Sine Cordi
42 CAPÍTULO 42 - םב
Notas iniciais
“O belo é o esplendor da ordem”.
– Aristóteles -
“Eu a conheço…”, Quinn estava um pouco confusa.
“Conheceu… Eu trabalho há muito tempo para a Srta. Berry!”, Maria respondeu.
A advogada se empertigou e mirou a mulher à frente com acuidade.
“Eu me lembro de você…”, disse, “mas… Não sei de onde…”, a voz morreu no final da garganta.
“Eu sei…”, a mulher mais velha cuidou de não deixar a outra embaraçada, “então, não se preocupe por não saber de onde me conhece. Eu sei que logo conseguirá recordar…”.
Quinn não tinha muita certeza.
A mulher se afastou e deu passagem para a visitante:
“Entre, por favor! Eu… Eu não sabia que viria…”.
Quinn passou por ela e estancou um pouco adiante da porta. Correu os olhos pelo amplo e iluminado salão.
“Eu não avisei…”, informou.
Maria parou após bater a porta com calma e encarou a moça loira que a fitava de maneira curiosa. Estava tão diferente de quando a viu pela última vez no hospital…
“Estou feliz por vê-la, senhorita! Muito mesmo!”.
Quinn achou aquele gesto delicado.
Sorriu.
“Obrigada”, agradeceu.
A mulher caminhou até parar ao lado da advogada.
“Sente-se! Vou avisar a Srta. Berry que está aqui… Ela não se sentiu muito bem…”.
Quinn franziu o cenho.
“Sério? Ela realmente está doente?”, a voz saiu incrédula.
“¡Sí!”, confirmou a mulher, mais incrédula ainda com a surpresa da visitante.
“Oh! Perdoe a minha insensibilidade! Quando Holmes me avisou que o espetáculo teve a reestreia atrasada porque Rachel estava adoentada, eu pensei que fosse só… Sei lá! Uma jogada de marketing para atrair mais público…”, estancou e murmurou em seguida, “isso soa tão idiota!”.
Maria sorriu e negou.
“De forma nenhuma, senhorita! Acredito que possa existir algum artista que faça isso, mas não a Srta. Berry! Ela ama o trabalho! É uma atriz disciplinada, responsável e apaixonada… Lembra?”.
Quinn não entendeu a pergunta…
“Como?”.
“Desculpe! Eu pensei que se lembrasse… Porque a senhorita era a maior fã dela…”.
A expressão na cara de Quinn mudou drasticamente de confusa para curiosa.
“Eu era?”.
“Oh, sim! Você a ajudava a decorar as falas… Eram muito unidas”, concluiu.
“Interessante…”, murmurou, “e o que mais?”.
A serviçal se sentiu meio fora de prumo…
“O que mais?”.
“Sim… O que mais eu era da Rachel, Maria? E você? Está aqui há quantos anos?”.
A mulher mais velha sorriu, um pouco desconcertada. Sabia que a moça à frente sofreu graves danos quando se acidentou, mas nunca imaginou o quão estranho seria conversar com ela. Estava tão diferente! Havia, neste momento, um quê de troça nos olhos verdes curiosos. Por quê?
“Não se lembra?”.
A advogada sorriu:
“Não é cômico? E confuso? Eu me recordo de lhe conhecer, mas não sei exatamente de onde… E não me lembro de Rachel!”.
“Talvez se lembre…”, respondeu, num tom que denotava sincera decepção, “conforme conversem… Certo?”, suspirou, antes de comunicar que veria como a patroa estava.
Mas, Quinn a interpelou:
“Não! Ela não está bem e eu fui insensível em vir sem avisar. Eu voltarei outro dia… Talvez quando ela estiver melhor”.
A mulher mais velha ficou sem ação.
“Talvez ela não se importe… A Srta. Berry é uma pessoa muito doce”, atalhou.
Quinn meneou a cabeça e depois a moveu em negativa.
“Não”, foi direta, “eu voltarei num dia melhor”.
Sem muito o que contestar diante da assertividade da advogada e por saber da fragilidade da patroa, Maria concordou e se colocou a encaminhá-la até a porta.
Um sussurro surpreso…
“Quinn?!”.
Maria e a advogada se voltaram para a dona da voz.
Rachel Berry, pálida, vestida num confortável pijama curto colado ao corpo, pés no chão, os cabelos um tanto revoltos, os olhos surpresos, estancou diante da empregada e da inesperada e impensada visita.
Maria sorriu ao ver a patroa.
Quinn inclinou um pouco a cabeça para ter uma visão mais aprimorada de Rachel Berry.
Correu os olhos de cima abaixo pela mulher, com muito cuidado, a fim de não perder nenhum detalhe.
Fez o caminho contrário e revisou o que já havia visto a fim de se certificar de que não deixou pormenor de fora…
“Uau…”, murmurou.
“Quinn?…”.
“Señorita!…”, Maria lhe deu uma discreta cotovelada.
A loira olhou para a mulher ao lado com desagrado e, após, volveu os olhos para a cantora.
“Você está muito bem!”, exclamou e caminhou em direção à pequena diva, “embora um pouco descorada”, sorriu e a segurou pelos ombros, puxando-a para dois pequenos e inesperados beijos nas faces.
Rachel sentiu-se uma boneca de pano nas mãos da visita.
“Você já foi mais discreta”, comentou a morena, em meio tom, sem conseguir encarar a loira que a escrutinara há pouco.
“Como?”, Quinn não entendeu.
Rachel, dessa vez, encarou os olhos verdes:
“Você nunca me olhava dessa maneira na frente de outras pessoas… Não com tanto descaro”.
Então a advogada se deu conta…
“Ah… Desculpe… Eu só fiquei curiosa…”.
“Curiosa?!”, a cantora também.
“É… Tem belas pernas, Rachel. E bem alongadas… E não é alta… Isso não lhe parece curioso?”.
A palidez da Berry deu lugar a um rosa quase vermelho nas faces.
“Quinn!”.
A advogada suspirou.
“Desculpa! Eu não estou muito vigilante… As coisas, às vezes, saem da minha boca sem muito… Cuidado”, justificou.
“Ok…”, a cantora assentiu, confusa, “acho melhor eu… Me cobrir um pouco”.
“Eu concordo!”, exclamou a loira.
Rachel riu e pediu licença, retirando-se para o quarto.
Maria também se recompôs de Quinn e a convidou a sentar.
A advogada concordou e se colocou num dos sofás.
“Deseja beber alguma coisa? Água, chá, suco…”.
“Água… Por favor”, pediu.
A mulher mais velha pediu licença e caminhou em direção à copa da grande cobertura de Rachel Berry.
Quinn correu os olhos pelo ambiente… Franziu a testa…
“Eu deveria me lembrar deste lugar?”.
Rachel retornou pouco depois, coberta por um felpudo roupão.
Sentou ao lado de Quinn, que já tinha o copo com água entre as mãos, e se miraram.
“Você veio me ver…”, murmurou.
A loira bebeu um gole de água e a fitou. Ergueu a sobrancelha direita e assentiu:
“É… Parece que sim”.
“Eu adoro quando faz isso…”, sussurrou, a olhar acima dos olhos verdes.
“Isso o quê?”, indagou, dessa vez a erguer as duas e, em seguida, apenas a direita se manteve no alto.
“Erguer a sobrancelha quando fala algo óbvio… Ou quando está zangada, desconfiada ou só quando realmente quer meter medo em alguém”, sorriu, calma.
Quinn suspirou e relaxou, encostando-se no confortável sofá.
“Você me deixa à vontade…”, comentou.
Rachel franziu o cenho…
“Como?”.
Quinn a fitou:
“Não sei…”, respondeu, voltando a olhar para frente. “Eu só… Eu não sei como explicar… Não sou muito sociável, na verdade. Mas você… Você me deixa à vontade”.
Rachel sorriu e desejou ter coragem de tocar o braço da mulher tão próxima e, parecia-lhe, tão distante…
“Eu fico feliz por isso, Quinn”, respondeu, delicada.
“Então?”, indagou, endireitando a postura antes relaxada, “onde estão seu filho e o seu marido?”.
O coração da cantora se apertou. Sentiu como se recebesse um balde de água fria.
“Spencer foi para a escolinha, com Jesse, meu ex-marido”, reforçou a palavra, “que foi para um dos ensaios finais do musical no qual participará”.
A advogada assentiu.
“O que aconteceu com você?”, perguntou, a reparar na frágil figura da cantora.
Rachel sorriu sem jeito. O que diria para Quinn? Que estava com febre porque não conseguia lidar com o peso de perdê-la? Que se sentia muito mal por ser a causa de, nesse momento, conversarem como se nunca o tivessem feito antes?
“E a Alex?…”, perguntou com ponderação, a fim de desviar o foco da advogada.
“Está bem”.
Miraram-se.
“E então?”, a loira estava atenta, “o que você tem?”.
“Ela sabe que você está aqui?”, a atriz insistiu.
Quinn franziu o cenho e correu os olhos para um espaço vazio, pensativa. Uma estranha ideia lhe rondou a cabeça. Piscou algumas vezes.
“Quinn?”, a anfitriã a chamou.
Ela meneou a cabeça e, por fim, falou, surpresa:
“Isso é estranho! Você acha que eu estou aqui para…”, olhou para a cantora, com certo horror, “seduzi-la? Deus! Não! A Alex sabe que eu estou aqui… Que tipo de pessoa pensa que eu sou?”.
A cantora foi pega de surpresa.
A conclusão de Quinn a vestiu de vergonha.
Apenas porque queria, muito, que esta fosse a verdade.
“Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.”
– William Shakespeare in Hamlet–
“Quinn, não!”, falou mais alto do que desejava, “eu só fiquei preocupada porque eu sei que ela ama você e que… Eu só não quero causar um mal-estar entre vocês! É só isso!”, confessou, nervosa, a voz já branda.
A advogada a olhou com mais calma.
Rachel tinha a cabeça baixa.
Aproximou-se dela e murmurou:
“Está tudo bem… Eu reagi com um pouco de exagero”.
“Não”, ergueu a cabeça sem, no entanto, mira-la, “eu sou a ‘Drama Queen’, lembra-se?”.
A advogada negou com um balançar de cabeça e observou:
“Vai receber muitos nãos se a cada final de pergunta colocar o verbo lembrar”.
“Oh, perdão!”, pediu e não conseguiu conter uma pequena risada.
“O que é engraçado?”.
“Você…”, sussurrou, os olhos cálidos.
“Eu?…”, dessa vez a advogada foi a que riu, “eu já fui chamada de muitas coisas… Menos de engraçada. Não com essa… Pureza?”, franziu o cenho, confusa quanto ao uso da palavra.
Rachel esticou um braço até ela e lhe acarinhou a mão com a sua. Logo, retirou-a.
“Você é gentil, Quinn Fabray”, concluiu.
A ex-fotógrafa meneou a cabeça, bebeu mais um gole de água e falou:
“Só a Alex me acha gentil, Rachel! E ela me…”, franziu o cenho e olhou para a judia, “ama…”.
A cantora ficou embaraçada.
Quinn não perdeu um só movimento do desconforto da cantora.
“Você me ama, Rachel?”, perguntou, sem rodeios.
“Deus, Quinn! Quando a Santana me falou que você não possuía muito filtro eu achei que ela estava exagerando…”, soltou, assustada com a sinceridade crua da ex-namorada.
A loira ficou um pouco calada. Não porque quisesse. Mas porque achou que a mulher sentada ao seu lado precisava de tempo para colocar as ideias em ordem.
“Talvez…”, sussurrou.
A advogada ficou cismada…
“Por que acha isso?”.
Rachel suspirou. Não se sentia preparada para esta conversa…
“Quinn, eu… Eu não estou muito bem e…”.
“Eu posso ver”, cortou, “está pálida… O que você tem? Algum vírus? Influenza? Seu nariz e seus olhos estão vermelhos e você parece um pouco febril”, observou.
“É…”, concordou.
“Mas sua voz está boa…”, notou.
“Eu ficarei bem…”, cuidou de atestar.
Quinn riu. Uma gargalhada solta. Olhou para a cantora e admitiu:
“Eu sei que está assim por causa da conversa que teve com a Santana… Eu sei que ela lhe fez inúmeras recomendações sobre mim”.
Rachel, dessa vez, fitou-a.
“Eu devo ouvi-la?”, indagou.
A advogada riu outra vez. A risada delicada destoava da figura quase fria.
“Você está perguntando para a ‘vilã’ da história, para a ‘mulher sem coração’, para a ‘senhora das Trevas’ se deve ouvir Santana?”.
“Estou!”, confirmou.
Quinn meneou a cabeça.
“Rachel, você não tem nenhuma noção do perigo?”.
A cantora sorriu e murmurou:
“Você é boba, Quinn”.
“Não…”, suspirou, “não me leve a mal, Rachel, mas a Santana e o Kurt têm um olhar peculiar sobre mim…”, comentou.
A judia sentiu o estômago enjoar. Aquilo lhe pareceu tão cruel!… A maneira como Santana e Kurt se comportavam com ela!
“Quinn, eles apenas…”.
“Eles acham que eu sou o demônio que tomou o corpo da amiga deles…”, riu, “não sei como não enviaram, ainda, carta ao Vaticano pedindo um exorcismo”, riu da própria piada.
Porém, Rachel não achou graça.
“Eu não compartilho a visão e o pensamento deles sobre você”, avisou.
Quinn a mirou e a estudou. Então murmurou:
“Talvez devesse, Rachel. Eu não sou, de verdade, uma pessoa que se possa chamar de boa”.
A judia suspirou e esfregou a fronte. Quinn a estava entristecendo…
“Não, Quinn! Eu não sei se posso concordar com você! Por que Alex Bishop, que é uma mulher linda, inteligente e apaixonada estaria ao seu lado se não houvesse alguma coisa boa em você?”.
A advogada encolheu os ombros.
“Por que não deixa que eu julgue se você é ou não letal para mim?”, questionou.
Quinn pensou um pouco.
Assentiu.
Rachel respirou com um pouco de alívio.
Mas, só um pouco…
“O que foi feito amigo
De tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida
O que foi feito do amor (...)”
– Milton Nascimento em O Que Foi Feito de Vera–
“Como chegou até aqui?”, Rachel perguntou, curiosa.
“Holmes me trouxe…”, retorquiu.
Rachel riu.
“Quinn!”, fingiu zangar. “Como se lembrou de onde eu morava?”.
A ex cheerleader sorriu e respondeu:
“Na verdade, eu consegui o seu endereço através de um contato… O porteiro me olhou como se tivesse visto um fantasma e me deixou subir…”, analisou, “você deveria tomar algumas medidas de segurança! E se eu fosse uma perseguidora?”.
“O prédio é seguro… Romero, o porteiro, conhece você… Assim como a Maria”, respondeu com tranquilidade e carinho.
A advogada assentiu. E questionou:
“Há quanto tempo mora aqui?”.
Rachel fechou os olhos e fez cara de quem estava pensando muito.
Quinn gargalhou.
“Faz tanto tempo assim?”.
A judia assentiu.
“Nós íamos mudar daqui… Eu e você… Na verdade, morávamos em locais separados. Eu aqui e você bem perto, no Upper West Side… Você encontrou uma cobertura para nós duas lá e íamos comprar para morarmos juntas… Mas eu… Eu…”.
“Ainda moro lá…”, cortou e, diante do olhar confuso da atriz, explicou, “em Upper West Side! Eu ainda moro lá… Não no mesmo endereço… Eu sei disso. Eu, quando terminei Direito e me estabilizei, comprei um outro lugar…”.
“Estabilizou? E o seu dinheiro? Você ganhou muito com suas fotografias…”, observou.
“Oh, sim! Não estou falando dessa estabilidade. Estou falando da saúde do corpo e da mente… No início, Judy ficou comigo… Foi um inferno!”, suspirou, “mas, quando eu realmente fiquei bem, pedi minha carta de alforria…”, meditou um pouco, “eu precisei levar o Holmes comigo, que era um grande X-9 do Russel. Mas, com o tempo, ele percebeu que eu conseguia me cuidar, passou a me respeitar e hoje, acho, somos amigos. Ele sabe tudo de mim…”.
A judia estranhou…
“Tudo?”.
Quinn assentiu.
“Tudo”.
“E a Alex? Eu pensei que ela cuidasse de você”, confessou.
A loira sorriu.
“Também cuida… Mas, a Alex sabe como eu sou… Ela me conhece bem… Então, eu tenho bastante espaço e tempo para mim. Ela não é uma namorada que fica o tempo todo ao redor. Ela tem vida própria! E isso é bom, porque eu não… Nós não cansamos uma da outra”, explicou.
A cantora assentiu, embora não compreendesse muito.
“Você praticamente morava aqui”, lembrou.
Quinn se espantou:
“Direto?”.
Rachel achou engraçada a reação da ex-namorada.
“Sim… Direto!”.
“Uau!”, soltou, a parecer surpresa.
“Por que acha estranho?”, indagou, achando muito divertido o comportamento da advogada.
“Eu não sei… Apesar do Holmes, eu sou mais solitária. E eu gosto… Não consigo me imaginar a dividir a vida com alguém… Quer dizer, eu nunca pensei nisso”, murmurou.
A cantora negou e acrescentou:
“Você pensou, sim, em dividir a vida com alguém…”.
Quinn a mirou.
Sorriu sem graça e sussurrou:
“Em outra vida”.
Rachel lamentou em silêncio. Talvez falar do passado, principalmente de um em que a mulher que estava ao seu lado agora, não se recordava, não lhe pareceu mais uma ideia boa.
“Quando o julgamento recomeçará?”.
“Em dois dias…”.
“Eu pensei que o Sr. Street fosse querer um acordo…”, comentou.
A ex cheerleader apenas a mirou.
“Não… Ainda é cedo”, explicou depois.
“Eu sei, mas é que ele fez umas coisas e… Ele xingou você e ameaçou, Quinn! Isso é grave”.
“Ele só perde a paciência com muita facilidade”, comentou.
“Como consegue ficar tão calma? Eu consigo perceber a tensão no advogado de defesa e até no promotor, que quase não se manifesta. Mas você… Você não aparenta medo, insegurança ou qualquer tipo de temor”.
A advogada questionou de volta:
“Santana não lhe disse? Eu pensei que estava informada sobre mim…”.
Rachel pensou que a mulher a sua frente era uma versão muito mais light da que a latina descreveu.
“Acho que, pessoalmente, você é mais amena…”, murmurou.
Quinn riu.
“Amena? Rachel, você é muito interessante”, observou-a, “mas eu não sou amena… Não esta Quinn Fabray”, avisou.
“Não sei…”, a judia observou-a, “você, até agora, foi sincera e aberta comigo… Acho que isso conta positivamente”.
A ex cheerleader a mirou e bebeu o restante da água.
“O que aconteceu? O que a Sant lhe disse que a adoeceu?”.
A indagação pegou a atriz de surpresa. E, incrível, ela descorou um pouco mais.
“Só o que lhe aconteceu enquanto eu estive fora da sua vida…”, murmurou.
“E o que foi tão grave que a deixou assim? Você parece…”, colou a palma da mão direita na testa da cantora, “febril…”, concluiu com muita certeza.
A cantora se sentiu abalar pelo inesperado toque da ex-namorada, que escorregou-lhe a mão da testa pela face e estacionou no pescoço…
“Bem quente…”, murmurou, quase como se analisasse a situação.
“Eu… Estou bem”, mentiu, sem saber o que fazer. Há muito não sentia o toque de Quinn e, ainda que este fosse desprovido de qualquer malícia, deixou-a um pouco mais febril do que deveria.
Os olhos verdes penetraram os olhos chocolate.
Rachel se viu prisioneira.
Quinn suspirou e retirou a mão.
“Dizem que você é boa atriz… Não sei”, inclinou um pouco a cabeça, sem – no entanto – desviar a mirada, “porque você mente muito mal”.
As palavras da loira chocaram a judia.
“O quê?”.
“Diga-me, Rachel: por que tanta culpa?”.
A voz afinada de Rachel Barbra Berry sumiu em algum ponto da laringe, bem antes de chegar à boca.
“A principal e a mais grave punição para quem cometeu uma culpa está em sentir-se culpado.”
– Sêneca -
CONTINUA.
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