Sine Cordi

5 Capítulo 5 - ה


Notas iniciais
Desculpem pelo atraso na postagem. Espero que gostem do capítulo, que revelará um pouco mais do que aconteceu no espaço de tempo em que nossas personagens ficaram afastadas e um pouco mais da nuance da personalidade de Quinn.

Quando você olha demais dentro de um abismo,

o abismo olha dentro de você.

– Friedrich Wilhelm Nietzsche -

Rachel chegou a casa e encontrou Jesse e Spencer a brincarem de carrinhos no tapete da imensa sala de visitas.

"Mamãe!", gritou o menino ao vê-la e correu em direção aos braços maternos. A morena abraçou o filho e o levantou em um abraço, beijando-o inúmeras vezes e com o coração cheio de amor e um sorriso enorme de satisfação. Perguntou, sem soltar o menor, "brincando com o papai?", olhou afetuosa para o marido, "de carrinhos?". O pequeno respondeu satisfeito que sim e que "o papai não é bom motorista". A cantora deu uma deliciosa gargalhada e perguntou por quê. "Ele bate a toda hora! Ruim de volante. Eu não. Eu sou motorista bom". A mulher colocou o filho no chão e caminhou até Jesse, alcançando-o e os dois trocaram um selinho carinhoso.

"Então", ele questionou, enquanto ela sentava no sofá em que o homem apoiava as costas, "onde esteve?"

"No escritório Fabray e Advogados. Fui fazer o que me pediu: dar entrada nos papéis de nosso divórcio", respondeu com tranquilidade. O homem franziu o cenho em clara demonstração de surpresa.

"Pensei que pediria aos seus pais para cuidarem disso", comentou.

"Eu também pensei nisso. Mas eles ainda não sabem da nossa decisão. E será um choque para os dois... Por isso achei melhor cuidarmos de tudo e conversarmos com eles durante o processo, que deverá ser rápido. Assim, poderemos explicar que, apesar de separados, você ainda viverá aqui para que nosso filho não sofra com este fato". Ele sorriu ao concluir que "os dois vão achar que somos loucos! Uma separação sem separação... Exceto pelo fato de eu não mais dividir a cama com você". Ela riu. Jesse estava coberto de razão. Hiram e LeRoy os chamariam de desorientados!

"Ela estava lá?", perguntou, sério. Rachel o mirou, confusa. "Quem?", desligara-se um pouco da realidade.

"Quinn Fabray!".

A cantora respirou fundo e respondeu, sem — no entanto — deixar de demonstrar o choque que tomou ao vê-la. "Sim. Por acaso ela estava".

"E como foi o encontro depois de tanto tempo?". Jesse estava realmente curioso e um pouco preocupado. Sabia que a esposa sempre esteve dividida e que, se pudesse, voltaria o tempo e mudaria o que aconteceu. Sabia que ela o amava, porém os dois se tornaram mais irmãos e confidentes do que marido e mulher. Era por Quinn Fabray que o coração dela estremecia de amor; era pelo corpo dela que todo seu ser ansiava; era pelo gosto dos lábios dela que sua língua procurava e desejava.

Rachel sorriu em decepção antes de responder que "foi como se eu nunca existisse para ela. Olhou-me sem demonstrar emoção alguma e falou comigo como se não me conhecesse".

O espanto de St. James foi tão grande que ele se levantou do chão e sentou ao lado dela e lhe tomou das mãos de forma amorosa. "Como assim? Eu não consegui concatenar bem o que acabou de me dizer", foi sincero e, ao mesmo tempo, confuso.

Rachel sorriu mais uma vez. Nem mesmo ela conseguia entender. "Na verdade, Jess, o que eu presenciei na Fabray e Advogados me deixou fora de órbita. Aquela Quinn de quem fui noiva conseguiu ficar ainda mais linda. E o avesso de quem foi. Eu a vi a discutir com Russel, algo impensável na minha cabeça. Ela era o cinismo e a desfaçatez em forma de mulher. Eu cheguei a pensar que o pai dela teria um infarto fulminante de tanto que ela o provocou. O coitado precisou beber água com açúcar e um calmamente. Então ela saiu da sala dele antes que terminasse o que tinha a dizer. Fez um comentário debochado sobre ele e, só após isso, deu-se conta de minha presença. Chamou-me de Sra. St. Jones...", o homem riu ao ouvir a confusão com seu nome, "chegou perto de mim, olhou-me de cima a baixo e teve a cara de pau de dizer que achava que eu fosse mais alta. Santana precisou se intrometer para que ela, pensei eu, não fosse longe demais. Quando consegui me refazer e quis ir atrás dela, a Sant não deixou e falou para manter distância, ou me machucaria", finalizou o resumo do acontecido.

Jesse ficou mudo por alguns minutos. "Esta realmente não parece ser a mulher que me descreveu tantas e tantas vezes em seus enleios enamorados. Ela não era fotógrafa? O que houve para você a encontrar no escritório de advocacia do pai dela?", questionou ao lembrar da profissão da Fabray.

"Eu não sei... Só sei que se tornou a melhor criminalista de Nova York. Eu a vi pela TV ontem. Fiquei realmente surpresa! Tanto quanto você parece estar agora".

O homem assentiu com a cabeça. "E eu estou!", exclamou. E se lembrou de uma situação que havia se perdido na memória com o passar dos anos. "Rach, eu a conheci quando, em um dos ensaios, você a levou para assistir! Recorda-se? Ela foi simpática e nos fotografou. Fotografou todo o elenco! E, pouco depois, enviou as fotos que acabaram por virar um pôster que ficou durante toda a nossa apresentação na frente do teatro, à entrada."

A cantora se lembrou e sorriu ao dizer "e ela não aceitou que o produtor da peça a pagasse, pois uma fotografia de Quinn Fabray era considerada uma obra de arte! Ele ficou extremamente feliz e, só pelo fato de termos aquele pôster, muita gente que era fã do trabalho dela e outros amantes da fotografia também foram as nossas apresentações. Quinn, inconscientemente, ajudou no sucesso do nosso musical."

Jesse ficou sério. A judia percebeu. "O que aconteceu? Estava tão bem com a lembrança!"

"É... E o que nós fizemos com ela e toda a gentileza e carinho que demonstrou por nós?"

"A culpa foi minha, Jess!", ela atalhou. O homem a mirou ao responder "não, Rach! Quando um não quer, dois não brigam! Eu me senti atraído por você e foi forte, eu lhe desejei muito! Mas não tinha o direito de acabar com as expectativas de felicidade dela.", foi sincero.

A mulher abaixou a cabeça. "Eu também me senti atraída por você. E isso causou uma enorme confusão em mim. Por isso fiquei com você! Eu precisava saber, ter certeza absoluta..."

"Mas atração não é amor, Rachel! E este foi o nosso erro! O que tínhamos foi um enorme tesão que demorou muito para passar. E, quando acabou, o que ficou? E eu não estou a falar do nosso pequeno e muito menos da nossa relação de amizade, confiança e cumplicidade. Estou a me referir a algo maior: ao amor enamorado, que era e ainda é o que você sente por Quinn. Ainda que me ame, nosso amor se tornou fraterno. É um lindo sentimento, mas não preenche o vazio que ficou em você, em mim".

A ficha da mulher caiu. O marido estava coberto de razão. O sentimento que tinham um pelo outro era lindo, mas não os completava apaixonadamente. Como conseguiu confundir puro desejo carnal com algo tão sublime quanto o amor que nutria por Quinn Fabray? Como foi capaz de cometer um erro grosseiro e tão sem sentido? Era sua culpa a transformação da ex-namorada naquela calota polar, porque dizer que ela era uma pedra de gelo consistia em puro eufemismo. Fitou o homem e perguntou, perdida naquela realidade, "e agora? Como reconquistá-la? Ela passou a imagem da deusa inalcançável. E creio que não foi só uma impressão. Acredito que esta seja a atual realidade daquela que um dia me amou mais do que eu merecia", concluiu.

Jesse a tomou num abraço aconchegante e lhe sussurrou "seja a mulher decidida, teimosa e aguerrida que sempre consegue o que quer. Foi desta forma que você chegou ao panteão dos deuses! Se Quinn Fabray é uma deusa, você também é. E só um deus pode lutar e conquistar outro deus! E você sabe muito bem disso!". Os dois se afastaram e se olharam amorosamente. A morena sorriu, embora houvesse lágrimas emocionadas nos belos e significativos olhos escuros. Assentiu positivamente com a cabeça e assegurou que "eu a terei de volta, Jesse! Quinn Fabray será minha novamente como nunca deveria ter deixado de ser. Pode ter certeza disso! Se ela é gelo, eu sou fogo. E assim, dessa forma, eu lutarei com e por ela!", prometeu.

O marido anuiu e respondeu, satisfeito, "é assim que se fala, star! É assim mesmo que se fala!", e voltou a abraçá-la.

"Trabalhou para viver; depois, ainda para viver, porque o coração também necessita de alimento, amou."

– Victor Hugo -

Quinn não abriu a boca desde que saiu do escritório até chegar a cobertura em que morava num dos poucos e modernos prédios de Upper West Side, curiosamente perto da Berry, embora nenhuma das duas soubesse disso. Holmes sabia que ela estava aborrecida. A advogada odiava ir até a Fabray e Advogados, pois sempre retornava de lá com algum caso "cascudo" para defender. Percebeu-a a massagear a fronte. Provavelmente estava com a dor de cabeça que a atormentava incessantemente. Perguntou, seguro do que fazia, se "tomou seus analgésicos, Srta. Fabray?". Ela o mirou e respondeu positivamente com um leve balouçar de cabeça. "Mas parece que o meu organismo já se acostumou com a dose prescrita. E, caso goste ou não, pois estou a andar para Eleanor, tomarei mais. Não nasci para ser mártir e sentir dor", sentenciou a caminhar para a suíte que ocupuava, a retirar os saltos dos pés e sumir das vistas do homem. Ele sabia que ela mergulharia na banheira para relaxar e que, quando voltasse a aparecer seria vestida em langerie e com um chambre por cima, em fina e delicada tecitura, amarrado elegantemente à cintura no corpo esguio e de porte elegante; os cabelos presos displicenteme num coque que lhe deixaria à mostra o pescoço pálido e sensual. Certamente os olhos estariam mais verdes que de costume. Almoçaria a ler algum processo antigo e esqueceria da comida, que esfriaria no prato, mas não deixaria de bebericar da taça de vinho tinto suave e refinado da bela e abastada adega que possuía. O prato seria abandonado e, então, encaminhar-se-ia para o escritório que mantinha em um dos maiores cômodos da cobertura, com uma enorme estante que ocupava toda uma parede e ia até o pé direito do recinto, com uma escada corrediça que lhe permitia alcançar até a última prateleira. Aquela era uma biblioteca cara e bem montada. A mesa de trabalho era da mesma madeira de lei da estante, espaçosa, com gavetas, um espaço para o computador mais moderno que poderia haver no mercado de informática, telefone fixo sem fio, agenda, um caderno de capa de couro onde fazia anotações antes e durante os julgamentos, canetas, lápis, carimbo com o nome e número de licença para advogar não só em Nova York, mas em outras jurisdições, um confortável sofá de couro que era mais frequentado que a cama King Size da suíte, com uma grande e proposital manta dobrada sobre um dos braços, um lindo, grande e caro tapete persa sobre o chão localizado no núcleo do ambiente, uma pequena mesa de quatro pés do século dezenove em madeira maciça e com entalhes que lembravam arabescos onde descansava um jarro de água com dois copos, o máximo que cabia sobre o móvel de preço respeitável adquirido em leilão e com tamanho bem inferior ao valor de mercado. Havia uma caixa em madeira que guardava as cigarrilhas mentoladas feitas sob encomenda na temperatura ideal para serem fumadas no tempo que se desejasse sem que perdessem a qualidade e o agradável olor que deixavam no ambiente, sem agredir o olfato alheio, que ficava sobre a mesa de trabalho com um isqueiro feminino e recarregável. A advogada possuía outro que "morava" na pasta de trabalho junto a cigarreira em ouro que ganhou de presente de Alex. Preferia prata, pela discrição, mas como fora um agrado, seria deselegante opinar sobre o objeto que não deixava de ser de bom gosto. Havia também um armário em madeira de igual qualidade aos outros móveis onde eram guardados processos e, sobre ele, uma cafeteira automática e, ao lado, pequenas e estilizadas canecas que contrastavam e quebravam um pouco da sobriedade do ambiente. Tudo selecionado a dedo e decorado pela própria Quinn, que pela educação recebida, sabia muito bem escolher móveis, tecidos e demais cousas que faziam parte de seu castelo encrustado no alto prédio que escolheu viver sem maiores problemas ou aborrecimentos. E só adentrava ao seu precioso lar quem ela permitia. E eram raras as pessoas que obtinham tal consentimento. Por isso, somente ela e Holmes sabiam a senha do elevador que permitia chegar até seu espaçoso local de descanso. E a senha era mudada a cada quinze dias e poucos moradores utilizavam aquele elevador, que por isso estava na maior parte do tempo parado à entrada do apartamento.

Quase uma hora depois de sumir na suíte, a bela advogada apareceu na sala de refeições vestida em langerie coberta apenas por um chambre de tecido leve e delicado, amarrado à cintura. Sentou à cabeceira da mesa de dez lugares, embora dividisse muito pouco o momento da refeição com outra pessoa. Somente com Holmes, mui raramente ou Alex, também em raras ocasiões.

A empregada lhe trouxe o almoço em baixela de prata e Holmes lhe serviu o prato; o vinho em taça de cristal. Quando ele estava para se retirar e levar a garrafa para a adega, ouviu-a pedir "deixe a garrafa". Ele a mirou preocupado e ela o desafiou. "Qual o problema, Holmes? Deixe a garrafa!". O mulato bonito e de belo porte respondeu, muito equilibrado, "Srta . Fabray, pense bem. Não seria bom misturar álcool com os fortes medicamentos dos quais é refém. Por que não faz como todos os dias e aproveita com a moderação que lhe é peculiar a taça que acabei de encher à metade?".

A advogada, que olhou para a refeição servida, sorriu displicente. "Mesmo, Holmes?", e voltou o olhar para ele. O homem percebeu um brilho cínico na vastidão verde que pareceu lhe atravessar a alma como uma seta embebido em mortal beleza. O equilíbrio dele foi atingido. Respirou fundo e, como era de sua obrigação, recompôs-se e confirmou com um balanço de cabeça. Ela, então, apoiou os cotovelos na beiradinha da mesa e cruzou as mãos sob o queixo. "Fale, Holmes. Gosto de ouvir sua voz quando resolve pregar o comedimento como os gregos. Você pode me convencer...", sorriu.

"Srta. Fabray, por favor, eu não estou aqui para lhe convencer. Estou, apenas, para vigiar e cuidar do seu bem-estar. E isto não é segredo para nós dois", retorquiu calmo, a sustentar aquele olhar capaz de deixar qualquer um sem palavras ou incapaz de pensar com clareza. Sua vantagem era conhecer bem a dona dele e conseguir se lembrar qual era o seu trabalho e obrigação com aquela mulher que desmanchava ou paralisava os desavisados com a arte de manipular as almas incautas com sua beleza e elegância, o que lhe conferia uma sensualidade inconsciente e inconveniente para quem tinha de lidar com ela.

"Não, meu querido! Não é segredo. Mas...", tomou da fina taça com o líquido vermelho, balançou-a e a levou as narinas, a sentir o buquê. Depois, aos lábios e tomou um pequeno gole, que deixou passear pela língua a fim de que as papilas gustativas pudessem desvelar todos os sabores existentes na unicidade do prazeroso líquido que escorria das fontes de Baco. Era ela a própria bacante, com o poder de comer o que ou quem desejasse, ou a esfinge a falar imperativa "decifra-me ou te devoro"?

Quinn deixou escapar um murmúrio de prazer ao permitir que o líquido escorregasse pela garganta e, após, continuou o diálogo com o homem que detinha a garrafa nas mãos, "Sempre podemos dosar as coisas com um pouco mais ou um pouco menos! Você será o meu 'estraga prazer' neste dia também, Sr. Holmes? Já não chega Russel em minha vida?"

Ele foi obrigado a rir enquanto meneava a cabeça. "Srta. Fabray! É chantagem o que está a fazer! "

"Eu sei. Então, diga-me: além de boa advogada sou também boa chantagista?", sorriu, a morder a ponta da língua num jeito quase infantil que desconcertava. O elegante e charmoso mulato anuiu. "Sim, senhorita. É perfeita! E eu me atrevo a alegar que chega a ser um perigo! Espero que continue a advogar."

"Se você deixar a garrafa sobre a mesa, pensarei seriamente no assunto", sorriu com um brilho vitorioso nos olhos.

O homem cedeu. "Apenas se lembre: uma bela dama nunca tropeça após beber um pouco mais de vinho".

"Ou um pouco menos...", ela argumentou.

"Certamente! Tenha um bom almoço", ele respondeu e se retirou. Definitivamente ela era a própria esfinge. Nunca soube e nem saberia o que ela faria. E, com tal (des)conhecimento, era capaz de entender porquê Russel Fabray sempre enlouquecia um pouco a cada reunião com a filha.

A advogada deu um suspiro de satisfação e levou um pedaço do salmão grelhado à boca e gostou do sabor. Adorava quando os seus cuidadores acertavam nos temperos que lhe agradavam ao paladar. Mas, como de costume, distraiu-se na leitura de um texto que estava em uma publicação direcionada para advogados e comeu frugalmente. O vinho foi seu companheiro preferido na leitura e, apesar de a garrafa estar sobre a mesa, tomou apenas o que lhe foi servido. Nem mais, nem menos.

Quando Holmes retornou à sala de refeições, a mulher não estava mais lá. Sorriu ao perceber que ela não tocou na garrafa da refinada bebida e pediu para a governanta preparar o café que Quinn sempre gostava de tomar após as refeições, pois era ótimo para a digestão e para deixá-la desperta.

"Acha que ela ainda não o fez na cafeteira do escritório? ", a governanta ainda parecia não conhecer a patroa e o mulato retorquiu "pode ter certeza que não. Ela só usa aquela quando está embrenhada em alguma ação e esquece que precisa dormir e passa a madrugada a planejar os passos do processo. Aí sim ela prepara cafés". A governanta concordou e fez o que o que lhe foi pedido.

*

Russel mal acabou de desligar a chamada que fora transferida para sua sala na firma Fabray e Advogados e saiu a procura de Mary.

"Pois não, Sr. Fabray?"

"Conseguiu falar com minha filha?"

"Ainda não...", a funcionária sabia que isso só seria possível quando a Dra. Fabray quisesse, mas parecia que o homem a sua frente, com a face contorcida pela ansiedade, ainda não conhecia a própria filha. "Os telefones dela, tanto o móvel quanto o fixo estão desligados", explicou. Russel puxou o ar com força pelo nariz e o soltou calmamente pela boca. Assentiu com a cabeça e avisou que se, por milagre ela telefonasse, que o avisasse.

"Sim, senhor", a moça acatou, embora soubesse que isto não aconteceria. Até porque não fizera vinte e quatro horas que a advogada ali esteve. Então, era perda de tempo esperar por algum sinal de vida partindo dela. E, pelo que já observara nos anos que ali trabalhava, sabia que Quinn Fabray cozinharia o pai em banho-maria até que este já estivesse quase às raias da loucura. Ele retornou para a sala e a secretária comentou para si mesma com incredulidade que "é inacreditável que ele não saiba o que ela fará". Meneou a cabeça e voltou para a ação inútil de telefonar pela oitava vez para a bela advogada, já a saber que o faria por todo o dia e sempre obteria o mesmo resultado: nenhum.

Há algo de ameaçador num silêncio muito prolongado.”

– Sófocles -

CONTINUA.

Notas finais
Bom, é isto. E, ficam algumas questões: quem será Alex (tirem o "Eu sou o número quatro" da cabeça)? Por que poucas pessoas frequentam da intimidade de Quinn e somente ela e Holmes possuem a senha do elevador que leva ao apartamento em que vive? E Eleanor? E o caso que Russel deseja piamente que a filha aceite e defenda? Ela o fará? Respostas a serem reveladas e outras a serem descobertas por vocês. Abraço grande e até o próximo! - Cal. *-*