Sine Cordi

21 Capítulo 21 - כא


Notas iniciais
Ok... Nota importante: este é um capítulo proibido para menores. Então, peço gentilmente que as pessoas que não "apreciam" intimidades entre duas moças, leiam apenas a primeira parte, pulem o meio e sigam direto para o final. Okay? Grata pela compreensão! ;-)

"Quem comete uma injustiça é sempre mais

infeliz que o injustiçado."

– Platão -

Jesse estava estático na cadeira do teatro, ainda a tentar entender o porquê de o empresário dizer todas aquelas cousas sobre Quinn, Rachel e ele mesmo. Mais: queria entender as lágrimas do homem sinceramente condoído com o que, certamente, aconteceu com a Fabray. Ele recomendou deixar o passado enterrado. Que se continuasse a investigar, não apenas Rachel, mas também ele próprio se arrependeria e haveria sofrimento. E que tanto ele – Kurt – quanto os demais que sabiam a verdade estavam a lhes fazer um favor ao pedirem que se mantivessem afastados da advogada. Que a Quinn Fabray que conheceram nunca mais retornaria...

"Retorno...", murmurou, "Retorno de onde e por quê?".

Fato: Jesse St. James estava fustigado por uma curiosidade que era do tamanho de uma pulguinha, mas depois das palavras do Hummel, virou um elefante.

"Do que o Kurt falou? Por que ficou tão magoado? O que de tão grave aconteceu a Quinn para que todos façam tanto mistério? E por que a Rachel e eu não suportaremos a verdade?...", quedou-se meditabundo por largos minutos. Então um questionamento lhe surgiu...

"O que de muito ruim poderia acontecer com Quinn Fabray? Quais as categorias de riscos e sofrimentos ela poderia ser encaixada?"

Estas eram perguntas que, apesar de parecerem pertinentes, induziriam a erros. E errar outra vez sobre Quinn Fabray estava fora de cogitação para St. James. O ator foi retirado das próprias indagações pelo diretor da peça, que já se fazia presente com o restante do elenco no palco. Desculpou-se e foi se juntar aos demais. Porém, soube, teria de se esforçar para manter a atenção no ensaio e longe do ribombar da explosão emocional do empresário e da maneira como se retirou do teatro. E não seria uma tarefa das mais fáceis. E, ainda que a concentração não estivesse aguda, a música que começou a apresentar para um dos números do musical escorreu-lhe com facilidade e afinação agradável para fora de sua boca.

♫ "Oh, baby, baby, baby, baby, baby.

(Oh, querida, querida, querida, querida, querida.)

Baby, baby baby, b-b-b-b-b-b baby baby, baby.

(Querida, querida querida, q-q-q-q-q-q querida, querida.)

Baby baby baby.

(Querida querida querida)

Come back, baby, I wanna play house with you.

(Volte querida, eu quero brincar de casa com você.)

Well, you may go to college,

(Bem, você pode ir à universidade)

You may go to school.

(Você pode ir à escola)

You may have a pink Cadillac,

(Você pode ter um Cadillac cor de rosa)

But don't you be nobody's fool.

(Mas não seja a tonta de ninguém)

Now, baby,

(Agora, querida,)

Come back, baby, come.

(Volte, querida, volte)

Come back, baby, come.

(Volte, querida, volte)

Come back, baby,

(Volte, querida,)

I wanna play house with you.

(Eu quero brincar de casa com você.)

Now listen and I'll tell you baby

(Agora escute e lhe contarei querida)

What I'm talk about.

(Sobre o que eu estou falando.)

Come on back to me, little girl,

(Volte para mim, menina,)

So we can play some house.

(Assim podemos brincar um pouco de casa.)

Now, baby,

(Agora, querida,)

Come back, baby, come.

(Volte, querida, volte)

[…]

Oh, let's play house, baby.

(Oh, vamos brincar de casa, querida.)

Now this is one thing baby

(Agora isto é uma coisa querida)

That I want you to know.

(Que eu quero que você saiba.)

Come on back and let's play a little house,

(Vamos voltar e vamos brincar um pouco de casa,)

And We can act like We did before

(E nós podemos fingir como fizemos antes)

[…]

Now listen to me, baby

(Agora me escute, querida)

Try to understand.

(Tente entender.)

I'd rather see you dead, little girl,

(Eu prefiro ver você morta, menina,)

Than to be with another man.

(Do que estar com outro homem.)

Now baby,

(Agora querida,)

Come back, baby, come.

(Volte, querida, volte.)

Come back, baby, come.

(Volte, querida, volte.)

Baby baby baby.

(Querida querida querida)

I wanna play house with you." ♪

(Eu quero brincar de casa com você.)

"Muito bom, St. James! Muito bom mesmo. Você só precisará ensaiar os passos da música uma ou duas vezes, mas o seu erro foi imperceptível para quem não os conhece!"; sorriu o coreógrafo ante o olhar de realização do diretor da peça. O artista assentiu e pegou uma garrafa de água mineral e a bebeu inteira, de uma só vez. Respirou fundo. Suava. Os ensaios estavam a ser duros e puxados e, sabia, não precisaria ensaiar a coreografia. Se cometeu algum erro, este foi porque não conseguiu se livrar dos pensamentos acerca de Quinn Fabray. Ainda ouvia Kurt a lhe falar e tinha clara a lembrança de como o empresário saiu do teatro.

"Inferno! Do que o Hummel estava a falar", perguntou-se, no auge da curiosidade que era uma praga quando se manifestava.

"Tudo o que acontece uma vez pode nunca mais acontecer,

mas tudo o que acontece duas vezes, acontecerá

certamente uma terceira."

– Ditado Popular -

Pouco depois das treze horas, Quinn se mexeu. Despertou. Porém, estava presa em um abraço apertado e não entendeu o porquê. Mexeu-se outra vez, mas a sonolência que ainda a tomava foi empecilho para a liberdade que precisava de qualquer jeito. Resolveu que o melhor a fazer seria gritar e despertar quem a abraçou de maneira tão possessiva. Não sentia mais a maldita dor de cabeça e tentou se recordar do que aconteceu. E, ainda que fora de foco, a imagem de Alex Bishop lhe surgiu. E concluiu de quem eram os braços e pernas que a mantinham cativa.

"Odeio...", tentou se mover, "Quando ela... Faz isso", reclamou inquieta dentro do abraço. Como resultado, acordou a amante que lhe sussurrou ao ouvido, voz rouca, "ei, acalme-se! Ou vai acabar por machucar a nós duas".

A advogada parou de se debater e pediu, cansada, "então me solte...". A morena beijou o pescoço alvo da Fabray e avisou, tranquila, "eu soltarei. Mas, antes, precisará me prometer que não fará algo brusco".

A loira franziu a testa e pediu "defina 'algo brusco'".

A jornalista meneou a cabeça preguiçosamente e murmurou, perto do ouvido da outra, "não tentará se levantar às pressas, pois ainda está enfraquecida" e, após, passou a língua no pescoço dela de maneira sensual, a roubar-lhe um gemido quase inconsciente. Sorriu, pois este era o objetivo.

Quinn assentiu e Alex começou a afrouxar o abraço e liberar a namorada, que deu um suspiro de alívio e se colocou em decúbito dorsal e a mirou nos olhos azuis que mais pareciam o mar límpido de uma praia deserta. Falou, a voz rouca, "eu me lembro de algumas cenas, mas parecem surreais... Quase... Quase um... Um...", suspirou, "um sonho muito, mas... Muito bagunçado. Então, a... A verdade é que eu não sei o que eu realmente vivi e o que eu não vivi. Você poderia, por favor, ajudar-me?", e foi neste momento, diante da sedutora e asfixiante confusão de Quinn, que a jornalista perdeu o prumo e se deitou sobre a amante e lhe tomou os lábios de assalto, a deixa-la sem ação. Cuidou de segurá-la com o cuidado e destreza necessários para que não lhe fugisse ao beijo possessivo e muito, muito sensual. E murmurou, sem afastar os lábios, "você me enlouquece, Quinnie! Completamente! Você me tira a razão...", e tornou a saborear da boca que não se negou a ela. Ao contrário, Quinn se deixou levar pela amante que, reconheceu, conseguia lhe dar muito prazer e adorava receber. Apesar de preferir estar só, Alex sabia o jeitinho certo de seduzir e leva-la aos prazeres da carne. Logo, despiam-se com muita calma e as mãos das duas acariciavam uma o corpo da outra, a tocar em pontos nevrálgicos e estratégicos, excitando-as dolorosa e deliciosamente. Alex, após estarem já nuas, desceu os lábios até os seios alvos e perfeitos da advogada, que gemeu ao sentir a língua quente da mulher e, logo após, a boca a lhe tomar um deles e sugá-lo com eficiência, enquanto o outro era acarinhado pela mão experiente. As de Quinn desceram pelas costas da namorada e lhe chegaram às nádegas, que cuidou de apertar gentil e tirar um murmúrio rouco da jornalista que não lhe resistia.

"Eu a amo... Quinn! Como eu amo e desejo você", gemeu e a advogada, num gesto completamente automático, retesou o corpo. Instantaneamente, Alex tratou de descer pelo abdome dela, com beijos e carícias e se lhe encaixou entre as pernas. Quando Quinn tentou impedir, já era tarde. A língua da jornalista tomou-lhe o sexo já lubrificado e passeou por toda a extensão.

"Deus, Alex!...", gemeu, sem defesas.

A morena tomou posse do sexo da amante de maneira covarde, a se deliciar com cada carícia que fazia a advogada amolecer cada vez mais, até que ouviu, após penetrá-la com o indicador e o anelar e dar umas poucas, porém poderosas estocadas, "eu... Eu vou..." e a loira gozou forte e, como a namorada não parou de estoca-la após o primeiro êxtase, gozou outra vez e, completamente mole, sentiu que a outra lhe tomava todo o prazer com a língua e a boca.

"Eu... Terei a minha re... Revanche, Srta. Bishop", avisou com voz arrastada.

Sorridente e feliz, a morena escalou o corpo da loira e a beijou com amor. E Quinn, apesar da aversão ao "amor", beijou-a da mesma forma. Após o beijo, Alex acarinhou-lhe o rosto e perguntou, séria, "por que você diz que não pode amar pessoa alguma?"

A advogada a mirou com uma expressão muito confusa e retorquiu, a parecer mui sincera, "eu não sei... Eu só não consigo..."

"Quinnie, você amou alguém que partiu o seu coração e teme que isso aconteça outra vez?", questionou a Bishop. A loira somente continuo a fita-la, muda. "Baby, você sabe que 'quem cala consente'?"

"Eu não me calei por consentir... Calei-me porque este é um assunto que me...", pareceu querer lembrar de alguma palavra, "assunto que... Eu não sei, Alex...", retorquiu sem ter ciência do que dizia. Os olhos da cor do mar perscrutaram toda a face da advogada e as mãos da jornalista passearam por ele. Ela observou, preocupada, "você está muito abatida, perdição minha."

A loira sorriu, porém sem fazer qualquer comentário. A amante beijou-lhe os olhos que possuíam manchas escuras sob, depois beijou o nariz e, finalmente, os lábios, provando-os provocadoramente. E, para sua surpresa, Quinn a virou e ficou por cima e tornou o beijo mais arrojado, fazendo-a gemer. E, maliciosa, desceu-os pelo pescoço e colo até alcançar-lhe os seios, a rodear as auréolas uma de cada vez, com uma dedicação que quase levou a jornalista a um gozar precoce, porém conseguiu se controlar e, entre um gemido forte e outro, murmurou, "Qui... Quinn, você não pres... Presta! Se continuar... Oh, Deus!", calou-se ao sentir a mão da loira lhe alcançar o sexo e iniciar uma massagem em todo ele, a fazer a amante resfolegar, o coração saltar e a musculatura do ventre se contrair violentamente. Encarou a morena e ordenou, excitada, "olhe-me, Alex."

A editora de modas obedeceu e quase teve uma síncope de prazer ao ver a amada chupar dedo por dedo úmido por seu líquido. "Quinn...", quase chorou, mas a advogada não lhe deu tempo, pois desceu nela e se encaixou com presteza no meio das longas e bem torneadas pernas.

Falou, excitada pelo prazer de torturar a amante, "seu cheiro é inebriante, baby..."

Um gemido abafado escapuliu por entre os lábios semiabertos de Alex e ela se perdeu por completo ao ser penetrada lentamente por dois dedos da Fabray, que explorou todo o interior da mulher devagar e chegou ao famoso ponto G e ali fez pequenas pressões, a fazer a amante se contorcer em busca do prazer. Porém, Quinn tinha mais em tortura-la e, experiente, começou a passear com a língua por todo o sexo dela e começou a beijá-lo como se fossem a boca. Ouviu de uma Alex já completamente perdida e descontrolada um "porra, Quinn! Assim... Assim eu... Não vou conseguir aguentar!"

A loira sorriu e começou a estocá-la. Falou, antes de voltar a tomá-la com a língua e os lábios, "é assim que eu gosto de foder você, Alexandra, até você gozar toda para mim". O verbo da loira foi a gota d'água para a jornalista, que alcançou o prazer de modo vibrante por duas vezes, tal qual a amante e, sem nenhuma força, confessou, "eu... Sou só... Eu sou só sua, Quinnie! Somente sua!".

Após o prazer que dividiu com a jornalista, escalou-a e confessou, "você suga a minha energia, sua feiticeira de olhos da cor do mar!"

Alex sorriu, cheia de langor. Murmurou, a saborear as palavras, "e você sabe como me enlouquecer, sua sádica extremamente deliciosa".

A loira tinha os olhos pesados e quase não escutou a amante, a adormecer quase instantaneamente. Alex a osculou na fronte e sussurrou ao ouvido dela terna e decidida, "eu vou descobrir quem quebrou o seu coração de forma tão derradeira".

A editora de moda apareceu na sala de refeições e encontrou Holmes a aprontar a mesa. Sentou em uma das cadeiras e mirou o homem que trabalhava concentrado. E sem delongas, atirou a pergunta que o fez estancar, tal a surpresa, "o que aconteceu, realmente, com a minha namorada?".

Ele se virou com calma estudada e respondeu com outra pergunta, "como?".

Alex encarava sem ao menos piscar.

"Você me ouviu bem, Sr. Holmes. Por que Quinnie diz repetidas vezes que não pode amar? Por que, para fazer amor com ela, preciso ser rápida a ponto de lhe bagunçar o raciocínio ou escapará de mim, como já o fez outras vezes? 'Allez, homme!' Do que tem tanto medo? E, para a sua informação, eu sei que tem relação com a ex-senhora St. James! Conhece?"

Ele aquiesceu. E a editora de moda não tinha a menor intenção de parar o inquérito...

"O que você sabe sobre o envolvimento delas?"

Holmes se recompôs e respondeu, solícito, "nada mais que a senhorita, eu garanto. E fui contratado como cuidador, segurança, motorista e vez ou outra, copeiro, como pode observar", esclareceu.

Alex soltou um suspiro de insatisfação.

"O que ela fez para manter as emoções sob controle? Falam tantas cousas dela, que é fria, incapaz de amar... Então, responda-me: por que ela se dá para mim e me toma com puro desejo e afeto? Sei que não gosta de ser abraçada ou cousas do tipo, entretanto como suporta o que eu lhe infrinjo? Holmes, eu vou muito longe com a Quinn e você não faz ideia do quanto!"

Neste instante, ele tomou a palavra e atalhou, respeitoso e rubro, "creia, Srta. Bishop, eu sei. E,para ser sincero, com todo o meu respeito, fico aliviado por saber que a Dra. Fabray a tem. Não é segredo o quanto ela se tornou solitária e escorregadia, sempre a afastar as pessoas, amigos, familiares... Eu não sei o que fez ou faz e prefiro permanecer na ignorância, porém é meu dever, para o bem da Srta. Fabray, fazer o que for necessário para que a senhorita continue na vida dela", atalhou.

A jornalista o observou, surpresa com as palavras que lhe pareceram mui sinceras.

"Sabe o quão isto soou estranho?", perguntou.

Ele suspirou e ela pensou que Holmes era quase um lorde inglês tamanho o cuidado que procurava ter para não avançar a tênue linha do respeito. Porém, a morena ainda necessitava de mais. O que tinha era muito pouco e superficial e, portanto, insistiu, "eu estou com ela há pouco mais de três anos o conheci aqui, sob a apresentação dela. Como pode dizer que sabe tanto quanto eu? É óbvio que você sabe de muito mais, porém recebeu ordens expressas para se calar. Quem lhe pediu isso? Russel? Judy não faz muito o gênero mandão, logo, eu só posso supor que foi o Sr. Simpatia do meu sogro. E, sabe o que me exaspera muito? Saber que Quinn também parece ignorar o que aconteceu."

O serviçal meneou a cabeça em negativa e retorquiu que "eu creio piamente que ela sabe! Porém, nega-se em falar do passado. Eu sei é exatamente o mesmo que a senhorita. A Dra. Fabray não costuma tocar neste tema. Em verdade, afirmo que ela não o comentou. Diz que o passado é página virada e que somente o agora vale à pena. Estou a ser sincero, senhorita! Não há em mim razão para mentir", findou o homem.

Porém, a morena não se iludiu e sorriu.

"Sr. Holmes, já lhe disseram que é péssimo ator?"

Ele entendeu o a metonímia e piscou algumas vezes, incrédulo. Ela o chamara de mentiroso?!

"Senhorita, por favor, eu acho que está a confundir discrição com mentira. Eu sou, apenas, discreto. Eu sei o que aconteceu, mas não posso falar. Se me fosse permitido, contar-lhe-ia tudo! Pode ficar segura disso"

Alex fez só mais uma pergunta, e o homem soube que não seria possível ludibria-la e ouviu, atento, "Quinn não sabe de tudo, certo?". Ele respirou fundo e respondeu, grave, "ela só desconhece o que a levou, realmente, ao motivo das dores de cabeça. E, quanto a isso, não há com o que se preocupar. A causa mais provável foi o trauma... Ela não estava preparada..."

A editora meneou a cabeça e retorquiu que "eu temo que o seu jogo de palavras foi imaturo... E eu penso que ela nunca mais estará preparada. Não após o tanto que lutei para alcança-la. E, saiba Holmes, eu ainda não consegui alcançar a metade dela. E, talvez, nunca alcance" e se ergueu e avisou que precisava ir e que a amante dormiu outra vez, exausta mais psicologicamente que fisicamente. O cuidador entendeu o recado e garantiu que faria que ela não pusesse as mãos e os olhos sobre o processo que estava a estudar. A jornalista anuiu. Confiava nele. E uma verdade lhe ficou clara: Rachel Berry e Jesse St. James sabiam em parte o que aconteceu, porém ignoravam a totalidade dos fatos.

"Eu descobrirei o que fez Quinn ficar assim...", murmurou, "Acho que o trauma não foi a grande causa... Talvez eu consiga verga-la e moremos juntas..."

Holmes a mirou incrédulo. "Morar?...", a voz saiu quase sussurrada.

Alex apenas sorriu e avisou que voltaria tão logo deixasse o trabalho e se retirou em direção ao quarto da namorada, que estava em profundo sono. Admirou-a. E a imagem serena dela e o momento de paz que o adormecer pareceu lhe presentear sempre fez a morena quere-la ainda mais. Sentou na beira da cama e acarinhou a face que a encantou desde a primeira vez que a viu. Aproximou os lábios dos dela e respirou a expiração quente dela e, sem freio, porém com gentileza, beijou-a e, para sua total surpresa, sentiu que ela, dentro da inconsciência em que estava mergulhada, entreabiu os próprios e deu espaço para a amante aprofundar o contato. Não correspondeu, e Alex não esperava tanto. Porém se aproveitou da oportunidade, até que a advogada gemeu em reclamação e a Bishop, para não despertá-la, estancou o contato e se afastou com um sorriso satisfeito no rosto.

"Eu a amo tanto, minha Quinn! Tanto, tanto!", sussurrou antes de se erguer para partir.

"Minha longa experiência pessoal levou-me a presumir

que a loucura aparece com frequência desproporcionalmente

nos atores. Pudera! (...)"

Atores por Arthur Schopenhauer -

Rachel chegou a casa quase no final da tarde e encontrou o ex-marido a brincar com Spencer de carrinhos. O garoto adorava e o pai não ficava atrás. Tão logo avistaram a atriz, os dois apostaram para ver quem conseguiria chegar até ela primeiro e abraça-la. Claro, o homem deixou o filho chegar primeiro e o pequeno pulou nos braços da mãe que foi célere em sustenta-lo e o envolver em um abraço terno e cheio de amor. Beijou-o várias vezes e comentou, após Jesse lhe dar um selinho:

"Nossa, Spencer! Você está muito rápido! Quase que eu não o peguei!" O menino escondeu o rostinho na curva do pescoço dela e falou como em segredo que "papai está devagar! Ele 'tá' igual uma tartaruga".

A gargalhada de Rachel deu ao ex uma ideia do tipo de confidência que o menino fez à mulher e, ainda a brincar, estreitou os olhos e falou, a parecer um detetive, "Sr. Spencer Berry St. James! Eu tenho absoluta certeza de que você me chamou de algum nome ou coisa não muito bonita!"

O pequeno gargalhou excitado ao perceber que o pai o roubaria dos braços da mãe e faria "aviaozinho" com ele. E foi exatamente o que aconteceu. Rachel retirou os saltos e avisou que tomaria uma rápida chuveirada. O ex-marido prosseguiu com a brincadeira, porém avisou à esposa que precisava conversar com ela.

"Ok! Só preciso de um banho rápido e nos falaremos. Você sabe o que Maria preparou para o nosso jantar?"

Jesse sorriu e comentou alguma coisa sobre saladas e carne de soja com legumes e verduras. A atriz suspirou satisfeita e se retirou para a suíte. Spencer e o pai continuaram a brincar.

Rachel entrou no banheiro, prendeu os cabelos e entrou sob a ducha direcionada e se banhou sem pressa, apesar da promesa feita ao filho e ao ex-marido. Na mente, as lembranças das palavras de Quinn reverberaram com uma clareza assustadora; o olhar satírico, o sorriso cínico eram conflituosos com o tom de voz frio. O sorriso e o olhar eram tão inadequados que se perguntou quantas Quinns havia dentro de uma. Havia somente uma certeza: a Quinn que um dia amou não era uma delas. E, de repente, um temor a tomou ao se dar conta do tempo verbal que usou em seus devaneios: o pretérito perfeito. "A Quinn que amou". Mas... Ainda a amava e o seu querer era tão absoluto que o uso do verbo no tempo passado não fez o menor sentido. Meneou a cabeça. A ex-namorada estava a tira-la do eixo. Completamente! E isto não era permitido. Não se desestabilizaria! Se esse era o desejo da advogada, então estava a perder tempo. Tal cousa não ocorreria, em momento algum.

Findou o banho e, pouco tempo depois, reuniu-se ao ex-marido e ao filho para sSentou à mesa com Spencer ao lado e se pôs a auxilia-lo enquanto também comia, devagar e atenta ao seu pequeno milagre. A cantora habituou-se e gostava de acompanha-lo pois, ainda que o pequeno fosse extremamente capaz, ela ainda o mantinha perto e sob supervisão.

"Então", iniciou em atenção a Jesse, "disse que queria conversar. Algum problema com o musical?"

Ele negou com a cabeça e ela tornou a inquirir, cuidadosa:

"Algo que nosso pequeno não possa escutar". Colocou um sorriso na face do homem que respondeu, seguro, "creio que ele se concentrou no jantar. E, ainda que não, é um bebê".

Rachel, curiosa, pediu, "então fale! Do que se trata?"

Jesse falou, pausadamente para que ela pudesse interiorizar bem o que seria revelado.

"Em conversa com o Kurt no teatro, falamos sobre a Fabray e a mudança que ela, aparentemente, sofreu. Quis me aprofundar no assunto, pois tenho quase que cem por cento de certeza que há algo mais nessa 'mudança'. Fi-lo atentar que você pediu perdão várias vezes para ela e que me soou e ainda soa incongruente o tamanho da 'benevolência' dela ao dizer que não há nada para ser perdoado. E eu afirmei que há 'algo de podre' em nosso reino e que eu quero muito saber o que é..."

A judia cerrou o cenho e falou o que lhe pareceu óbvio:

"Jesse, a Quinn só não conseguiu se libertar da dor que causei a ela! Realmente, não sei se há algo mais. Na verdade ,imagino que você esteja a ver cabelo em ovo. Eu faria o mesmo que ela! E, por tal motivo, não desisti de te-la. O que há de anormal nisso, além da estranha e surpreendente capacidade de ela conseguir controlar as emoções e os sentimentos?"

O homem respondeu, e a resposta a surpreendeu.

"Kurt praticamente ficou histérico. E avisou para deixarmos o passado de lado. Se o fuçarmos demais, você poderá ficar ainda mais culpada e eu também. E que o argumento de Santana de que não devemos nos sentir culpados pela escolha de Quinn não é verdadeira. Que tanto eu quanto você temos, sim, a nossa parcela de culpa no que ocorreu com a Fabray. E, o que mais me impressionou, foi ele não conseguir controlar o choro..."

A atriz estancou e, grave, indagou, "Kurt chorou?"

Jesse assentiu e acrescentou que "não devemos esperar que Quinn volte a ser como antes, pois, graças a mim e a você, ela nunca mais voltará".

Rachel se quedou estática por alguns instantes. Não entedeu a que se referiu Kurt com estas palavras ditas para Jesse. Retornou para a realidade ao escutar a voz do ex-marido, convencido de sua teoria...

"Você consegue ver, baby? Quando eu afirmei que há algo mais que envolveu a Fabray após o momento em que nos flagrou e... Eu estava e estou coberto de razão! Estou disposto a descobrir o que foi."

A mulher nada proferiu, todavia sua expressão obscureceu. O que havia de mais em todo aquele enredo? E, para surpresa do St. James, falou, decidida, "ok! Vamos saber o que aconteceu. Doa a quem doer!".

St. James assentiu.

"Eu minto

Tu mentes

Todo mundo

mente."

Duke Christoffersen

CONTINUA.

Notas finais
Então, até o capítulo 22! OBS.: obrigada pela compreensão daqueles que pularam as partes indicadas por mim no início. Abraço afetuoso. - Cal. *-*