Notas iniciais
A jornada contra as trevas vai começar hoje.

–Onde está o líder das trevas? – pergunto à Morte.

–Existe um lugar chamado Kusatta Kankyo, lá foi onde tudo começou, o líder provavelmente está lá – deduze Morte – O caminho não vai ser fácil, tome cuidado pra não ser dominada.

–Mas quer que eu comece agora?

–Quanto antes melhor, levante daí e se prepare.

Levanto da cama de má vontade, meu corpo ainda dói, mas isso é preciso ou viverei no lixo pra sempre.

Saímos do colégio e Morte me orienta:

–Depois que começar essa jornada não poderá voltar atrás, levarei você até a Floresta dos Corações Corrompidos, não se deixe corromper.

–O que acontece se eu for dominada?

–Seu coração se tornará negro, não será capaz de amar e se tornará vazia como quase todos, nunca descobrirá quem é verdadeiramente nem poderá ser feliz.

–Meu coração já está no caminho da escuridão, não é? – suponho.

–Cada um tem seu lado sombrio, pare de ter tanto medo, às vezes vemos o que não queremos por causa do medo.

–Estou toda ensanguentada. Posso me trocar? – mudo de assunto.

–Faça isso logo então.

Acho umas roupas nos achados e perdidos e coloco.

–Vamos logo temos pouco tempo! – alerta Morte.

–Temos tempo?

–As trevas dominaram até mesmo o tempo que está distorcido, às vezes está rápido demais, outras devagar demais...

–E às vezes totalmente parado – completo a frase.

–Agora compreendeu? Se demorar demais o tempo parará pra sempre, os lúcidos enlouquecerão, as pessoas odiarão umas as outras, só existirá dor, sofrimento, ódio, guerras – conta ela.

–Isso seria horrível!

–Por isso deve se apressar, segure a minha mão – ela estende a mão.

Seguro sua mão gelada. De repente estou numa floresta sombria, árvores mortas, névoa a nossa volta, um caminho sujo e esburacado. Há uma placa: “Floresta dos Corações Corrompidos, entre se quiser apodrecer”. As letras são vermelhas e há o desenho de um coração rachado e negro, não quero apodrecer, não vou apodrecer.

–Aqui é o meu limite, boa sorte – diz Morte.

–Espere, o caminho é longo?

Ela desaparece e não responde minha pergunta, agora estou sozinha, e estou com medo. O lugar é um filme de terror, mesmo que Morte esteja do meu lado ela não poderá fazer nada. Começo a caminhar, atenta a qualquer barulho ou animal que aparecer. Começo a cantar:

–“Não tenha medo meu anjinho

Você é a luz que iluminará o caminho

É a coragem que derrotará a escuridão

Lute pela esperança de seu coração

Nada pode fazê-la desistir de seu sonho

Você é a estrela do amor”

Quando eu tinha medo minha mãe cantava isso, era bom ser criança. Lembrar disso me faz chorar, minha mãe não presta muita atenção em mim agora, ela é muito ocupada. Isso não é ruim, o pior é que meus pais só me criticam, isso dói tanto. Eles sempre acham algo para dizer que estou errada, não importa o quanto eu tente, sempre falta algo. Foi por isso e por outras coisas que prefiro ficar no mundo dos sonhos, na minha fantasia feliz...

–O mundo real é doloroso demais – fala alguém, a voz é de garota.

–Quem é você? – faço a típica pergunta – Eu sou Dare, tenho de derrotar as trevas.

–Eu sou Mizu, eu acho – diz ela –Uma vez um homem veio até mim dizendo: “Mizu, mizu...” (água, água). Acho que esse é meu nome.

A garota se mostra, ela tem cabelos loiros usa um vestido branco meio surrado e para minha surpresa, usa uma máscara como a minha, só que branca.

–Você disse que quer derrotar as trevas? – questiona ela.

–Sim, Morte me mandou numa missão. Pode me dizer como chegar até elas?

–Eu não sei, mas eu... – ela não consegue terminar a frase.

–Que foi?

–Eu...eu... – a garota parece que vai chorar, pega algo, uma rosa branca – Eu não quero ser corrompida.

Em alguns instantes a rosa branca nas mãos dela escurece, murcha e morre.

–É isso o que acontece com todos, eu não quero – ela tira a máscara.

Antes que eu possa ver seu rosto direito ela corre e me abraça.

–Por favor, me ajude! – pede ela chorando – Acabe com as trevas! Por favor!

Percebo que o mal se aproxima, a escuridão...as trevas. Não posso deixá-la ser corrompida.

Soco o ar e toco algo sólido, acabo de socar um garoto de treva, essas são diferentes dos da última vez, são mais fortes. O garoto segura meu punho e aperta, meus dedos estalam e para não gemer cerro os dentes. Ele me puxa, afastando-me de Mizu e me joga com um soco num tronco de arvora. Arquejo, ainda estou dolorida da outra luta. Mizu grita tentando se esconder.

–Mizu coloque a máscara logo! – alerto, mas a máscara está fora de seu alcance.

Praguejo e corro para protegê-la, mas eles são muitos e vem de todos os lados.

Afasto todos que consigo, com chutes e socos, só que não dá pra continuar assim. Eles me machucam e tentam pegar Mizu que está apavorada querendo fugir. Acabo levando um murro no rosto e fico sem tempo pra pensar. O garoto chuta minhas costelas e ouço mais estalidos, grito de dor e ele me empurra ao chão. Outros garotos vem pra cima de mim, me dão uma surra.

–Mizu! – grito tentando me libertar deles, quero saber se ela está bem – Mizu!

Minha máscara cai e posso ver Mizu no meio das trevas gritando e tentando esconder-se.

–Mizu! Mizu! – fico desesperada entre golpes e mais golpes dolorosos – Mizu!

Não importa o quanto eu sangre ou o quando dói, o pior é ver uma pessoa ser tomada pelas trevas. Os garotos a esfaqueam, Mizu grita desumanamente por causa da dor e do desespero, eu choro e grito também, mas não posso me mover. Por que eu não me movo?!

Os garotos em volta de Mizu começam a perder a forma e se tornam sombras negras em volta dela, os que estão me batendo param e olham. As sombras em volta de Mizu entram dentro de sua boca e ela desaba de joelhos no chão, não se move e não consigo ver seu rosto. Seus cabelos se tornam negros e seu vestido fica negro, ela ergue a cabeça e vejo seus olhos sem vida. Em seu rosto há símbolos parecidos com os que há em quase todos em Janku, Kotori, Kah, Tenshi... Todos tem coisas parecidas. Esses são símbolos das trevas?

–Me salve... – murmura Mizu.

Então seus olhos ficam vermelhos e ela sorri desdenhosamente, está dominada pelas trevas, não é mais a Mizu e sim um monstro do mal.

–Mizu!

Ela se levanta rapidamente e chuta meu rosto, os garotos se afastam, o chute é tão forte que sou empurrada e bato a cabeça numa árvore. Cuspo sangue.

–Mi... – ela não me deixa terminar a frase e me levanta do chão bruscamente.

Duvido que Mizu tenha força pra fazer meus pés saírem do chão e mesmo que tivesse não o faria, seu coração é bom, mas agora ele foi corrompido.

–Desculpe Mizu – choramingo – Eu devia ter...

Ela soca meu estômago, grito abafadamente com os olhos arregalados, perco mais sangue.

–Ah... – fico gemendo e Mizu me dá um murro no rosto.

Não consigo ficar de pé e quase caio, ela segura meu pescoço me pressionando com força no tronco da árvore.

–Mizu por favor me ouça! – peço chorando – Não deixe as trevas...

Ela me bate novamente, não aguento tanta tortura, quero que acabe.

–Mizu você é boa... – ela puxa meu cabelo e me fere mais uma vez – Volte!

Mais dor, mais sangue, mais choro e sofrimento. Pare por favor!

–Sei que está aí em algum lugar! – ela me machuca de novo – Pare! Ouça a luz!

Mizu talvez esteja em conflito consigo mesma, quer me atacar,só que se contem.

–Mizu vou libertá-la! – prometo e a abraço – Volte para a Luz!

Ela me empurra para o chão e coloca as mãos na cabeça, um de seus olhos voltou ao normal, o outro não. Ela grita de forma apavorante.

–Socorro! – pega uma faca e enfia em seu peito, começa a esfaquear-se berrando.

Fico chocada, mas não posso fazer nada, estou muito fraca. Sinto meus olhos pesarem e seu que se eu fechá-los poderei morrer.

Mizu continua se esfaqueando, percebo que o que sai dela não é sangue, é negro, são as trevas. Ela está tentando eliminá-las. Quero fazer algo mas não consigo mais deixar os olhos abertos...e durmo.

Do nada apareço em uma cidade toda destruída, acho que lá ocorreu uma guerra, também tem corpos no chão se decompondo. Acabo pisando numa mão e tomo um susto com um garotinho de uns cinco anos mutilado pelo chão. Ouço uma música melancólica:

“Em uma noite fira na adormecida cidade

Criança ou adulto não importava a idade

Isso é tão detestável que não pude me conter

Mesmo que o cantor medíocre tentasse me convencer

Com todo aquele ritmo falso, nada podia me deter

Nem mesmo a chuva forte que começou...”

Vejo que é uma garoa de uns dezoito anos, ela está virada de costas, sentada numa pilha de ossos. Não entendo como ela não se incomoda com os mortos. Só continua a cantar:

“Eu vou quebrar a tranquilidade desse mundo

Já corrompido por corações imundos

Eu vou destruir a paz desse mapa monocromático

Vejam só o que me tornaram

Qual o problema de mais um sorriso sádico?

Digam “oi” para o monstro que criaram”

A garota para de cantar e se vira, olha pra mim, ofego de medo. Ela parece uma psicopata que quer me matar, fico tão apavorada que nem consigo me mover.

–Liberte-se desses monstros – diz a garota – E torne-se o monstro deles.

Ela ri, é feita só de trevas, quero correr, mas ela atira em mim com um revólver.

–Você não pode continuar fugindo do destino por muito mais tempo.

Fico tão desnorteada que sinto que vou desmaiar, até que todo fica borrado e vejo o céu a noite, foi um sonho. Olho em volta, Mizu está atirada no chão.

–Mizu – vou até ela, não está sangrando, não está morta só desmaiou.

–Morra... – murmura ela e franzo a testa – Morra...eu quero ver sangue...

Mizu sorri maldosamente, não posso crer. O que aconteceu com aquela garotinha medrosa e inocente de antes?

–Morram seus demônios! Agora paguem pelo que fizeram...

–Mizu...Onde está você? – pergunto.

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As garotas com sede de sangue faziam qualquer voz desaparecer, aterrorizavam cidades sem saber da existência uma da outra. Uma delas ainda tinha uma parte humana, apesar de ser má. A outra era tão terrível e desumana que a chamaram de Nightmare no Sekai, o pesadelo do mundo. Mas ela ainda se tornaria pior com o passar do tempo.

Notas finais
O que será que aconteceu com Mizu? E quem era a garota do sonho? kkkkk Sabe a Tammy? Ela era uma grande amiga minha (na vida real), só que um dia ela não apareceu mais e fiquei muito triste, resolvi colocá-la na fic. Ficou bem parecido, né? No próximo cap Dare conhecerá uma mariposa negra e verá uma coisa assustadora kkkk