Sine Cordi

1 Capítulo 1 - א


Notas iniciais
Esta é a minha segunda fic Espero, de coração, que vocês gostem assim como gostam de Despertar. Abraço,
*-* Cal.

"A tristeza é um muro entre dois jardins."

— Khalil Gibran -

Quinn entrou no hall do prédio onde Rachel morava em Midtown, Manhattan, ao lado da Times Square. O ano, dois mil e dezessete e a cantora já era um enorme sucesso na Broadway e no cinema. Em apenas dois anos de carreira, foi indicada duas vezes ao Tony e ganhou um neste ano. A madrugada deste dia era especial, pois completavam seis anos de namoro e a loira aproveitou para pedi-la em casamento. A morena faria uma turnê pela Europa e ficariam bastante tempo afastadas, apesar dos planos da fotógrafa em visitá-la sempre que houvesse uma folga de ambas as partes.

Russel Fabray se irritou ao saber que a filha faria Artes, com especialização em desenho e fotografia, pois era de seu desejo que a jovem fizesse Direito para trabalhar na Fabray & Advogados. E quase teve uma síncope ao saber da decisão da filha e de sua “sexualidade ambígua” (era assim que ele se referia à bissexualidade da caçula), todavia não podia fazer nada. Ela era maior, independente e rica, dona de sessenta por cento da firma de advocacia, além de suas exposições e encomendas para fotografar pessoas ricas, famosas, entre outros. Tinha seu próprio estúdio e muitos profissionais a trabalharem para ela.

Assim que a viu, Romero, o porteiro, avisou-lhe que iria interfonar para a cobertura da Srta. Berry e avisá-la de que a loira estava ali. Quinn não permitiu. Estave fora por dois dias, embora oficialmente seriam três, trabalhou para dar conta de suas obrigações e contrato e queria fazer uma surpresa para a namorada e não seria bom que ele a estragasse.

“Mas Srta. Fabray...”

“Romero, o que há com você?”, questionou a jovem mulher, “interfonar algumas vezes em outros dias eu até concordo, mas não hoje. Irei fazer uma surpresa para a Srta. Berry. Então, se eu souber que você fez o que lhe pedi para não fazer, irei ficar muito, mas muito aborrecida com você!”

O homem abaixou a cabeça e concordou com ela. Só esperava não perder o emprego por obedecer à fotógrafa!

Quinn lhe sorriu e foi em direção aos elevadores sociais e poucos minutos depois o que a levaria até a cobertura da namorada chegou e a loira entrou. Cantarolava uma música dos Beatles.

“Don't let me down

(não me desaponte)

Don't let me down

(não me desaponte)

Nobody ever loved me like she does

(Ninguém nunca me amou como ela ama)

Oo She does... yes, she does

(Oo ela ama... sim, ela ama)

And if somebody loved me like she does

(E se alguém me amou como ela me ama)

Oo she does... Yes she does

(Oo ela faz isso... Sim ela faz)

(...)”

Don't let me Down – The Beatles

Quinn não terminou a canção, pois, assim que digitou a senha que a levaria para a cobertura, viu a porta do elevador se abrir e ela saiu. Entrou no requintado apartamento e estranhou não encontra a namorada ali, a ler ou ensaiar as músicas da turnê. Olhou a cozinha. A empregada também não estava. Caminhou até o estúdio da morena. Também não a encontrou. Iria ao escritório, mas imaginou que ela deveria estar a dormir e foi até o quarto e, ali, sentiu o coração parar de bater por segundos, a garganta dar um nó. Respirou fundo. Tinha lágrimas nos olhos, que segurou. Rachel estava sob Jesse St. James, as pernas a abraçarem a cintura dele, ao passo que o homem entrava e saía dela, estocando-a com virilidade até que Rachel gozou e ele foi logo atrás. E foi o grito de prazer que a morena deu que a fez voltar do choque que a paralisou.

“Desejo que a sua turnê pela Europa seja um sucesso, Srta. Berry”, o tom de voz saiu gélido, sem emoção. Deu as costas e saiu dali a passos céleres, a deixar uma Rachel desesperada, que se enrolou de qualquer maneira no lençol, enquanto St. James ria da cena dramática vista em muitos filmes B. A morena gritava, aflita:

“Quinn, eu posso esxplicar! Espere! Pare Quinn!”

A fotógrafa alcançou o elevador e apertou o botão do térreo para que a porta se fechasse logo, pois não sabia o que era capaz de fazer com a Berry. E as últimas palavras que ouviu dela foram “eu só queria ter certeza...”.

A ex-cheerio pegou do celular e apertou a discagem rápida. Falou, tão logo a latina atendeu do outro lado:

“Sant,” as lágrimas escorriam livremente agora, “eu poderia aguentar qualquer coisa, menos o que Rachel fez a mim.”

“Quinnie, fica calma! E venha para minha casa. Ouviu?”, a latina pediu.

“Sant, eu estou cansada... Preciso dar um tempo, preciso tirar a Rachel do meu coração! Apenas cuide de tudo, ok?”, e encerrou a ligação e desligou o celular. Não queria falar com ninguém.

Ao cruzar com o porteiro, descarregou um tanto da raiva e decepção que a consumiam:

“Por isso fez tanta questão de interfonar, Romero! Ela mandou para não ser flagrada dando para o amante dela! Parabéns, você quase conseguiu!”, e saiu do prédio.

O porteiro apenas exclamou:

“Porra!”

“O caráter é como uma árvore e a reputação como sua sombra.

A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real.”

— Abraham Lincoln —

Continua.

Notas finais
É isso aí pessoal! Semana que vem, cap. 2 e cap. 61 de Despertar. Obrigada pela atenção. Beijos. :-*
- Cal. *-*