Sine Cordi
64 CAPÍTulo 64 - סד
“No meio da confusão, encontre a simplicidade. A partir da discórdia, encontre a harmonia. No meio da dificuldade reside a oportunidade.”
— Albert Einstein -
Rachel Barbra Berry estava muito atordoada.
Quinn, sua ex-namorada que – percebeu – não parecia ter um respingo de afeto por ela, que planificou uma história em que a colocaria na cadeia, ofereceu-lhe uma contraproposta. Uma curiosa contraproposta em que teria que se casar com ela e se comportar, de acordo com o contrato que as uniria, da maneira que a advogada quisesse. Parecia-lhe um tanto surreal toda a situação. E ainda tentava, de uma maneira de “sabe Deus como” manter os pés na realidade. Até porque, e apesar da estranha situação, a palavra “casamento” (que Quinn insistia ridiculamente em chamar de “contrato”) tinha uma estranha força que a enchia de prazer e ao mesmo tempo lhe causava arrepios de medo. Sim, arrepios de medo. A engenhoca que funcionava dentro da cabeça loira de Quinn Fabray era por demais cheia de manipulações e planos que beiravam a loucura. E pareciam fazer muito sentido e ser coerentes, entretanto.
“Eu serei a sua carcereira, Rachel. Eu não serei a sua esposa”, a loira avisou.
A morena piscou e voltou à realidade.
Ainda não verbalizou coisa alguma. Até porque estava a duvidar um pouco do que estava acontecendo. Ainda que Quinn não parecesse, em nada, brincar. Não agora…
“Eu… Eu acho que estou… Estou em choque, Quinn”, avisou.
A loira franziu o cenho.
“Em choque!”, exclamou.
Rachel assentiu.
“Você tem toda uma história arquitetada e a certeza de que eu serei presa por conjurar um crime contra o meu marido”.
“Aham…”, a ex cheerleader assentiu.
“E, para eu não ir para a cadeia, você me propõe casar com você”.
“Um contrato, Rachel. Só para lembrar”, avisou, a fim de não deixar dúvida na judia.
“Isso é tão… Eu não sei o que dizer… Eu…”.
“Você realmente prefere ir para a cadeia?”, riu, incrédula, “uau! Você é corajosa, Rach-Rach”, exclamou, pegou os papéis do contrato e os rasgou ao meio.
“Não, Quinn!”, Rachel saltou e segurou as mãos da ex-namorada, apavorada com a facilidade com a qual ela se desfaria dela.
“Deus! Eu não quero ser presa”, avisou, os olhos marejados.
Quinn a estudou.
“Quinn, por favor… Eu, realmente, não quero ser presa… Então, você pode, por gentileza, oferecer algum calmante para mim, que não seja o chá, porque homeopatia não está ajudando muito… E, então, poderia me explicar os termos do contrato de casamento?”, a judia voltou a sentar, mirando a face da advogada. Enxugou as lágrimas que escaparam e engoliu as outras.
A loira recostou na cadeira.
Rachel ficou tão apavorada!, pensou. Só porque rasgou um pedaço de papel! Mas, o impacto que este gesto causou na judia lhe deu a certeza de que ela faria qualquer coisa para não ser presa. A cantora praticamente mergulhou sobre a mesa!
E, também, ela renegou o marido…
Até onde Rachel aguentaria a pressão? Valeria à pena prender-se a ela?
Bom, até que ficasse satisfeita ou até que Rachel pedisse para ir embora! Depois, desfaria o acordo. Ela assinaria um outro, que versava pelo silêncio dos fatos e tudo bem! Hasta la vista!
A advogada tomou uma respiração e abriu a primeira gaveta da escrivaninha e retirou um vidro com comprimidos rosados. Abriu-o e retirou de lá uma unidade.
“Vire a palma da mão para cima”, pediu.
Rachel obedeceu e a ex cheerio depositou ali o pequeno remédio.
Virou-se para o carrinho e pegou um copo, onde colocou água até a metade e o ofereceu para a cantora, que agradeceu e o tomou, sem mesmo perguntar o que era! Estava muito assustada nesse momento para pensar sobre que tipo de calmante a ex-namorada poderia ter-lhe dado, ou se lhe deu algo como uma “pílula da verdade”, que a induziria a cuspir todos os detalhes de sua vida em miúdos pedaços. Na verdade, desde que o remédio pudesse lhe acalmar um pouco as batidas erráticas do coração, estaria agradecida e confessaria até o mais íntimo e sujo de seus segredos. Sentia-se na palma da mão de Quinn Fabray.
Quinn, por sua vez, observou como a cantora ingeria o comprimido e depositava o copo sobre a mesa.
Rachel a fitou, deu um respiro, e pediu que ela começasse a falar sobre o contrato.
A advogada olhou os papéis partidos ao meio sobre a escrivaninha.
Tomou-os e os arrumou a sua frente, como se o fato de eles estarem partidos ao meio fosse trivial.
“Eu vou pedir que Holmes prepare uma outra cópia, a fim de que você possa acompanhar a leitura e, talvez, perguntar caso tenha alguma dúvida”, avisou.
“Não precisa… Eu confio na sua palavra… Por que você omitiria de mim alguma parte? Eu serei um objeto seu… Um brinquedinho até que ache que se cansou… Essa parte eu entendi”, falou, meio anestesiada.
Quinn a encarou com gravidade. Comunicou:
“Eu não quero um brinquedinho, Rachel. Eu quero você. Do jeito que é. Quero saber até onde vai o seu amor. Se for para ter alguma versão desbotada sua, então, paramos por aqui. Não me interessa”.
A cantora sentiu como se tivesse o tapete retirado debaixo dos pés. Quinn não seria branda. E nem paciente com seus comentários…
“Certo, Quinn”, forçou um sorriso, “sou toda ouvidos”, avisou, ainda pensando em como a advogada organizou tudo de forma tão amarrada que ela não tinha para onde correr. Estava presa numa armadilha!
O que Alex pensou dessa ideia de Quinn?
Espera! Quinn tinha uma namorada…
“Onde Alex entre nessa história?”, perguntou.
A loira fez cara de paisagem antes de responder:
“Alex não entra. E nem sai. Este é um acordo entre mim e você. Ela não sabe. E nem saberá. Eu não vou ser sua esposa de verdade, Rachel! É só um acordo…”.
“E como fará com nós duas… Digo, nós vamos morar juntas”, a pergunta saiu insegura.
“Não se preocupe com essa parte, Rach-Rach. Eu cuidarei”, informou.
“Você parece ter todas as respostas”, a atriz comentou, com enfado.
Quinn foi natural ao responder:
“Eu tenho”.
“Está fazendo isso para que eu desista de você?”, a cantora perguntou.
“Não. Estou fazendo isso para lhe infernizar”, respondeu.
“Bom… Não seria a primeira vez”, vomitou, sem controle.
A sobrancelha direita de Quinn Fabray subiu um pouco além do normal quando ela colocou toda a atenção na judia.
“Perdão?”, não entendeu o comentário da cantora.
Rachel demorou a puxar o ar e soltar.
“Quando estudávamos… Você infernizou a minha vida”.
“Ah! Isso…”, soltou, como se fosse insignificante.
“Isso? Isso foram três anos de slushies na cara, na roupa, nos cabelos! Isso foi você me ridicularizando na escola com comentários sobre eu ser estranha e… Quinn! Você foi tão cruel comigo”, sentiu um pequeno rancor que não deveria estar ali, dentro do peito. Não era uma pessoa rancorosa. Pelo menos, nunca foi…
Fixou-se na ex-namorada.
“Acredita mesmo que só porque me fez mal no colegial eu fiquei com você para me vingar? Que eu lhe traí com o Jesse só para quebrar o seu coração?”.
A loira apoiou os cotovelos sobre a escrivaninha, cruzou as mãos e descansou o rosto sobre elas.
Olhava a cantora com jeito divertido.
“Nossa! Eu realmente fiquei traumatizada, Rach-Rach! Até perdi a memória por causa disso”, desdenhou.
Rachel já não tinha tanta certeza…
“Eu me pergunto até onde, Quinn, você perdeu a sua memória. Talvez apenas o seu coração tenha ficado naquele carro que você bateu”, alfinetou de um jeito que nem ela mesma esperava.
Retesou-se.
Ela não deveria irritar Quinn…
Mas…
“Você é tão dramática, Rach-Rach! De onde você tira esse tipo de coisa? E ‘o seu coração ficou naquele carro que você bateu’!”, riu da própria voz empostada.
Mas a cantora achou que a loira ria dela.
“Você é má, Quinn”, atestou, decepcionada.
A loira recostou-se na cadeira e a mirou.
Rachel estava falando sério ou só atuando? Porque, de um jeito ou de outro, o texto dela era muito ruim!
“Okay, Rach-Rach! A respeito da sua opinião sobre mim: eu sei disso, papai Russel sabe muito bem, mamãe Judy finge que eu só estou brincando, Frannie acha que eu posso ser má influência para os filhos dela, Santana tenta, com orações vudus, exorcizar este ser que lhe fala e a Britt…”, pensou divertida, “a Britt é a Britt. Não se define. Então, conte algo novo sobre mim. Surpreenda-me”.
“Você é horrível contando piadas”, avisou.
“Certo. Ainda bem que eu não faço mais isso”, atestou, “eu costumo falar muito sério, Rachel”.
O tom que a advogada usou demonstrou que já era tempo de a judia apenas escutar.
Quinn Fabray limpou a garganta e começou a discorrer sobre o contrato. Fez uma pausa, a fim de reforçar o que considerava essencial:
“Este será um acordo entre mim e você, Rachel. Seus pais não saberão, haja vista que, quando eu lhe dei – há pouco – a oportunidade de sair e contar para eles, você declinou e permaneceu aqui…”.
Rachel não conteve uma risadinha debochada, que captou a atenção da advogada. Quinn estava falando sério? Ela lhe deu uma oportunidade real de sair dali e falar com Hiram e LeRoy?
“Guarde o seu deboche”, pediu, dolorida pelas palavras da advogada sobre “deixá-la sair para contar aos pais que planejou incriminá-la pela morte de Jesse”.
A ex cheerleader continuou a falar:
“Alex não saberá. Russel não saberá. Santana não saberá… Nem mesmo o morto do seu marido saberá”.
“Eu entendi, Quinn”, a cantora assentiu.
Se a advogada disse que nem Jesse, que seria agora uma espécie de “fantasma” com acesso a todas as paredes, cofres e segredos não deveria saber de tal contrato, era porque – definitivamente – ser vivente algum deveria saber. Não era tão difícil de entender.
“Você será vigiada por alguém da minha confiança sempre. Tudo o que for fazer, tudo mesmo, Rachel, terá que passar por mim. Eu controlarei a sua agenda. Se eu achar que você não deve jantar com algum empresário, você não jantará. Se eu decidir que você não sairá de casa para ver o sol, você não sairá”, observou a reação da cantora.
Rachel estava muda.
A situação parecia surreal.
Era aquele momento uma cena de alguma novela mexicana ou coisa do gênero? Uma pegadinha de um desses programas da MTV?
E Quinn encenava o seu papel com maestria. E satisfação, claro.
“Rach-Rach?”, chamou.
A judia piscou e assentiu. Ela não sabia, neste instante, se havia alguma outra coisa a fazer.
“Estou aqui…”, murmurou.
A loira concordou e questionou:
“Alguma pergunta?”.
“Eu poderei continuar cantando e trabalhando?”, esta era uma pergunta crucial para Rachel. Talvez Quinn quisesse lhe tirar tudo…
“Rach-Rach, você cantaria até na prisão, no horário de silêncio. Por que eu iria lhe impedir de continuar trabalhando? Eu não quero uma mulher frustrada ao meu lado… Então, por favor, faça o seu melhor”.
“Você fará o seu melhor?”, perguntou.
Uma asneira…
Quinn meneou a cabeça com um sorriso brincalhão nos lábios:
“Pode ter certeza que sim, Rach-Rach!”.
Rachel sentiu-se estremecer.
E não soube se o relaxamento que a tomou foi por causa do remédio ou pelo fato de que, talvez, ficar casada com Quinn, ainda que em meios um tanto tortuosos, não seria tão mal. Afinal, poderia continuar atuando! Havia propostas de filmes e… Espera! Porque estava aceitando essa ideia insana com certa… Tranquilidade? Não! Definitivamente não era tranquilidade. Quem sabe, esperança? Poderia consertar Quinn? Ou, pelo menos, tentar trazer à tona alguns pedaços da antiga Quinn e, ainda com todas as dificuldades que enfrentaria, tê-la de volta?
Era um pensamento tolo e tentador.
Uma ideia ridícula e cheia de esperanças…
Porém… Se iria se casar com ela, poderia tentar alguma coisa…
“Rachel”, a loira percebeu a distração da judia, que a mirou, piscou algumas vezes, conectou-se à realidade e indagou, de chofre:
“Quinn, você terá que ler o roteiro dos filmes que eu for fazer? Digo, antes da sua aprovação da minha participação neles…”, questionou.
A advogada gostava de ler.
Já leu alguns roteiros antes… Por prazer! Não por obrigação. Mas… Deveria se meter no trabalho dela?, pensou. E também pensou que não. Não deveria se meter no trabalho da mulher atordoada a sua frente. Porém, não poderia contar isso para ela. Então…
Bufou.
“Sim! Todos”, achou melhor deixar claro que tudo passaria por ela, “nós já falamos sobre isso, Rachel”.
A morena assentiu.
Quinn a encarou com impaciência.
“Tem alguma outra pergunta para fazer?”.
A morena tinha. Muitas… Porém, uma de todas era – ainda – a mais importante.
“Como fará com a Alex?”.
“Por que se importa tanto com a Alex, Rachel? Eu já disse: este acordo é entre mim e você! Não há mais ninguém envolvido, exceto as testemunhas”.
Espera!
Testemunhas?
“Como assim testemunhas, Quinn?”, ficou confusa.
A advogada perguntou-se para que planeta conseguiu enviar o cérebro de Rachel com a história que lhe contou. Ela parecia, neste momento, descerebrada.
“É um casamento, Rach-Rach. Testemunhas são necessárias! Deus, até nos casamentos judaicos há necessidade de testemunhas. Que tipo de casamento teve com o seu falecido?”, indagou.
Rachel piscou mais algumas vezes.
Será que o comprimido que Quinn lhe deu fazia adormecer os neurônios? Porque era como se sentia. Com seus neurônios adormecendo leeeeeeeeeeeeentamente…
“Eu… Sim, eu sei que são necessárias testemunhas”, concordou, ainda sem muita certeza.
Quinn pediu a atenção dela e, enquanto continuava a explanação do contrato, serviu uma xícara de café puro para a atriz e mandou que ela bebesse. Talvez o remédio fora forte demais, analisou. Porém, não tinha certeza. E café… Bom, café é excitante e energético natural! Deveria dar um contraponto na cantora, muito atordoada neste momento. Tão atordoada que, se Quinn Fabray começasse a falar a letra de Feliz Aniversário, Rachel concordaria como se esta fosse uma das cláusulas do absurdo contrato de casamento que estava propondo (e Rachel estava aceitando). E, claro, Rachel também pensaria que a história que Quinn armou para acusá-la pelo assassinato de St. James tinha furos tão triviais que fariam a ela, Quinn, rir. Mas, o choque que causou ao lhe dizer que se lembrou que tentou se matar foi tão bom, que chacoalhou o cérebro da cantora e desencaixou as partes como se fossem peças de Lego. Óbvio, Rachel ficou tão chocada que contar uma historinha meia-tigela e ameaçá-la desencaixou as pecinhas do cérebro da cantora que estavam voltando a encaixar. Enfim, Quinn meio que deu um choque na cabeça da cantora. Na verdade, dois choques. Bem fortes. Sem precisar usar arma de choque ou fio desencapado… Ela só precisou chocar a cantora… E era boa nisso. Em chocar as pessoas. Adorava chocar o Russel (aquele escravocrata) e alguns outros chatos de plantão. Mas, a pessoa que sempre gostou de chocar mais foi Santana! Nossa! Era muito divertido chocar Santana. Era. Até se aproximar de Rachel Berry. Certamente, nunca chocaria a pessoa alguma como faria com Rach-Rach. Tinha tantas coisas dançando por sua cabeça…
Sorriu.
Olhou para a cantora, que mirava-a meio abrumada.
“Rachel, alguma dúvida, além das que já foram respondidas?”, perguntou. De verdade, gostaria que houvesse mais interação da parte da cantora.
“Você controlará os meus bens?”, inquiriu meio do nada.
A advogada, que havia voltado os olhos para o papel, ergueu-os para fitá-la.
“Não quero nada seu. Enquanto estiver debaixo do meu teto, comerá da minha comida, beberá da minha água. Seu dinheiro será para suas roupas e coisas pessoais. Quando eu quiser que vista algo diferente, eu mesma comprarei”, esclareceu.
“Oh!”, Rachel exclamou, pensando se – por acaso – Quinn não teria lido 50 Tons de Cinza e se fixado muito na figura de Christian Grey. Haveria, ali naquela cobertura, por acaso, algum Quarto Vermelho ou algo similar?
De repente, pensar sobre isso despertou uma coisa estranha na cantora.
Mesmo com toda aquela pressão, Quinn conseguia despertar nela alguns… Desejos! E queria se matar por isso! Quinn estava se mostrando asquerosa e Jesse mal acabou de partir…
“Algum problema, Rach-Rach?”, a advogada se recostou preguiçosamente na cadeira, mirando com atenção a face da cantora, que arregalou os olhos e meneou a cabeça em negativa, meio ruborizada, como se tivesse sido pega fazendo algo errado.
“Tem certeza?”, a loira achou a situação divertida. Rachel estava tão zonza!
“Tenho, Quinn…”, falou e bebeu um gole do café sem açúcar e não conseguiu evitar torcer a cara com o gosto amargo. Tão amargo quanto o momento que estava a viver com a ex-namorada a sua frente, lendo um contrato que ela não atinava direito, porque tudo parecia, definitivamente, surreal. Sentia-se a protagonista de alguma novela da Televisa, Rede de TV mexicana que produziu grandes (?) títulos, como Rebelde, Maria Mercedes, Marimar, Maria La Del Barrio, entre outras. Era justamente assim. E esta novela que vivia, com um título meia-boca como “El Infierno de Rachel Berry”, tinha como diretora a advogada, que continuava a ler e olhar para a cantora vez ou outra, perguntando se havia alguma pergunta ou dúvida.
Não houve.
Rachel concordou com tudo.
Após ler todo o contrato, Quinn repetiu a pergunta:
“Alguma dúvida, Rachel?”.
A cantora meneou a cabeça, em negativa.
“Tem certeza?”, Quinn sorriu, “eu posso reler tudo outra vez…”, sibilou.
A morena piscou algumas vezes e pousou a xícara, vazia há muito tempo na mão, sobre a escrivaninha.
“Quando acontecerá o nosso casamento secreto?”, perguntou. Estava tão cansada… Só queria ir para casa e deitar na cama e dormir. Dormir muito!
“Hoje”, Quinn anunciou.
O cansaço deu lugar a uma retesada Rachel Berry que conteve o ar.
“Hoje? Como assim? Hoje?”, repetiu a resposta da advogada em forma de pergunta espantada.
“Sim, Rachel! Por que esperar?”.
“Você disse que precisava de testemunhas”, argumentou.
Quinn assentiu com tranquilidade:
“Eu sei, Rach-Rach! E nós temos as testemunhas. Lembra quando eu falei que só bastava um telefonema meu para o Leo?”, questionou, referindo-se ao amigo policial.
A judia assentiu, automaticamente.
“Ele já chegou…”, sussurrou como se fosse um segredo entre as duas. “Ele e Holmes serão nossas testemunhas. E o contrato será assinado diante de um juiz que gosta muito de mim”, completou.
Rachel soltou o ar.
“Quinn…”, murmurou, atônita.
A loira sorriu satisfeita.
“Relaxe, Rach-Rach! Vai ser divertido”, anunciou.
E, em meio a uma certa movimentação silenciosa, um Holmes um tanto embaraçado, um Wilhelm que parecia ignorar a razão de ser convidado a testemunhar, embora Quinn lhe dissesse que era só uma transação comercial e que esta seria explicada a posteriori, um juiz seco e objetivo, que apenas colocou o contrato, remendado com fita transparente para ser assinado, o casamento aconteceu.
Rachel Berry, ainda fora de seu eixo com tudo o que escutou desde que colocou os pés naquele lugar que seria o seu castelo, assinou o contrato apenas olhando a linha certa que deveria conter o seu nome. Não leu. Afinal, por que deveria ler? Era um maldito contrato de casamento em que, praticamente, entregava-se a Quinn Fabray.
Apesar do Quarto Vermelho e todas as coisas que dançaram pela cabela da cantora, ela apenas tinha uma esperança: que sua história tivesse o final feliz da trilogia 50 Tons…
“Se eu soubesse antes o que sei agora, iria embora antes do final.”
— Engenheiros do Hawaii em Surfando Karmas e DNAs—”.
CONTINUA.
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