Sine Cordi

49 CAPÍTULO 49 - םט


Notas iniciais
Ficou um pouco longo...

Não me ensine a morrer

Que eu não quero

Há diferença abstinente

No prosseguir da gente

Sei que a tendência

Anda nas frestas

Do decidir da mente

É como se perder de Deus

Eu não quero perder

Eu não quero te perder

Perdão você”.

– Marisa Monte em Perdão Você (Memórias, Cônicas e Declarações de Amor)

Alex observou a inquietude de Quinn em silêncio.

Viu, com muda preocupação, quando ela usou uma dose a mais do remédio para a dor de cabeça.

Presenciou a irritação dela crescer porque não conseguia conciliar o sono.

Já vira esse quadro antes.

Mais de uma ou duas ou, ainda, três ou quatro vezes…

Na verdade, não dava para contar nos dedos.

Nem nos seus e nem nos de Quinn.

Ela sabia o que viria a seguir.

Quinn começaria a maldizer.

A princípio, ela murmuraria a raiva que tentava conter.

Depois, respiraria fundo algumas vezes (foi ensinada a agir dessa forma) até que o ritmo cardíaco diminuísse e os músculos relaxassem.

Claro, ela falharia miseravelmente.

Então, ela começaria a quebrar o que estivesse à mão, porém – como racionalizou sobre o ato – esmurraria os travesseiros.

E, depois, enquanto isso acontecesse, finalmente ela cederia. E o choro causado pela profunda frustração sairia profusamente.

Só precisava esperar até que ela chorasse de raiva, entre gritos e palavrões (tinha um vocabulário riquíssimo e uma capacidade invejável de criar alguns sobressalentes) e esmorecesse.

Então se aproximaria e a abraçaria.

Quinn tentaria se debater. Ela sempre fazia isso. Mas o esgotamento já seria tanto que ela simplesmente pararia de lutar. O choro abrandaria. A dor cederia diante da exaustão do corpo. E ela adormeceria profundamente.

Velar-lhe-ia o sono.

Cuidaria dela o quanto precisasse.

Sempre…

Quinn suspirou e murmurou alguma reclamação.

A claridade machucava-lhe.

Escondeu o rosto no vão entre o pescoço e o ombro da namorada, sobre quem tinha a metade do corpo adormecido.

Suspirou confortável.

Alex piscou algumas vezes.

Abriu os olhos azuis com dificuldade e afogou um grito de susto e enlaçou a namorada automaticamente em proteção quando deu com Holmes a observa-las.

Murmurou, com o coração aos pulos:

“Cruzes, Holmes! Quer me matar?”.

O homem acanhou, desculpou-se e mirou os próprios sapatos. Falou baixo:

“Eu só vim saber como estão, senhorita”.

Alex, então, deu-se conta do peso extra sobre si.

“Acho que… Enquanto ela estiver dormindo, bem. Quando acordar… Sem garantias”, bocejou preguiçosamente.

“Eu ouvi o choro…”, informou.

A jornalista desviou os olhos para a namorada. Acarinhou-lhe as costas e murmurou, atenta e preocupada:

“Ela vai entrar em parafuso… As memórias que ela não sabe se são reais, as incertezas sobre se conhece ou conheceu alguém que lhe é familiar… Essa aproximação de Rachel Berry vai expandir esses lapsos e incertezas dela, Holmes… Eu me preocupo porque ela é tão… Frágil, embora não demonstre”, suspirou e tocou o lado da fronte da moça adormecida com lábios dóceis.

“Mas ela vai fazer o que achar certo…”, ele atestou.

Alex suspirou mais profundamente. Sabia que o homem tinha razão.

“Pretende fazer alguma coisa a respeito, senhorita?”, inquiriu, sério.

A namorada de Quinn meneou a cabeça em negativa.

“Por quê?”, o cuidador quis entender.

“Porque ela só faz o que quer, Holmes. Você mesmo acabou de me dizer isso”, foi óbvia.

“E se ela se interessar pela Srta. Berry?”.

A mulher franziu o cenho.

“Se interessar? Ela já se interessou”, revelou, “por isso que, acho, ela está assim… Talvez isso esteja mexendo com alguma lembrança bem escondida…”.

“E, sabendo disso, ainda assim não fará nada para intervir?”.

“Eu acho que aqui não é o lugar para falarmos e, menos ainda, a hora. Quinn pode acordar… E vai pensar que estamos tramando contra ela”.

“E se isso desencadear uma crise mais séria?”, preocupou-se.

“Holmes, por favor…”, pediu, preocupada.

O homem assentiu.

A mulher estava certa.

Aquela não era a hora…

Desculpou-se e saiu, com a obrigação de preparar o desjejum das moças.

Alex cheirou os cabelos da namorada e regozijou-se neste ato.

Osculou-a.

Apertou um pouco mais o abraço em torno de Quinn, a fim de tê-la mais perto.

Escutou um murmúrio de reclamação.

Sorriu.

Fechou os olhos… A sonolência leve e agradável abraçando-a. O calor do corpo da namorada sobre o seu… A respiração cadenciada e morna em seu pescoço… Arrepiou-se e sorriu outra vez.

Então, uma ruga se fez em sua testa.

Uma ruga de preocupação.

Abriu o par de oceanos e mirou o teto.

As perguntas que criaram a ruga: e se Rachel Berry não souber ou conseguir lidar com Quinn? E se ela não estiver ciente de como Quinn era volúvel e de humores vários? Ela deixaria tudo por conta de Holmes? Sob a responsabilidade do cuidador? E quando Quinn precisasse de um abraço verdadeiro, paciente e amoroso? O cuidador não poderia fazer isso… E nem sempre Quinn se deixava abraçar… Saberia o momento certo de abraça-la? Ela teria essa sensibilidade? Seria capaz de lidar com os momentos em que a advogada acordava perdida até de si mesma? Saberia como localiza-la sem assusta-la? Saberia quando calar e quando debater com ela? E quando Quinn não lhe dissesse “eu amo você” ou respondesse a um? Seria capaz de relevar tal característica dela?

Apertou-a mais no abraço, protetora.

“Alex… Isso incomoda”.

Escutou o murmurar rouco e mau humorado da namorada e sorriu.

“Desculpa…”, sussurrou divertida.

“Eu acho que pedi para você…”, bocejou, com a cara ainda enfiada no pescoço da namorada, “se passar por um objeto inanimado…”.

“Certo…”, concordou, “desculpa”, sorriu.

“Objetos inanimados não falam, Alex…”, protestou.

“Tem razão… Este humilde colchão se calará”.

A gargalhada infantil de Quinn causou arrepios na jornalista e a fez rir também.

Um alívio: Quinn rir após uma noite ruim era um bom sinal.

“Ainda bem que você é jornalista…”, murmurou após um suspirou preguiçoso.

Alex franziu o cenho, curiosa:

“Por quê?”.

“Morreria de fome se fosse atriz… Não sabe interpretar um colchão”, aspirou o cheiro da mulher e arrepiou-a.

A jornalista não falou.

Estava confortável e com o espírito leve.

Quinn continuava sobre ela, preguiçosa e sonolenta.

Era um pequeno momento de tranquilidade no oceano revolto que a loira poderia ser.

Sempre preferiu a Quinn lagoa à Quinn mar.

Um navio no porto é seguro, mas não é para isso que os navios foram feitos.”

– William Shedd -

Meia hora depois, sentiu a namorada suspirar.

“Como se sente”, indagou.

Quinn ainda permanecia na mesma posição.

“Cansada… Esvaziada… Parece-me que o meu cérebro saiu e deixou apenas o espaço oco dentro do meu crânio”, respondeu, devagar.

“Você teve dias cansativos, bebê”, observou, à doce meia voz.

A advogada negou com um leve movimento de cabeça sentido pela jornalista.

“Eu… Eu não sei porque fiquei tão zangada…”, confessou, mais consciente.

“Como foi com a Rachel ontem?”.

“Bom… Estranho, confuso… Eu ainda não sei…”.

“Quinn, já pensou em ir um pouco mais devagar em relação a Rachel?”, averiguou.

A loira guardou silêncio por instante. Após, roçou o nariz na mandíbula da amante e voltou a descansar o rosto no vão do pescoço dela.

“Talvez seja bom… Mas… Eu sinto como se uma força maior, uma estranha curiosidade me arrastasse para ela”.

“Pensou que a sua frustração de ontem possa ser uma reação a alguma situação que, talvez, o seu inconsciente esteja tentando manter imerso e vocês duas, com esses encontros e, principalmente você, bebê, possa estar a forçar isso”, perguntou com voz tranquila, acariciando-a com docilidade.

A mulher loira pareceu, com a sua mudez, avaliar as palavras de Alex.

“Talvez…”, murmurou.

“Então, apenas tente ser mais cuidadosa consigo mesma, Quinnie! Eu acho que o seu amor por ela foi muito grande e, talvez, a sua decepção também… Você não sente isso agora, de maneira palpável, mas talvez aja algo latente bem dentro de você. Algo com o que você ainda não esteja preparada para lidar”, aventou.

“Eu acho que… Que você pode estar certa”, concordou.

Alex suspirou e tornou a beijar-lhe a cabeça.

Quinn aconchegou-se mais.

“Seria interessante, também, você ir até a Dra. Parker… Você andou cabulando algumas consultas”, sussurrou.

A loira sorriu e assentiu.

Nesta manhã, em particular, estar resguardada em Alex lhe pareceu bom.

Muito bom.

Rachel estava sentada à mesa do desjejum, junto com os pais, o filho e Jesse. Maria os servia e participava da conversa em família com naturalidade. Hiram e LeRoy gostavam muito dela. Confiavam no afeto que possuía por sua Estrelinha.

A cantora não falou muito.

Bebeu mais café do que comeu os pães, frutas e outros pratos servidos.

Sentiu o mirar tenso do ex-marido sobre si.

Encarou-o.

Trocaram olhares.

Ele queria saber o que aconteceu que a fez ter uma pequena mudança de comportamento.

Ela queria encontrar uma maneira de conversar com ele sobre ser o vértice de um triângulo que poderia atrapalhar sua reaproximação com Quinn.

“Rachel, ontem não pudemos conversar muito após a saída da Quinn…”, Hiram mirou a filha.

Ela desviou os olhos do ex-marido para o homem com os óculos de aros escuros.

“Sobre o que conversaram?”.

Rachel suspirou.

Conversaram sobre coisas…

Coisas que lhe pareceram tantas, porém sabia que não foram. Talvez foram apenas pesadas demais…

Alguns temas, principalmente quando envolvem o substantivo mágoa, tendem a ser escondidos no porão de nossas memórias, e vez ou outra, quando vamos até lá guardar um outro, ele se mostra vivo ainda. Nem a umidade e a escuridão do lugar podem esmorecê-lo. Até que, um dia, o ser em quem você causou o mal com a palavra escondida volta para a sua vida e a palavra foge do porão escuro e frio. Ela dança diante de você, mostrando-lhe o quão imoral você foi capaz de ser. Insensível, instável e sexual.

Traidora!

Mentirosa!

Um simples substantivo… Que carrega dentro dele palavras acusações. Palavras verdades.

Palavras cortantes.

“Eu disse que estou melhor…”, murmurou, “mas ela não acreditou”, riu, débil.

Hiram suspirou.

Estava preocupado.

“Ela não acredita que eu a ame”, falou, com mais energia – ainda que parecesse meio incoerente para os pais.

LeRoy achou bom intervir:

“Estrelinha, ela sofreu… Então, talvez, ela ainda duvide”, falou, calmo e gentil.

A judia assentiu. Ainda que as palavras do pai não lhe significassem muito no momento. Importava que Quinn duvidava de seu amor…

“Ela quer me conhecer…”, olhou de um pai para outro, “e quer que eu a conheça…”.

Os Berry sorriram.

“Esta é uma ideia muito boa, querida”, Hiram opinou.

Ela assentiu.

“É estranha… Mas boa…”.

“Quinn é uma moça inteligente… E, Rach”, o pai continuou, “escute-a quando diz que é melhor se conhecerem. Ela mudou bastante…”.

“Ela é grande demais, pai…”, pensou, “ela não tem começo, meio e fim…”.

Jesse arregalou os olhos.

“Rach-Rach…”, chamou-a.

A morena dedicou-lhe atenção.

“Quinn é uma pessoa como qualquer um de nós. Você só está um pouco nervosa com a presença dela… Ela é como nós somos”, falou, cordato.

A atriz negou veementemente.

“Não, Jesse! Quinn não tem início e nem fim”.

“Okay”, LeRoy se meteu, “isso está parecendo conversa de maluco”, virou-se para o genro, “deixe a Quinn ter o tamanho que for. Isso é por agora…”, tornou para a filha e tomou-lhe uma das mãos entre as suas, “você e Quinn se entenderão. Apenas, seja paciente consigo mesma e, depois, com ela”.

Rachel concordou.

Essas palavras fizeram bastante sentido.

Entretanto, ainda havia uma situação: Jesse!

Por quanto tempo ainda o manteria por perto?

E se a presença dele afastasse Quinn?

Esta era uma possibilidade real…

Como faria para que ele continuasse perto de Spencer?

Oh!… Quinn lhe disse! Muitas crianças convivem bem com pais que moram em casas separadas… Sua família desfeita…

Mas, já não estava?

Ela e Jesse estavam separados, divorciados! Não havia família! Havia um fingimento! Um engôdo para si mesma e não para o filho.

Quinn enxergava bem as coisas.

E era cruel em sua praticidade ao lhe esfregar, sem gentilezas, a verdade no nariz.

Seria capaz de fazer essa Quinn se apaixonar?

Jesse lhe disse que não.

Quinn também…

Mas, quando foi que a palavra impossível fez parte de seu vocabulário?

Não lembrava.

E isso, sim, importava.

“(…) Eu ando pelo mundo

E meus amigos cadê?

Minha alegria, meu cansaço

Meu amor, cadê você?

Eu acordei

Não tem ninguém ao lado (…)”.

– Adriana Calcanhoto em Esquadros (Público – Ao Vivo)

Santana lia um dos processos dos quais cuidava quando ouviu a porta da sala abrir e bater.

“Mary, eu disse que não queria ser incomodada…”, falou, tranquila.

“Mary está ocupada desmarcando todos os seus clientes desta tarde”, a voz fria de Quinn Fabray fez a morena erguer a cabeça e mira-la.

Quinn usava um vestido negro com cinto grosso da mesma cor a lhe assinalar a curva da cintura, mangas longas com punhos marcados, à altura dos joelhos e com um corte que alongava-lhe ainda mais a silhueta (também usava saltos). Os cabelos presos num coque elegante com um topete perfeito.

“Você?… A Mary o quê?”, ainda estava incrédula, enquanto observava a loira sentar-lhe em frente.

Quinn sorriu e estudou a face da latina.

“Eu realmente estou satisfeita comigo! Eu me supero com você Santana! A sua cara está impagável”.

Usted no pude llegar aqui y hacer lo que quieras hacer”, falou.

A sobrancelha direita da loira subiu.

“Falando na língua madre… Ficou nervosa, Sant?”.

A morena pegou um lápis e, forçando o polegar contra a ponta superior, partiu-o ao meio.

“Isto é uma ameça?”.

“Não. É apenas um hábito que me acalma quando sinto vontade de estapear alguém”.

“Sei… Já pensou em mandar instalar um saco de areia, daqueles que se usa em boxe, para você socar? As árvores agradeceriam…”, sugeriu.

A latina suspirou.

“O que você quer, Quinn”, questionou, impessoal.

A loira sorriu e mordeu o lábio inferior antes de zombar:

“Muito melhor agora… Quase fria”.

Santana iniciou a contagem de uma até o máximo que a loira lhe permitisse esticar o pavio. Isto não era muito fácil…

“Vamos falar sobre Rachel Berry”, anunciou.

Santana perdeu um pouco da cor.

E sabia que Quinn percebeu. Tinha-lhe os orbes verdes cravados em cima.

“Eu vou facilitar a sua vida, Santana, pelos velhos tempos que não voltam jamais”, assumiu, com um traço de satisfação na voz, “eu perguntarei e você me responderá”.

A latina ainda estava relacionando as palavras na cabeça de forma mais ou menos lógica.

“Vamos falar sobre a biografia de Rachel Berry e em que momento eu entrei e saí dela. E, claro, você me fará a gentileza de esclarecer o real peso da minha relação com ela”.

Santana ainda não reagiu.

Para Quinn não pareceu importar.

Mas achou que seria bom despertar a amiga e, por isso, apertou o ramal sobre a mesa da outra e escutou a voz mecânica de Mary:

“Pois não, Dra. Lopez?”.

“Mary, é a Quinn. Traga café para mim e Santana, por favor. E mantenha a cafeteira cheia”.

“Sim, senhora…”, a secretária consentiu antes de a loira desligar.

“Espero que você não tenha gastrite, Santana”, atalhou, ajeitando-se elegante e confortável na cadeira macia, “mas, sempre se pode usar creme ou leite”, acrescentou.

“Por que quer saber essas coisas?”, a pergunta saiu meio aos tropeços pelos lábios da Lopez.

“Talvez porque eu não me lembre… Acha um bom motivo? Ou, talvez, porque eu esteja curiosa sobre a Srta. Berry e o quão profunda foi a nossa relação, com a justificativa de que o meu cérebro prega peças e vez ou outra eu não sei o que de fato aconteceu ou não… Enfim! Você conhece os trâmites! Apenas colabore”.

“Quinn…”.

“Qual foi o divertimento em esconder dela que eu me acidentei e perdi a memória?”, soltou, cortando o raciocínio da outra.

“O quê?”, a pergunta pegou Santana de guarda baixa.

Na verdade, Santana ainda estava muito atordoada com a inesperada visita.

Quinn não repetiu a questão.

Quinn não despregava os olhos de cima dela.

Quinn a descompensava.

Quinn a enervava.

“Vamos por partes…”, murmurou a latina, reestruturando-se.

“Por partes? As partes que eu escolher ou você?”.

A pergunta simples foi recebida por Santana como uma agressão que incomodou.

“Quinn, você estava mal e ela a quilômetros de distância. O que ela faria aqui”.

“Não sei…”, pareceu pensar, “talvez visse o quão ela realmente me machucou à época”, sugeriu.

Santana pensou na possibilidade.

Confessou:

“Eu fiquei com muita raiva dela. Eu não queria ver a Berry pintada de ouro”.

“Então…”, a loira mexeu a mão sobre um dos braços da cadeira e prendeu os olhos no que fazia, “eu a peguei, de fato, na cama com o St. James”, pregou o olhar no de Santana.

A pergunta, feita em tom neutro e distraído, apanhou a morena desprevenida.

Como Quinn chegou a essa conclusão?

“O que você sabe?”, perguntou, cuidadosa.

A loira riu, divertindo-se.

“Acha que eu me lembrei?”.

A latina estava em dúvida…

“Eu sinto informar, mas não foi isso…”, soltou com um prazer quase perverso, “Rachel só é óbvia demais, culpada demais, lamuriosa demais… E fala muito também”, completou.

“Quinn, você quer se vingar da Berry?”, a pergunta – no momento – pareceu lógica para a Lopez.

A ex capitã das cheerleaders meneou a cabeça em calma negativa, sem apartar os olhos de Santana.

“Eu não lembro… E, se eu lembrar, não sei se serei capaz de trazer algo tão… Impessoal para o lado pessoal… Você sabe”, avisou.

“Eu não entendo, Quinn! Como algo pessoal pode ser impessoal?”.

A loira inclinou-se para a frente e perguntou, aborrecida:

“Eu não vou ter que explicar tudo para você outra vez, vou?”, voltou à posição anterior.

Santana suspirou.

Ela, realmente, queria ser capaz de conceber a maneira como Quinn via mas não sentia o passado. Ela lhe explicou uma vez…

O que eu lembro é confuso… Como se eu tivesse sonhado. Eu não sei o que é verdade ou só uma lembrança criada pelo meu cérebro a fim de preencher algum espaço em branco… Eu não sei o que é real e também não sinto como se o que eu acho que são lembranças aconteceram de fato comigo. É como se fossem lembranças de outra pessoa”.

“Lembranças de outra pessoa…”, murmurou.

“Que bom! Lembrou”, Quinn observou e os olhos de Santana a encontraram.

“Se não é vingança, o que pode querer com ela, Quinn? Não há ligação emocional da sua parte”, ponderou.

“Esse é ponto, Santana!”, a loira falou como se a latina tivesse compreendido tudo, embora não fizesse ideia do que se passava pela cabeça dela.

“Qual ponto?”, a voz escorreu confusa.

“Eu sinto uma irritante curiosidade sobre ela… Uma curiosidade que me atrai e me faz querer saber coisas…”, avaliou, “coisas sobre ela! Mas, não num nível superficial. Eu quero saber num nível mais profundo”, informou.

Santana ficou, sinceramente, sem palavras. Ela não conseguia compreender bem o que tinha diante de si. Quinn curiosa…

“Eu… Eu estou…”, pareceu lembrar, “Alex sabe dessa sua curiosidade?”.

A loira suspirou, enfadada.

A latina assentiu:

“Sabe… É claro que ela sabe! E deve ser tão destrambelhada quanto você por permitir algo assim”, completou.

Quinn franziu o cenho.

“Destrambelhada?”, riu.

“Não é engraçado, Fabray”.

A loira ia responder, mas ouviu o “toc, toc, toc” na porta e esta se abriu, com Mary a trazer uma bandeja com um bule, um casal de xícaras, adoçante, açúcar, creme e leite. Colocou-a sobre um carrinho e o aproximou da mesa de Santana.

“Obrigada, Mary”, Quinn agradeceu sem tirar os olhos de cima da latina, “eu mesma servirei”.

A secretária concordou e se retirou.

Russel Fabray já estava a par da visita da filha. Mas preferiu apenas ficar atento. Sabia que Quinn tivera uma noite ruim… Em situações extremas, Holmes sempre lhe avisava. E agradeceu, apenas para Deus, o fato de Alexandra Bishop saber lidar com a filha. Ele não sabia. Judith se esforçava… Mas a Bishop! Não gostava dela. Mas, se ela conseguia manter o controle quando Quinn perdia o próprio, era melhor ser condescendente. E engoli-la.

“Conte-me, Sant”, pediu, a servir o café quente em duas xícaras, “puro ou prefere um pouco de leite? Açúcar?”.

A tranquilidade da loira desestruturava a morena.

“Puro”, rosnou.

“Como o meu!”, Quinn estendeu o pires para a outra.

Santana o recolheu com calma forjada.

Quinn pegou o seu, se recostou na cadeira, cruzou as pernas e sentiu o odor do líquido antes de tomar um pequeno gole.

“Muito bom”, suspirou.

A latina apenas a mirava.

A loira a fitou.

“Santana, porque não nos poupa tempo e colabora comigo? Por quanto tempo eu e Rachel ficamos juntas”, indagou sem meias palavras.

A outra achou melhor beber um pouco do café a fim de registrar com mais clareza as perguntas às quais seria submetida.

“Nós terminamos o Ensino Médio…”, limpou a garganta, revolvendo as memórias que – diante de uma Quinn desmemoriada – eram doloridas eu invés do seu contrário.

“Você se descobriu apaixonada por ela no terceiro ano… Ela ia casar com o Finn…”.

“Finn? O ‘altão’…”, murmurou.

Santana assentiu.

“Eu o namorei…”, murmurou.

A latina assentiu.

Uma recordação…

Quinn estava sentada no chão do corredor do prédio onde Rachel, Santana e Kurt moravam, com as costas apoiadas na porta. Os olhos tão vermelhos como o bem delineado nariz.

Chorava ainda.

Não entendeu o porquê de não ser chamada pelos colegas para a homenagem que fizeram para Finn tão logo a notícia de sua morte se espalhou tal qual rastilho de pólvora.

Ouviu a porta do pesado e antigo elevador ser aberta e, após cinco dias, Rachel e os demais voltavam.

“Quinn?…” — a surpresa foi evidente na voz da judia — “eu não pensei que fosse vê-la aqui… Eu…”.

A loira a ignorou, magoada pelo fato de a namorada – duvidou do seu status atual – partir sem, ao menos, dar-lhe um aviso e se dirigiu à amiga de equipe de cheerleaders:

“Sant…”, ergueu-se, “o que realmente aconteceu? Foi um engano! Só pode… Finn era tão… Tão idiota! Mas era um idiota bom… E eu…”.

“Finn não era idiota”, Rachel cortou, magoada.

“Oh! Só porque ele morreu virou santo, Berry? E você? Qual o seu papel nesta temporada? Viúva do quarterback?” — a loira estava torturada.

Kurt bufou.

“O casal ‘lez-chic’ vai demonstrar como se monta uma dramática cena de ciúmes em pleno corredor?”.

A cantora se aborreceu mais e defendeu:

“Eu cheguei quieta! Ela começou”.

Sant e o rapaz de pele de alabastro suspiraram e a latina falou, grave:

“Você foi relapsa com a Quinnie, Bilbo Bolseiro! Ela é a sua namorada! Você deveria ter avisado que iria a Lima. Você simplesmente fez o que achou certo. Talvez ela merecesse saber…”.

Abriu a porta e, um de cada vez, adentrou ao pequeno conjugado. Rachel foi a última.

“Eu pensei que não haveria dúvidas sobre isso! Finn foi importante para mim! Nós namoramos”, defendeu-se.

“A Q também foi namorada dele! E daí? Nem mesmo a chamaram”, a Lopez não economizou na defesa.

“Por que não me quiseram lá”, a pergunta escorregou-lhe boca afora.

Rachel olhou para os pés; Santana fingiu que perdeu a audição e Kurt foi o único corajoso para responder:

“Em princípio… Na verdade, a hipótese é a de que ao fazer a Rach deixa-lo para que pudessem ficar juntas, tornou-se, sob alguns pontos de vista, ‘persona non grata’… Lamento”.

A incredulidade tomou a estudante de fotografia.

Ela mirou a ainda (duvidava mais de seu status) namorada e indagou, em murmúrio: “você não nos defendeu? Rachel, eu não a roubei dele! Você tomou esta decisão sozinha”, argumentou.

A pequena assentiu e lágrimas escorreram como se ela não houvesse vertido muitas por estes tão doloridos dias de luto.

“Eu… Quinn, perdão! Eu fiquei, ainda estou, desconcertada com tudo o que aconteceu”, procurou justificar.

A Fabray sorriu, incrédula, e respondeu sem meandros:

“Eu também estou muito desconcertada, Rachel! Mas, em momento algum, eu deixei de esquecer quem é você para a minha vida e na minha vida!”.

Os olhos chocolate alcançaram a cheerio já a sair pela porta.

“Merda…”, maldisse.

“Pisou feio na bola, Pequeno Polegar”, a latina observou.

“Sant!…”, Rachel zangou em tom de choro.

“A Lopez tem razão, Rach! A Quinn ficou desapontada. Primeiro, você não abriu a boca para mostrar que foi decisão sua ficar com ela. Segundo, você viajou e nem avisou. Eu creio que, a esta altura, nossa loira duvida que você realmente a ame”.

“Kurt! Eu sou apaixonada por ela”, quase gritou, irritada pela situação que causou por um esquecimento primário.

Como não avisou a Quinn o que aconteceu e que iria para Lima?

“Eu vou falar com ela… Vou me desculpar…”, comunicou, ainda perdida.

“Boa sorte”, Santana desejou, séria. Antes de ir para o quarto, estancou e falou:

“Nem sempre paixão e amor têm o mesmo significado, Berry. Pense sobre isso”.

A latina desestabilizou a já desestabilizada judia.

Tentou falar com a namorada neste mesmo dia.

Não conseguiu.

Telefone fora de área.

Não apareceu na faculdade.

Tentou falar com ela no dia seguinte por meio de telefonemas, porém, aparentemente, o celular da loira pareceu defeituoso a cada vez que a caixa de mensagem foi acessada antes de desligar.

Aguerrida, no terceiro dia, sem notícias da namorada, procurou-a na NYU uma vez mais.

Encontrou-a, entrementes em aulas e, dessa forma, não logrou o momento a sós que precisava para se desculpar com a garota mais bonitas que já viu na vida.

Tentou o telefone outra vez.

Caixa de mensagem…

Desta feita, deixou recado…

“Quinn, amor! Por favor, não me ignore! Eu sei que errei… Eu fiz tudo errado, às patadas! Mas eu amo você! Eu preciso de você, Quinnie”.

Não recebeu resposta e foi Santana quem a escutou:

“Eu estou tentando entrar em contato com ela e não consigo…”.

“Talvez a Quinn demore um pouco mais para se recuperar de certas situações. Não se apavore! Ela ama você… Logo, terá notícias dela”.

A judia se quedou sem palavras diante da certeza da amiga sobre a fotógrafa. Recuperada, expôs a curiosidade…

“Vocês conversaram”, a pergunta saiu num fio de voz enciumado.

"É… Por acaso. Eu a encontrei com o professor gostoso que não para de babar sobre ela", achou por bem informar.

“Santana!” — reclamou, tomada pelo maldito ciúme.

“O quê?”.

Rachel bufou diante do cinismo da latina e foi para a cama a pisar sonoramente, sinal claro de aborrecimento.

Santana riu.

“Faça-se de gostosa, Bilbo Bolseiro, que eu lhe deixo insegura sobre a minha capitã”, comentou para si mesma, satisfeita.

Dez dias depois do desentendimento entre as namoradas, era o início da noite, uma dádiva para os trabalhadores e estudantes, quando Rachel atendeu à porta e encontrou uma Quinn Fabray encantadora com o mais doce sorriso na face, os cabelos soltos e repartidos para o lado, um casaco delicado sobre o vestido jovial, sapatilhas e um ramalhete de flores do campo na frente do tórax, seguro pela mão direita. Cumprimentou com a voz tímida, rouca e anasalada:

“Boas noites, senhorita”, esticou as flores para a morena que sorriu delicada e, num pequeno assalto, arrebatou as flores e enlaçou o pescoço da namorada, tomando-lhe dos lábios com paixão e saudade.

A loira sorriu no beijo e conseguiu murmurar, divertida:

“Ainda bem que estou equilibrada hoje… Ou iríamos aterrissar em meio ao chão do corredor”.

Rachel segurou o pescoço de Quinn com possessividade e a silenciou com um beijo ainda mais ardente e a arrastou para dentro e, sabe-se como, fechou a porta num baque surdo.

“Rachel…”, a estudante de fotografia tentou tomar o controle da situação, mas a morena não permitiu, a prender a namorada contra a parede e colar-se inteira nela.

Quinn, apenas, cedeu e a envolveu com os braços, aprofundando o beijo. Por fim, separaram-se pois respirar ainda era preciso.

“Perdoe-me, Quinn! Eu fui egoísta… Eu deveria ter avisado que iria até Lima. E eu também deveria…”.

A loira colocou os dedos indicador e médio sobre os lábios da namorada, calando-a.

“Eu entendi! Finn foi importante demais para você. Perdoe você a mim! Eu fiquei com muita saudade e ciumenta. Prometo que tentarei ser menos radical no futuro”.

Menos radical no futuro…

Menos radical no futuro…

“Certo… Então, eu estraguei o casamento dela”, perguntou, retirando a latina do devaneio.

“Não… Quer dizer, sim. Você se acidentou”.

“Foi nesse acidente que eu tive um problema na coluna?…”, fez cara de dúvida.

“Isso…”.

“Eu já gostava dela?”.

“Eu acho que sim…”.

“Acha que eu me acidentei para que ela não se casasse? Eu seria capaz de uma insanidade dessas?”, indagou.

Santana perdeu a cor.

Nunca aventou tal hipótese…

A outra percebeu o quão chocada a latina ficou diante da pergunta.

“Espere um momento…”, colocou o pires com a xícara sobre a escrivaninha, “eu causei mal a mim mesma para que ela não se casasse? Isso é tão… Ilógico!”.

Santana piscou algumas vezes.

Ela também pensou que era uma ideia descabida. Porém, após a tentativa de suicídio…

Quinn sorriu, incrédula.

“Eu não faria uma bobagem dessas! Eu me lembraria de uma coisa assim”, atalhou.

A latina assentiu, sem saber que outro gesto expressar.

“Não…”, recuperou a capacidade de falar, “foi só um momento de distração… Você estava atrasada para o casamento e usou o celular e… Foi um lapso, uma desatenção e imprudência sua”, asseverou, embora já não tivesse tanta certeza.

A loira assentiu.

Retomou a xícara de sobre a mesa e bebeu mais um gole do café.

Santana a observou.

E uma dúvida que nunca teve antes, tomou-a: e se Quinn já tivesse demonstrado antes o lado passional e autodestrutivo que Rachel parecia acender nela e nunca percebeu?

Deveria ter sido mais atenta?

Deveria ter duvidado mais da imagem autossuficiente de Quinn?

Se fizesse isso, conseguiria evitar o pior?

Quinn não flertaria com a Morte?

Perguntas. Sempre tantas!

Respostas. Quase nenhuma.

“Por que achou lícito me informar que Rachel foi o único caso passageiro, quase uma experimentação homoafetiva quando, na verdade, foi mais do que isso? Pelo que ela me informou, iríamos, inclusive, morar juntas”.

Santana se perguntou até onde a boca aberta de Rachel Berry foi capaz de espalhar verdades para Quinn…

“Pelo motivo que a trouxe até aqui”, sorriu com um pouco de cinismo recuperado, “porque você não se lembra. Não lembrou”.

A loira tomou outro gole do café.

Os olhos a passearem sobre a face da morena.

Um sorriso brincalhão insinuado na boca bem feita.

“Sabe, Sant, eu posso não me lembrar de tudo… Ou, mesmo, nada. Porém, você e todos os outros deveriam saber que não se deve esconder o que me é de direito”.

“O que lhe é de direito? Quinn, a Rachel errou! Magoou você! E, analisando, ela lhe causou pequenas mágoas no decorrer da relação de vocês que, talvez, apontassem para algo maior e eu fui tola e não notei antes! Talvez se eu tivesse olhado melhor, percebido as nuances, os detalhes aqui e ali… Talvez…”.

“Talvez eu ainda fosse a Quinn Fabray que você conheceu”, cortou-a.

A latina suspirou.

Quinn a conhecia como a palma da própria mão.

“Vocês ficaram juntas por seis anos”, falou por fim.

A loira, realmente, espantou-se. E riu, tamanha a incredulidade.

“Seis anos? Eu e ela ficamos… Seis anos é muito tempo, Santana”, exclamou.

“Não exagere, Fabray! Você está há três com a Alex”.

“Tecnicamente… Se formos colocar o tempo que passamos realmente juntas na ponta do lápis, não chegaria à metade disso”, argumentou.

“O que mais quer saber?”, a pergunta saiu cansada.

“O que mais você tem para me dizer?”, devolveu o inquérito.

A latina meneou a cabeça negativamente, com o olhar perdido, vasculhando as lembranças.

Talvez tivesse quase uma vida para contar a loira. Mas, ela não queria isso. Quinn era objetiva. Queria saber sobre Rachel. E soube até onde isto lhe satisfez.

“Não há mais o que dizer, Quinn”, avaliou.

Os olhos da loira estudaram-na.

Santana não gostava quando ela fazia isso.

“Não há mais nada a dizer”, Quinn repetiu as palavras da Lopez.

“Não”, assegurou.

A loira meneou a cabeça com tranquilidade.

A morena pensou no que ela poderia – ainda – querer.

“Tem certeza, Sant? Certeza de que me disse tudo? De que não há nada mais para ser falado”, perguntou a correr os olhos pelo rosto da outra.

A latina piscou algumas vezes. Quinn desconfiava de algo mais?

“Não”, murmurou.

“Nenhum detalhe que enriqueceria a minha biografia esquecida?”, insistiu.

Santana sentiu o sangue escorrer-lhe da face.

“Não”, a palavra saiu com dificuldade.

“Mesmo?”, inclinou o corpo para frente, a fim de observar melhor a face morena.

“Não”, a latina conseguiu confirmar.

“Que pena!”, Quinn suspirou, “eu pensei que você confessaria…”, colocou o pires e a xícara sobre o carrinho e se ergueu.

“Confessaria? O quê?”, Santana tateava.

A loira apoiou o lado na escrivaninha e mirou a outra, ainda sentada, praticamente agarrada à cadeira.

“Que você e eu já transamos”, sorriu com descaro.

Santana sentiu o peito esvaziar.

A cara bonita e cínica de Quinn Fabray rindo após aterroriza-la com dúvidas sobre se desconfiava ou sabia sobre a tentativa de suicídio fez-lhe o sangue ferver e levantou num salto, quase aos gritos:

Te voy a matar, hija de los infiernos”.

Quinn recuou e, ainda rindo, acenou um tchauzinho com a mão e saiu.

Santana se deixou cair sobre a cadeira.

Tremia.

Os olhos umedeceram.

O medo a tomou.

Um medo de perder.

Perder o que lhe sobrou de Quinn se ela – ao saber que tentou se matar – tentasse alguma outra loucura… E, dessa vez, conseguisse ser bem-sucedida.

Isto era estar no fio da navalha?

Se era, a sensação, definitivamente, não era boa.

E a curiosidade dela sobre Rachel Berry era ainda pior!

O temor normalmente é uma indicação de que fujo de mim.”

– Hugh Prather -

CONTINUA.

Notas finais
Hasta luego! Abraço afetuoso. - Cal. *-*