Sine Cordi

40 CAPÍTULO 40 - ם


Notas iniciais
Segura, peão!

A vida é cheia de surpresas, mas nunca quando você precisa de uma.”

– Bill Watterson -

Rachel sentiu o ar lhe escapar, junto com a cor. A última pessoa que esperava encontrar, no momento, era Alex Bishop. Mas, quais eram as reais chances de não tê-la ao redor de Quinn no julgamento? Cinquenta por cento? Talvez, se levasse em consideração que este era o segundo dia do trabalho. Metade de dois…

Foi educada:

“Olá, Srta. Bishop”.

“Alex…”, corrigiu a jornalista, “gosto quando me chamam pelo meu nome”, explicou-se.

Os olhos de Quinn Fabray passearam da amante para a Berry. Haveria algum tipo de confusão ali?

“Não aceitou o meu convite para uma entrevista na Models… Senti-me tão desprezada”, sorriu a mulher de olhos azuis.

Rachel se sentiu mais embaraçada. Lembrou que sua nova assistente, Kitty, confirmara sua participação na publicação, porém a atriz cuidou de fazê-la voltar atrás. Não sabia as intenções da namorada de Quinn e queria, ainda, preparar-se para – quem poderia saber – um provável enfrentamento.

“Perdoe-me, mas o momento não é o mais propício…”, justificou.

A editora assentiu e escorregou os olhos para o pai da namorada. Cumprimentou:

“Sogrinho…”.

Quinn olhou para o homem que, com suas sementinhas, encheu o ventre da mulher que lhe deu a luz e deu uma deliciosa gargalhada quando ele fez uma cara de desagrado e se escusou, a deixa-las.

“Bishop…”, Santana caminhou até a mulher, com quem trocou amigáveis beijinhos nas faces, “eu só a vejo nos julgamentos. Quando terei o prazer de uma boa conversa”, questionou.

Quinn segurou a mão da jornalista na sua e, a mirar o perfil da latina, avisou:

“Quando você puder me suportar”.

Sant elevou os olhos ao céu e suspirou. Virou para mirar a loira.

“Oh! Ela vai me responder de maneira mal educada…”, brincou a Fabray.

“Era tudo o que você queria”, respondeu e se afastou, colocando-se perto de Rachel, que sentiu o peito apertar ao perceber a mão da ex-namorada a segurar com possessividade a da jornalista. E quase caiu para trás quando escutou:

“Eu e Rachel almoçamos juntas ontem”.

Era Quinn a informar a namorada? Sim! Era.

Viu como os olhos azuis cambiaram de descontraídos para preocupados.

“O quê?”.

“Eu convidei a Rachel para almoçar ontem… A fim de nos conhecermos melhor”, informou como se nada.

Houve uma curiosa troca de olhares desencontrados que partiam da cantora e da jornalista e aconteceu mais ou menos assim: quando Rachel mirou a ex-namorada com espanto, recebeu o olhar avaliativo da jornalista. Quando esta levou a mirada até a face descontraída e tranquila da namorada, recebeu um olhar temeroso da cantora.

Quinn apenas olhava de uma para a outra.

Santana pensou que a falta de noção de Quinn era uma dicotomia engraçada, se levasse em consideração a maneira como ela deixou o Street, há bem pouco, em estado de insanidade quase grave. Então, embora ainda tentasse ir contra, uma ideia lhe passeou pela cabeça: até onde iria a ramificação de Quinn neste instante?

“Almoçaram juntas?…”, repetiu a jornalista num resfolegar.

“Conversamos sobre isso, lembra?”,

A jornalista filmou a namorada. Sim. Lembrava. Mas, também lembrou que ficou um pouco preocupada ao se dar conta de que despertou a curiosidade da advogada. Indagou, tentando estudar o que a expressão na cara bonita de Quinn lhe mostraria:

“E foi bom? Vocês conseguiram encontrar um meio termo?”.

“Oh, não!”, exclamou, “a Rachel não se sentiu muito bem quando ficou a par de que eu me acidentei”.

A cantora sentiu o maxilar da jornalista tensionar. E soube de imediato que ela sabia o que aconteceu com a namorada e que, provavelmente, deveria julgá-la como a maioria: uma mulher voluptuosa que não merecia o mínimo de atenção da advogada loira.

“Eu lamento…”, murmurou civilizada.

Quinn riu. Sabia que a amante não lamentava.

“Trocamos telefone”, avisou também.

Santana pensou no que mais seria possível sair dos lábios da ex cheerleader. Quinn, às vezes, exacerbava na sinceridade…

“Trocaram algo mais?”, Alex desejou que as “trocas” acabassem por ali…

“Não… Tempo escasso”, justificou a Fabray.

“Eu devo me preocupar?”, a morena de olhos azuis foi direta e sem rodeios ao indagar.

Rachel cuspiu, às pressas:

“Não! Só almoçamos e… E a Quinn foi gentil. Ela se preocupou comigo quando não me senti bem”.

Alex a mirou e sorriu com troça:

“Quinn se preocupou com você!? Isso é muito…”, tornou os olhos para a namorada, “novo!”.

A loira sorriu.

Alex pediu licença e levou a namorada para um ponto mais afastado e a fez mira-la com delicadeza.

“Está tudo bem?”, perguntou.

“Está…”, murmurou a advogada.

“Esqueceu de me contar que almoçou com ela…”.

“Nós não almoçamos. Esta foi a intenção. Mas o resultado foi caótico!”.

“Caótico?”, havia surpresa na voz e no olhar azul.

Quinn suspirou.

“Rachel passou mal… Ela não foi informada, como os demais, que eu me acidentei. Foi um choque, imagino”.

Alex assentiu cuidadosamente.

“E?”.

“E? E nada! Não…”, consertou, “eu acho que houve algo mais entre mim e Rachel… Para ser sincera, eu tenho quase certeza. Acho que ela começou a namorar o marido quando ainda estávamos juntas”, concluiu.

Alex Bishop sentiu o coração ratear dentro do peito. Quinn tinha quase certeza… Puxou-a para um abraço doce.

A advogada, pega desprevenida, questionou:

“O que foi”.

“Nada, baby! Eu só amo você… E quero que fique bem”, confessou sincera.

Quinn sorriu, se afastou um pouco e a mirou.

“Algo errado?”, quis saber.

“Não… Talvez uma insegurança. Coisa pouca”, avaliou.

O sorriso da loira se alargou ainda mais e foi ela, dessa vez, a abraçar a outra mulher. E sentiu os braços dela lhe rodearem a cintura com delicadeza.

“Você é tola, Alexandra Bishop”, sussurrou.

“Talvez…”, concordou.

Não procures esconder nada; o tempo vê, escuta e revela tudo.”

– Sófocles -

Rachel sentiu o peito apertar ao se dar conta de que, de verdade, Quinn tinha mais intimidade com Alex Bishop do que, no fundo, quis acreditar. Vê-las juntas, ainda que muito discretas, a conversarem sobre o que deveria ter sido um almoço se não tivesse passado mal e desandado todo o encontro, trouxe-lhe um severo choque de realidade.

Ali estavam! As personagens do que teria sido um grande amor, separadas pelo tempo e pelo esquecimento de uma das partes. A reconstrução de suas vidas em pontos distintos e distantes, com as pessoas que nunca imaginaram que, um dia, passariam por suas vidas: Jesse e Alex.

Cogitou que toda a decepção que causou um dia lhe chegaria como algum tipo de castigo vestido de um sentimento negativo. Não errou. Ali estava ele, o ciúme. E, pior que sentir ciúme, era o fato de senti-lo por alguém que era parte de seu passado, mas ignorava que ela também foi parte do seu. Era o que acontecia. Quinn não fazia ideia do quanto se amaram, do quanto foram, em algum momento, tão ou mais cúmplices do que a loira e a jornalista o eram agora.

Invejou.

Invejou vergonhosamente Alex Bishop por ser ela a ter a atenção verdadeira da mulher que deveria ter sido sua esposa, a mulher com quem teria Spencer. A pessoa com quem dividiria suas realizações, pois os sonhos ainda teve o tempo de dividir. E aquela vontade de se autoflagelar apareceu, devagar e constante. Odiou a própria ignomínia. Odiou a própria falta de caráter; falta de respeito com a relação que construiu com a loira…

“Rach…”.

Ouviu a voz de Santana ao longe.

“Berry!”.

Dessa voz o chamado foi mais firme e se forçou a desviar a mirada fixa e inquisitiva que mantinha sobre a ex-namorada e a jornalista.

“Por que não almoçamos? Talvez eu possa lhe falar sobre a Quinn… Talvez você possa me entender…”, propôs, sabendo que a cantora estava a se sentir fora de lugar diante da interação calma e – incrível – equilibrada de Quinn e Alex. Não que Santana considerasse a jornalista desequilibrada. Ao contrário! Pensava que ela era a pessoa que conseguia, de uma maneira que não entendia, levar um pouco de tranquilidade à intranquila Quinn Fabray.

“Eu…”, Rachel começou a murmurar, ainda sem saber bem como sua cabeça e todo o seu sistema entraram em pane. Ela “bugou”.

“Ficar aqui a olhar para elas não vai lhe trazer benefício. Almoce comigo e, creia-me, conhecendo aquela loira, ela entrará em contato para que possam almoçar sem que você vomite o restaurante todo”.

Os lábios da judia se separaram num “o”.

“Eu não vomitei o restaurante todo”, cuidou de esclarecer.

A latina gargalhou e, lançando um discreto olhar – que foi refletido por Alex – levou a cantora consigo para longe da loira.

O mestre disse: pode-se induzir o povo a seguir uma causa, mas não a compreendê-la.”

– Confúcio -

Santana levou a cantora, muito quieta após presenciar a interação entre a ex-namorada e a jornalista, para um agradável restaurante que ficava perto do fórum e era frequentado por advogados, promotores e funcionários do judiciário que, por acaso, prestavam serviço no prédio da justiça.

Conseguiram uma mesa afastada e sentaram uma de frente para a outra.

A advogada morena mirava a cantora com atenção enquanto uma moça em uniforme de camisa branca com gravata borboleta preta e calças da cor do adorno, aproximou-se com o menu na mão e uma comanda.

“Desejam pedir agora?”, foi educada.

“Rachel?”, a latina chamou a outra.

A judia prendeu os olhos escuros nos da latina e concluiu:

“Acho que preciso de álcool…”.

Santana deu um sorriso compreensivo e pediu duas taças de vinho tinto.

A empregada do restaurante foi agradável e se retirou para buscar os pedidos.

“Você está bem?…”.

Talvez aquela não fosse a pergunta mais inteligente que saiu da boca de Sant, porém, no presente, era o que – talvez – a atriz precisasse escutar para se colocar.

“De verdade?”, a voz saiu num pálido sussurro, “pior do que imaginava e melhor do que achei possível! Eu sabia que elas estavam juntas, que a Quinn refez a vida dela…”.

“Como você refez a sua”, exortou a advogada.

Rachel assentiu…

“Sim… Como eu refiz a minha. De forma errada, mas refiz… E não era para eu ter refeito… Eu simplesmente atirei a minha felicidade pela janela e nem me dei conta na hora. E, quando acordei, Sant… Quando eu realmente acordei para a realidade tudo já estava confuso demais e eu não consegui me soltar do emaranhado que tornei a minha vida. E eu a perdi. De início, pensei que eu teria em Alex uma adversária comum, alguém com quem a Quinn teria um envolvimento qualquer coisa, mas ao vê-las há pouco… A Quinn tão aberta sobre termos almoçado ontem, sobre termos trocado telefones… Eu me senti suja! Como se eu estivesse a tramar a instabilidade entre elas!”, confessou.

A morena mais alta desviou os olhos e suspirou. A intenção, ao levar a atriz do tribunal, era justamente afastá-la de Quinn e Alex; tentar poupá-la da maneira como a fria loira poderia ser atenta às necessidades da jornalista.

A moça que as atendia chegou com as taças com o líquido rubro e as mulheres agradeceram a tomarem, de imediato, um gole robusto.

“Vai me contar?…”, Rachel indagou, desgostosa.

Outro suspiro de Santana.

Apenas a fala dos demais presentes no restaurante era ouvida, ainda que não compreendida pela mistura de vozes e assuntos vários.

“Sant?…”.

“Perguntou se eu a odiava…”, a advogada começou, “e eu silenciei. E você lamentou. Uma pequena queixa triste, eu notei”.

Rachel se absteve de palavras.

A latina continuou. Talvez fosse o seu momento…

“Eu nunca consegui aceitar esta Quinn. Nem eu e nem o Kurt”, comungou.

Uma ruga leve surgiu entre as sobrancelhas bem feitas da cantora.

“Eu só quis, durante o tempo em que ela esteve entre o morrer e o não morrer, que acordasse e sofresse de dor de cotovelo como qualquer pessoa que leva um chute na bunda, um belo par de chifres…”.

A judia abaixou os olhos e apertou os lábios.

Uma descoberta para Rachel Berry: ela nunca pensou que palavras, simples palavras, que nomeavam o que – de verdade – fez a Quinn pudessem afetá-la tanto.

Santana riu com desgosto.

“Mas, Quinn nunca foi uma pessoa realmente humilde. Ela sempre foi a grande estrela! A malvada mor do McKinley. A capitã brilhante e menina dos olhos de Sue Sylvester. A garota que foi mãe aos dezesseis. Ela foi a que mais caiu e conseguiu se erguer. Como eu pude querer que ela simplesmente acordasse de um acidente e fosse apenas alguém como eu ou você? Eu me iludi! Eu quis tanto que ela acordasse e, depois de uma longa fossa e muitas lágrimas, ela se desse conta de que, na verdade, você não a amou como ela queria e lhe amava…”.

“Santana, eu…”.

“Por favor, Berry! Não se aborreça comigo! Eu só preciso… Talvez eu realmente necessite me desafogar um pouco”, pediu.

A cantora assentiu.

Sant bebeu mais um gole generoso do vinho e descansou a taça sobre a mesa, a observar o formato da mesma, distraída.

“Aqueles foram dias difíceis. E quando, finalmente, ela acordou mesmo, estava tão atordoada e tão longe da Quinn Fabray que eu ou você conhecemos que eu sofri um baque tão forte que senti que o meu cérebro parou de funcionar. Ela precisou reaprender coisas básicas, mas a falta de recordação da parte dela foi o que mais me feriu. Eu fiquei ao lado dela todo o tempo! E, talvez por isso, eu tenha ficado tão intoxicada de quem ela se tornou. De início, era como uma garotinha de seis anos de idade. Confusa, atrapalhada, malcriada… Tudo o que poderia ser e mais alguma coisa! Ela conseguia ser doce por um momento, deliciosamente confusa em outro e horrorosamente aborrecida logo depois. As mudanças de humor dela foram algo que eu e nem Russel, ou Kurt, conseguimos suportar. A Dra. Parker conversou com todos nós…”, ponderou, “explicou o que aconteceu com a Q, como seria dali por diante. Mas eu estava tão puta com ela que nada do que a médica dissesse me tiraria daquele estado. E isto ficou patente nos embates que eu e a Quinnie tivemos! Eu, vez ou outra, sentia que esmurrava ponta de faca. Imagine-se a discutir com uma garotinha de seis anos de idade, habitando o corpo de sua melhor amiga, sem freios e papas na língua. Beirava o ridículo!”, riu para si mesma, “então quando, finalmente, ela saiu do hospital, eu pensei que haveria uma chance de tê-la de volta se eu a levasse a locais que ela conheceu… Besteira! Ela tinha uma vaga lembrança do McKinley… Acredita que ela lembrou do treinador Tanaka e não lembrou de mim?”.

Rachel não conseguiu segurar o riso diante do tom incrédulo da latina.

“Ela não perdeu a memória de todo. Mas eu não estava nas lembranças que ficaram! Kurt, Britt, você, Noah, Russel, Judy… Fomos varridos da memória dela! Eu me senti tão…”, respirou fundo em busca de um inalcançável alívio momentâneo, “descartável! Eu senti como se todo o tempo e sentimento que dediquei a ela – mesmo sem esperar coisa alguma em troca – não valeram de nada! Eu simplesmente não existia mais, embora estivesse de frente para ela, sob aqueles olhos ora verdes, ora dourados… E sempre vazios! Quinn me machucou, fez-me sangrar sem, em nenhum momento, colocar um dedo sobre mim! Esta é a grande piada de nossas vidas. Já nos engalfinhamos nos corredores do McKinley por ela recuperar o posto de capitã que eu mal havia conquistado, discutimos por qualquer coisa e, nunca, ela me atingiu tanto”.

Rachel tinha os olhos e os ouvidos atentos na morena a frente.

“O curioso foi como as relações começaram a se estabelecer ao redor dela. E eu não sei se isso foi bom ou ruim… Quando Kurt retornou da Europa pela segunda vez e ela já estava acordada e em reabilitação, ele foi até o hospital vê-la. Quando a mirou ele…”, a advogada estancou e fincou o olhar que parecia preso em algum tempo distante no de Rachel, “ele conseguiu empalidecer! Pense em alguém tão branquinho como Kurt empalidecendo. Ele olhou para ela e estancou. Piscou algumas vezes, visivelmente chocado, ergueu a mão direita e a levou até os cabelos e depois de um suspiro, falou: ‘sabe, eu acho que vou ali e já volto’. Ele não voltou… Kurt não conseguiu. Não nos primeiros meses. E, assim como eu, ele não aceitou o que a Quinn fez. Só que, diferente de mim, ele deixou que ela o afastasse. Ele se permitiu afastar. Eu ainda tive os meus embates insanos com ela, antes de me distanciar”, respirou.

Rachel era só ouvidos. Palavra nenhuma.

“Com a Britt foi diferente”, a ex cheerio bebeu um pequeno gole do vinho, “com todas as sequelas que ficaram e transmutaram – e creia que uso o verbo certo – a Quinnie, a Brittany foi a única pessoa que teve um olhar mais leve sobre ela. Foi a pessoa que não fugiu quando ela teve suas crises de raiva. A minha Britt, se a Quinn atirava a colher ou o lápis longe por estar frustrada em não conseguir segurá-los e usá-los, ela, calmamente, recolhia e se sentava ao lado de uma mulher que chorava feito uma criança e, com cuidado, tomava-lhe da mão e a auxiliava. Ela abraçava Quinn quando ninguém mais conseguia, à exceção de Judy. E, até hoje, acho que, com toda a frialdade que faz parte desta Quinn, a única pessoa que ela tem um pouquinho de consideração, ou seja lá o nome que tenha este inexplicável sentimento, é pela Brittany”.

Rachel tentava entender e concatenar as ideias com as imagens que se desenhavam diante de si, a causa das palavras da advogada latina. Engoliu em seco mais de uma vez…

“O Noah… Ele é tão especial de um jeito que eu nunca imaginei, de verdade. Ele foi o único que, embora Quinn se apresentasse tão distinta da pessoa que conheceu, continuou a vê-la da maneira sempre especial que fez no passado. Era tão estranho… Ainda é! Ele sabe que a Quinn Fabray pós-trauma é o oposto da mulher com quem teve uma filha, porém ele a trata como se ainda fosse a mesma! Ele, ou porque não quer ou porque ainda a ama tanto, a vê tão idealizada quanto antes! Sabe a mulher fria que se tornou, porém… Ele ainda a olha com aquele jeito de ‘eu sempre vou te amar, de qualquer jeito ou maneira’. É um casca grossa romântico! Um bronco com a sensibilidade mais aflorada que a do 'porcelana'”, riu com desgosto.

“Quinn sabe da Beth?”, Rachel saiu do transe.

Santana bebeu outro gole do vinho, imitada pela cantora.

“Sabe… E, Dios!… No início, ela perturbou porque não entendia como poderia ter uma filha. E perguntava, muito irritada: ‘como posso ser mãe se nem me lembro? Eu deveria me lembrar’. E deu um trabalho enorme demovê-la da ideia de ter a filha com ela. Se deixássemos, ela perseguiria Shelby. Por sorte, Hiram…”.

Os olhos da atriz se arregalaram ainda mais…

“Meu pai?”, a voz saiu desafinada e quase gritada tamanho o espanto.

Santana assentiu.

“Sim. O seu pai! Ele conseguiu entrar em contato com Shelby e contou o que aconteceu e ela conseguiu, literalmente, sumir”.

“Mas… Por quê? Não seria bom a Q conhecer a filha?”.

A latina meneou a cabeça, pensativa.

“Seria. Mas, naquele momento, a Quinn pensou que, por ter dado a luz à menina, esta era sua por direito. Ela não concebia que outra pessoa a tivesse! Não era, então, uma questão de sentimento materno. Era apenas, embora lhe pareça frio o que direi, um sentimento puro e cru de posse. Quinn deu a luz à Beth. Beth era dela! Logo, deveria estar com ela! Este é o raciocínio”, explicou.

Rachel desviou os olhos, a fitar o líquido vermelho abaixo da metade na taça. Murmurou:

“Acho que precisarei de mais vinho…”.

Santana assentiu com a cabeça e ergueu o braço.

A moça que as atendia volveu à mesa e escutou a morena mais alta lhe pedir uma garrafa de tinto de boa marca e safra. A jovem assentiu, antes de cumprir a solicitação da cliente.

“O Blaine…”, Sant recomeçou, a obter a atenção da cantora outra vez, “ele é um grande relações-públicas e, como tal, consegue tratar com a Quinn. Ele também não se conformou com o que aconteceu. Porém, não discute com ela, não entra em contenda. Sabe muito bem o ‘poder de fogo’ dela. Ao contrário de Kurt que, vez ou outra, solta uma farpa contra a Q, Blaine não. Ele se mantém acima dos problemas. Não que ele goste menos dela. Ele aprendeu a amá-la quando vocês estavam juntas e, aqui em Nova York, longe de todos, viramos uma família! E, como não poderia deixar de ser, não se conformou com o que ela fez. Entretanto, você raramente terá a oportunidade de vê-lo aborrecer-se com ela. Ele se faz de surdo diante dos deboches dela… Ele finge que ela não se lembra dele”, riu mortificada, “e é tão ridículo este fingimento que ele se impôs para não se ferir mais com a ausência dela! Deveria ter seguido a carreira de ator e cantor. Seria, realmente, bom na atuação, apesar da minha crítica!”, meditou a advogada.

Rachel sentiu um nó. Não soube onde estava: se no peito ou na garganta. Mas sabia que doía e que, não fosse o controle que possuía, poderia desaguar em lágrimas. Era estranho e doloroso escutar como cada um de seus amigos reagiu a Quinn.

“Mercedes… Esta sofreu, decepcionou-se!”, murmurou Santana, “ela foi a amiga que Quinn precisou quando foi expulsa de casa por causa da gravidez e… Ela não compreendia como alguém que foi tão forte naquele período, quando jovem, sem eira e nem beira, que conseguiu levar uma gravidez adiante, apesar de todos os prognósticos negativos, e ser corajosa o bastante para dar a filha para outra mulher criar e…”, suspirou, “por causa de um rompimento amoroso, esqueceu-se de quem foi e do quanto conseguiu e, da maneira mais cruel, tentou destruir a si mesma”, respirou fundo, “Ela me disse uma coisa que eu nunca esqueci: ‘eu jamais imaginei que a Quinn fosse capaz de se odiar tanto a ponto de desejar desaparecer’”.

A garçonete retornou à mesa com a garrafa de vinho e, após mostrá-la para a apreciação de Santana e Rachel, abriu e serviu-as, haja vista que esvaziaram a que estavam a tomar com incrível rapidez.

Neste caso, talvez o álcool ajudasse a amortizar a dor.

Só talvez…

“Russel é um sujeito estoico. Com tudo o que aconteceu, conseguiu a filha advogada, mas não conseguiu controlá-la ou moldá-la. Quinn se fez sozinha! E dele ela lembra! Não tudo. Mas sabe que ele não foi o pai que ela precisou no momento mais desafortunado. Que foi por causa dele e da fraqueza de Judy que Beth foi parar nas mãos de Shelby. E até hoje ela cobra dele… Não cobra diretamente. Não! Seria fácil demais! Ela cobra dele a cada vez que o deixa nervoso porque não dá sinal de vida; a cada vez que o desafia e o cala com palavras que machucam. Ele é o alvo preferido dela! E, após tudo o que aconteceu, Russel se tornou um homem desprovido de orgulho e empáfia. Quinn o fez engolir cada um dos defeitos que tinha! Ela o adoeceu! Ela ainda consegue adoecê-lo. E sabe disso”.

“E Judy?…”, a questão saiu temerosa pela boca de Rachel.

Santana balançou a taça com o líquido vermelho e fixou o olhar ali, naquele rubro que lhe parecia sangue.

“Judy tentou… Ela tenta! Como toda, ou quase toda mãe, ela passa por cima do que a Q muitas vezes faz ou fala. E, na sabedoria que lhe foi concedida, só aparece quando a filha não está bem, quando acontece de ir parar no hospital porque teve uma crise forte. Aí, sim, a mãe aparece e usa de toda a sua imperatividade para se fazer obedecer…”.

“Consegue?”, Rachel, a esta altura, já não racionalizava. Apenas esperava por respostas prontas.

“Quase sempre…”, confessou a advogada, “Quinn, como ela mesma costuma dizer, está adestrada. Sabe lidar bem com as máscaras sociais. Finge tão bem que engana. Suas mentiras se tornam verdades! Seus fingimentos são convincentes! Ela é realmente boa”, sorriu, cínica.

A cantora observou a maneira como a latina tentava se desfazer da dor a cada parada que dava na conversação. E como, antes de empezar, respirava profundamente.

“Você a queria de volta? Como antes do acidente, eu quero dizer…”, sussurrou.

Santana voltou a fitá-la e sorriu para si mesma.

“É como querer que unicórnios se materializem e façam a minha Britt mais feliz! Impossível de acontecer, Rachel!”, foi direta. Tão direta que a cantora estremeceu.

“Mas… E se ela se lembrar e…”.

“Rachel!”, chamou a cantora para a realidade, “ainda que se lembre, a Quinn não voltará a ser como antes! Ela teve danos no córtex cerebral, nas áreas da memória e da emoção, de acordo com os médicos! É como se o cérebro dela desligasse todos os fios que o unia ao coração. Ela deixou de sentir…”.

“Mas… E a Alex?”.

“Alex?”, Santana juntou e meditou sobre suas avaliações, “Alex aconteceu. Quinn e ela estão juntas há três anos. Um tempo considerável, se levarmos em consideração quem a loira com cara de princesa da Disney é de fato. E eu vou lhe dizer: a única pessoa que lida com a verdadeira Quinn Fabray é ela”.

“E Holmes? Ele está sempre ao redor da Quinn… Até mais que a Alex, certo?”.

Santana ponderou sobre a pergunta de Rachel. A resposta era lógica:

“Holmes é o cuidador de Quinn. Ele a ama, mas sabe exatamente com quem trata, foi treinado para isso. É o que a refreia. Está em constante vigilância. Enquanto cada um de nós tomou uma posição distinta sobre a Quinn, a dele é a de proteger a cabeça dela. Ele é a pessoa que não pode permitir que ela caia e bata com a cabeça e sofra qualquer tipo de dano. Enquanto para mim e para você ela é um todo, com cabeça, tronco e membros, para Holmes importa que a cabeça dela esteja resguardada… Ele a admira tanto! Você consegue perceber como ela foi capaz de fazer quase todas as pessoas, ainda que a contragosto, comportarem-se por causa dela?”.

Um breve silêncio.

“Ele é o homem de confiança dela, embora eu ache que ela, de verdade, não confia em nada e nem ninguém, exceto ela mesma”, ponderou.

A testa de Rachel se franziu.

“Quinn está bem, mas há momentos em que ela está completamente do avesso. Então, ele estará por perto, sempre equilibrando a situação para que nada saia do controle”, acrescentou.

“Por isso ele está em todos os lugares com ela?”.

“Não em todos”, explicou, “apenas quando ela precisa se locomover…”.

“E por que ela não dirige?”.

Santana sorriu de lado e bebericou da taça de vinho.

“Quinnie não dirige porque simplesmente não quer”.

“Acha que ficou traumatizada?”.

“Traumatizada? Quinn Fabray? Rachel!”, riu, “Quinn traumatiza as pessoas e os acontecimentos e não o contrário”.

A expressão na face da cantora deu a real ideia de que ela não entendera o comentário da amiga.

“Qual parte de ‘Quinn é desconectada de sentimentos’ que você não entendeu?”.

Rachel bebeu o vinho com cautela, pesando as palavras da advogada.

“Eu… Ela estava há pouco com a namorada e me pareceu tão… Tão ‘normal’! Como quer que eu conceba alguém que, aparentemente, é como uma máquina fria e sem sentimento? Ela foi gentil comigo ontem! Ela foi atenciosa e hoje, quando me viu… Eu…”.

“Rachel”, Santana a chamou, fazendo-a se calar, “não espero que se justifique comigo ou tente me mostrar algo sobre a Quinn que eu já sei! Eu não sei a razão, mas ela está – mesmo – interessada em você. Não de uma forma romântica. E é isso o que me assusta! Este interesse!”, explicou-se.

A cantora apenas fitava a face da mulher diante de si.

“Eu… Eu ainda a amo…”, suspirou.

A latina deu uma risada de asco antes de prosseguir:

“Eu também amo a Quinn… E, por mais louco e insano, às vezes me permito esperar – de verdade – que um dia ela bata a maldita cabeça de novo e volte a ser quem era! Eu quero a Quinn cheerleader! Eu quero a Quinn fotógrafa! Eu quero a Quinn que enfrentou uma gravidez aos dezesseis e saiu bem na foto! Eu quero a Quinn que veio para Nova York, contra todas as previsões! A Quinn que se mudou para cá e foi estudar fotografia na NYU! Eu quero a Quinn que se apaixonou por você e enfrentou os próprios fantasmas e assumiu este amor! Eu quero a Quinn que chorava porque sofria de amor e não a que apenas chora porque não teve suas vontades satisfeitas! Eu quero a amiga que me olhava com afeto…”, respirou fundo e desviou a face, mirando algum ponto indistinto. A mão que levou a taça até os lábios tremiam um pouco.

“Por que me deixou no escuro?”, indagou, recuperando a atenção da latina.

“Por quê? Talvez porque eu tenha, realmente, odiado você e o seu amante! Porque quando ela abriu os olhos após os dias em coma e não sabia o que aconteceu e nem entendia, eu pensei que seria perda de tempo lhe fazer vir da Europa para… Para quê, Rachel? Ela nem sabia que você existia! Por que eu deveria lhe avisar? Você escolheu trair e seguir em frente. Ela resolveu morrer! Por que eu deveria lhe avisar, Rachel? Dê-me uma razão válida! Uma apenas! Eu perdi a minha amiga… Eu vi no que ela se transformou e parte disto tinha o seu maldito dedo podre! Por que eu deveria lhe avisar?”.

A ira estava patente no tom revoltado de Santana.

Rachel sustentou o olhar da amiga, que derramavam uma dor tão palpável que quase a tomava de assalto.

“Sinto muito, Sant…”, sussurrou quase para si mesma.

Porém…

“Sentir muito ou pouco não mudará o que já é”, disparou a latina.

A cantora bebeu um gole do vinho, tentando organizar as ideias e as emoções. Não conseguia mensurar a dor de Santana e menos ainda as mudanças que aconteceram após o acidente da ex-namorada.

“Sant, eu quero, realmente, alcançar o que está a me dizer, mas eu não…”.

“Eu sei…”, atalhou a outra, “você não esteve aqui! Mas, dependendo da conduta dela, talvez você consiga, sim, entender”.

“Conduta…”, repetiu automaticamente a palavra.

Os olhos de Santana se perderam e sua face tomou um ar de troça ao prosseguir:

“Sim… A conduta de Quinn! Ela é toda… Como eu posso lhe explicar de maneira clara e simples? Ela é como uma serpente… Uma serpente rara! Você sabe que ela é perigosa! Você já experimentou do veneno dela antes! Porém, sempre que estão a sós, ela crava os olhos verdes nos seus e lhe aprisiona. E, sem desviar o olhar, ela serpenteia até você. Ela faz questão de ficar bem perto. E então ela se enrosca inteira em você, bela e sedutora. Você sabe que nada de bom vai resultar deste encontro, mas ela é tão… Tão ‘filhadaputamente’ linda que você simplesmente não consegue reagir. Então ela lhe toma inteira para, depois, olhar no fundo dos seus olhos e rir do quão fraca ela pode lhe deixar”.

Os lábios de Rachel foram se afastando gradualmente…

“Ela já tentou seduzir você?”, a indagação escapuliu cuidadosa.

A latina tomou mais do vinho. Rachel realmente precisava desta resposta?

“Oh, meu. Deus! Ela fez isso…”, concluiu, aturdida.

Santana respirou fundo e olhou, outra vez, para um ponto qualquer do restaurante.

“Ela e Alex… Por que acha que ainda estão juntas?”, a pergunta com a voz ainda horrorizada não pode ser contida pela cantora.

Santana, de fato, não tinha certeza. Ela possuía teorias…

“Talvez seja confortável para a Quinn… Alex não é pegajosa. Ela soube, logo de início, lidar com a loira de farmácia”.

“Como assim?”, uma curiosidade verdadeira saiu pelos lábios da atriz.

“Pouco tempo depois de Alex conseguir conquistar a Quinn, por alguma espécie de milagre ou magia, ela conseguiu arrastá-la para uma festa da Models…”, estancou e pareceu que buscava recordações no porão escuro da memória.

“No dia seguinte à festa, ela me procurou porque precisava conversar sobre a Quinn. Eu me preocupei. Sempre achei Alex uma boa garota e não errei. Ela conseguiu, de pronto, sentir a Quinn e as limitações dela. Mas, neste dia, ela realmente estava meio atordoada…”.

“Atordoada?”, Rachel sentiu o bicho da abelhudice mordê-la.

“É… Ela me contou que tiveram uma noite maravilhosa, que Quinn estava cheia de energia e que não a deixou dormir por quase toda a noite…”.

Rachel pensou que a curiosidade não só poderia matar os gatos, mas a ela também!

“Então, ela falou que, após finalmente a Quinnie lhe dar um descanso e dormirem, despertou antes e, quando a Q acordou, pela primeira vez, durante o tempo em que estavam juntas, ela a mirou com os olhos dourados e mornos… Este foi exatamente o adjetivo que usou. Foi a primeira vez que vislumbrou aquele olhar ímpar… Quinn tinha os olhos mornos e estes a fitaram e, alguns instantes depois, eles piscaram e os olhos mornos se tornaram olhos confusos. E os olhos confusos se desviaram dos dela e olharam ao redor, como se não soubessem em que lugar estavam. Instintivamente, ela a chamou, com muito cuidado e tato para não assustar os olhos confusos e cumprimentou-a com um suave ‘oi’. E a dona dos olhos perdidos respondeu com insegurança para ela com outro ‘oi’. Então, delicadamente, Alex informou quem ela era, onde estavam e o relacionamento que mantinham. E, daí, outra vez, os olhos que foram mornos e, depois confusos, foram sublimados por alguns pestanejares e, quando se fixaram nela, os olhos mornos desapareceram, e levaram consigo os olhos confusos. Apenas o olhar arguto e inquisitivo se fez presente. Então, ela soube que Quinn – para ela – era alguém que, no fundo, era morna e terna. Mas que desaparecia e dava vida e espaço para a Quinn prática, direta e sem emoção. Ela contou que se apaixonou pelos olhos mornos de Quinn. E que eles eram de um dourado muito claro e refletiam a luz do sol… Acho que, vez ou outra, ela ainda pode ver estes olhos mornos. Talvez, em algum momento, a mente misteriosa de Quinn deixa vir à tona o lado humano dela, mas é só um instante tão ínfimo que, se você não prestar atenção, perde-os. Por isso, acredito que Alex seja, realmente, a única de todos nós que consegue, vez ou outra, por alguma falha das sinapses cerebrais da Quinnie, vai saber, enxergar a pessoa que foi minha amiga, sua namorada, a mãe da Beth, o amor do Noah, a capitã intocável das cheerleaders porque ela divide a intimidade com a Quinnie! Holmes não acorda com a Quinn! Ele a observa e resguarda, mas a pessoa do embate, do corpo a corpo, mesmo, é a Alex!”.

Rachel bebeu um pequeno gole do vinho.

Estava sem palavras.

Estava decepcionada consigo mesma por quebrar a mulher que lhe amou e, em contrapartida, quebrar a todos que a rodeavam.

Estava triste por ter sido ignorada por Santana e todos os que estiveram perto de Quinn quando esta atentou contra a própria vida.

Estava frustrada porque, sabia, nada seria difícil. Seria complicado!

Estava com raiva de si mesma. Principalmente…

“Eu vou arriscar”, soltou.

Santana a mirou, confusa.

Continuou:

“Eu vou arriscar e me aproximar da Quinn! Eu preciso, Sant! Porque, por mais louco ou idiota que isso pareça, eu ainda amo a Quinn!”.

A latina assentiu.

Rachel suspirou…

“Eu preciso de alguma forma… Eu não sei como porquê… Como eu lido com isso tudo? Eu… Eu preciso saber que restou ainda alguma coisa da mulher que se apaixonou por mim e teve coragem de me falar, de pedir perdão porque demonstrou o seu amor de maneira errada e… E depois tentou compensar toda a decepção que – ela dizia – causou a mim. E eu só queria ama-la mais e… E eu não fiz certo… Eu, realmente, não fiz certo…”, concluiu, atordoada.

Os espinhos da roseira não são para furar nem causar dor! E sim para proteger a delicadeza e sensibilidade da flor.”

– Ismael Santana Bastos -

CONTINUA.

Notas finais
Vou me recuperar ali... Abraço afetuoso. Cal. *-*