Sine Cordi

56 CAPÍTULO 56 - ןו


Notas iniciais
Uno más...

A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita.”

– Mahatma Gandhi -

Alex olhou para os olhos verdes de Quinn bem abertos e pregados no teto do quarto. Ela estava deitada, coberta até o meio do abdome com o lençol que deixava à mostra a blusa do delicado pijama azul que usava.

Ajeitou-se ao lado dela e roçou os lábios pelo pescoço, fazendo-a suspirar com o afago.

Sorriu antes de perguntar:

“Por que não me diz o que aconteceu”, beijou o lóbulo da orelha da loira.

Quinn não conseguiu afogar o gemido…

“Quinn?”, insistiu, diante da rigidez da loira.

“Eu quase a beijei”, confessou.

Alex se afastou e estudou o perfil da namorada.

“É por isso que não desvia os olhos do teto e nem se mexe? Quinn?!”, exclamou, incrédula.

A loira a mirou.

“Ela falou que queria me beijar”, comentou.

“E você resolveu encorajá-la”, olhava a cara da namorada com o cenho franzido.

Quinn parecia confusa.

“Não! Foi… Estranho”, confessou, “eu nunca pensei que ela teria essa coragem… Ou fosse tão ousada”.

“Ela está apaixonada por você”, alertou, “acho, embora não me agrade de todo, normal que ela sinta este tipo de anseio sobre você”.

Quinn duvidava…

“Não sei… Ela não deveria sentir isso…”.

A jornalista suspirou. Queria entender a maneira de a namorada pensar.

“Por que acredita que ela não deveria sentir isso, Quinn? Se ela ainda ama você”, argumentou.

“Justamente porque ela nunca me amou, Alex”, a resposta parecia, à loira, muito prática e sem firulas.

A editora pareceu receber um golpe na cabeça. Por que, mesmo, a namorada pensava dessa maneira?

“Quinn, o fato de ela lhe trair não significa que não a amou… Ou ainda ame”.

“Não significaria, se ela não se casasse e tivesse um filho com o homem com o qual não respeitou o que, aparentemente, tínhamos e era definido como amor. O amor não deveria perpassar a ideia de fidelidade e compromisso?”. A expressão questionadora da advogada fez a jornalista desejar apenas tomá-la. Mas…

Respirou fundo e pensou sobre a questão.

Quinn foi adiante:

“Pelo que eu entendi, não havia um acordo de relação aberta entre mim e ela. Se houvesse, eu não me sentiria atingida, como parece que fui, pelo fato de ela se deitar com outra pessoa além de mim”.

Alex assentiu. A racionalização de Quinn fazia sentido.

“Então, por isso, baseada nestes dados que percebeu com conversas com ela, duvida do sentimento dela por você”, concluiu.

“Eu não duvidaria do desejo dela, da atração física ou a busca pelo prazer sexual em mim, porém, no que está além disso, sim. Rachel Berry, apesar da imagem de mãe cuidadosa, atriz respeitável e de respeito, uma mulher discreta inclusive, é altamente sexual. Eu sei disso…”, sorriu sem humor, “de tudo o que aconteceu entre mim e ela, Alex, eu sei apenas disso”.

“Esta não seria uma visão pessimista, Quinn? Eu não estou a defendê-la, porque não é do meu interesse, mas errar não seria humano? Ela se arrependeu…”, retorquiu.

“Não”, respondeu, “ela não se arrependeu. Ela me disse que há uma culpa muito grande. Ela terá que provar, Alex, que me amou… Ou ama. Se ela conseguir me fazer acreditar… Mas não posso deixar de pensar que é muito prematura a ideia de um beijo… De ela querer me beijar. E eu quase deixar…”.

A incredulidade tomou conta da face da editora.

“Quinn! Você é uma tentação ambulante e ela é uma mulher jovem, saudável e, acredito, enamorada. O que esperava?”.

“Eu deveria tê-la impedido…”.

A jornalista ficou pensativa. Compartilhou:

“Bom… Ela é uma mulher atraente… Tem os olhos maravilhosos e as pernas… Nossa! Como ela consegue ter pernas tão longas?”.

“Você também acha isso distinto?”, sentou, mirando a jornalista.

“Para a altura dela… Ela tem pernas maravilhosas… E com o vestido certo, na altura correta, ajustado para o tipo dela e uns Loubotin nos pés delicados… Rachel Berry é muito mais que apenas beijável”, analisou.

“Você é pervertida”, a loira concluiu.

Alex deu uma gargalhada gostosa e afagou a face da namorada.

“E por que o beijo não rolou?”.

“O filho dela apareceu”, informou, tranquila.

“Lembre-me de comprar um bom presente e enviar como agradecimento ao pirralho”.

“Não foi engraçado”, Quinn apontou.

“Eu não disse que foi engraçado. Mas, para mim, foi providencial. Acho que preciso conhecer esse garotinho de perto”, a morena com olhos azuis divertidos provocou. “Como se sentiu?”, perguntou, agora de maneira séria.

“Quando ela tentou me beijar?”.

“No geral”, a jornalista não estava interessada em fatos isolados. Não depois do que ouviu da namorada.

“Bem… Mas, quando estávamos quase encostando nossos lábios, senti uma pontada na cabeça… Acho que foi o inesperado da aparição do menino”, ponderou.

“Você considera que a sua pontada na cabeça apenas se deu pela aparição abençoada do filho de Rachel Berry e St. James?”, a questão foi pensada antes de colocada.

A loira foi taxativa.

“Não… Eu me surpreendi com a aparição do menino, mas acho que a atitude de Rachel foi o que mais pesou”, também foi objetiva.

“Você se assustou?”.

“Não… A Rachel se assustou. E me fez pular também”.

Alex riu. A seriedade da namorada diante de uma situação tão inusitada a fazia achar tudo cômico.

“Quinn, baby, apenas seja parcimoniosa. Talvez sua última crise possa ter tido a ver com a Rachel… Cuide-se”, pediu.

A advogada pereceu ponderar sobre as palavras dela.

Suspirou e falou, séria:

“Eu fiquei surpresa por deixá-la se aproximar tanto. Foi divertido ver o quanto ela ficou nervosa comigo por perto, mas há uma distância grande entre provocar e saber que está prestes a chegar a um beijo… Isso não deveria acontecer”.

“Quinn, sentir atração por alguém que lhe agrada não é fora do comum”, observou.

“Mas eu estou com você…”, murmurou.

A jornalista a mirou com amor. Quinn era tão fria e tão coerente… Sempre na linha! Roçou a ponta do nariz no dela.

“Eu sei… Eu amo você e não escondo… Se eu disser que sou indiferente ao que pode acontecer entre vocês, mentirei. Porém, você sabe que eu não ficarei para testemunhar e muito menos lhe socorrer. Eu posso ser compreensiva, mas não tenho sangue de barata. Eu só quero que você não apresse as coisas… Você ainda não está bem. Promete?”, pediu.

A loira assentiu.

Alex segurou-lhe a face com as duas mãos, uma de cada lado, e adorou-a com o passear dos olhos azuis pelo rosto harmonioso. Quinn parecia tão doce e adorável!

“Eu posso compreender Rachel Berry neste exato momento”, sussurrou e a beijou com paixão.

Quinn se deixou ir e cedeu a cada investida sem recuar. Sem rejeitá-la, sem reclamar ou tentar evitar o contato.

Enlaçou-a e colou os corpos.

Retribuiu a cada toque da amante, sem se importar se estava forte ou não, se haveria dor ou coisa parecida.

Sentir Alex, neste momento, era bom.

Parecia fazê-la encontrar o próprio eixo.

Então, apenas se deixou levar.

Permitiu-se.

E apreciou.

Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.”

– Frase atribuída a William Shakespeare

Rachel desligou o telefone com expressão decepcionada. Os lábios apertados.

Hiram e LeRoy perceberam.

Ela acabava de tentar falar com Quinn, mas, pelo observado pelo casal, não conseguiu.

Havia dois dias desde a visita da advogada.

“Estrelinha, algum inconveniente com a Quinnie?”, Hiram decidiu se informar.

Ela suspirou.

“Ela não está. De acordo com a empregada, ela saiu para almoçar com um amigo…”.

“Amigo?”, a indagação incrédula saiu dos lábios dos homens Berry como se houvessem ensaiado.

A cantora sentou perto deles e Spencer, até então nos braços de Roy, saltou para o colo materno, onde foi recebido com afeto e beijos.

“Por que o susto”, ela questionou a maneira como os pais se manifestaram sobre a loira.

“Não sabíamos que ela tinha amigos. Sempre soubemos que foi reservada e antissocial”, o advogado explicou.

A atriz também se surpreendeu, porém sabia de quem se tratava o “amigo” de Quinn: o loiro que parecia com o Leonardo DiCaprio, que lhe foi apresentado há algum tempo atrás…

“Na realidade, acho que ele trabalha para ela. Pelo menos, foi o que a Brittany insinuou quando o vimos pela primeira vez”, explicou.

Hiram mirou-a com surpresa.

“Ele trabalha para ela? E o que ele faz?”.

Esta era uma pergunta que a cantora não sabia a resposta.

“A apresentação foi rápida e Quinn não estava no melhor de sua simpatia”, lembrou do momento no Tavern On The Green. “Ela não falou a respeito na ocasião. Depois, a encontramos no café perto do Central Park a esperá-lo. Confabularam por algum tempo… E saíram juntos”.

LeRoy perguntou como se nada:

“Alguma chance de ele ser algum ‘casinho’ amoroso dela?”.

Os olhos castanhos da cantora aumentaram e a boca se abriu num “o”.

“Não, papai! Ela está com a… Alex”, o nome da jornalista não foi proferido com muita simpatia.

“Pela capacidade de apego emocional dela, eu diria que o fato de estar com a jornalista não seria uma razão para ela evitar um caso com outra pessoa que a interessasse. Aliás”, o médico achou por bem rememorar, “ela não vai se apaixonar por você, Rachel! Nós sabemos o quanto a ama. Porém, não se pode mascarar a verdade: Quinn não se apega emocionalmente”.

“E como explicaria o fato de ela estar há alguns anos com a Alex? Não seria um apego emocional?”, colocou.

LeRoy sorriu com a argumentação da filha. Retorquiu:

“Talvez uma necessidade, não um apego; um gesto de posse… Não sei definir muito bem”, tentou explicar.

A judia suspirou.

“Papai, eu acredito que a Quinn ainda possa amar! Ela só precisa da pessoa certa…”.

“E você seria essa pessoa”, o médico falou.

“Por que não?”, ela estava muito otimista.

“Estrelinha, não vá por esse caminho. Quinn não consegue construir laços que tenham a emoção como fita. Ela ficou assim! Quinn é razão. Pense desta forma antes de qualquer atitude que possa vir a lhe magoar. Quinn é razão. Quinn não é coração”.

“Papai, eu respeito a sua opinião e o profissional que é enquanto um homem de saúde. Mas eu preciso acreditar que posso fazer a diferença para ela. Eu necessito ser a diferença para ela! Eu preciso ser o mais perto do que ela possa ter da representação do amor, ainda que não o sinta. E eu estou disposta a pagar o preço de tê-la ao meu lado, ainda que ela não seja capaz de me amar como eu a amo. Talvez uma consequência cruel por não tê-la amado de todo quando ainda me amava”.

Os Berry não se sentiram satisfeitos ao escutarem a fala da cantora. Afinal, qual pai desejava que seu filho vivesse uma história de amor onde apenas um dos lados do casal amava?

“Você não pode amá-la pelas duas”, Hiram tentou convencê-la. “Você sabe que uma relação, inclusive de amizade, não se constitui assim. Há de haver uma resposta mínima do outro lado, Estrelinha”.

“Eu acho que terei uma resposta mínima de Quinn”, avaliou com a certeza de ser quem era: Rachel Barbra Berry!

§§§

Quinn bebeu um longo gole do café, enquanto mirava as folhas de um relatório em capa de papelão que Wilhelm lhe entregara.

Ele tinha um sorriso na face.

Vestia um terno não muito caro. Estava de serviço no Departamento de Polícia de Nova York e fazia a hora de almoço com a loira.

O sorriso de satisfação na face dela deixava-o satisfeito. Sabia que havia feito um bom trabalho. Não era tudo, mas o começo.

A advogada suspirou.

“Muito bom, Leo. Única cópia?”, inquiriu.

Ele gargalhou e assentiu.

“Sim, Dra. Fabray! Única cópia… Um caso distinto este”, comentou muito observador, “tem a intenção de defendê-lo”, questionou.

“Acha que o promotor me chamaria para auxiliá-lo?”, ficou curiosa.

Wilhelm assentiu com conhecimento de causa:

“Sem dúvida nenhuma! Apesar de eu acreditar que, se as provas não forem circunstanciais, ele poderá vencer fácil”.

Quinn concordou.

“Então? Acredita que será seguro?”, o homem questionou, interessado.

Ela não tinha ainda uma resposta. Precisava de mais. Ainda era pouco.

“Meu querido, sabe que isto ainda não é o bastante…”, atalhou.

O homem a conhecia bem.

“Não se preocupe! Será o meu melhor trabalho para você, Quinn Fabray! O melhor”, garantiu.

A advogada assentiu.

“Acredito em você”.

“E eu em você, doutora”, sorriu, cúmplice.

“Então, se acredita em mim, é bom acreditar dando-me uma boa base. Isso que tenho em mãos é pouco. Para o meu bom trabalho, preciso do seu melhor trabalho”, informou.

“Já o tem, Quinn”.

A loira o mirou com acuidade.

Sim. Ela tinha.

“Tem a real pretensão de contratar mesmo o Anthony Mathews para o Fabray&Advogados?”, o detetive indagou.

“Sim…”, ela voltou a folhear o relatório que tinha diante dos olhos, “ele se mostrou muito bem no julgamento do Street. Mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde eu viraria o jogo”, falava distraidamente.

“Eu não acho que ele pensava desta maneira”, foi sincero.

Ela levantou os olhos do papel.

Raciocinou sobre o comentário do amigo.

“É… Você está certo. Ele não pensava desta maneira”.

“Você foi muito fria e prática ao reverter uma situação em que todas as cartas pendiam para a inocência do réu”.

“Cartas… Se souber manuseá-las bem, meu querido, você pode ganhar um jogo perdido”, ela pensou alto.

Wilhelm gargalhou outra vez. Quinn era incrível!

“Eu não conseguiria”, confessou.

“Mas eu só consegui graças a você”, ela nunca deixaria de dar-lhe o mérito.

“Se você diz…”.

“Leo, meu lindo, você e suas investigações, as informações que consegue para mim, são preciosos tesouros. E aprecio muito o que me traz. Eu quase sempre uso cem por cento do que me dá. Então, considere-se responsável por todas as minhas vitórias”, ergueu a xícara para um brinde debochado e ele a acompanhou.

“Somos a dupla perfeita!”, ela exclamou.

O detetive assentiu.

Seria sempre o que ela quisesse!

“Ainda sobre o Mathews”, o homem insistiu, “acredita que ele aceitará a sua proposta?”, bebericou o café.

“Sim… Na verdade”, ela também bebeu um gole do café e tornou os olhos para o relatório, “já falamos a respeito. Ele ficou um pouco surpreso, mas farei uma boa oferta”.

“Acha que ele aceitará deixar de ser a estrela do escritório que representa para ser ofuscado por você na Fabray&Advogados?”, observou-a.

“Desconfio que ele já não seja mais a estrela do escritório que representa…”, murmurou, concentrando-se no que estava redigido no papel pelo qual passeava os olhos. Falou, após virar a página, “preciso dos horários, hábitos… Tudo o que puder conseguir, Leo”, avisou mais uma vez.

“Eu conseguirei”.

“Sabe que para o meu bom trabalho, necessito tudo de todos os que eu lhe pedir e aqueles que você sempre julga que poderão ser importantes”, aclarou.

O detetive concordou.

“Ótimo”, ela sorriu.

Ele a observou em silêncio.

Daria a vida por ela se necessário! Mesmo que ela nunca lhe pedisse.

“Apenas uma outra dúvida”, o loiro recomeçou, “tem a pretensão de dar este caso para o Mathews?”.

Quinn sorriu sem, no entanto, desviar os olhos da leitura e nem a atenção completa. Murmurou para o homem escutar:

“Sempre atento, Sr. detetive… Sempre atento…”.

Wilhelm gargalhou outra vez.

Quinn era especial.

É melhor ter um epitáfio ruim do que a maledicência durante a vida.”

– Hamlet por William Shakespeare em Hamlet

Jesse estava sentado no chão da sala de estar do apartamento de Rachel, a brincar com o filho de carrinhos.

Hiram, LeRoy e Rachel estavam sentados no sofá, a acompanhar a interação entre pai e filho.

Jesse pareceu-lhes mais magro, apesar da boa aparência. A peça estava sendo um sucesso e ele cuidava da imagem como há algum tempo não fazia.

A cantora sorriu ao achá-lo mais bonito.

“Já encontrou apartamento?”, ela perguntou. Achava que já era hora de ele deixar a casa de Kurt e Blaine.

“Uma casa… Mas não é o que desejo”.

“Fica no subúrbio?”, ela inquiriu.

Jesse sorriu e concordou.

“Lembra quando pensamos, uma vez, que deveríamos ir para o subúrbio e ter uma casa com jardim, vizinhos classe média e ruas tranquilas para Spencer crescer?”.

Rachel riu diante da lembrança.

“Uma utopia, acredito”, respondeu.

LeRoy concordou com a filha:

“Uma estrela da Broadway e do cinema e seu marido, também ator e cantor, e seu pimpolho morando no subúrbio… Ai, Rachel Berry! Você realmente se alimenta de sonhos”.

Todos riram.

Menos Spencer (claro).

“Eu gostaria de um lugar mais perto de vocês…”, o homem quase murmurou.

As atenções lhe foram em cima.

A cantora sorriu:

“Isso seria perfeito, Jess! Seria muito prático para estar com Spencer! Ele sente muito a sua falta”.

“Oh! Eu que o diga”, Roy resolveu se vitimizar, “o garoto pula no meu colo e me pede para sentar no chão e passar horas com esses carrinhos para lá e para cá”.

“Você, definitivamente, teve a quem puxar, querida”, Hiram observou. E levou uma cotovelada do esposo.

Olharam-se.

Fitaram o ex-genro e o neto.

“Fala como se não gostasse de ter Spencer montando-lhe em cima o tempo todo”, Hiram fofocou.

Levou outra cotovelada. Dessa vez, mais branda. Afinal, estava certo e o sorriso tolo que estampava a cara do esposo era a confissão mais do que necessária de que adorava estar com o neto.

“Há um apartamento aqui no prédio… Vazio”, Rachel comentou, “já pensou nessa possibilidade?”.

Os olhos do ator lhe alcançaram a face doce.

Uma pergunta que considerou crucial foi feita:

“O que a Quinn pensará se souber que estou a morar no mesmo prédio que você”.

“Jesse, não exagere!”, pediu, “eu saberei lidar com ela. E não estaremos a morar juntos! Poderemos montar um quarto para o Spencer no seu apartamento! Assim, quando desejar, ele poderá dormir com você! Pense nisso com carinho”, pediu.

O ator voltou a atenção para o filho. Estava tão lindo! A mescla perfeita dele mais Rachel.

“Pensarei”, falou sem, no entanto, mirar a ex-mulher.

Rachel sorriu maior.

“E você e a Quinn?”, ele quis saber. Voltou os olhos para ela.

“Ainda não há nada entre nós, Jess. Quinn será um passo de cada vez… Ela é muito escorregadia”, ponderou.

“Tem esperança de que haja, mesmo, alguma aproximação entre vocês, Rach-Rach?”, questionou, pois – pessoalmente – não acreditava.

“Sim, Jesse”, ela foi taxativa.

Ele se calou. Seu papel já estava definido nesta ópera: ele seria o ombro amigo dela, aquele que lhe juntaria os pedaços quando Quinn a quebrasse.

Lamentou. Desejava que a esposa não guardasse ilusões sobre a ex-namorada. Queria que ela pudesse meditar sobre tudo o que aconteceu e perceber se realmente, alguma vez, amou Quinn.

Ele ainda era da opinião de que não. Quinn foi uma curiosidade para Rachel. Algo diferente. A garota que sempre admirou e achou a mais bonita apaixonada por ela, a perdedora. Quem não se confundiria diante de tal vaidade e massagem no ego? Foi o que aconteceu com a Rachel! Ela se encantou pela possibilidade de ter Quinn. Ela se encantou em ter Quinn. Mas não se encantou o bastante para manter Quinn! A que outra conclusão ele poderia chegar?

§§§

Quinn franziu o cenho, sentada à mesa do desjejum, ao escutar o cuidador e o recado que este trazia:

“A Srta. Berry telefonou pela vigésima primeira vez em três dias, o que dá uma média redonda de sete ligações por dia, para saber quando voltará a visitá-la. Eu tomei a liberdade de informar que está envolvida com o trabalho, mas ela foi perseverante ao avisar que se Maomé – neste caso, você – não for até a montanha – ela – a montanha virá até Maomé. E eu devo asseverar que não havia um só sinal de blefe nas palavras dela”.

A advogada suspirou. Não pensou que a cantora pudesse ser tão insistente… Não gostava de pressão…

Suspirou.

“Obrigada, Holmes! Eu entrarei em contato com ela”.

“Hoje?”, o homem mostrou uma curiosidade inédita. Efeito de Rachel Berry?

“Sim, Holmes. Hoje… Tranquilize-se”, riu.

“Obrigado, senhorita”, agradeceu e se retirou.

Quinn meneou a cabeça. Tamborilou os dedos da mão direita sobre a mesa.

“Por que tão apressada, Rachel”, perguntou-se, pensativa. Estava há três dias sem falar com a cantora e com Alex, que estava envolvida com os preparativos da Semana de Moda de Nova Iorque.

Pensou nos lábios de Rachel a se aproximarem dos seus…

E se ela tentasse novamente este tipo de aproximação?

“Possivelmente eu a beijarei…”, sussurrou.

Esta era uma conclusão que a surpreendeu. Por que queria beijar Rachel Berry? Por que havia essa atração que não conseguia explicar?

Talvez, realmente, devesse procurar a Dra. Parker… Meditou.

Porém, Quinn não fez o que pensou. Ao contrário, bateu à porta da cantora na tarde deste mesmo dia.

O sorriso que Rachel lhe deu a fez sorrir também.

Aquele que já não consegue sentir espanto nem surpresa está, por assim dizer, morto. Seus olhos estão apagados.”

– Albert Einstein -

CONTINUA.

Notas finais
Até o próximo, meninada! Beijo afetuoso. - Cal. *-*