Sine Cordi
41 CAPÍTULO 41 - םא
Notas iniciais
“Quando um homem não encontra a si mesmo, não encontra a nada.”
– Goethe -
Rachel fechou a porta atrás de si como se carregasse o mundo nas costas.
Encostou-se nela, retirou as sandálias de salto e se deixou escorregar devagar até sentir o chão abaixo das nádegas.
Os joelhos juntos e flexionados, quase numa pose das musas dos quadros renascentistas.
Resfolegou.
Um fugaz alívio descomprimiu-lhe um pouco o peito. A conversa com Santana lhe resultou como se tivesse acabado de sair do carro de Quinn, amassado e amarfanhado após a colisão. Estava em carne viva! As feridas eram profundas e sangravam como as chagas dos estigmatizados. Como todas as cinco!
A cabeça estava uma confusão.
O ar não era o bastante para lhe encher os pulmões e espalhá-lo até chegar ao cérebro.
Perdeu a terra sob os pés quando soube de todos os detalhes sobre o que aconteceu a Quinn.
Sentia o coração queimar de afeto por ela sempre que lhe pousava os olhos.
A fugacidade de uma decisão, de uma escolha mal pensada, o éter do prazer sentido com outro corpo que não de Quinn… Tudo lhe sangrava! Os “olhos mornos” que só Alex Bishop via…
Sobreviveria?
Conseguiria reconquistar a ex-namorada?
Seria capaz de lidar com Alex Bishop?
Alex Bishop… O nome passeou do cérebro até os lábios, de onde saiu num sussurro.
“Ela tem a Quinn… E não vai ceder…”, murmurou num pensar que beirava o desvario.
Chacoalhou a cabeça e tornou os olhos para o filho que lhe corria para um abraço contente.
Ela o tomou e o posicionou diante de si. Escrutinou a face bela do menino e várias pequenas decepções a tomaram: ele não tinha nenhum traço de Quinn Fabray.
Ele não tinha nenhum traço de Quinn Fabray porque não era filho de Quinn Fabray. Ele não tinha traço de Quinn Fabray porque ele era o fruto de sua traição.
Era o fruto da traição que quase matou a sua Quinn Fabray.
A sua Quinn Fabray que já não era mais sua.
Quinn Fabray era de Alex Bishop!
“Alex Bishop!”, suspirou e se ergueu sob o olhar do filho, de Maria e de Jesse, que corria em seu auxílio.
“Rachel! O que aconteceu?”.
“Eu devo estar horrível para causar tanta comoção”, murmurou, pensativa.
O homem a tomou num abraço onde ela apenas se deixou ficar. Não tinha forças para retribuir. Nem mesmo a uma das coisas que mais gostava nas pessoas e em Jesse: o abraço.
Abraço!
Sempre gostou de abraços.
Abraços de Quinn…
“Deus! Ela abraçava bem!”, murmurou.
Jesse a mirou com preocupação.
“Rachel?”.
Ela suspirou.
Um abraço de Quinn seria bem-vindo neste momento… Talvez ela pudesse serpentear por seu corpo como fez com…
“Oh, meu Deus! Eu preciso parar de pensar por um momento na conversa que eu tive com a Santana!”, falou em alto e bom som, aborrecida, a sair do abraço do ex-marido agora confuso.
“Rachel?!”.
Ela estancou e o olhou.
Olhou para Spencer.
Olhou para Maria.
E então sentiu.
O peso da culpa a esmagou e se deixou cair no chão num pranto de lágrimas e lamentos que alagaram o ambiente, apavorando a todos ali, inclusive ao pequeno que não tinha nenhum traço de Quinn, porque ainda que fosse apenas um bebê, ele sentiu, pela primeira vez, que sua mãe sentia alguma coisa que ele entendia como dor.
Doía quando ele ralava o joelho…
“A suspeita persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial”.
– William Shakespeare -
Um som surdo.
Uma dor lancinante.
A tonteira.
O baque no chão e dor que este trouxe espalhou-se por todo o corpo.
Ouviu vozes de homens a discutirem.
Uma era de Blaine… Sim! Mesmo aos gritos ele era afinado.
A outra?…
Conhecia a outra voz…
Oh! Sim! Era Jesse! Como pode esquecer como Jesse gritava tão bem quando estava a dizer xingamentos?
Alguma coisa estava errada…
Incorporou-se e, ainda atordoado, sentou-se e levou a mão ao supercílio.
“Sangue…”, sussurrou, apático.
Olhou para a cena.
Mesmo mais baixo, Blaine conseguia conter um Jesse que parecia muito agressivo.
Aliás, por que estava sangrando, com a cabeça a doer e a observar o marido de Rachel a debater com o seu?
“O que?…”, limpou a garganta para a voz sair mais forte, “o que aconteceu?”.
Os dois homens estancaram e o fitaram.
“Eu… Por que estão discutindo?”, estava muito confuso.
“Amor? Você está bem?”, a voz de Blaine lhe chegou carregada de preocupação, enquanto ele ainda sustentava um St. James que parecia, agora, aterrado.
“Eu… Minha cabeça dói e eu estou… Sangrando?”, realmente estava muito confuso.
“Fique onde está, St. James, ou juro que chamarei a polícia”, ameaçou Blaine, que se afastou do homem e foi socorrer o esposo.
Ajudou-o a se levantar devagar e o colocou sentado no sofá.
“Quantos dedos têm aqui?”, perguntou, com a mão direita diante dos olhos de Kurt e três dedos suspensos.
“Céus, Blaine! Eu disse que estou sangrando! Ainda sei contar…”, murmurou.
O moreno suspirou e voltou o olhar para o visitante.
“O que deu em você para entrar aqui em casa e socar o meu marido?”.
Jesse olhou do homem pálido para o outro. Respondeu, seco:
“Seu complexo de deus causou danos na minha Rachel”.
O casal franziu o cenho numa espantosa sincronia.
“'Complexo de deus’?!”, havia incredulidade em Blaine Devon Anderson.
“Rachel soube o que aconteceu com a Quinn… O acidente… A tentativa de suicídio… Tudo e mais alguma coisa que, finalmente, Santana teve os colhões para contar”, despejou sem regras.
Kurt sentiu o ar ficar preso na garganta. Um bater descompassado do músculo que morava perto da linha média da cavidade torácica refletiu uma dor desagradável. O olho atingido pelo soco – agora lembrava do punho fechado de Jesse St. James encontrando em cheio com sua tez imaculada, fez-se sentir. Precisaria de uma plástica? Ou cicatrizes eram sexys?…
Sacudiu a cabeça. Um momento! Rachel sabia que a Quinn tentou se matar?
Os olhos se arregalaram, inclusive o que acabara de ser atingido pelo soco.
“A Rachel sabe?… Como assim a ‘Rachel sabe’?”, estava incrédulo. Ou ainda atordoado pelo efeito do murro?
“Você contou? Como pode?”, tentou se levantar, mas a lesão há pouco sofrida se impôs e foi obrigado a sentar outra vez.
“Quinn e ela conversaram…”, informou.
Mais uma vez, o casal franziu o cenho em sincronia.
Jesse achou que eles conviviam há tanto tempo que se conheciam até pelo avesso.
“O quê? Conversaram?… Mas… A Quinnie não sabe que tentou se matar!”, atentou.
O cantor suspirou e caminhou para o sofá que ficava em frente ao que o casal estava.
Sentou.
“Eu acabei contando… Não foi proposital. Escorregou, saiu, escapuliu. Quando eu me dei conta, já era tarde”.
“E por que ela e a Quinn foram almoçar? Como assim?”, o homem com o olhos começando a inchar e, agora, a segurar um lenço com gelo sobre a ferida na testa, ainda pensava com o freio de mão puxado.
“Gelo? Para ferida? Tem certeza de que não é bolsa de água quente?”, o ator indagou, preocupado.
“Jesse, foco!”, pediu Kurt, “explique-me o ‘Rachel almoçou com a Quinn’. Isto ainda está enevoado para mim”.
“A Fabray a convidou para almoçar. Rachel aceitou e então… A Quinn falou do acidente. Foi um baque”, lamentou.
“E desde quando Quinn Fabray convida alguém que não seja Alex Bishop para almoçar?”, estava estupefato.
O ator suspirou e deu de ombros.
“Pergunte para ela…”.
“Jesse, ouça-me: eu não sei o que aconteceu e nem o porquê de a Santana contar toda a verdade para a Rachel, mas – por favor – tente manter a Fabray longe da Rach”, pediu.
“Acha mesmo que a Quinn é psicopata…”, concluiu, rindo da ideia.
“Funcional, mas é”, confirmou.
Jesse suspirou e jogou a cabeça para trás. Esfregou o rosto e, após, mirou o empresário.
“Ela está mal…”, disse, “desde ontem. Acho que toda a informação e toda a carga emocional que as revelações continham acabaram por derruba-la. Está com febre… O médico disse que é febre psicogênica, origem indeterminada…”, riu, “fundo emocional”, repetiu, “já ouviu coisa mais estranha e cafona ao mesmo tempo? Fundo emocional”, riu com mais vontade.
Kurt reconheceu o velho padrão: sempre que alguma coisa atingia emocionalmente o ator, ele tinha crises de risos. Como quando o homem foi atropelado na Times Square…
“Jesse, por favor, foco!”, Kurt foi imperativo e o St. James o mirou, atento, embora soltasse pequenos risos, quase como soluços longos.
“Rachel vai precisar de você! Precisa ficar equilibrado e forte!”, avisou, grave.
O ator riu solto. E lágrimas escorreram pela face dele.
“Ela está triste, culpada… Pense em todos os sentimentos negativos, dê a eles um peso cem vezes maior e tente imaginar como você se sentiria. Porque é assim que ela, minha Rachel, está! E eu não sei o que fazer”, riu outra vez, “mesmo! Eu não sei o que fazer”, confessou.
“Eu vou lhe dizer o que fazer”, Kurt decidiu, a atrair a atenção do cantor, “Eu sei que vocês dois estão baqueados com o que aconteceu! Eu, até hoje, após todos estes anos, também estou… Aprendi a conviver com isso… Então, apenas respirem fundo e sigam em frente. Não tentem se aproximar muito da Quinn. Ela pode ser cruel às vezes… Eu sinto falar isso, mas ela não é mais a mesma. Esta mulher que habita o corpo dela… Ela não é a Quinn! Peça para a Rachel não se iludir…”.
“Ela pode ter mudado, Kurt, mas – para mim – ainda é a mulher que eu ajudei a enterrar. Então eu a respeitarei tal qual ela é”, decidiu, cortante.
O contratenor suspirou.
“Eu não quero que desrespeite a Quinn! Apenas cuidem-se! Ela… Ela pode, mesmo, machucar”, repetiu.
“Por que ela machucaria a Rachel? Ela não se lembra!”.
“Porque ela machucou a mim e a Santana! E ela também não se lembrava de nós! Porque ela afastou todas as pessoas que a amavam para longe”, o tom era de dolorido desespero.
“Talvez com a Rach seja diferente…”, ponderou o cantor, “elas se amaram… A Rachel a ama! Então… Talvez ela reaja de maneira diferente com a Rach…”.
“Cristo! Você está se ouvindo, Jesse? Acorda!”, estalou os dedos, “o que aconteceu com a Quinn é permanente. E não envolve lembranças e sentimentos!”.
Ele sabia. Mas o estado em que a esposa se encontrava era tão frágil, que só queria que algum evento mágico e inexplicável acontecesse e fizesse com que tudo ficasse bem outra vez.
“Eu não sei como ela reagirá… Eu não sei como fazê-la reagir”, revelou, inseguro.
“Ela é uma mulher forte, Jesse!”, Kurt estava mais coerente agora, “saberá como seguir… Ela só tem que manter uma distância segura…”, insistiu.
O cantor não conseguiu entender a questão da “distância segura”… Por que para Kurt era tão imperativo repetir isso?
“Eu não sei qual o seu problema com a Quinn, cara”, avisou, “mas não vou me colocar entre ela e a Rachel. Eu tentarei proteger a minha Star da melhor maneira possível, porém, tentarei dar o espaço necessário para elas”.
Kurt suspirou, num lamento.
“Jesse”, o Anderson tomou a palavra, “o Kurt e eu só queremos o melhor para você e para a Rachel. Talvez… Eu sei que cometemos erros, mas foi numa vã tentativa de poupar a Rach da loucura da Quinn. Nós… Nós amamos a Rach! E só queremos que ela fique bem. Certo?”.
O cantor assentiu.
Nada mais…
“O amor é uma atividade, não um efeito passivo; é um ato de firmeza, não de fraqueza… é propriamente dar, e não receber.”
– Erich Fromm -
Quinn entrou em casa, seguida de Alex e, após esta, Holmes.
Como imaginou, o juiz Robert Walker III suspendeu os trabalhos após ter uma breve conversa com o promotor Lancaster, ela e com o Mathews. Não gostou da decisão do juiz. Como ele podia parar o julgamento justamente no momento em que a opinião pública estava ferventando contra o Street e a promotoria ganhava peso na contenda? Era um idiota! Por sorte… Não! Por pura competência, conseguiu acrescentar a entrevista como evidência no caso.
Conseguiu perceber que o advogado do Street estava estranhamente apático… Ou seria só uma impressão?
Caminhou para o quarto, despindo-se sem pudor assim que adentrou ao recinto, seguida de perto por uma Alex muito calada.
Estancou, só em lingerie, e fitou a mulher.
“Está preocupada…”, afirmou.
A jornalista pareceu sair de um transe…
“Como?”.
A advogada caminhou até ela, observando-a com cuidado. Estancou há poucos centímetros de distância.
“Está preocupada porque eu fui almoçar com Rachel Berry! Está meio ausente desde então… Não precisa se preocupar…”, reforçou.
A morena suspirou e se desviou da namorada, colocando-se distante dela. Meneou a cabeça e verbalizou:
“Eu te amo, Quinnie”, confessou sem o menor temor, “e se eu disser que não fiquei insegura porque você foi almoçar com ela, estarei a mentir. Porém, eu não posso lhe proibir”, concluiu, “não posso – embora deseje muito – amarrá-la e impedi-la que vá atrás de respostas sobre o que aconteceu com vocês e entre vocês. É seu direito… Porém, você me conhece”, olhou bem para o rosto que amava, “eu não ficarei para ver o que fará. Entendeu, Quinn?”.
A advogada caminhou até a mulher e a enlaçou num abraço de corpo inteiro. Encaixou o queixo no pescoço da jornalista e sussurrou:
“Eu não vou fazer coisa alguma, Alex… Eu só estou curiosa… Por enquanto, eu só quero você… Eu desejo você…”.
Alex a afastou e a mirou nos olhos. Sorriu com um pouco de amargura:
“'Por enquanto’… Até quando?”.
Quinn prendeu os olhos nos lábios bem desenhados da jornalista…
“Talvez… Muito?”, ergueu o olhar até encontrar os azuis da amante.
“Muito, Quinn?”, riu.
“É… Muito não dá para mensurar… Então…”, encolheu os ombros.
“Então, baby, ‘muito’ é subjetivo demais… O quanto é muito para você? Será o mesmo que para mim?”.
Quinn a estudou. Ali estava uma mulher que lhe agradava muito…
“Acho que você fala demais…”, murmurou e segurou a nuca da jornalista, puxando-a para um beijo que transbordava desejo, e do qual Alex Bishop não tinha certeza de que poderia fugir.
“Q…”, a morena tentou evitar ser empurrada para a cama, “eu tenho que voltar para a revista…”.
“Ok…”, a loira estancou por um instante, “eu não vou atrasar você”, e voltou a beijar a amante.
Alex riu.
Quinn estancou o beijo e, segurando a cabeça da amante bem perto do próprio rosto, de forma que suas respirações se mesclassem, murmurou:
“Não é para rir, Alex… Eu quero você!”.
A editora tinha os olhos a chisparem de fome. Desejava a mulher a sua frente, com todas as falhas e faltas que poderia cometer. Seria capaz de lhe relevar qualquer pecado… Só para tê-la ao pé de si.
“Eu amo você… E quero muito… Sempre quero você, Quinnie! Apenas esteja certa disso! Mesmo que eu desapareça por um tempo… Sempre voltarei, porque eu me preocupo com você, porque eu amo você… Do jeitinho que você é”, afirmou.
“Eu só quero saber…”, murmurou e voltou a beijar a jornalista.
Alex tentou manter-se firme e controlar o desejo quase insano da namorada…
“Eu sei… Por que não…”, os beijos e como Quinn a forçava em direção à cama a desequilibravam inteira, “falamos sobre isso?”.
A loira a mirou, antes de justificar com muita assertividade:
“Porque eu não quero falar agora, Alex…”, e voltou a se pegar inteira a repórter.
“Quinn, eu realmente preciso voltar para a revista… Você poderia ter um pouco de compaixão?”, questionou, sincera.
“Eu preciso de você…”, sussurrou ao pé do ouvido da morena, que sentiu o ar lhe faltar e o corpo inteiro arrepiar.
“Quinn…”.
“Agora!”, com um gesto rápido e vigoroso, atirou a jornalista que despencou de costas na cama.
A advogada montou sobre ela e, atenta, prendeu os braços da amante sobre o colchão e assaltou-lhe a boca.
Então Alex se deu conta da verdade: era presa de Quinn Fabray.
Uma presa fácil!
Ela poderia tentar se debater… Mas, onde estava a força necessária?
Ela poderia tentar gritar não… Mas, para onde escapuliu sua voz?
Ela poderia se desvencilhar… Mas, tinha alguma vontade por perto?
Ela poderia fugir de várias e várias maneiras. Porém, para cada uma, havia uma desculpa ainda maior para não fazer. Uma mulher! Quinn Fabray!
Sentiu que todos os seus pecados seriam perdoados.
“Amor
Quando duas pessoas fazem amor
Não estão apenas fazendo amor
Estão dando corda ao relógio do mundo”.
– Mário Quintana -
Os corpos nus…
Uma fina capa de suor os cobria.
As respirações entrecortadas.
Os gemidos, ora bem audíveis, ora abafados por beijos, ora apenas afogados por alguma onda de arrepio causada por línguas que se experimentavam e provavam cada centímetro de pele.
Quanto tempo poderiam suportar a excitação?
Quanto tempo até o prazer lhes tomar?
“Quinn…”, gemeu em um suspiro.
Um riso de desfaçatez, uma pergunta provocante feita pela voz rouca:
“Não consegue se segurar, Alex?”.
“Se você… Continuar a se esfregar assim…”, perdeu a voz ao sentir a maneira como a namorada lhe roçou o ventre úmido e pronto para recebê-la…
“Faça, Alex”, exigiu.
A jornalista sentiu que não duraria muito. Não com aquela Quinn que lhe era tão exigente, tão cheia de vontade, fome e sede.
“Entre em mim…”, ordenou.
Gemeu alto quando foi invadida pela advogada sem prévio aviso e, ainda um pouco surpresa, fez o mesmo com ela.
“Deus, Quinn!…”, gemeu, ao sentir o movimento pélvico vigoroso da namorada.
Não chegaria a tempo à revista…
A loira colou a boca no seu ouvido. A respiração entrecortada dela e os murmúrios de regozijo fizeram Alex resvalar num gozo que a tomou de assalto.
Um grito afogado escapuliu-lhe pela garganta.
O bastante para fazer Quinn alcançar o próprio prazer e se movimentar com mais pressão sobre a mulher, até gemer com mais força, soltando-se numa nova onda de orgasmo.
Deixou-se sobre o corpo nu de Alex, a respirar com dificuldade.
Prendeu as mãos da jornalista com força entre as suas.
“Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.”
– Clarice Lispector -
Maria se perguntou quem poderia estar a tocar a campainha aquela hora da manhã… O patrão foi para o teatro e levou o pequeno Spencer.
A patroa estava acamada, frágil.
Romero, o porteiro, não deveria avisar se alguém estranho aparecesse? Ele tinha ordens expressas…
Estancou tão logo abriu a porta e encontrou a pessoa que se virou devagar para ela.
Empalideceu.
“Jesús…”, murmurou em choque.
Os olhos verdes de Quinn Fabray a escrutinaram, enquanto um sorriso dançava-lhe pelos lábios rosas.
“Estou procurando por Rachel Berry…”, avisou.
A voz rouca era sua conhecida.
Há quanto tempo não a escutava?
Permitiu-se mira-la na face.
“Continua linda!…”, concluiu com um doce sorriso.
A advogada franziu o cenho e ficou séria por um instante. Aproximou o rosto até estancar a centímetros da mulher. Apertou os olhos verdes.
“Maria…”, murmurou.
“¡Sí!”, confirmou.
“É muito mais difícil matar um fantasma do que matar uma realidade.”
– Virginia Woolf -
CONTINUA.
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