O dia amanheceu com um clima ruim na mansão Sán Román. Estavam todos á mesa para o café da manhã.
– Onde está a tia Alba? — Estevão perguntou ao perceber que só faltava ela na mesa.
– Albinha foi ver o Padre Belisário, para pedir que ele reze a missa de finados.
– Pra que tia Carmen? Nesses 20 anos o Padre Belisário nunca quis rezar a missa de finados da mamãe, não sei porque rezaria esse ano — Estrela comentou se manifestando pela primeira vez sobre o assunto — apesar de isso ser estranho porque ele é muito próximo de nós e sempre falou muito bem da minha mãe.
– Pois é Estrelinha, mas você conhece sua tia Alba, sabe que ela não desiste de nada — Carmen respondeu.

Enquanto isso, Maria trabalhava sozinha fazendo sua prata, trabalho que aprendeu dentro da cadeia.
– Maria, posso te fazer companhia? — Vivian perguntou se sentando a frente de Maria.
– Já está aqui, pode ficar — Maria respondeu sem tirar os olhos do que estava fazendo.
– Maria, não me leve a mal, não quero que pense que eu estou me intrometendo na sua vida nem nada disso, mas por que você está sozinha? não conversa com ninguém?
– Não, eu converso quando necessário, prefiro ficar na minha.
– O que aconteceu? Por que está aqui? Eu reparei essa noite que você quase não conseguiu dormir direito, chamava os seus filhos e dizia odiar um tal de Estevão, quem é ele?
– Vivian, eu vou te contar porque preciso desabafar, não aguento mais guardar tudo o que me aconteceu pra mim mesma, essas coisas me sufocam e eu preciso falar — Maria respondeu parando de fazer o que fazia e olhando nos olhos de Vivian.
– Pode dizer Maria, pode confiar em mim.
– Quando eu era jovem e tinha mais ou menos 20 anos, fui contratada como secretária nas empresas Sán Román, eu era secretária de Estevão, meu ex-marido. Nós nos apaixonamos, nos casamos, mesmo com as tias dele, Alba e Carmen, sendo contra nosso casamento. Depois de um tempo eu tive meu primeiro filho, Heitor, ele sempre foi muito agitado e era tão paparicado por ser filho único, até que depois minha alegria cresceu porque eu engravidei de novo e veio minha filha, Estrela, todos riram de mim quando eu disse que colocaria esse nome nela, mas eu nem liguei e quando ela nasceu e eu vi o rostinho dela tive certeza de que era esse nome que eu queria, sabe? Meus filhos, sinto tanta saudade dos dois — Maria disse deixando várias lágrimas rolarem por seu rosto — Quando Heitor tinha 4 anos e a Estrela tinha 2, meu marido e eu viajamos com as tias dele e alguns amigos da família, Daniela com o marido Demetrio, Fabiola com o marido Bruno, Evandro e Artur, com a esposa Patrícia, a mulher que me acusam de ter matado.
– O que realmente aconteceu, Maria?
– Nós combinamos de nos encontrar no hall do hotel para jantar, eu estava indo até o quarto de Patricia chama-lá, e então escutei um barulho de tiro, entrei no quarto chamando por ela e quando vi, ela já estava caída no chão, morta, e ao lado do seu corpo a arma que usaram para assassina-lá, mas o assassino não estava ali, com certeza fugiu antes de eu chegar. Eu fui tão idiota ao pegar a arma com a qual tinham matado a Patricia, no momento que eu estava ajoelhada ao lado dela com a arma nas mãos, um empregado do hotel entrou no quarto e chamou a polícia, depois disso eu fui acusada, fui presa, no julgamento Evandro mentiu dizendo que tinha me visto entrar no quarto dela com a arma nas mãos e fui condenada a prisão perpétua. Estevão, meu ex-marido não fez nada além de voltar pra casa me abandonando nessa maldita prisão e tirando os meus filhos de perto de mim. Eu sei que nunca vou sair daqui, mas continuo tendo a esperança de ver meus filhos novamente, peço á Deus por eles todos os dias, a todo momento.
– Eu sinto muito você ter passado por tudo isso — Vivian disse deixando algumas lágrimas caírem — é muito bonito a maneira como fala de seus filhos, tenha esperança Maria, um dia você voltará a vê-los.
– Eu nunca perdi as esperanças, mas fazem 20 anos que meu advogado tenta me tirar daqui e não consegue, não acho que eu saia daqui algum dia, muito menos acho que volte a ver meus filhos. Mas, ainda não terminou.
– Tem mais?
– Sim, depois do julgamento, quando me transferiram pra cá, eu descobri que estava grávida, eu teria outro filho do Estevão.
– O que aconteceu com essa criança?
– Eu a tive, era uma menina linda, mas a levaram pra um orfanato, pelo fato de eu ter sido condenada a prisão perpétua, eu não sei aonde fica esse orfanato e nem sei ao menos se fica aqui em Aruba. Então, além de Heitor e Estrela, tenho a minha filha mais nova, que não sei nem se está viva e isso me corta o coração, me desespera.
– Eu sinto muito, de verdade Maria. Você não tem nenhuma foto da sua filha?
– Não, só da Estrela e do Heitor, da minha filha mais nova, não tenho absolutamente nada. Mas quando a levaram, eu coloquei um crucifixo junto dela, pra que a protegesse sempre, espero que se ela estiver bem, ainda esteja com ele.
– Maria, tem visita pra você — avisou uma das carcereiras.
– Já vou — disse se levantando — Deve ser meu advogado, é o único que me visita.
– Maria, que alegria ver você, como está? — Luciano, advogado de Maria se dirigiu a ela ao perceber que ela havia entrado na sala de visitas.
– Como acha que eu estou Luciano? Igual, não tem novidade aqui.
– Mas eu tenho uma, eu vou pedir o indulto de novo, preciso que você assine.
– Pra que? Pra ser recusada pela milésima vez? Eu não vou assinar nada.
– E se assinar e te concederem a liberdade?
– Nunca vão me dar a liberdade.
– E se derem? Você vai poder sair, ir atrás do Heitor e da Estrela e procurar a sua filha caçula, pode reencontrar seus filhos Maria, assine, por favor, não perca as esperanças.
– Faço qualquer coisa pelos meus filhos, vou assinar, mesmo sabendo que não vai dar em nada — Maria disse já assinando o papel.
– Vou fazer de tudo pra que aceitem, vou fazer de tudo pra te tirar daqui.
– Obrigada, muito obrigada Luciano!

Notas finais
Acho que consegui fazer um pouco maior dessa vez o/ obrigada á quem está acompanhando! ♥