Notas iniciais
Uma nova candidata? Seria a melhor escolha?

– Acorde, Yolanda! Vai se atrasar novamente, minha filha!


Yolanda tem dormido muito mal ultimamente. Tem pensado demais sem chegar a nenhuma conclusão. Ela reluta em abrir os olhos, enquanto vê sua mãe abrindo bruscamente as cortinas de seu quarto.


– Hum... Mãe, que horas são?


A mãe olha para sua filha e sorri. Preocupa-se demais com aquela jovem.


– Seis e meia. Melhor se apressar... — Diz enquanto sai do quarto da garota.


Yolanda olha indiretamente para a janela, a luz do sol ainda e fraca mas já agridem seus olhos.


– Bom dia, Yolanda.


A voz vem de um canto em seu quarto. Uma voz que ja havia se tornado bastante familiar.


– Bom dia... Yubey.



Enquanto caminha pela rua de pedras, lisas devido o limo que se formara por causa do tempo úmido, conversa mentalmente com Yubey.


– Ainda não tenho certeza de qual desejo devo realizar.


– Não posso te apressar, é contra as regras. Nem te sugerir algo. Mas devo deixar clara a urgência em contratar uma nova Puella Magi.


– Engraçado... Acaba de dizer que não pode me apressar e é exatamente isso que está fazendo!


Yubey observa a garota com a mesma expressão de sempre.


– Na verdade não posso apressá-la, mas deverei oferecer o pedido à outra candidata à Puella Magi, caso demore demais para se decidir.


Yolanda pára e olha seriamente para o pequeno gato branco que caminha ao seu lado.


– Por que tanta pressa? A cidade está em perigo? Existe algum problema...


– Não deve se preocupar com essas coisas. — Interrompe, Yubey. — Não ainda.


A menina parece apreensiva, enquanto passa o pé de leve em uma erva que nasceu entre as pedras. Seu olhar esta distante.


"Será mesmo que devo ser uma Puella Magi?"


– Se ainda existe dúvida devo deixá-la ir.



Naquela manhã, durante a aula, Yolanda não viu mais Yubey. Pensou até que ele já a havia deixado.


"Puxa... Será que deixei escapar minha grande chance?" — Pensou, tristemente.


– Vamos, Yolanda! Hora do lanche!


Uma voz muito calorosa logo a tira da imersão de seus pensamentos.


– Sim. — Acena com a cabeça para a sua amiga Ana Clara.


– Clara, queria te perguntar uma coisa...


– Hum... — Mastigando um sanduíche. — O que é?


Yolanda reluta, disfarça olhando para o chão.


– Se for sobre o Breno... — Ainda mastigando. — Ele é todo seu!


Clara dá um tapinha no ombro da amiga, rindo alto.


– Não é isso... E se... Você pudesse fazer um pedido. Qualquer coisa que quisesse. O que pediria?


A amiga viu a seriedade da pergunta, já que Yolanda não havia achado graça de sua brincadeira.


– Qualquer coisa? — Expressão séria. — Muito difícil, já que eu quero tanta coisa!


"Eu também..." — Pensa Yolanda.



Enquanto caminha de volta para sua casa, a garota sente-se solitária. Como sempre se sentira, até o dia em que conheceu Yubey. Ela pensa em como a idéia de se tornar alguém mágico era fascinante e empolgante para ela. Porém ela sabia que iria ter que lutar e derrotar criaturas horríveis e incrivelmente poderosas. Isso lhe casava muito medo.


E havia também a dúvida sobre o que pedir.


Mas naquele momento, Yolanda sentia-se muito solitária. Talvez sua chance havia passado.


" Demorei-me demais a decidir..."


"Inútil!"


"Não serves para nada mesmo!"


" É mesmo, uma inútil!"


Yolanda não notara, mas o mundo ao seu redor estava mudando, transformando-se em outra coisa.


Ela caminhava lentamente, olhando fixamente para o chão. Os paralelepípedos pareciam mover-se sob seus pés. Mas ela continuava caminhando.


"Nem para realizar uma tarefa tão simples você serve!"


" Inútil!"


" Sou mesmo uma inútil..." — A menina cai de joelhos, com lágrimas descendo em seu rosto.


Criaturas estranhas passam correndo ao seu lado. Coisas como locomotivas pequeninas, carroças puxadas a seres que se assemelhavam à lacraias, pequenos seres alados que, se olhasse bem de perto, pareciam insetos com rostos humanos voavam ao seu redor.


Yolanda chorava desconsolada quando uma das pequeninas locomotivas bateu em sua perna, tirando a menina de seu transe.


– Hã? Mas o que? O que é isso?!


Yolanda levantou-se rapidamente e se afastou daquela coisa estranha, quando um dos insetos bateu em seu ombro.


A menina deu um grito e começou a correr, mas o chão ficou mole, como se ela tentasse correr sobre gelatina. Desequilibrou-se e caiu.


– O que é isso tudo? Alguém... Alguém, por favor... Me ajude!


Yolanda gritou com toda sua força. Ela olhou ao seu redor e se viu cercada por todas aquelas criaturas, que estava fechando-a em um circulo.


De repente começou a nascer ao seu redor vários ramos, como de roseiras, prendendo as criaturas em um emaranhado de espinhos, apertando-os até estourá-los, em uma reação em cadeia.


– Você está bem?


Ela ouve uma voz vinda de trás de seus ombros. Ela tenta ver mas não consegue, uma densa névoa havia se formado e Yolanda não conseguia ver nada.


– Por favor, me ajude!


Ela sente uma mão pegando em seu pulso, levantando-a bruscamente.


– Não reclame e não me atrapalhe!


Yolanda vê uma jovem de longos cabelos negros, com uma rosa vermelha prendendo parte dele. A jovem tem olhos vermelhos como sangue.


– Fique aqui, não se mexa! — Diz isso, e com um movimento de sua mão, ela forma uma gaiola de espinhos e rosas ao redor de Yolanda, esquivando de algo logo em seguida.


Ela não consegue ver bem o que está acontecendo, mas vez ou outra consegue ver a jovem de vestido pulando e esquivando de algo que parece ser uma grande lâmina. De repente ela ouve um forte ruído, como de uma explosão.


Yolanda consegue ver labaredas gigantescas subindo até o céu.


A névoa começa a dissipar-se, juntamente com o céu negro e o chão mole. Sua gaiola de espinhos desaparece e tudo volta a ser como era antes.


Caminhando em sua direção ela vê a garota, que já não está mais usando um vestido em tons de preto e vermelho. Seu cabelo está preso em um rabo-de-cavalo e sua expressão é bem séria.


– Foi por pouco! — Diz a jovem, seriamente. — Pelo seu uniforme, vejo que também é de Cervantes.


– Bem, eu... — Yolanda parece constrangida.


– Pifff! Acho que meu disfarce foi descoberto. — Diz isso estendendo a mão para a menina. — Sou Rosa.


– E-eu sou Yolanda. — Diz isso enquanto segura a mão de Rosa. Ela vê uma profunda cicatriz em seu pulso.


– Enfim se conheceram! — Novamente uma voz conhecida. Das duas.


– O que você quer?


– Yubey! Pensei que você tivesse desistido de mim!


Rosa olha espantada para a garota.


– Não me diga que ela é a sua candidata?!


– Não tinha a intenção de fazer com que vocês se conhecessem antes do necessário.


Rosa parecia inconformada.


– Ela não vai durar dois minutos! Você não viu?


– Hey! — Yolanda parecendo bastante irritada. — Nunca havia passado por nada parecido! Mas sou mais forte do que pareço!


– Com todo o respeito, menina...


– Yolanda! Meu nome é...


– Tanto faz! Mas isso aqui não é para pessoas como você!


– E o que você sabe sobre mim? Nem me conhece!


– Sei que você tem família! Amigos! Uma vida! Acha mesmo que pode viver como uma Puella? — Rosa gritava, ensandecida. — Acha que consegue? Que tal saber que você nem é mais...


Nesse momento Rosa estava tremendo. Seus punhos estavam serrados. Ela nunca ousou dizer isso em voz alta. Ela tentava mentir para si mesma todos os dias. Em vão.


– O que? O que eu não seria se fosse como você?


Rosa abaixou sua cabeça. Não era tão forte assim.


– A vida é sua, faça o que quiser. Só não quero seu sangue em minhas mãos...


Essa frase saiu quase inaudível de seus lábios.


Yolanda olhou curiosa para Rosa, como se tentasse ler algo ilegível.


– Obrigada!


Rosa levantou os olhos em direção da garota, que sorria, estendendo-lhe a mão.


– Obrigada por me salvar, sou grata e prometo que vou pensar no que me disse.


– Tanto faz... — Resmungou Rosa, virando-se e caminhando.


Depois que Rosa sumiu da vista, Yolanda virou-se para Yubey.


– O que aconteceu com ela?


– Não posso dizer.


– O que é uma Puella Magi?


– Uma garota com poderes mágicos que derrotam criaturas que chamamos de bruxas. Já havia dito isso antes.


Yolanda parece estar apreensiva em relação ao pequeno gato.


– E o que a Puella Magi não é mais?


Os olhos de Yubey brilham de uma maneira assustadora.


– Essa, minha cara, é uma conclusão que apenas uma Puella Magi pode chegar.



Notas finais
Meus amores, gome.
Prometo esforçar-me para postar os capítulos com mais frequência.
Domo aregatou.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.