Sine Cordi

55 CAPÍTULO 55 - ןה


Notas iniciais
Spencer está um amor neste capítulo. ;)

Botas… as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar.”

– Machado de Assis em Memórias Póstumas de Brás Cubas

Quinn sorriu para Maria quando esta lhe entregou a xícara com o café que cheirava, para o seu nariz, deliciosamente.

“Adoro o odor do café”, confessou, “e também quando moído na hora… É muito bom!”, sorriu com a ideia de que poderiam lhe achar insana.

Aliás, já haviam falado sobre isso antes?

Rachel concordou com o comentário sobre o café:

“Nem me fale! Eu comprei uma máquina de moer grãos…”.

“Uma cafeteira que moi os grãos do café, señorita”, Maria foi doce ao corrigi-la e entregar-lhe a xícara.

A cantora sorriu:

“Obrigada, Maria!”, e pegou a bebida oferecida e se voltou para a advogada, “então, eu comprei uma máquina de moer grãos…”.

“Uma cafeteira, Rachel”, Quinn sorriu, gentil.

“Isso! E realmente o café era muito melhor! Mas, quando voltamos, não compramos uma para cá”, pensou.

Quinn franziu o cenho.

“Desculpa! Acho que me perdi em algum ponto da sua narrativa… Havia uma cafeteira que moía grãos. Você a comprou”.

A cantora concordou, sorvendo um pouco do líquido, sem desviar os olhos dos verdes.

“E onde ela está?”.

Rachel franziu o cenho.

Quinn achou que ela ficava adorável assim.

“Na Europa… Itália”, percebeu que este não deveria ser um assunto interessante para o momento.

“Por quê?”, a pergunta prática da loira a pegou desprevenida.

Então, lembrou que era apenas Quinn… Uma exorbitante Quinn.

“Ela deu defeito após anos de uso… Então, deixamos quando voltamos para cá. Depois eu não me interessei mais em ter uma. Gosto dos Nespressos…”.

“Eu também”, sorriu, “mas ainda prefiro o café com os grãos moídos na hora”.

“Por isso vai à cafeteria perto do Central Park?”, indagou, curiosa.

Essa pergunta também já havia sido feita?

“Sim… A minha primeira ida até lá foi por acaso. Um dia estava entediada e Holmes achou que seria bom darmos uma volta de carro… Eu havia tido um dia ruim, e acabamos parando lá, porque eu não havia almoçado direito… Comi um pedaço de torta de maçã e o café… Então, repito a mesma coisa… Manias”, murmurou e tomou um gole do líquido negro.

A judia sorriu. Sabia que Quinn Fabray não poderia ou não deveria parecer frágil, mas às vezes ela parecia… E era tão linda!

“Eu gostei do café de lá…”, confessou.

Quinn meneou a cabeça:

“Oh! Não… Aquele dia foi horrível!”, lembrou-se de quando foram almoçar e ela contou sobre o acidente de carro, “você não ficou bem. Deveríamos voltar… Talvez”, falou, pensando se isso seria apropriado.

O sorriso na boca de Rachel aumentou em tamanho.

“Oh, eu vou adorar, Quinn!”, sentenciou.

A advogada sorriu. Ela também achou que gostaria.

Hiram e LeRoy trocaram olhares.

Até então, Quinn, apesar da atitude distante, estava indo bem com Rachel. Deveriam deixá-las a sós um pouco?

Entreolharam-se novamente.

Esta era uma ideia boa, haja vista que sua Estrelinha estava completamente de quatro pela loira. Não poderiam ficar ali, impedindo uma conversação mais séria. Ou, quem sabe, uma investida mais arrojada de Rachel. Ela poderia ser arrojada! Era só querer. E, aparentemente, ela estava conseguindo levar Quinn muito bem, com uma incrível e surpreendente calma, sem se abalar muito quando a loira soltava algum comentário que constrangia os demais por causa da sinceridade deste.

Hiram limpou a garganta a atraiu a atenção das mulheres.

“Vamos levar Spencer para o quarto e deixá-las um pouco”, direcionou-se a Quinn, “espero que não se importe”.

Ela sorriu e disse que poderiam ficar à vontade, pois ela estava.

Os homens sorriram e se retiraram.

Rachel sentiu as bochechas queimarem.

Seus pais poderiam ser mais discretos!

“Seus pais são engraçados tentando lhe ajudar”, a loira soltou.

Rachel desejou desaparecer…

Sentiu-se como no colegial outra vez… Como se estivesse no primeiro encontro. Deus! Isso era tão ridículo e infantil! Era uma mulher! Não poderia reagir assim!

“E você está muito encabulada”, a loira resolveu deixar a judia mais sem jeito ainda. Achou divertido o quanto a face de Rachel poderia ficar quase roxa de vergonha. Riu.

“Não é engraçado, Quinn. Eu realmente estou embraçada e me sentindo ridiculamente adolescente”, murmurou, sem mirá-la nos olhos.

“Você é diferente…”, observou a loira, “parece uma garotinha, mas é uma mulher… Uma mulher muito bonita… Você é atraente, Rachel Berry… Tem os olhos mais expressivos que já vi… Eu posso ver a sua alma através deles…”, murmurou essa parte.

A cantora engoliu a saliva com dificuldade.

O que estava acontecendo ali? Realmente acontecia algo ou era só o seu desejo muito forte iludindo-a? Quinn estava tão perto… Sentia a respiração dela na face, a quentura da perna colada a sua, os braços a roçarem de leve.

Deus! Enlouqueceria!

Levantou-se. O coração aos pulos. A emoção à flor da pele! Quinn a flor da sua pele…

“Eu… Você quer mais café?”, perguntou, atordoada e tentando compassar a respiração.

Quinn a estudou com um sorriso brincalhão nos olhos. Ela deixava Rachel Berry nervosa… E isso era realmente excitante!

Suspirou e descansou o pires com a xícara sobre a mesa e, recostando-se outra vez, pernas cruzadas, braços descansando no encosto do sofá, respondeu:

“Quero que você se sente aqui, Rachel. Perto de mim”, avisou.

A morena a fitou.

Cristo! Não aguentaria esta Quinn tão abertamente perceptiva a tudo o que acontecia ali… Ao que acontecia com ela…

“Eu vou…”, murmurou.

“Não vai a lugar algum. Vai, apenas, sentar aqui, perto de mim”, sorriu, “não vou mordê-la”, achou melhor avisar.

A judia pensou que estava agindo feito adolescente. E Quinn não a morderia… Uma pena, na verdade… Não, Rachel! Não é uma pena!

Tentou ser coerente e segura. Adulta!

Respirou fundo e sentou, devagar.

Recostou-se, reta, no sofá.

E quase desfaleceu quando o braço esquerdo da loira desceu sobre seu ombro e a puxou para perto dela.

Ficaram muito juntas…

Realmente muito juntas.

Na verdade, bem juntinhas.

Rachel mal conseguia respirar.

Sentiu o ventre contrair… Oh, merda! Isso não era bom… Não, na verdade, era… Não! Não era… Quinn não deveria saber o que estava fazendo e… E…

“Respire, Rachel”, a voz loira foi-lhe sussurrada no ouvido, bem morna, arrepiando-a.

Achou que morreria agora!

Quinn se afastou apenas o necessário para ver a reação do corpo da morena.

A pele todinha arrepiada… Os bicos dos seios rígidos… A respiração irregular… Poderia apostar toda a sua fortuna que Rachel estava molhada… E não perderia um só centavo.

“Quinn, eu acho que…”, a voz saiu tão rouca e sensual que a própria cantora se assustou e resolveu se calar.

“O que você acha, Rach-Rach?”, murmurou.

Rachel Barba Berry sentiu como se recebesse um balde de água fria na cabeça.

“Não me chame de Rach-Rach”, pediu, frustrada.

“Faz você lembrar dele?”, perguntou, observadora.

“Não é isso, Quinn… É que vocês são pessoas diferentes e cada um significou e significa algo especial para mim. Então, quando você me chama de Rach-Rach, quebra o meu coração, porque parece que está brincando comigo”.

“Eu não estou brincando com você, Rach-Rach”, falou bem séria e seca.

A cantora a mirou.

“Então porque não me chama de Rachel? Ou de Rach?”.

“Como eu a chamava antes, quando estávamos namorando?”, respondeu a pergunta com outra tão repentina, e projetando o corpo para frente, que criou uma barreira diante da judia. Os rostos bem próximos. Os olhos da menor capturados na armadilha dos verdes.

“Rach… Rae…”, respondeu num fio de voz.

“Eu acho Rach menos cafona”, comentou e se afastou.

A judia respirou. E não quis debater o “cafona” usado pela loira. Não achava que teria muita energia. Estava descomposta demais por Quinn e a presença provocante e provocadora dela.

E era só Quinn Fabray!

Mas, para essa Quinn Fabray, que fazia todo o seu corpo reagir de maneira altamente sexual e seu coração bater acelerado no peito não estava preparada. Nem antes, nem agora e duvidava que, um dia, estaria.

“Como você está?”, a loira voltou à carga. Agora, ela subia e descia a palma da mão, delicadamente, pelo braço esquerdo da morena, amolecendo-a.

Rachel sentia-se desmanchar.

Pensou que desfaleceria.

“Eu… Eu estou bem, Quinn”, esforçou-se para a voz sair firme.

“E o Jesse?”, dessa vez, passou a ponta dos dedos e das unhas aparadas e bem-feitas pela pele morena, arranhando-a de leve.

Arrepios em ondas foram enviados por todo o corpo da atriz, quase matando-a de prazer.

Quinn era uma filha da puta cínica e muito gostosa!

“Separado”, murmurou.

A loira sorriu. Rachel não estava conseguindo pensar com coerência?

“Rach-Rach, separado? Como?”, queria detalhes. Detalhes que não puderam se ditos no Central Park por causa da maldita dor de cabeça!

“Eu pedi para ele sair… Ele se foi…”, respondeu com dificuldade.

“E ele está bem?”, olhou o perfil da cantora, cuidadosamente.

“Não muito… Ele acha que… Que…”, a cantora queria se bater por não conseguir formar uma frase segura e coerente. Quinn a torturava! E, aparentemente, fazia de propósito e a mantinha cativa.

“Ele está zangado comigo e, provavelmente, pensa que estou brincando com você”.

As palavras tão certeiras da advogada assustaram a cantora, que a fitou com surpresa.

“Como sabe?”.

Quinn sorriu satisfeita com a própria percepção:

“Normalmente, Rachel, nesta ‘nova’ realidade, onde eu fui alguém que já não sou mais, eu sou a vilã da trama. Então, nada mais lógico do que o seu marido achar que eu sou a bruxa má”.

“Não, Quinn”, tentou explicar a maneira do ex-marido pensar. Entretanto…

“Eu diria, inclusive, que ele se mudou para a casa do casal ‘gravata borboleta e porcelana’”, sorriu.

“Mudou… Por enquanto”, sussurrou, ainda surpresa pela maneira como a advogada ia apontando os acontecimentos, desconhecidos porque não tiveram tempo para dialogar.

“Eu não tenho a intenção de jogar ou brincar com você, Rachel”, assegurou.

A judia a fitou com cuidado.

Quinn tinha o olhar sem emoção especial alguma. Não havia amor, ou esperança. Nada disso. Mas parecia haver sinceridade. E, por enquanto, para Rachel, isso já estava bom. O restante, talvez, viesse depois.

Apenas talvez…

“Pode me contar agora?”, murmurou a pergunta, insegura.

Quinn a fitou.

“Contar? O quê?”, não se lembrava de ter alguma boa nova para dar.

“Sobre a sua dor de cabeça…”, fitou-a com cuidado. Percebeu o quanto o olhar da loira expressou o desagradável do tema da conversa para si.

Quinn suspirou. A expressão tornou-se fria e distante.

Rachel apenas lembrou, ainda que o coração espremesse no peito, que aquela era a Quinn Fabray de sempre, só que com tecnologia de trem-bala. Apenas isso…

Aliás, como separava um trem-bala mesmo?

Sentiu quando a mão da loira estancou e ela descansou-a sobre o torso da sua. Escutou:

“Após o acidente, ficaram sequelas…” a voz saiu desprovida de emoção, “eu perdi a memória, porém ela deveria ter voltado… Nunca voltou. E os médicos e a Dra. Parker, minha psiquiatra e terapeuta, aventaram a possibilidade de essa amnésia ser uma forma de defesa do meu cérebro sobre algum evento traumático que me aconteceu”.

Rachel sentiu uma pontada no peito e outra na boca do estômago.

Quinn continuou:

“Eu lembro de alguns acontecimentos, mas – às vezes – eu não tenho muita certeza de que são lembranças reais ou só uma criação do meu cérebro para preencher as lacunas que ficaram”, a voz saiu distante, como se falasse de outra pessoa.

Rachel estudou-lhe o perfil.

Quinn não piscava. A face estava congelada. Não havia um erguer de sobrancelhas, uma curva no canto da boca ou uma ruga na testa. Era a imagem do distanciamento frio, de alguém que analisa os fatos à distância, como se aquilo não lhe pertencesse.

“As dores de cabeça também não deveriam existir mais… Talvez tenham relação com a amnésia”, virou a face para a morena e encontrou a dela contraída pela tristeza e… Culpa?

Pousou os olhos verdes nela com mais acuidade.

Nossa! Rachel Berry derramava culpa por todos os lados! Por quê? Conversaram sobre ela não lembrar do que aconteceu e, a princípio, isto deveria levar alívio para a judia. E, analisou, até levou-lhe um refrigério, pois estavam tentando uma aproximação. E Rachel pareceu-lhe bem sobre o fato dela, Quinn, saber que o acidente tinha relação com a traição. Mas, essa cara dela… Desmentia tudo! Ela continuava culpada! Muito culpada…

“Rachel, por que ainda se sente culpada? Eu tento encontrar explicação, mas não encontro, exceto uma que me soa sem a menor razão: você gosta de cultivar a infelicidade”, avaliou com interesse.

A morena racionalizou sobre a conclusão da loira e negou:

“Não! Quer dizer, sim! Como quer que eu me sinta, Quinn, sabendo que você se… Machucou porque eu… Porque eu…”, o verbo trair, flexionado na primeira pessoa do singular no pretérito perfeito do indicativo ficou preso na goela da cantora. Deste tamanho em que foi nomeado aqui… Grande e pomposo… Um nome gramatical escolhido para, vez ou outra, confundir as nossas cabeças. Por que não dizia-se apenas “tempo passado”? Pequeno, redondo, perfeito.

Mas a simplicidade para a explicação das coisas que arranham e inquietam a alma humana por vezes não cabem na simpleza e nem nas poucas palavras. Está além… E, talvez, sempre esteja. Por isso, o verbo trair tinha que ser definido de maneira tão longa, feito um barbante que você precisou engolir contra a vontade, mas ainda tem a ponta a sair pela boca e ele escorrega pela sua goela e seu estômago contrai uma, duas, três vezes na ânsia de expeli-lo. Tipo aquela mangueira de jardim que usam para a endoscopia… Uma merda difícil de engolir!

Quinn, com a tranquilidade e a frieza de um dos robôs dos contos de Isaac Asimov, como em Eu, Robô, o filme, falou:

“Traiu. Você me traiu”.

Rachel assentiu e abaixou os olhos.

“Rachel…”, a loira segurou-lhe um lado da face com a mão e a afagou.

A morena fechou os olhos e suspirou.

“Por que não mata essa culpa”, perguntou, observando a face com expressão de alívio fugaz de Rachel Berry. Ela ficava tão atraente assim, dividida entre a culpa e a tranquilidade de uma alma leve e imaculada.

“Porque ela é muito maior do que você pode imaginar, Quinn”, confessou e, para incômodo de sua alma, lembrou-se das palavras de Jesse, quando disse que ela nunca amou Quinn. Sentia apenas uma grande culpa…

Abriu os olhos em terror e encontrou os verdes avaliando-a sem a menor precaução.

“Por que parece que o bicho papão apareceu para você enquanto mantinha os olhos fechados?”, inquiriu, sagaz.

A cantora se retesou e afastou o rosto do toque da loira, fitando-a sem piscar.

“Se eu nunca falasse e me desculpasse sobre a traição, você não saberia. Certo?”,

A advogada ficou mais interessada na conversa. Respondeu:

“Provavelmente não… Ainda não lembro do acidente, apesar de saber que ele aconteceu… Na verdade, eu sei porque me contaram… Eu não fazia ideia de que havia sofrido um acidente…”, comentou.

“E se você lembrar?”, perguntou, franzindo a testa em preocupação.

Esta era uma possibilidade que Quinn Fabray nunca aventou… E se ela lembrasse?

“Não faço a menor ideia, Rachel”, sorriu, “é como se as recordações que tenho não fossem minhas… Soa estranho, eu sei, mas é assim que eu sinto”, murmurou, “então, se formos analisar essa possibilidade diante dos padrões das minhas reações, eu diria que, provavelmente, isto não me afetaria”, racionalizou.

Para Rachel a explicação era simplista. E, portanto, apavorava-lhe ainda mais. Temia o que parecia fácil…

“Rachel, se você continuar a se prender nesse maldito infortúnio que a inquieta, eu acredito que não poderemos avançar nessa tentativa de nos conhecermos… Eu não sei se aguentaria o seu excesso de culpa”, avisou, sem rodeios.

Rachel achou que era fácil demais?

Ela mudou de ideia.

“Está bem…”, avisou, a mirar os olhos verdes com uma firmeza que não soube explicar de onde surgiu. Talvez do amor verdadeiro que sentia, e que Jesse resolveu travestir de culpa.

“Você está certa, Quinn! O que passou… Passou”, sorriu.

A pequena pausa entre a repetição do verbo passar chamou a atenção de Quinn. Rachel estava fingindo… Esforçando-se para não se sentir culpada. Isso não era bom… Gostaria que a morena, realmente, conseguisse se absolver. Dessa maneira, após a absolvição da culpa, a tranquilidade seria o status perfeito. Rachel seria capaz de se esforçar para absolver a si mesma?

Aproximou a face a da morena. Levou os lábios até a testa dela e depositou ali um delicado afago em forma de beijo. Murmurou:

“Perdoe-se, Rachel… Eu vou gostar muito mais se você não se sentir culpada”.

A cantora se agarrou a ela, num abraço de urso, pegando-a desprevenida.

A loira achou que a morena era dada a rompantes.

“Rachel?…”, chamou, a fim de saber se ela continuava bem.

“Obrigada, Quinn. Eu me esforçarei para me livrar da culpa”.

“Ótimo”, sussurrou num sorriso perto da orelha da cantora.

Afastaram-se.

Os olhos cálidos da judia observaram os avaliativos de Quinn.

“Você nunca deixa passar nada?”, perguntou, sorrindo.

A advogada meneou a cabeça e mentiu, com descaro no tom da voz:

“Não sei do que está a falar, Srta. Berry”.

“Eu quero tanto beijar você, Quinn”, o desejo fugiu-lhe pela boca.

E pegou a loira desprevenida.

“O quê?”. Não esperava que a cantora fosse arrojada a este ponto.

Rachel suspirou. Queria tanto deixar sair suas vontades! Porém, precisava de cautela.

“Desculpe, Quinn… Eu só… Não pensei direito”.

Quinn sorriu. Havia malícia no sorriso e nos olhos. Para ela, Rachel pensou direito. Era o que ela desejava! Rachel queria beijá-la…

Desceu os olhos até os lábios carnudos da judia. Eles eram convidativos e… Deveriam ser mornos… E úmidos… Viu quando a língua da morena passou por eles…

Suspirou.

“Ato falho…”, ela murmurou a fim de deixar a judia menos embaraçada, embora se divertisse com a situação.

Mas…

Rachel aproximou o rosto com cuidado, prendendo os olhos nos seus.

“Rachel, acho que você não quer fazer isso”, murmurou, umedecendo os próprios lábios.

“O… O quê?”, a morena gaguejou, sem ar e sem conseguir piscar.

“O beijo”, sussurrou.

O rosto da judia mais perto. Podia sentir a respiração morna e alterada dela. Entreabriu os lábios e deixou antever a língua rosada e molhada.

“Deixe, Quinn”, sussurrou para a loira, segurou-lhe a nuca, puxando-a para si devagar, sem lhe despregar os olhos.

“Mamá…”.

A vozinha infantil de Spencer as fez se afastarem de golpe.

Quinn se incorporou e sentiu uma incômoda pontada na cabeça.

Olhou para o garoto.

Ele era mesmo o filho de St. James…

Meneou a cabeça e mirou o olhar de decepção da cantora para o filho, que lhe corria para os braços.

“Acho que eu já vou, Rachel”, ergueu-se.

A cantora a tomou pela mão e se levantou. Parou diante dela.

“Você está bem?”.

“Estou… Eu… Eu só estou com um pouquinho de dor de cabeça”, a desculpa mais que perfeita!

“Certo”.

Rachel pegou o filho no colo e acompanhou Quinn até a porta.

A advogada olhou o garoto.

Olhou a mãe do garoto.

“Até breve, Rachel”, despediu-se sem um aperto de mão ou algo assim.

“Quinn? Vamos nos ver outra vez… Sem o Spencer ou os meus pais… O que acha?”, propôs.

A loira a fitou.

Pareceu pensar sobre o assunto.

“Ok… Você pode me telefonar?”.

O sorriso que Rachel Berry abriu quase ofuscou o olhar de Quinn Fabray.

“Eu vou lhe telefonar”.

“Eu esperarei”, confirmou.

Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente.”

– Sêneca -

CONTINUA.

Notas finais
Abraço afetuoso. - Cal. *-*