Sine Cordi
90 CAPÍTulo 90 - ץ
Notas iniciais
“Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada
Assim como as canções, como as paixões e as palavras
Me veja nos seus olhos, na minha cara lavada
Me venha sem saber se sou fogo ou se sou água”.
— Barão Vermelho em Amor Meu Grande Amor—
Rachel sentiu como uma enorme revoada de borboletas tomou seu estômago com o ataque arrojado de M sobre seu corpo e como a boca desta explorava a sua. Não conseguiu conter o gemido de prazer quando os lábios quentes e úmidos de M lhe escorregaram desde a boca até curva do pescoço e de volta, novamente com a boca assaltada pelos beijos que nunca recebeu antes. Nem da própria Quinn! M era tão sexual e exalava uma força que a mareava de desejo. Quando a loira se afastou e a mirou com olhos maliciosos, Rachel achou-a linda! Toda ela transbordava paixão, ira e tantas outras emoções desencontradas que não teve capacidade em distinguir. Estava extasiada pela força que dela se desgarrava e intimidada pelas emoções que desatava só com o olhar.
Tentou reagir e soltar as mãos, mas a mulher sobre ela não permitiu, mantendo-os aprisionados com a mão esquerda. Sentiu como aquela personalidade, com a destra, acariciou-a desde o colo, passando pelo seio, que rodeou com a mão e deu um pequeno aperto com uma expressão de gozo a reluzir na face. Rachel mordeu com força o lábio inferior só para afogar na garganta o murmúrio de prazer e desejo que a tomou de golpe, enquanto a mão arteira da loira descendia bem devagar pelo seu corpo moreno, entrando por baixo do lençol, que tirou fora de um puxão. Inquietou-se mais quando M deu um sorrisinho saliente, em que prendeu a língua entre os próprios dentes. Ela enlouquecia quando Quinn sorria assim…
“M…”, ronronou.
A loira prosseguiu a exploração do corpo judio, sentindo cada curva que jazia sob o tecido da lingerie. Atenta a cada reação que seu tato causava sobre a mulher sob si, e com toda a maneira de um degustador, a advogada escorreu a mão até a barra da camisola, atenta ao próprio tocar, ao passo que não deixava de mirar a morena. Rachel sentiu-se atontada pelo desejo que a personalidade de sua esposa lhe despertava. Por que M era tão atenta ao que fazia e a mirava com uma expressão entre o brilho da cobiça e o revolver do prazer que a deixava cada vez mais desejosa?, perguntou-se, querendo que a mulher a torturasse menos.
M parecia saber o quanto estava deixando a esposa perto de perder a compostura. Roçou a mão pela perna deliciosamente longa da morena, sentindo a musculatura e o quão quente a pele de Rachel estava. Sabia que ela estava excitada.
“Tão quente…”, sussurrou mais para si, embora Rachel a tenha escutado. Voltou o passeio de mão e foi levando, junto e a propósito, a barra da camisola até desnudar, calma e sem deixar de olhar, na penumbra, a sombra que a pouca luz desenhava do corpo moreno, o ventre coberto com uma delicada lingerie que escondia o que tanto desejava para fazê-la sua. Regozijou-se nas curvas sutis, cadeiras estreitas e pernas… Como Rach-Rach conseguia ter pernas alongadas, sendo tão pequena?
A judia, que a muito esforço conseguiu assassinar outro gemido, sentiu o ventre contrair fortemente e não alcançou deixar de desejar que, tão logo se desse conta do quanto a calcinha que ainda vestia estava úmida, M não soltasse alguma barbaridade para humilhá-la. Não suportaria…
A loira, compenetradíssima, estancou o ato de desnudá-la, inclinou o corpo para frente e soprou o ouvido moreno, arrepiando Rachel inteira e murmurou, rouca de desejo:
“Eu quero muito você, Rach-Rach… Quero só minha… Do meu jeito”.
Outra revoada tomou o estômago da morena e, sem controle sobre o próprio corpo ou a razão, o ventre voltou a contrair-se com vigor e deixou-a ainda mais pronta para a esposa do que esteve desde que ela a tomou de assalto. A voz rouca e imperiosa era tão segura que quase podia sentir que levava dentro de si as lavas de um vulcão pronto para despertar.
A Senhorita M levou o rosto até que ficaram tão juntas que a boca da loira roçava na morena.
Rachel sentiu que o ar lhe faltou aos pulmões e sua respiração ficou alterada com o aumento do anseio, quase se perdendo em volúpia pura. O pouco pensar lhe dizia que deveria ir com calma, pois não confiava por completo em M, porém o corpo, sedento de Quinn, e da própria M, não correspondia ao que lhe dizia a razão. Correspondeu ao beijo que a loira lhe deu, enquanto ela lhe alcançava o ventre com a mão e a acariciou bem ali, com a palma tomando-a toda.
“M…”, o que deveria ser um reproche saiu como um murmúrio de prazer. Insistiu em soltar as mãos, pois desejava tocar a mulher que a tirava do eixo. Não conseguiu. M a levava segundo a sua própria vontade. Ela tinha a força, conhecia as fraquezas de Rachel, conhecia os desejos dela e saboreava cada momento em que seduzia a morena. Tomou o lábio inferior de Rachel entre os dentes e o puxou e, sem pressa, soltou-o e chupou-o logo em seguida.
Rachel gemeu.
M a capturou em outro beijo em que provou os lábios e o sabor da língua da judia, enquanto subia e descia a mão sobre o sexo de Rachel, sentindo-a cada vez mais entregue, mais a contento para quando fosse fornicá-la até que ela não pudesse mais. Estava com tanta fome do gosto daquela mulher ordinária, que a faria não querer se dar para ninguém mais.
“Diz se ele te beijava melhor do que eu…”, inquiriu e não deixou tempo para resposta, porque voltou a beijar Rachel, que a recebeu com desejo e prazer, não racionalizando muito sobre o questionamento que lhe foi feito. M devorava-lhe a boca. Rachel era sua e ninguém mais poderia tê-la. Não permitiria que pessoa alguma a tocasse.
“Tão pronta pra mim…”, a loira sussurrou, respirando agitada perto dos lábios maltratados de Rachel, que sentia-se arrebatada. Conteve a respiração quando a loira se afastou e, de forma hábil e com apenas a mão livre, retirou a própria calcinha.
A judia apenas conseguiu abrir a boca em “o”, porque a exclamação saiu muda. Não esperava que M buscasse o próprio prazer. Ao mesmo tempo em que, em meio ao ser instintivo que se tornou com a maneira como a loira ia tirando-lhe a razão, pensou que sim, a loira cruel buscaria o próprio prazer. Um que provavelmente Quinn não tinha consciência de precisar… Ou querer…
M foi soltando as mãos de Rachel com cuidado e atenção, roçando a mão pelo braço moreno enquanto a cantora, livre, não conseguiu se mover, presa dos olhos verdes-musgo que examinavam cada parte dela e a sentia com o tato, com a boca e com a língua.
“Quero ver você, Rach-Rach…”, comunicou, tomando-a pelos braços e a erguendo, sentando-a. Rachel reagiu e mirou os lábios rosados, entreabertos e a respiração acelerada de M exalando, morno, sobre seu nariz e boca. Isso significava que ela a queria, mesmo que apenas sob a forma de um intenso desejo. E isso a atiçava tanto… Gemeu quando M se moveu sobre ela, erguendo-se sobre os joelhos e retirando-lhe, por sobre a cabeça, a camisola. M foi descendo lentamente, enquanto sentia nas palmas das mãos as costas morenas.
“Bonita…”, sussurrou e sentou sobre as pernas de Rachel, dando um roce com o ventre excitado, umedecendo as coxas da atriz, fazendo-a suspirar.
“Isso é o quanto eu desejo foder você, Rachel…”, informou e com o braço esquerdo enlaçou a morena pelas costas, colando-as, e com a mão destra tomou-a pela nuca e a puxou, chocando seus lábios num beijo cadenciado pela ânsia, ajustado numa sincronia que fez M afastar um pouco o rosto e mirar os lábios entreabertos e brilhantes de Rachel.
“Só pra mim…”, disse a si mesma, antes de voltar ao beijo.
Rachel sentiu o desejo engasgar-lhe um gemido quando a loira deslizou os lábios de sua boca para o pescoço, onde roçou os dentes e a marcou de propósito. Ela queria que Rachel se lembrasse dessa noite e de todas as demais quando a tomasse só para si, marcando-a como sua.
“M…”, murmurou outra vez, numa vã tentativa de refrear um pouco a ânsia com a qual era praticamente devorada pela personalidade alternativa de Quinn. Deixou o último átimo de autocontrole que tinha fosse embora, tal qual suave plumagem levada pelo vento. E dúvidas como: e se Quinn aparecesse? E se Spencer acordasse? E tantas outras foram olvidadas, largadas à própria sorte do depois. Porque, no momento, só queria que a mulher que a penetrou sem prévio aviso, fazendo-a gemer e não conseguir raciocinar direito, tomasse-a como agora, com força, com palavras de posse e outras deixadas pelo instinto, que a levaram a esconder o rosto no pescoço pálido e ali afogar o soluço do orgasmo e se quedar retomando o ar, enquanto M passava-lhe as mãos por seu corpo úmido pelo suor, numa massagem que a relaxava apenas o tempo que a loira recomeçou a fustigá-la com os lábios, a língua, as mãos, os dedos, levando-a a gemer, num soluço.
M lhe sussurrou no ouvido, ao tempo e que massageava o próprio ventre numa das coxas da morena, após afastar-lhe as pernas:
“Por que faz isso comigo, Rachel?”.
A atriz ainda estava se recobrando e não entendeu. A que se referia M?
A personalidade alternativa de Quinn voltou a sussurrar, após afastar a face poucos milímetros da esposa, fazendo-a mirá-la:
“Essa boca… Seu gosto… Eu penso tanto nas coisas que desejo fazer com você, Rach-Rach…”, escorregou o nariz e o roçou no pescoço moreno. Rachel não se sentia capaz de fazer frente ao desejo vivo da mulher que a tinha nesse exato instante. Era presa de M. E, louco, sentia-se confortável nesse papel. A maneira como M lhe fazia sua em explícita demonstração de posse, excitava-a. E excitava tanto que mandou para as cucuias todos os freios que havia autoimposto sobre ceder às investidas dessa persona.
§§
Wilhelm entrou no lobby do prédio em que Rachel morava e caminhou com tranquilidade, porém diretamente, até Romero.
O porteiro, educado e apesar da hora, perguntou se o loiro visitaria algum morador. Não era a primeira vez que o viu por ali. Era quase impossível esquecer de um homem tão garboso em sua figura alta e elegante.
O detetive, simpático e com boa educação, indagou se ele conhecia a Srta. Fabray e se ela esteve ali. Romero suspirou, luzindo sua frustração com a loira, e assentiu, confirmando o que o homem loiro já sabia. O policial agradeceu a informação e sob o olhar de estranhamento do porteiro, sacou o celular e cuidou de sair do prédio, enquanto confirmava para Holmes que Quinn estava ali. Também garantiu ao cuidador que tão logo ela saísse a acompanharia à casa. Holmes não ficou menos ansioso e perguntou se seria boa ideia que ele subisse para saber se estava tudo bem entre M e Rachel.
Wilhelm suspirou antes de responder que não achava viável ir até onde estava a personalidade mais incerto e sem regras da advogada. E se a cantora não chamou, era possível que estivesse conseguindo controlar a situação. Aliás, pensava, Rachel parecia a única realmente capaz de lidar com M.
Holmes, todavia, temia o resultado da visita de M a Rachel. Sentia-se desestruturado só de pensar naquela personalidade. Parecia o lado mais malicioso, perverso e danoso de Quinn. Aquele que jogaria até a última moeda para conseguir satisfazer seus caprichos e desejos… Ou seriam os caprichos e os desejos de Quinn, que vinham à tona nessa persona que exalava uma força que a fazia desejável, porém de maus modos e que causava instabilidade?
“Amor, meu grande amor, que chega assim bem de repente
Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente
Que tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
A vida do teu filho desde o fim até o começo”.
— Barão Vermelho em Amor Meu Grande Amor—
Rachel enlaçou o pescoço de M, enquanto era deitada na cama com a mulher por sobre si e seus corpos quase se fundiram, apesar de M ainda ter posta a saia e a blusa, desabotoada até o vale dos seios, deixando ver o um pouco da lingerie que os cobria. Entregou-se a tentação que era a personalidade de sua ex-namorada e deixou-se aos beijos, carícias, toques e gemidos. Só queria senti-la, possuí-la e se deixar possuir como M parecia querê-la, quase à incoerência da paixão. E M não pensava em deixar que Rachel tivesse tempo para racionalizar a situação e se arrepender. Desejava-a e não pretendia deixá-la escapar.
Separou o rosto e a fitou. Com a mão esquerda, afagou-lhe os lábios com o indicador e o médio. Os olhos verdes estavam escuros de sede e cobiça. Rachel respirava ofegante, o desejo aceso e outra vez a corroendo, enquanto mirava a face bonita da persona que tomava a consciência de Quinn.
“Eu quero tanto você… Há tanto tempo”, sussurrou M com a voz excitada. Beijou-a com anseio.
“Você é minha, Rachel Berry! Só minha”, sentenciou e voltou ao que tanto queria. Ao corpo de Rachel, todo ele, centímetro por centímetro até fazê-la chegar ao orgasmo uma e outra vez, até que a morena só conseguiu suspirar a adormecer após as descargas de prazer, compartilhadas por uma M que gozou com cada gozo judio.
§§
Quinn suspirou, sentindo a consciência pós sono alcançar-lhe serenamente. Uma preguiça gostosa a fez suspirar em satisfação. Entretanto, o que era sereno se misturou a confusão diante do que seus olhos semiabertos visualizaram. Fechou-os novamente e se pegou pensando que seguia meio dormida. Abriu-os outra vez, devagar e com acuidade. E lá estava, no mesmo lugar, aquele seio moreno e descoberto que subia e baixava tranquilo, no respirar adormecido do corpo quentinho, suave e agradável sobre o qual metade do seu estava enrodilhado.
“Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça
E quando me quiser que seja de qualquer maneira
Enquanto me tiver, que eu seja o último e o primeiro
E quando eu te encontra, meu grande amor, me reconheça”.
— Barão Vermelho em Amor Meu Grande Amor—
CONTINUA…
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