruída e a culpa é minha.

Alice suspirou, o olhar cheio de uma sabedoria triste.

— Ah, Edward… as pessoas não ficam destruídas por dez anos por causa de ódio. O ódio é rápido, ele se transforma em indiferença. Só o amor que não foi vivido consegue manter alguém em ruínas por tanto tempo.

Edward fechou os olhos, a dor física latejando em seu peito. Ele queria correr atrás dela. Ele queria implorar perdão. Mas ele via o rosto de Damon Salvatore, via a doçura de Charlotte, e percebia que o seu egoísmo já tinha causado estragos suficientes.

Bella chegou em casa sentindo-se como um fantasma habitando o próprio corpo. O som da risada de Charlotte vindo do jardim a trouxe de volta à realidade com um solavanco de culpa. Damon estava lá, ajoelhado na grama, ajudando a menina a plantar algumas sementes em um pequeno vaso. Ele parecia uma pintura de felicidade doméstica: as mangas da camisa dobradas, o sorriso fácil, o olhar cheio de uma paz que Bella sentia que estava roubando dele.

— Mamãe! — Charlotte correu em sua direção, sujando o vestido azul-marinho de Bella com pequenas marcas de terra.

— Oi, meu amor — Bella sussurrou, pegando a filha no colo e escondendo o rosto em seu pescoço, aspirando o cheiro de infância para tentar apagar o rastro de Edward de seus sentidos.

Damon se aproximou, depositando um beijo suave em seus lábios. Um beijo que sabia a segurança, a lar, a tudo o que ela deveria desejar.

— Você parece exausta, meu anjo. A reunião foi tão ruim assim? — ele perguntou, passando o braço por sua cintura enquanto caminhavam para dentro.

— Foi... desgastante. O Edward é um negociador difícil — ela mentiu, a voz saindo firme apenas por hábito.

— Eu imagino. — Damon sorriu, sem desconfiar de nada. — Mandei uma mensagem sobre o jantar, mas você não respondeu. Imaginei que estivesse mergulhada em números. Preparei aquele risoto que você gosta. Vá tomar um banho, eu cuido da Lottie.

Bella assentiu e subiu as escadas. No quarto, ela se trancou e encostou-se na porta. O silêncio da casa era ensurdecedor. Ela caminhou até o closet, mas parou diante de uma cômoda antiga de jacarandá que ficava em um canto escuro, preenchida com itens que ela raramente tocava.

Com as mãos trêmulas, ela abriu a gaveta do fundo, escondida sob camadas de lenços de seda que ela não usava mais. Lá, no fundo, havia uma pequena caixa de veludo preto.

Bella a abriu. Dentro, havia uma Polaroid gasta pelo tempo. Era ela e Edward, aos vinte e um anos, em uma praia qualquer durante um verão que parecia ter pertencido a outra vida. Eles estavam rindo, o cabelo dele bagunçado pelo vento, os olhos dela brilhando com uma esperança que ela nunca mais sentira. Sob a foto, havia uma passagem aérea antiga de Londres para Nova York, com a data de dez anos atrás. Nunca usada. E um pequeno bilhete escrito com a caligrafia apressada de Edward: "Espere por mim. Eu sempre volto para você."

As lágrimas que ela segurou o dia inteiro finalmente transbordaram. Bella apertou o bilhete contra o peito, sentindo o papel áspero contra a pele. Ela percebeu, com um pavor gélido, que não tinha sido apenas Edward quem ficara congelado no tempo. Ela também estava lá, naquele porto, naquela praia, naquela promessa.

Damon Salvatore tinha o seu presente. Charlotte tinha o seu futuro. Mas Edward Cullen... Edward Cullen ainda possuía a alma de Bella Swan, e não importava quantos impérios ela construísse, ela nunca seria capaz de comprar sua liberdade de volta.

Algumas pessoas sobrevivem ao amor e seguem em frente para construir mundos novos. Bella e Edward apenas aprenderam a funcionar ao redor dele, como se a dor fosse o único combustível que lhes restava. E naquela noite, ela entendeu que o problema das histórias inacabadas era que elas nunca realmente aprendiam a permanecer no passado. Elas apenas esperavam, nas sombras de Manhattan, pelo momento certo de incendiar o presente.

Notas finais
E então descobrimos o verdadeiro problema: eles nunca seguiram em frente de verdade. Quero MUITO saber o que vocês acharam desse capítulo, principalmente das revelações sobre Londres, da conversa com a Alice e da Polaroid no final. 👀 E por favor… alguém mais está sofrendo pelo Damon também? Nos vemos no próximo capítulo de Sign of the Times. Acho que Manhattan está começando a pegar fogo. 🖤