Sine Cordi
2 ב
Notas iniciais
“A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade do outro.”
– Confúncio -
Cinco anos passaram desde o rompimento de Quinn e Rachel. A segunda, uma artista cheia de compromissos, buscava há muito ter notícias da loira, mas Santana só lhe pedia para deixar as coisas como estavam. A judia se casou com St. James e teve um filho dele, Spencer Berry St. James, que tinha três anos de idade.
O matrimônio com Jesse não foi bem. Foi o pior erro que poderia ter cometido, se não fosse por Spencer. E sua incorreção aconteceu porque teve dúvidas se sentiria mais prazer sexual com Quinn ou James. Então, tudo escorreu pelo ralo. Conclusão: era uma mulher bem sucedida, com um filho lindo e um casamento frustrado. Pouco tempo após as bodas, descobriu que o marido lhe traia com um dos bailarinos que fazia parte da turnê. E quando foi falar com Jesse, ouviu dele “Não sei porquê o espanto! Você também gosta dos dois sexos!”
“Mas eu nunca o traí!”, retorquiu.
“Não mesmo, Sra. St. James? Nem quando pensa em Quinn Fabray?”
“Eu me casei com você!”
“Mas era com ela que queria o matrimônio. Eu fui apenas um experimento para que você tivesse cem por cento de certeza de que a sua felicidade estaria ao lado dela. Bom... Você descobriu. Pena que ela não quis lhe ouvir. E a viagem da turnê melou sua tentativa de conversar com ela. É a vida, Rachel! Não se pode ter tudo!”.
Ela estava a estrelar uma peça na Broadway, no teatro Gershwin, “The Beauty and the Beasty”, há muito tempo em cartaz. Ela era a quarta protagonista do musical e a sua voz, poderosa, era a grande “arma” que os produtores tinham, pois Rachel Berry já fora ouvida pelo Presidente da República, fã incondicional e confesso, assim como por Sheiks mulçumanos e outras pessoas ricas e influentes.
Seu retorno foi muito badalado após a turnê europeia de “Across the Universe”, a gravação de uma comédia romântica com Matt Bommer, que se tornou um “blockbuster” e as viagens constantes para promover o filme. A crítica foi tão positiva em relação ao musical, que a morena foi indicada a mais um Tony Awards, e era quase cem por cento apontada como possível ganhadora, além da indicação ao Golden Globe e ao Oscar como melhor atriz. Era uma mulher rica, mais famosa do que um dia imaginou ser, entretanto sem o seu verdadeiro amor.
Jesse vendo-a brilhar cada vez mais, não suportou e pediu o divórcio.
“Você enlouqueceu?”, ela perguntou aturdida.
“Baby”, ele lhe respondeu, “a Star da casa é você! Ou esqueceu? Continuaremos a ser amigos um do outro, como vem a acontecer há tempos! Mas, eu não consigo um trabalho, uma peça mixuruca há cinco meses! Acha que é fácil viver a sua sombra? Pois eu lhe digo: não, definitivamente não é!”
Rachel sabia que ele tomou tal decisão por desespero. Mas como evitar que reagisse de maneira tão tempestuosa? Deveria respeitá-lo e apoiá-lo sempre! Afinal, era o seu melhor amigo e – mais importante – o pai de seu filho! E ficou tão atordoada que resolveu ligar a TV e assistir Funny Girl. E foi ali, na enorme TV de tela plana que a viu. Aumentou o volume e escutou:
“... E a imbatível advogada Quinn Fabray conseguiu mais uma vitória para o seu currículo! Ela conseguiu provar que Donald Stamp não matou a Sra. Stamp e, sim, o amante dela, o médico cirurgião Thomas Richardson. Ela conseguiu confundir o médico com suas perguntas de tal forma que ele, sem querer, isso mesmo que você telespectador ouviu, sem querer acabou por confessar o crime! Por sua inteligência, não é à toa que ela seja a queridinha dos juizes e terror dos colegas de profissão...”
A cantora congelou. Quinn advogada? Mas... Ela era uma fotógrafa renomada! O que aconteceu para mudar de ideia e seguir os planos de Russel? Percebeu também que era protegida por Santana, um mulato alto vestido em terno feito sob medida, um policial e um rapaz muito bonito e que ela parecia alheia ao fato de estar cercada de jornalistas. E, diante das perguntas, não deu uma só resposta. Alcançou a SVU negra e entrou, a desaparecer atrás dos vidros fumê.
“Quinn... Advogada?!”, a pequena estava chocada, “E mais linda do que eu me recordava. Está austera... Madura, parecia tão indiferente!”, exclamou para si mesma. Então se lembrou que Russel tinha um renomado e refinado escritório de advocacia na Sétima Avenida, que ocupava todo um andar inteiro. Sabia que Santana trabalhava lá, mas Quinn? Esta foi a sua maior surpresa. Sorriu para si mesma. Jesse queria o divórcio. Então ela o daria e lá, em 'Fabray e Advogados', estaria a solução para o caso. E, quem sabe, o local onde reencontraria o seu verdadeiro amor. Só esperava conseguir fazê-la lhe perdoar pelo erro que cometeu no passado não muito remoto.
Percorreu até a lista telefônica e correu a procurar o número do escritório Fabray. Não demorou a encontrá-lo, com o “Fabray e Advogados” escrito em letras garrafais. Tomou do celular e telefonou para lá. Logo, uma voz feminina e agradável atendeu do outro lado e logo questionou em que a firma “Fabray...” poderia ajudá-la. A cantora respondeu e a mulher pediu um momento para olhar a agenda e pouco depois já estava de volta. E perguntou o nome da cliente. Quando ouviu Rachel Berry, mudou completamente. Se antes já era educada, agora estava um melado pronta a servir de “Red Carpet” para a famosíssima estrela. Com jeito, trocou o nome do cliente que iria ser atendida no dia seguinte as quatorze horas e encaixou o nome de Rach. Por fim, a cantora agradeceu simpática e perguntou qual seria o seu advogado ou advogada.
“Dra.Santana Lopez!”
Sorriu e agradeceu mais uma vez, a desligar o aparelho. “Santana Lopez...” Eis aí outra aleatoriedade que a deixou feliz. Só esperava que a latina estivesse com o pavio mais longo que no tempo da escola!
Quando a Lopez ouviu de Mary, a secretária, o nome da famosa cantora como nova cliente da firma, ficou estática por alguns minutos. Quando retornou do estado de choque, pôs o rosto entre as mãos e exclamou:
“¡ Dios mio!¿Por qué? Los Berrys tienen uma oficina de Derecho...”
“Algum problema, Dra. Lopez? — a mulher achou estranha a reação da advogada.
“No. Todo está bueno...”
“Perdão, doutora. Mas está a falar em espanhol...”
Santana a encarou. Desculpou-se e perguntou a que horas a cantora chegaria.
“Às duas da tarde, em ponto. Parece que ela não gosta muito de atraso.”
“Nunca gostou...” — murmurou. E então se lembrou:
“A Dra. Fabray estará aqui neste horário amanhã?
“Pela agenda dela, sim. E, pelo tom de voz dela, a contragosto!”
“Conte-me alguma coisa que eu não saiba sobre Quinn.” — a morena foi sarcástica, antes de soltar um “mierda”. E pediu:
“Mary, por favor, avise-me quando ela estiver aqui. Ela e Srta. Berry não devem se encontrar nem se um casal de macacos falantes aparecerem por aqui. Entendeu?”
A secretária ficou espantada.
A latina inventou uma desculpa:
“As duas não se dão desde a Hight School. Então não vamos causar um mal-estar entre as duas. Até porque nós sabemos como a Quinn é.”
Mary franziu o cenho. Aquela situação lhe pareceu meio confusa.
“Entendi... Mas como impedir que elas se encontrem no hall ou mesmo na recepção do escritório?”
“Mary, por favor! Já é muito para a minha cabeça. Então, hoje veremos as coisas de hoje. E amanhã, as de amanhã. Ok?”
“Sim, Dra. Lopez!” — a secretária pediu licença e voltou ao seu lugar na recepção, que ficava no centro de um enorme e requintado salão, a formar um círculo, com balcão em madeira, os telefones distribuídos por ali, e um pouco mais abaixo, havia um outro balcão mais baixo, com cadeiras, computadores, gavetas e armários. Tudo muito bem distribuído e elegante. No restante da recepção, havia confortáveis cadeiras para os clientes e as salas de cada advogado e especialização do mesmo.
Quando só em seu escritório, a latina se perguntou “¡ Dios! O que a Berry quer aqui?”. Sua expressão era preocupada. Pensou no choque que a cantora poderia ter se visse Quinn. Mas, e daí? Se era para se encontrarem, mais cedo ou mais tarde isso aconteceria. Não seria ela, uma simples advogada que iria se meter. Poderia, sim, avisar a Berry para ficar longe da loira. E só! Olhou o relógio. Já deveria estar em casa há quinze minutos. Não gostava de preocupar Brittany. E esperava que houvesse algum ansiolítico em casa, pois iria precisar. Ou não pregaria os olhos! E precisava dormir muito bem, pois o dia seguinte parecia prometer gasto de muita energia e paciência.
A noite deu lugar ao dia as seis da manhã.
A latina chegou à firma as sete horas e trinta minutos cravados. Russel, que sempre chegava por este horário, espantou-se ao ver a morena ali tão cedo.
“O que foi, Sant? Caiu da cama”, sorriu.
“Não, Sr. Fabray”, a advogada se serviu de uma xícara de café e se voltou para o pai de Quinn, “eu posso até dizer que dormi relativamente bem.”
O homem franziu o cenho, desconfiado. “Não é o que parece. O que lhe preocupa tem relação com a 'Fabray e Advogados?”. A latina tomou um gole do café, respirou fundo e respondeu: “Quinn estará aqui por volta das duas da tarde?”
Russel respondeu que sim e interrogou um “Por quê?”.
“Porque Rachel Berry estará aqui as duas da tarde, nem um minuto a mais nem um minuto a menos. Ela é meio britânica.”
“É... Ao contrário de Lucy. Eu quase tive que pedir de joelhos uma reunião com ela!”, reclamou o homem. “E qual é o seu temor, Sant? Que elas se encontrem?”, ele se recostou no balcão e retorquiu, com um sorriso amargo na face: “Não há com o que se preocupar. Mesmo que nossos escritórios sejam bem próximos. E, se tem alguém que poderá ficar chocada, este alguém é a Berry. Então, apenas faça o seu trabalho. Você sabe que Quinn sai batida daqui. A Sra. St. James não terá tempo de abrir a boca para cumprimentá-la. Ok?”, Russel sorriu. E, desta vez, com um tanto de humor. E lembrou e exprimiu, antes que Santana fosse para o escritório: “Lembre-se de tratá-la como a estrela que é e não fique ansiosa por coisa alguma”.
“Certo. Mas foi bom falar com o senhor. Isso me deixou bem mais aliviada!”, a latina comentou.
“Nada fiz demais. Creia-me!”.
Santana anuiu e foi para sua sala. Manteria a mente ocupada para o tempo passar mais rápido. Ou a ansiedade a devoraria.
CONTINUA.
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