Notas iniciais
Uma garota com medo, um contrato mal explicado. Uma rosa.

A menina se vê em um corredor escuro e estreito, quando nota uma pequena fresta de luz. Ela corre em direção daquela luz, na esperança de sair daquele lugar escuro. Mas ao se aproximar da luz ela escuta vozes. Uma discussão entre um casal, do outro lado da porta, de onde sai apenas uma linha de luz. Então a menina se abaixa e espia, pela fresta, a discussão. A visão a deixa paralisada: O homem está de pé, com uma arma em punho, gritando com a mulher que tenta desesperadamente lhe tomar o objeto de suas mãos. Ele a empurra e efetua dois disparos em outra pessoa que está sobre a cama.

A menina se assusta com o barulho e tapa seus ouvidos com as mãos. A mulher grita então o homem que está com a arma se vira para ela e atira. A menina pode ver quando a mulher cai no chão. Em sua camisola branca começa a se formar uma mancha vermelha que parecia uma rosa. Enquanto seus olhos estão fixos naquela imagem ela ouve outro tiro. Ela consegue ver o homem cair.



Rosa acorda coberta de suor, respirando de maneira ofegante. Põe a mão na testa e sente a pele pegajosa.

"Droga, de novo?"

Ela se levanta um tanto quanto contrariada, pois olha no rádio-relógio e se irrita ao ver que os números em leds verdes anunciam três e quinze da manhã.

Anda lentamente até a geladeira, e no momento em que abre a porta, sente um arrepio percorrendo sua coluna. Rosa sabe o que isso significa.

– Agora não!

Ela corre para o quarto, tentando encontrar algo para vestir. Não imagina sair na rua à caça de bruxas apenas de camisola.

– Cadê, cadê?

– Tentou na outra porta? — Rosa se assusta sempre que ouve voz de Yubey.

– Bom dia para você também! — Vestindo uma calça jeans aos pulos. — O que faz aqui?

– Apenas cuidando do meu investimento.

Ela se irritou com o comentário, mas decidiu ignorá-lo, já que tinha outra prioridade naquele momento.

Ela pega sua jóia em cima da cômoda e corre porta a fora.

Já há três quadras de sua casa ela visualiza a barreira mágica. Mas não parecia ser uma bruxa. A barreira era fraca e mal formada.

– Droga! Corri as três da manhã atrás de um familiar? — Diz Rosa, indignada.

– Você não vai lutar? — Pergunta Yubey, com certa curiosidade.

– Claro que vou! É o meu trabalho, não é mesmo?

Rosa diz isso já totalmente coberta por uma luz vermelha. Primeiro sua pele fica exposta rapidamente, pois logo é coberta por uma fina camada de tule vermelho. Ela levanta as mãos, levemente abertas, como se segurasse castanholas entre os dedos. Cordões envolvem seus tornozelos como se fossem ramos de flor, logo se transformando em lindas sandálias. Por sobre o tule vermelho forma-se um espartilho preto, descendo uma longa saia negra, com uma grande fenda lateral, deixando expostos tanto o tule quanto parte da pele de Rosa. Sua jóia logo se transforma em um colar bem justo ao seu pescoço, com um medalhão em forma de uma rosa negra. Tudo isso acontece em apenas alguns segundos.

Neste momento Rosa da um salto sobre a pequena criatura estranha, que mais se parece um lagarto, virando-se rápido e desferindo um golpe com o florete. A criatura grita e se tenta se afastar, porém é rapidamente impedida por muitos espinhos que o circundaram, esmagando a criatura. Logo o ambiente clareia e volta ao que era. Rosa olha para o céu e vê a grande lua cheia que ilumina a noite.

– Bom trabalho, Rosa. — Diz Yubey, com um leve tom irônico na voz.

Rosa não responde. Só continua ali, imóvel, olhando para o céu.



– Rosa, você tem um minuto? — A professora de gramática, Eloisa, com uma expressão preocupada.

Rosa acena com a cabeça.

A professora caminha em direção à porta, fechando-a lentamente.

– Estou preocupada, você anda dormindo muito na minha aula. Será que esta tão chata assim? — Ela sorri.

Rosa, totalmente sem graça, dá os ombros.

– Agora sério Rosa. Vejo que você não tem dormido muito, vejo suas olheiras. Você está com problemas? Será que posso ajudá-la?

A garota baixa a cabeça.

"Será que alguém nesse mundo pode me ajudar?"

– Não se preocupe professora. Estou bem, só ando dormindo mal mesmo.

– Se precisar de algo, qualquer coisa, fale comigo. Não precisa carregar o mundo nas costas, menina!

Rosa sorriu para sua professora. Era um sorriso triste, sofrido, de quem já havia sorrido demais sem querer.



– E a garota? — Pergunta olhando para a criatura sem expressão.

Yubey se vira e desce do móvel. Seu andar lento meio que desdenha do nervosismo de Rosa.

– Você parece ansiosa...

– Não. Na verdade estou preocupada. Se pelo menos você fosse honesto...

– Ora ora! Então você está dizendo que não fui honesto com você? — Diz a criatura, forjando indignação.

– Não tive tempo para pensar nos termos do contrato. Não te culpo, pois você não me obrigou. Mas a garota deveria conhecer a verdade antes de se decidir...

– O que você entende por verdade, Rosa? — Interrompe Yubey, com um olhar assustador. — A sua espécie e muito inferior para saber o que é a verdade!

A garota se afasta da criatura. Não se lembra de ter visto aquele olhar antes. Ela sabia que Yubey não pertencia ao seu mundo, mas nunca havia pensado no que ele seria. Um espírito, um alienígena, uma entidade sobrenatural. Mas Rosa nunca o temera antes, enfim, foi aquela criatura que a salvara.

Yubey caminha em direção da cama. Salta com a leveza de um gato, aninhando-se em seguida. Parecia calmo.

– Entendo. Você ainda guarda rancor de mim. Apenas sua espécie tem essa capacidade. Ódio, mágoa, rancor... Os seres humanos são realmente interessantes em determinados aspectos.

Rosa observa Yubey, ele não parece estar falando com ela, e sim divagando.

Ela olha para seu anel. a pedra virada para a palma da mão brilha. Ela caminha até a cômoda e abre a gaveta. Pega uma semente do rancor de dentro da gaveta. Olha cuidadosamente para a pequena peça. Ela transforma magicamente o anel em sua jóia da alma e encosta a semente nela. Porém nada acontece. A pedra e a semente continuam exatamente como estavam.

– Você é realmente um espécime raro, Rosa. — Yubey olhando atentamente a garota. — Não tive a ciência da existência de outra Puella Magi que não precisasse limpar sua jóia da alma.

Ela continua com o olhar fixo em sua jóia.

" Por quê?"

– Eu também me pergunto isso.

– Não estava falando com você, Yubey. — Diz a garota, irritando-se. — E não gosto de quando você me chama de "espécime". Não sou uma experiência sua!

Yubey ri, sinistramente.

– Você tem certeza disso?

Notas finais
Domo aregatou! Prometo atualizar com constância a história.