Sinais Apaixonados
8 O Ponto de Onibus Anna's POV
Acordei bem cedo naquela manhã para tomar café na padaria que eu mais gosto de comer, não é um lugar muito barato sinceramente falando, mas vale cada centavo que pago do dinheiro que recebo da associação, eu costumo ajudar as crianças surdas de la traduzindo as historias de livros infantis, e as ajudo a entender melhor a escrita, foi difícil para mim no inicio, então sempre tento fazer com que a vida delas seja mais fácil que a minha, naquele momento em que eu pisei na padaria, senti o cheiro de massa folhada assada, como eu adoro este cheiro! Mas não posso comer isto a essa hora da manhã, esse tipo de massa é muito fina e não sustenta a fome por muito tempo, teria que ser algo com a massa mais grossa, olhei no expositor, a moça que ficava atrás do balcão já me conhecia a bastante tempo, desde que me mudei para aquele bairro, como vou la todas as manhãs, ela sempre me deseja bom dia em linguagem de sinais, mas ela só sabe isso, não obrigo ninguém a entender linguagem de sinais para conversar comigo, por isso a um tempo ela tinha comprado um quadrinho branco junto com uma caneta que na outra ponta tinha uma espécie de feltro que servia como um apagador, era mais facil do que pegar o trambolho que seria um apagador para uma comunicação mais rápida, eu ainda estava pensativa sobre o que escolher, pensei em escolher o enroladinho de salsicha, mas aí penso que se eu comer salsicha, meu estômago pode doer por eu estar de jejum e logo pela manhã comer carne processada, ai pensei que eu poderia comer o croissant de presunto e queijo, mas ai pensei que a massa folhada dele não iria me sustentar até a hora do almoço, é uma escolha complicada quando você gosta de ambos, quer saber? eu vou levar os dois, melhor assim do que ficar arrependida depois, para comer não se pode ter arrependimentos, comer é e sempre será uma das melhores coisas do mundo, a moça de traz do balcão escreveu rapidamente:
"O que será hoje Anna?"
Logo pedi para ela o quadro, apaguei e escrevi:
"Os dois, e um chocolate quente por favor para viagem, vou escolher os pães"
Sempre quando vou a esta padaria eu compro pão para a minha família, eles adoram comer pão recém saído do forno a lenha daquela padaria, era bem cedo, meus pais saiam para trabalhar as 7 da manhã, eram 15 para as 6 e eu já estava de pé, não sei porque, mas mesmo por eu ter chegado tarde ontem a noite eu não consigo dormir até muito depois de amanhecer, e este horário é perfeito para ir a padaria pois todas as coisas estão ficando prontas agora e é sempre melhor comer essas coisas bem frescas, da para sentir ainda o cheiro da lenha queimada nos pães e nos salgados, meus pais dizem que é muito prazeroso ouvir a lenha estalando enquanto os pães assam ou até pizza assa, se eles dizem quem sou eu para discordar, escolhi os pães mais douradinhos e fui para o caixa onde um rapaz que pelo que sei é marido da moça do balcão(eles usam alianças iguais), únicas coisas que sei dele é que o nome dele é Naveen (pois esta escrito no crachá) e que ele não é do país, pois ele diz "bom dia" pra mim de uma maneira diferente da que eu aprendi, então suspeito que ele aprendeu um pouco de linguagem de sinais, mas ele aprendeu do país dele, mas não faz mal, pelo menos isto mostra que ele se esforça para pelo menos ser educado comigo, voltando para casa pude ver os primeiros raios da manhã saindo de traz das casas e dos pequenos prédios de apartamento que tinham no bairro, era uma sensação maravilhosa sentir estes raios matinais, era uma sensação que durava pouco tempo pois logo em seguida começava já a arder, não gosto desta sensação, mas já estava dentro de casa quando começou este período, assim que entrei pude sentir algo se enrolando nas minhas pernas, abrindo a boca, parecia dizer alguma coisa e balançando a ponta do rabo, era meu gato de estimação Olaf, ele adorava receber abraços logo pela manhã, Elsa disse uma vez para mim que quando ele abre a boca ele ta fazendo um som que soa como "miau" e que gatos fazem isso quando querem atenção ou estão com fome, Olaf é um gato gordo, não devia ser fome, talvez ele queira realmente abraços, é muito engraçado pois não o treinamos e ele entende perfeitamente linguagem de sinais, as vezes parece que ele sabe que eu não posso escuta-lo, mas insiste em miar para mim, coloquei o chocolate quente e os salgados no balcão, e coloquei os pães na mesa, meus pais já devem estar acordando, Elsa tinha acordado quando me ouviu entrando, me desejou "bom dia" e logo tratou de pegar uma faca na gaveta e me pediu para alcançar para ela a manteiga que estava na geladeira, assim eu o fiz, era engraçado ver a Elsa de pantufas de boneco de neve, com a faca logo roubou um dos pães, cortou ao meio pegou um pedaço de manteiga e colocou no pão, e ficou observando a manteiga derreter, não fiquei observando muito, em poucos minutos tinha que começar a arrumar as minhas coisas para pegar o ônibus das 7:25 para ir para a faculdade, peguei um dos salgados e comecei a comer e a tomar o chocolate quente, fiz bem em pegar dois pois um apenas não iria me satisfazer, logo peguei outro e o devorei, aquilo foi deliciosamente indescritível, vi a hora e ainda era 6:40, tinha bastante tempo até eu ir para o ponto, tinha que pensar como eu iria falar com o Kristoff, ele provavelmente não vai querer papo comigo, afinal ele me acompanhou até em casa por pura educação, Elsa viu que eu estava preocupada provavelmente, acenou para eu poder prestar atenção nela e me perguntou:
"Preocupada com algo?"
Não respondi, não é tudo que preciso falar para a minha irmã, ela já ouviu o suficiente ontem para começar a ter a ideia maluca de talvez o Kristoff gostar de mim, resolvi subir para me arrumar para a faculdade, estava um dia frio então resolvi colocar o meu abrigo verde que eu tanto gosto, sabe aquela peça de roupa que sua mãe odeia que você use pois esta velho e cheio de buracos? Este é meu abrigo verde, o adoro tanto, teria muita pena de joga-lo fora, resolvi usa-lo, para mim ele continua sendo bonito, arrumei minhas tranças e notei que minha pele estava muito avermelhada, não costumo o fazer, principalmente de manhã, só faço esse tipo de coisas em ocasiões especiais, mas era necessario, estava muito avermelhada, resolvi passar um pó no rosto para dar uma disfarçada, Elsa neste momento entrou no meu quarto e notou que eu estava passando o pó para disfarçar, estava atrás de mim me observando da porta do quarto, eu estava sentada na frente da penteadeira:
"Esta bom?"
Pergunte para ela.
"Seu rosto ficou um pouco apagado por causa do pó, deixe me ajeitar isto"
Ela logo pegou um lápis de olho, eu não costumo usar muito, por este motivo ele tinha ponta e estava grande, eu uso maquiagem apenas quando é um jantar importante da associação ou coisas assim, e me pediu para fechar os olhos, senti ela passando a ponta na linha dos meus cílios e passou um algodão em minhas sobrancelhas, provavelmente para tirar o pó em excesso que acumulou nos pelos, abri os olhos e então ela pediu para eu abrir um pouco a boca, ela pegou um pincel e pegou um pouco de batom do bastão, e passou de leve na parte interna dos meus lábios e outra cor mais leve na parte de fora, pediu para eu misturar as cores com os lábios, olhei para o espelho e constatei que não sabia me maquiar, estava realmente bem natural e nada muito exagerado, apenas o necessário para não parecer que eu tinha acabado de acordar e apenas lavei o rosto, Elsa me olhava deslumbrada, sempre foi assim, ela me tinha como uma bonequinha que podia maquiar, mas desde que sai do fundamental ela não fez mais isso, acho que vou pedir para ela fazer isso mais vezes, ficou realmente bem bonito.
"Esta linda Anna, Kristoff vai gostar disso"
Então era isso, pensei que era para me deixar mais feliz e bonita comigo mesma, bom, fingirei que é por isto mesmo, ele nem vai notar que estou maquiada, homens não costumam notar isto, mas se ele gostar e aprovar , sinceramente, não acharei ruim, coloquei os livros na mochila e os aquecedores de mão que sempre carrego em caso de emergência no inverno, calcei as botas e fui na padaria novamente, queria comprar um salgado antes de ir para a faculdade, rapidamente sai da padaria e logo fui para o ponto, bem na hora que terminei de comer o ônibus chegou, não gostava de jogar lixo no chão então guardei o saquinho do salgado no bolsinho da lateral, entrei no ônibus, cumprimentei o motorista, passei o cartão passei a catraca, ele estava la, no primeiro contato visual não me contive, acenei para ele, estava tão feliz de ver ele, parece que ele não esperava esta reação, fui para perto dele, quando ele tirou a mochila que estava do lado dele, ele guardou lugar para mim? que meigo da parte dele, tenho bastante dificuldade de andar em ônibus lotado, principalmente pelo fato de eu não ser alta e é meio complicado de encontrar uma barra para se segurar, o caminho até a faculdade foi bem agradável, conversamos bastante, pude conhece-lo e ficar sabendo que algumas meninas querem comprar o cabelo dele, provavelmente pela cor, tem um tom de loiro bem bonito, da vontade de ficar passando a mão por horas e horas a fio, olhando para a paisagem pude perceber que estava perto do meu ponto, o avisei que eu tinha que descer, neste instante vi ele tirando o celular do bolso e vi ele com uma cara de decepção e frustração ao mesmo tempo, perguntei o que havia acontecido, pelo que disse a aula tinha sido cancelada e a próxima aula seria apenas depois do almoço, me levantei para me preparar para descer, e então ele me cutucou e pediu meu caderno emprestado, não sei descrever o que senti quando eu li:
"Já que não tenho aula agora, posso acompanha-la até o bloco? eu nunca fui muito longe do meu bloco e gostaria de ver em que bloco fica seu curso"
Sorri, apenas sorri e concordei com a cabeça, peguei ele pela mão, e é engraçado ver que a mão dele é bem grande perto da minha, o puxei para fora do ônibus e descemos, assim começa a jornada pela faculdade até o meu bloco.
Fale com o autor