Notas iniciais
✨ oieee meus amores... Acho que esse capítulo é o mais doloroso de Sign of the Times até agora… porque finalmente começamos a enxergar as rachaduras de todo mundo, não apenas de Bella e Edward. 🤍 No fim, talvez essa história nunca tenha sido apenas sobre um amor perdido, mas sobre pessoas tentando sobreviver às escolhas que fizeram para continuar sendo amadas, necessárias e “perfeitas”. Boa leitura… e cuidem do coração de vocês. 🖤

Capítulo 4: Fine Line

O apartamento de Edward e Caroline na Park Avenue era uma ode ao minimalismo caro: paredes em tons de cinza fosco, móveis de design italiano que priorizavam a forma sobre o conforto e uma iluminação embutida que eliminava qualquer rastro de sombra. Era um espaço onde o silêncio não era paz, mas vácuo. Caroline Forbes Cullen movia-se por aquele mausoléu de luxo com uma eficiência frenética. Ela havia passado a tarde coordenando com a florista o arranjo exato de peônias brancas para o centro da mesa, ajustando a temperatura da adega para o Pinot Noir favorito de Edward e garantindo que os novos lençóis de algodão egípcio estivessem esticados sem uma única dobra.

Para Caroline, a perfeição era uma tática de sobrevivência. Ela acreditava piamente que, se a moldura fosse bonita o suficiente, a pintura dentro dela eventualmente ganharia vida. Mas a pintura de seu casamento permanecia estática.

Quando a porta blindada se abriu e Edward entrou, o som de seus passos no piso de mármore pareceu ressoar por todo o andar. Caroline abriu um sorriso treinado, aquele que ela usava para investidores e para o espelho.

— Você chegou bem na hora, querido. O jantar está pronto e eu consegui aquelas partituras de Debussy que você comentou que queria praticar — ela disse, aproximando-se para beijar seu rosto.

Edward aceitou o toque, mas seu corpo permaneceu rígido. Seus olhos verdes, antes tão vibrantes nas memórias de Bella, agora pareciam opacos, focados em algo que não estava naquela sala.

— Obrigado, Caroline. Mas não estou com fome. Tenho muito trabalho para revisar antes da abertura do mercado em Londres — ele respondeu, a voz desprovida de qualquer modulação emocional.

Ele caminhou em direção ao escritório, mas parou quando ela colocou a mão em seu braço. O toque de Caroline era leve, quase suplicante.

— Edward... nós não podemos adiar essa conversa para sempre. Já estamos de volta a Nova York, estamos estabilizados. — Ela respirou fundo, buscando a coragem que a superficialidade costumava esconder. — Eu andei olhando alguns catálogos para o quarto de hóspedes. O maior. Eu acho que seria o momento ideal para... você sabe. Começarmos nossa família.

Edward tensionou os ombros de forma tão visível que Caroline recuou um passo. A ideia de um filho com Caroline não era apenas um peso; era uma impossibilidade moral. Em sua mente, o conceito de "família" fora sequestrado pela imagem de Charlotte Swan Salvatore horas antes. Ele via o riso daquela menina e sentia que qualquer tentativa de replicar aquilo em sua própria casa seria uma heresia.

— Não é o momento, Caroline — ele disse, a voz subitamente rouca.

— E quando será? — ela insistiu, a voz subindo uma oitava. — Faz três anos, Edward. Três anos que eu tento ser tudo o que você precisa. Eu mudei para Londres, para Tóquio, eu deixei minha vida para trás para seguir você. O que falta?

— Falta o fato de que eu não posso te dar o que você quer sem mentir para nós dois — Edward disparou, arrependendo-se no segundo seguinte. Ele suspirou, pegando uma garrafa de uísque na bancada. — Eu vou para a varanda. Não me espere para dormir.

Ele saiu para o terraço, deixando Caroline sozinha em meio às peônias brancas e ao jantar intocado. Ela ficou ali, parada, sentindo-se como uma peça de decoração cara que o dono da casa havia esquecido de limpar.

Uma hora depois, a campainha tocou. Era Stefan. Ele entrou no apartamento com a familiaridade de quem conhecia os fantasmas daquela família melhor do que os próprios membros. Ele encontrou Edward na varanda, cercado pelo brilho frio das luzes de Manhattan e por um copo vazio de uísque.

— Ela está dormindo? — Stefan perguntou, aproximando-se do parapeito.

— Provavelmente chorando — Edward respondeu, sem olhar para o amigo. — Eu sou um desgraçado, Stefan.

— Finalmente chegamos à parte da honestidade — Stefan serviu-se de uma bebida, seu rosto iluminado pelo neon azul da cidade. — Você precisa parar, Edward. O que você está fazendo com a Caroline, com a Bella... com você mesmo. Vocês não têm mais vinte anos. Agora existem pessoas que vão sangrar junto com vocês se esse amor vir à tona. O Damon é meu irmão. A Lottie é minha afilhada.

Edward virou-se bruscamente, a mágoa e a raiva finalmente transbordando.

— Então me diga, Stefan! Como você deixou? Como você deixou ele casar com ela? Você sabia o que nós éramos! Você viu!

Stefan encarou Edward com um olhar tão carregado de ressentimento que o ar pareceu esfriar dez graus.

— Eu deixei porque você sumiu, Edward! — Stefan rugiu, a voz contida mas vibrante de fúria. — Você ficou meses em Londres sem atender o telefone, sem dar uma explicação que não fosse técnica. Você sabe o que a Bella se tornou? Ela ficou destruída. Ela teve uma depressão funcional que a transformou em um fantasma. Eu a via sentada naquela cadeira em frente à janela da sala de estar, dia após dia, esperando o tempo passar, esperando um sinal que nunca vinha. Ela parecia um apartamento vazio depois de um incêndio.

Edward fechou os olhos, mas as lágrimas escaparam mesmo assim.

— Quando o Damon apareceu, ele não tentou ser você — Stefan continuou, a voz agora mais baixa, cortante. — Ele foi apenas... ele. Ele trazia café, ele a fazia comer quando ela esquecia, ele a fazia sorrir pela primeira vez em meses. O Damon trouxe a Bella de volta à vida enquanto você estava ocupado sendo o herdeiro perfeito. O tempo passou rápido demais, Edward. Quando eu percebi, eles já eram o porto seguro um do outro. E quando você finalmente deu as caras, cinco anos depois, dizendo que estava voltando... ela já tinha uma vida. Ela já estava realizando o sonho de ser mãe.

— A culpa é minha — Edward sussurrou, a voz quebrada. — De tudo.

— É. É sua — Stefan disse, secamente. Ele deu um gole longo em seu uísque antes de lançar o golpe final. — Mas eu nunca perdoei você por outra coisa, Edward. Eu nunca perdoei você por casar com a Caroline e transformar ela nessa mulher que vive implorando por migalhas de atenção.

Edward franziu a testa, confuso.

— Do que você está falando?

Stefan soltou uma risada amarga, os olhos fixos na linha do horizonte.

— A Caroline e eu... nós namoramos a vida toda, Edward. Você sabia disso. Nós tivemos aquela briga feia e, em vez de me ajudar a consertar as coisas, você se aproximou dela. Você casou com ela em poucos meses só para ferir a Bella, só para provar que você também podia seguir em frente. — Stefan olhou diretamente nos olhos do amigo. — A Carol era o grande amor da minha vida antes de virar a sua esposa de fachada. Você não destruiu apenas a Bella, Edward. Você nos destruiu também.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Edward olhou para Stefan como se o visse pela primeira vez. O peso de suas escolhas egoístas não era apenas uma conta a ser paga por ele; era uma dívida que todos ao seu redor estavam quitando com juros de infelicidade.

Naquela mesma noite, na piscina iluminada da mansão principal dos Cullen, a água azul turquesa refletia as estrelas e a angústia de duas mulheres. Caroline estava sentada na borda, com os pés mergulhados na água, segurando uma taça de vinho com tanta força que Alice temia que o cristal se quebrasse.

— Ele não quer, Alice — Caroline desabafou, as lágrimas caindo silenciosamente na piscina. — Toda vez que eu menciono ter um filho, o Edward muda de assunto. Ele fica frio. Ele se fecha naquele escritório e eu sinto que estou gritando debaixo d'água.

Alice, sentada ao lado dela, sentia o coração partido. Ela amava a lealdade de Caroline, embora soubesse que era direcionada ao homem errado. Ela pensou em Stefan, pensou em Bella, pensou no emaranhado de mentiras que sustentava aquela família.

— Talvez ele só precise de tempo para se ajustar à volta para Nova York... — Alice tentou, mas a frase soou vazia até para seus próprios ouvidos.

— Não é tempo, Alice. — Caroline olhou para a amiga, os olhos vermelhos. — Eu quero um filho porque eu quero alguém que me ame sem hesitação. Alguém que me olhe e me veja de verdade, não como uma extensão do sobrenome Cullen. Às vezes eu sinto que o Edward vive esperando alguma coisa voltar.

Alice sentiu um nó na garganta. Ela não teve coragem de dizer a verdade. Não teve coragem de confirmar que Edward não esperava por uma coisa, mas por uma pessoa que nunca deixara de habitar seus batimentos cardíacos.

— O problema dos casamentos construídos sobre o silêncio — Caroline sussurrou, observando as ondulações na água — é que, um dia, alguém inevitavelmente começa a ouvir o vazio. E o vazio daqui de casa, Alice... ele está começando a gritar.

Naquela madrugada, Manhattan brilhava com uma beleza cruel, ignorando o fato de que, em seus apartamentos de luxo e mansões impecáveis, quatro pessoas estavam presas em vidas que não escolheram, amando as pessoas erradas e esperando por um sinal dos tempos que talvez nunca chegasse para salvá-las.

A manhã de quarta-feira em Long Island tinha um brilho que parecia zombar da escuridão da noite anterior. A casa de Alice e Jasper era o refúgio perfeito: uma estrutura de vidro e madeira cercada por jardins impecáveis e uma área de lazer que cheirava a grama cortada e café fresco. Naquele cenário, o grupo parecia a imagem da elite de Manhattan em seu momento mais relaxado.

No jardim, a vitalidade de uma nova geração ocupava o centro do palco. Charlotte corria sob o sol, os cabelos castanhos ondulando ao vento, acompanhada por Scott, filho de Emmett e Rosalie, e o pequeno Josh, filho de Alice. As risadas infantis eram o único som que conseguia perfurar a redoma de vidro da tensão dos adultos.

Caroline estava sentada na borda de uma espreguiçadeira, observando Charlotte com uma fascinação quase dolorosa. A menina era solar, inteligente e exibia uma autoconfiança que Caroline cobiçava para si mesma.

— Ela é absoluta, Bella — Caroline comentou, os olhos brilhando enquanto via Lottie ensinar os meninos a colher flores. — Você tem tanta sorte. Ela é perfeita.

Damon, que estava ao lado servindo mimosas, soltou uma risada vibrante, passando o braço pelos ombros de Bella e beijando sua têmpora com uma naturalidade que fez o estômago de Edward dar um nó.

— Perfeita e persistente — Damon brincou, olhando para a esposa com adoração. — Se dependesse de mim, nós teríamos uns cinco desses correndo pela casa. Eu nasci para ser pai em tempo integral. Mas a Bella... bom, ela nunca foi fã da ideia de maternidade. Ela sempre foi casada com o trabalho. A Charlotte foi o nosso melhor "erro de percurso". O melhor acidente da história da humanidade.

Bella sorriu de lado, um gesto contido. Para os outros, era apenas uma conversa leve sobre família. Para ela e Edward, cada palavra de Damon era um estilhaço de vidro. Edward sentiu o ar rarefeito. "Erro de percurso". Ele sabia o que aquilo significava: Bella não planejou aquela vida. Ela foi empurrada para ela pela necessidade de sobrevivência emocional após o naufrágio que ele causou.

Stefan estava encostado em um pilar próximo, observando a interação de Caroline com o irmão. A tensão entre ele e a agora esposa de seu melhor amigo era um fio invisível, mas carregado de eletricidade. Caroline evitava o olhar de Stefan a todo custo, mas sua postura tornava-se rígida sempre que ele se aproximava.

Sentindo o peso do ambiente, Bella se levantou.

— Vou ver se a Alice precisa de ajuda com o brunch na cozinha — ela anunciou, retirando-se do círculo social antes que sua máscara rachasse.

Edward esperou exatamente trinta segundos antes de segui-la.

A cozinha de Alice era um santuário de mármore branco e tecnologia. Bella estava de costas, organizando algumas bandejas de prata, quando sentiu a presença dele. Não precisava olhar; o ar ao redor dela simplesmente mudava de frequência.

— Eles parecem felizes lá fora, não parecem? — Edward começou, a voz desprovida das alfinetadas habituais, soando apenas exausta. Ele parou ao lado da ilha de mármore, observando pela janela Damon rindo de alguma coisa que Caroline dizia.

Bella parou o que estava fazendo, mas não se virou imediatamente.

— O Damon é feliz. A Caroline tenta ser. É o máximo que qualquer um de nós consegue fazer hoje em dia, Edward.

Edward soltou um suspiro amargo, o olhar fixo na interação entre o marido de Bella e sua esposa.

— É uma visão irônica. O Salvatore e a Cullen. Parece que as peças do quebra-cabeça foram forçadas no lugar errado.

Bella finalmente se virou, os olhos castanhos carregados de uma lucidez cortante.

— Sabe o que é realmente irônico, Edward? Todos nós somos amigos de uma vida inteira. Crescemos juntos. E você roubou a Caroline do Stefan. Era para ela ser cunhada dele agora. Tenho certeza de que ela seria feliz sendo ela mesma, não essa beldade loira que exala tristeza em cada postagem de rede social. Ela é uma casca do que costumava ser porque você a usa como um escudo.

Edward endureceu a mandíbula, o olhar verde faiscando ao ser confrontado com a verdade que Stefan jogara em sua cara na noite anterior.

— O Damon roubou você de mim primeiro... — ele rebateu, a voz rouca, o ressentimento de dez anos vazando por cada poro.

Bella soltou uma risada seca, sem humor, dando um passo em direção a ele. O espaço entre os dois tornou-se perigosamente pequeno.

— Você está se escutando? — ela sussurrou, a fúria vibrando em sua voz. — O Damon não roubou nada. Você me deixou no fundo do oceano, Edward. Você me deixou me afogar em Londres enquanto escolhia o seu império. O Damon foi o meu bote salva-vidas. Ele me puxou para fora da água quando eu não tinha mais fôlego. E agora você está justificando que roubou a namorada do nosso melhor amigo por causa do Damon? O que o Stefan tem a ver com o fato de você ser um covarde, cara?

Edward abriu a boca para responder, mas as palavras morreram em sua garganta. Ele queria dizer que o casamento com Caroline foi um ato de desespero, uma tentativa de preencher o vazio com o caos, mas ao olhar para Bella, ele percebeu que não havia justificativa.

— Você transformou a vida de todo mundo em um campo de batalha — Bella continuou, as lágrimas de raiva brilhando em seus olhos. — E o pior de tudo é ver você olhar para a minha filha e para o meu marido como se fôssemos o problema. Nós somos a consequência da sua ausência. Lide com isso.

O silêncio na cozinha tornou-se ensurdecedor, quebrado apenas pelo som distante das crianças brincando no jardim. Edward estava paralisado pela crueldade da verdade dela, e Bella, trêmula, voltou-se para as bandejas, tentando desesperadamente ignorar o fato de que, mesmo em meio à fúria, o cheiro dele ainda era a única coisa que a fazia se sentir em casa.

Lá fora, o tempo continuava a tocar em sua versão mais silenciosa: o som de vidas que funcionavam perfeitamente por fora, enquanto, por dentro, todos esperavam pelo momento em que o mundo finalmente parasse de girar.

Notas finais
✨E então percebemos que ninguém nessa história está realmente feliz. Quero MUITO saber o que vocês acharam desse capítulo, principalmente das revelações sobre Stefan e Caroline, da conversa na varanda e da discussão na cozinha. 👀 E sejam sinceros: vocês também estão começando a sofrer pela Caroline? Nos vemos no próximo capítulo de Sign of the Times… porque tenho a sensação de que essa linha tênue entre amor e desastre está ficando cada vez menor. 🖤