Sine Cordi

4 Capítulo 4 - ד


Notas iniciais
Desculpem o atraso em postar. O capítulo já estava pronto desde a semana passada. Entretanto, na terça-feira, se não estou a me confundir, o site teve problemas sérios e ficou fora do ar. Enfim, aproveitem o capítulo... E Quinn Fabray! ;-)

Duas estradas se bifurcaram no meio da minha vida,

Ouvi um sábio dizer.

Peguei a estrada menos usada.

E isso fez toda a diferença cada noite e cada dia.

– Larry Norman -

A cantora saiu do transe ao ouvir a voz de Russel, exasperado.

"Quinnie, eu estou a falar com você!"

A loira deu uma elegante tragada na cigarrilha que tinha entre os dedos e outra vez soltou a fumaça pelos lábios diretamente em direção a Russel, que tossiu.

"Diga- me, Sr. Fabray: acha que sou surda?"

O homem negou com a cabeça.

"Então", a advogada prosseguiu, "pare de repetir as palavras como um vinil arranhado numa radiola velha."

Russel puxou o ar e o soltou devagar. Precisava de muita calma para convencer a filha.

"Ok, Quinn! Pelo menos pense a respeito, por favor!"

Rachel, que via e ouvia o colóquio entre pai e filha, não acreditou. Afinal, desde quando a ex-namorada enfrentou o pai de tal forma?

"Sant", murmurou, "eu estou a ver e a ouvir a Quinn enfrentar de forma gélida Russel Fabray?"

"Uhum!", afirmou a latina.

A cantora fitou a morena que percebeu que em seus olhos havia grande espanto.

"Não se apavore, Berry. Apenas mantenha uma distância segura."- avisou.

A atriz não entendeu o comentário. "Como?". Santana tentou ser o mais didática possível.

"Mantenha distância dela, Berry. Apenas isso!"

"Ela nunca me perdoou, certo?", questionou mais para si mesma e voltou a atenção para o escritório do Fabray "mor".

"Eu não diria isso. Apenas tenha cuidado."

A cantora não captou a mensagem. "Como assim 'eu não diria isso', Sant? Eu sou bem realista quanto ao que eu fiz! E sei, também, que não será fácil adquirir o perdão dela."

A ex-cheerio respirou fundo e meneou a cabeça.

"Estoy a hablar de otra cosa, Rachel. Estoy a hablar de la indiferéncia de la rubia."

"Indiferença...", a judia murmurou e tornou o olhar para o escritório de Russel.

O homem suava para conseguir a atenção da filha:

"Lucy, por favor, ouça-me! O próprio promotor esteve comigo e requisitou sua ajuda!"

"E eu com isso? Russel, ontem eu ganhei um caso importante para o escritório. Escolha outro advogado ou advogada. Você tem material humano muito competente para explorar."

O Fabray argumentou:

"Então me cite um nome de algum colega seu que tenha revertido uma situação que antes estava ganha pelo opositor, e virou toda a situação em favor de seu cliente, como você fez ontem?"

Quinn mais uma vez tragou da cigarrilha e soltou a fumaça pelo lábios em direção ao pai.

Ele esperava uma resposta dela. Por fim ela respondeu que "sabe, Russel, eu adoro a forma como você se expressa!!!!"

O homem quase foi à loucura outra vez. Tornou a respirar fundo e passou a mão na testa. Implorou "ao menos diga que vai pensar!"

Ela sorriu ao responder. "Sabe, Russel, eu gosto do verão. Mas odeio quando faz calor demais."

"Quinn, pelo amor de Deus!", o Fabray perdeu a paciência e gritou, "Isto é sério e você está a levar na brincadeira!"

"Ops! Papai Fabray ficou zangado. É para eu ficar com medo?", sorriu quase angelical, embora os olhos mantivessem a frieza constante. "Ok! Eu vou pensar, Russel. Quando eu tiver uma resposta, aviso", respondeu, apagou a cigarrilha e se ergueu a sair da sala do pai sem ouvir o que ele ainda tinha a lhe dizer.

O coração de Rachel quase chegou à boca ao perceber a mulher linda e elegante que caminhava em sua direção e de Santana, pois para sair dali, teria que cruzar com as duas. E qual não foi o espanto delas ao vê-la parar no balcão e pedir um copo de água à Mary, que de pronto foi buscar. Só então a loira enxergou Santana e Rachel.

"Sant, diga-me: eu mereço o céu, certo? Porque aturar o escravocrata do Russel é demais para qualquer um!"

Rachel estava congelada. Afinal, quem era aquela parada ao balcão do lobby tão bela quanto fria?

A secretária trouxe a água, Quinn agradeceu, sacou da bolsa um vidro de compridos e tirou três, que engoliu com um só gole do líquido fresco. A latina questionou se ela estava bem.

"Uhum... Só aquela dor de cabeça maçante", respondeu e só então firmou atenção na famosa Berry. Sorriu cheia de desfaçatez e comentou:

"Ora, ora! Mas o que temos aqui! A Sra. St. Jones!"

"É St. James, Fabray.", Santana a corrigiu.

"Ah, é? Então, perdoe-me Sra. St. James.", falou e se aproximou da atriz, "engraçado...", olhou-a de cima a baixo, "pensei que fosse mais alta."

Rachel estava em choque.

"E que falasse também", sorriu sem nenhuma emoção.

"Ela fala, Fabray! E você não está a ser educada", a latina cuidou de defender a pequena.

"Oh! É claro que ela fala. Através de porta-voz pelo que posso perceber", concluiu. "Bom... Foi um prazer. Agora preciso ir. Tenham um bom dia", finalizou e se encaminhou para a saída do escritório.

Rachel ia chama-la, mas Santana não permitiu.

"Sant!", reclamou a pequena.

"Eu sei o que estou a fazer. Já lhe avisei: fique longe dela. Não lhe bastou a pequena amostra que viu com seus próprios olhos enquanto ela conversava com o Russel? Não foi capaz de perceber do que ela é capaz?"

"Eu a amo! E sei o que vi e ouvi. E não desistirei assim.", retorquiu a atriz, visivelmente apaixonada.

"¡Usted es mucho loca! Olvidate de ella. Quinn no es la misma y puede herir tu corazón."

A cantora não respondeu. Mas estava decidida a ter Quinn de volta. Muito decidida mesmo!

Após alguns minutos de recuperação e de pedir pelo telefone do escritório um copo de água com açúcar e tomar um calmante, Russel se deu conta de que Rachel estava no hall da Fabray e Advogados e foi cumprimenta-la com um sorriso resignado na face.

"Srta. Berry! Está muito bonita", foi sincero e lhe apertou uma das mãos. Ela devolveu o cumprimento e agradeceu. O homem tentou se desculpar pela cena da discussão:

"Perdoe-me por presenciar a cena entre mim e Lucy. É que às vezes ela consegue me tirar do sério e eu fico sem saber como agir ou, mesmo, reagir com o modo de ela se comportar."

"Não se preocupe, Sr. Fabray. Não vou negar que fiquei um pouco surpresa, mas estou há tanto tempo longe que parece que eu não conheço mais a Quinn. Então, quem sou eu para merecer suas desculpas?!", retorquiu com um agradável sorriso e após alguns minutos mais de conversação sobre o divórcio, despediu-se do homem e Santana a acompanhou até os elevadores.

"Nosso jantar está confirmado, Sant! Não vá esquecer. Quero muito ver Britt e saber das novidades."

"Ok! Eu e minha esposa estaremos prontas quando for nos buscar. Puede quedarse tranquila, muchacha."

Logo que o elevador chegou, a atriz adentrou e se foi. Santana sentiu um alívio, entretanto sabia que a cantora faria perguntas sobre a ex-namorada. Era preciso preparar Brittany para o momento. Não desejava que a verdade viesse à tona. No fundo, todos que conheceram a história das duas não desejavam isso.

Rachel chegou à garagem do prédio e viu Marco, seu motorista particular encostado no carro com fones no ouvido a escutar as músicas dela. A cantora sorriu. Marco era um homem jovem e bonito, de sorriso cativante, alto, de ombros largos pela prática diária de natação e que amava musicais da Broadway. E, claro, a judia ficou encantada com este fato. O rapaz já trabalhava com ela há quatro anos e conversavam muito sobre musicais e Rachel o tinha como parâmetro de suas apresentações, pois o motorista entendia muito sobre o ofício dela. Ele, ao vê-la, tirou os fones e desligou a música. Em seguida, abriu a porta traseira do Hunday prata e a cantora agradeceu, ao adentrar ao veículo. Em menos de cinco minutos, o automóvel estava em movimento, a sair da garagem do prédio.

Seguiu viagem em silêncio, a pensar em Quinn. Ela estava tão diferente! Impactou-se com a mulher elegante e bela diante de seus olhos. Mas, ao mesmo tempo, a maneira de como agiu diante de Russel a deixou ainda mais surpresa. O que testemunhou não era nem de longe a Fabray com a qual conviveu no WMHS. Aquela mulher era outra pessoa. Completamente distante, parecia sem emoção; era prática, sarcástica, ousada e capaz de fazer ruir qualquer argumento ou intenção. Nem mesmo a autoridade do Fabray "mor" era capaz de atingi-la. Quinn lhe pareceu o avesso da compreensão, da obediência, do medo e do respeito. E, durante todo o caminho de volta para casa, uma só pessoa lhe tomou toda a atenção. E esta ela deixou escapulir por entre os dedos num momento de pura falta de respeito consigo mesma e com a namorada. E outra cousa a incomodou, embora não tivesse o direito de assim se sentir: Quinn teria alguém? Um namorado, amante, uma... Relação estável? Afinal, cinco anos se passaram! E cinco anos não eram cinco meses ou cinco minutos! Percebeu que ela usava um delicado anel de ouro no dedo anular da mão esquerda. Seria alguma espécie de aliança? E Quinn estava tão bela que não seria difícil alguém se encantar e se apaixonar por ela. Uma lembrança lhe veio à mente: quando a viu pela TV, além de Santana, um mulato e o policial, havia um belo rapaz que, aparentemente a acompanhava. Seria ele algum tipo de relacionamento da ex-namorada? Não seria difícil. Afinal, foram cinco anos afastadas. Um tempo significativo para ela reconstruir a vida. Sentiu o coração apertar. E, depois, que direito tinha de se sentir magoada ou enciumada? O único direito que tinha era o de aceitar, silenciosa e reverentemente. Ela feriu a namorada de maneira torpe e suja! Ter dúvida entre quem a faria mais satisfeita sexualmente? Murmurou para si mesma:

"Idiota, Berry! Você foi e continua a ser uma tola, uma idiota que feriu a pessoa que mais lhe amou romanticamente." — soltou contra si própria, em uma grande frustração. Uma dor enorme pelo passo, pelo caminho errado que tomou e transformou seu destino radicalmente. Suspirou e meneou a cabeça. De que adiantava chorar pelo leite derramado? Entretanto, o amor fazia-lhe querer Quinn de volta. Iria reverter aquela situação. O primeiro passo estava dado. E não pouparia esforços para tal. Quinn Fabray voltaria a ser dela!

CONTINUA.

Notas finais
E agora? Como a Rachel fará para se aproximar desta Quinn tão fria? E a loira? Como reagirá? Respostas nos próximos capítulos. Abraço fraterno. Cal.*-*