Sinais Apaixonados
7 O Ponto de Onibus Kristoff's POV
Kristoff's POV
6 da manhã, a aula começa as 8, eu na maioria das vezes dormiria até as 7 para poder pegar o ônibus as 7:20 para assim poder pegar ônibus junto com a Anna, mas preferi ficar pensando no que falar para ela hoje, afinal, tudo aconteceu tão rápido ontem, talvez perguntar se ela esta bem, se ela ficou bem depois que voltou para casa, não, acho que não, ela provavelmente vai pensar que eu sou um tarado sexual, meus amigos sempre reclamam que eu devia ser menos tímido, que eu não devia ser tão rabugento, não me acho rabugento, me acho sincero, talvez eu deva ser mais flexível com ela, provavelmente as únicas pessoas que ela conversa seriam os parentes, o motorista e provavelmente alguns amigos igualmente surdos como ela, acho que ela precisaria ter amigos ouvintes, percebi que as pessoas nem tentam se aproximar dela pela deficiência, isso sinceramente não devia ser um empecilho, decidi parar de ficar pensando, decidi agir na hora mesmo, se eu ficar pensando demais provavelmente eu acabarei falando bobeira para ela, como da vez que fiquei pensando demais em como conversar com uma menina no ensino médio e acabei perguntando se o almoço dela estava muito pegajoso, não gosto de lembrar disso sinceramente, mas coisas da vida, sempre vão ter essas situações, decidi sair da cama para tomar um banho, estava uma manhã fria e como estava muito cedo decidi usar algo que eu não uso desde o ano passado, a banheira, falando desta maneira da a impressão de que eu não a limpo desde a ultima vez que a usei, sempre quando eu a limpo (uma vez a cada 2 semanas já que eu só uso o chuveiro) penso que eu vou usa-la com mais frequência, mas é meio anti-higiênico quando você pensa que esta boiando na própria sujeira, mas as vezes é bom usa-la, hoje por eu não me cobrir direito quando eu cheguei em casa, tava tão entorpecido pelo acontecimento, uma mistura de felicidade com nervosismo, acabei nem me preocupando em me proteger da friagem que entra pela janela no qual o trinco esta quebrado, assim, toda a noite quando venta muito ela fica batendo, um dia quero arruma-la, todas as noites que eu vou dormir e essa janela fica batendo o som fica martelando na minha cabeça, imaginem só, você esta sonhando que esta correndo de um exercito que por algum motivo que você não sabe, lhe persegue, você finalmente consegue se salvar e finalmente tem a recompensa, chegar em um castelo com um banquete a sua espera, uma mesa farta e você parte pra cima do que mais gosta na mesa, costelinha de porco, você vai dar a primeira mordida e, batidas, batidas da janela que te acordam e você fica imaginando enquanto tenta pegar no sono novamente, como estaria gostosa aquela costelinha marinada em Whisky, mas ai penso que eu preciso estudar, fazer relatórios de estudos, arrumar as coisas para começar um estagio (que vai começar em uma semana) e vejo que talvez apenas sonhar com a costelinha de porco seja o suficiente, da uma preguiça de arrumar o trinco, talvez algo me de um incentivo para arrumar, a água já estava na metade, o suficiente para eu entrar e não sair água para fora, como era relaxante aquela água quente batendo nas costas, relaxando os músculos do peito, dos ombros, neste momento imaginei que as mãos da Anna, são tão pequenas, será que ela faria uma boa massagem nos ombros? Meu Deus, que doideira estou imaginando! Juro que se eu continuar com esses pensamentos esquisitos eu vou dar uma passada no bloco de psicologia e ser cobaia dos futuros doutores daquele lugar, eu não vou voltar muito são da cabeça, mas pelo menos pararei de pensar nisso, a água estava começando a esfriar, eu sinceramente não gosto muito de banho, mas a coisa que eu mais detesto na parte do banho, principalmente quando esta frio, é de sair da água para me secar, essa parte do dia só pode ter sido criado pelo Diabo para mostrar que sua presença existe e que é bem forte, o filho da mãe deve ta rindo do sofrimento neste exato momento, já eram 7 horas, serio que fiquei 40 minutos flutuando na minha própria sujeira? Que nojo, bom, não é de se impressionar que demorei 20 minutos para me arrumar, tinha que tirar aquela barba, tava por fazer ja fazia uns dias, com tanto estudo nem tive tempo, barba feita, pegar as coisas que precisarei para hoje, amanhã terei prova sobre aquela droga de aminoácidos que ando estudando faz um tempo, jaleco, hoje teremos laboratório, e a caixa de luvas descartáveis que este mês fiquei responsável de comprar para a turma, eles deviam pedir para aquelas patricinhas que parecem que só vestem o jaleco, e não pra mim, elas não fazem nada além de ficar de enfeite no laboratório, cabelo não faço questão de pentear, finalmente sai de casa, tranquei a porta do apartamento, me despedi do porteiro e subi duas quadras para o ponto de ônibus, agora que percebi que esqueci as luvas, eu devia voltar para pega-las, a noite na hora de voltar o bicho vai pegar, mas não tive tempo de pensar em voltar, o ônibus já tava na quadra de cima, não daria tempo de ir correndo para o apartamento e pega-las, até porque teria que procura-las, fiz sinal para o motorista, subi, passei o cartão e me sentei, todos os acentos estavam ocupados, menos um banco que era para duas pessoas, tive que sentar neste e coloquei a minha mochila no do lado, se algum idoso ou uma gravida queira se sentar, assim o ônibus encheu, até que vi que Anna subiu no ônibus, esperei que ela não iria notar que eu estava la, mas quando atravessou a catraca e fizemos contato visual, eu sinceramente não esperava ver o que aconteceu, ela acenou super alegre para mim e com um sorriso muito alegre no rosto, nunca vi ela sorrir tanto, ela foi até onde eu estava e falou "bom dia" retribui o gesto, não sei quando eu fiz isso mas tirei minha mochila do banco do lado e ela se sentou do meu lado, e começou a escrever no caderninho, ela estava tão radiante naquele dia, parecia que alguma luz se acendeu dentro dela, ou era a cor que estava usando, verde realmente combinava com ela, ela me entregou o caderninho.
"Oi, vai parece estranho, mas quero conhecer melhor você"
Ela estava com um sorriso no rosto, eu provavelmente sorri porque ela ficou corada, não querendo me gabar mas dizem que meu sorriso é lindo, eu logo peguei a caneta e comecei a responder.
"Meu nome é Kristoff, tenho 21 anos e faço o curso de Medicina Veterinária, gosto de frio, adoro cenoura e meninas que dizem que queriam comprar meu cabelo me assustam"
Pude ouvir ela rindo pela primeira vez, ela tem uma voz bonita, queria que ela pudesse ouvir a própria voz, se bem que se ela ouvisse a própria voz ela seria diferente do que as pessoas que a ouvem falar, a voz que vem de dentro é bastante diferente, é impressão minha ou ela passou maquiagem? a pele dela esta de uma cor uniforme, não que eu acho feio, mas ela tem umas manchinhas vermelhas no rosto, uma coisa normal, mas essas manchinhas sumiram e as sardas não estão tão aparentes, e ela passou algo encima dos olhos, um risco preto bem discreto na linha dos cílios e levanta no final, acho que chamam de "olho de gato", e os lábios dela estão mais avermelhados, com...brilho? ela terminou de escrever e levantou a cabeça e pude ver melhor, realmente, ela tinha passado batom, ela se maquiou assim para mim?Pude Ver o que ela escreveu.
"O meu é Anna, tenho 18 anos, faço Comunicação Social, luto pela visibilidade dos deficientes auditivos, adoro o verão mas frio também é bom, meu prato favorito é sanduíche, sou alucinada por chocolate e estudei bastante para conseguir pensar como ouvinte e escrever como um, pelo menos tentar"
Ela é mais brilhante do que eu imaginava, pensava que seria uma adolescente que diz que gosta de ler mas só leu romances adolescentes da moda, mas pelo jeito me enganei, é só o rostinho dela que engana, finalmente tomei coragem para pergunta-la sobre uma coisa que to pensando desde ontem.
"Eu tenho uma pergunta para você, a gente mora perto um do outro, eu moro 3 quadras para cima, porque pega ônibus tão longe?"
Entreguei para ela, então ela pegou um saquinho que estava no bolso dela e me mostrou, um saquinho de papel amassado, aparentava estar meio molhado no fundo, ai pude perceber que era um saco de salgado, e pude ver o que estava escrito no saquinho cinza "Padaria e Panificadora Tiana's Place", agora que pude me lembrar, era uma padaria que fica la perto de casa, vende uns salgados maravilhosos, mas como prefiro fazer comida eu mesmo, raramente passo la, só quando eu to sem tempo de preparar algo e dou um pulo la para comer algo e tomar um refrigerante de garrafa de vidro.
"Tomo café da manhã la, por isso pego ônibus mais pra frente"
Pelo jeito ela é boa de garfo, gosta e aprecia uma boa refeição, mais uma característica que adorei dela, acho bizarro essas garotas que insistem em não comer nada pois acham que vão engordar, e o que tem ter uns quilinhos a mais? Se um cara terminar com uma menina pois engordou, sinto muito mas o sujeito não gosta da moça, mas logo percebi que meu ponto estava próximo, e disse que precisava descer, no meio instante recebi uma mensagem de um colega de classe, a aula foi cancelada,mereço este tipo de coisa não? Ela percebeu minha cara de desencanto e fez uma expressão de "o que aconteceu?" assim mostrei a mensagem pra ela, ela fez uma expressão que não pude deixar de rir, então passei o ponto e continuei sentado, logo em seguida ela me disse que precisava descer, não pensei duas vezes, a cutuquei e pedi o caderno emprestado.
"Já que não tenho aula agora, posso acompanha-la até o bloco? eu nunca fui muito longe do meu bloco e gostaria de ver em que bloco fica seu curso"
Assim que terminou de ler, pareceu ter sorrido com os olhos, estava muito feliz e balançando a cabeça positivamente com muito vigor, quando o ônibus parou ela me pegou pela mão, engraçado que a mão dela fecha em dois dedos meus, e me puxou para fora do ônibus, assim inicia a jornada até seu bloco.
Fale com o autor