Simplesmente acontece
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem...
Mais um dia cinza, as nuvens impedem que os raios de luzes façam o que ele fazem de melhor: Clarear. O tempo em Londres tem sido assim, toda temporada está “escura”, parece que o tempo está sendo irônico comigo, ele me diz: “estou só seguindo seu estado de espírito”. Bem, ele tem feito um bom trabalho!
Sempre fui uma empregada, sempre mesmo. Meus pais morreram com uma dívida que só poderia ser paga por mim. Isso! Se eles morressem antes de pagarem a monarquia, o dinheiro que eles pediram quando estavam em desespero, um de seus filhos seriam empregado da monarquia para sempre. Como eles só tiveram uma filha, cá estou eu. Acordando às 04:00 e indo direto para a cozinha, dizem que sou sortuda por ter talentos culinários. Que pior é trabalhar na faxina. Bem, eu digo que não existe algo mais terrível que nascer com um destino. Sem liberdade. Sem sonhos. Sem nada. Sem sorte.
Na verdade, eu tive uma infância feliz. Meus pais eram ótimos, sempre fomos pobres mas conseguíamos viver. Eu era livre, me lembro desses tempo todos os dias. Eu vivo do passado, o presente não é bom comigo e o futuro me assusta. E então, ele morreram, foram assassinados. E eu fui cumprir meu dever com apenas 10 anos.
Todo dia é a mesma coisa, eu cozinho até às 17:00. Minha vida se resume a um fogão.
Quando chega a noite eu leio, fujo da minha vida e vivo as dos livros. Lá eles são felizes. Lá eles podem ser quem eles querem.
- Não precisa chegar tão cedo, Elena. – Elis, uma das cozinheiras me repreende. – Você pode dormir mais.
- Não seria justo. – digo a mesma desculpa de sempre – você já está trabalhando e eu me comportando como uma princesa.
Ela ri.
- Todas sabemos que você não é uma princesa. Apesar de ter a beleza de uma. – ela beija minha testa e eu sorrio. Elis sempre cuidou de mim desde que cheguei ao castelo. Ela que me ensinou todos os truques culinários.
- Hoje, é o grande dia. – Elis fala empolgada. – o dia em que o Damon escolherá alguém.
- Eu não entendo. – falo incomodada. – como ele pode escolher alguém? Assim, como se a pessoa pertencesse a ele?
- É a tradição, Elena. Não se questiona a tradição! – Elis me olha sorridente, sei que ela valoriza as tradições.
- Que tradição boba, o filho que não assume o trono escolhe qualquer uma para se casar. É para fazer inveja ao irmão que terá que se casar com alguma princesa, por obrigação? – digo debochando.
- Essa tradição é linda! – Elis passeia sonhadora pela cozinha cheia de ingredientes frescos. Hoje, temos muito trabalho. – Já existiram meninas pobres que foram escolhidas, Elena.
- Uma entre 100. – Elis me olha com reprovação. Ela é sonhadora, eu deixei de ter sonhos aos 10 anos.
- Vá pegar os ovos. – ela aponta para o balcão e vejo o pequeno bolo. Ela sorri e me abraça.
- Não esqueço do seu aniversário nunca, minha garotinha linda. – ela volta a me abraçar.
- Obrigada, Elis. Tenho esperança que em algum ano você esquecerá. – dou um tapinha de leve em seu braço. Não gosto do meu aniversário, ele me lembra que a vida está passando e eu continuo no mesmo lugar. Como uma pedra.
- 18 anos? – concordo – você cresceu tão rápido. – ela alisa meus cabelos.
- Nem me fale.
Ás 06:00 a cozinha lotou, chegou cozinheiros contratados e começaram a mandar na cozinha. Nós só servimos para guiá-los para os ingredientes e receber gritos quando algo não dar certo. O clima de festa me deixa enojada, não gosto de qualquer tipo de comemorações. Agradeço, por só ficar na cozinha. Eu nunca saio. Nunca vi a cara dos meus patrões. Não saberia reconhecer se os visse.
As coisas estão mais confusas que o normal, a porta da cozinha é um caos. Os empregados correm por toda parte, tudo tem que ser perfeito. É o grande dia, a última vez que isto aconteceu foi há 60 anos. A cidade está animada, a Inglaterra está animada. Eles festejam o amor, como se isso fosse um romance. O filho do rei deve ter alguém em mente, alguém que goste, e todos já sabem quem será. Sem surpresas. Nada de emocionante.
- Não acredito! – uma moça alta e bonita chega gritando na cozinha. – Não é possível que só tenha vindo 345 garçons, precisamos de 350. – ela continua gritando, como se 5 pessoas fizessem um enorme estrago. Fico no canto, não gosto de gritos.
- É só arranjar entre os empregados. – alguém fala.
- Mas, eu não uso qualquer garçons. Tem que ser apresentáveis, educados. – riu. Ela olha para mim e sorri. – Você! – ela aponta o dedo para mim. – Sim, você! – ela agora está pulando de alegria. – Pode ser uma garçonete, agora só preciso arranjar mais 4.
- Não, senhora. Eu não sou educada o suficiente. – falo debochando. – Nunca sai dessa cozinha.
- Não importa, você é bonita o suficiente. Na verdade, bonita até demais. – coro com suas palavras, não costumo me olhar no espelho. Não ligo para isso. Sei que causo algumas reações nos rapazes, mas nada demais. Nunca me sentir bonita, nunca me sentir nada.
- Você não poderia colocar outra pessoa?
- NÃO! – ela fala alto. – Participar dessa festa é um privilégio.
Fico calada, não tem como questionar, são ordens e sou apenas uma empregada.
Entro no salão principal de me assusto com a dimensão dele, sabia que estava trabalhando para a família mais rica e mais importante da Inglaterra, mas não imaginava algo dessa magnitude. Nunca havia experimentado nenhum tipo de riquezas, então, não tinha parâmetro.
Estou chocada. Olhando cada detalhe daquele imenso salão rodeado por velas, e destacando a pintura das paredes, cenas bíblicas cercam o salão. Os móveis refletem luxo em cada diâmetro.
- Vamos, linda. – Um garçom passa por mim piscando o olho. – Não temos tempo a perder. – E não tínhamos mesmo, alguns convidados já tinham chegado, e logo o salão seria repleto de todo tipo de pessoa. De fotógrafos à realeza. Não queria nem imaginar o quanto que teria que aguentar.
Já faziam duas horas que servia, e nada do homem da noite aparecer. Seus pais e o príncipe recebiam os convidados. Eu só queria que aquilo terminasse logo. Elis havia me explicado que Damon demoraria a entrar, isso faz com que gere mais expectativa, e para não dar azar todas as suas pretendentes teriam que já estar no salão quando ele entrasse.
- Você pode ir pegar mais champanhe? – um convidado esnobe pergunta.
- Claro. – me viro em direção a cozinha. Na volta tropeço em algo e derramo o Champanhe sobre mim. “Ótimo, Elena!”
Vou a procura de algum canto em que possa limpar o estrago. Nunca tinha andado por aqui, então estou perdida. Decido abrir todas a portas que encontro e vê se acho o banheiro.
“Não!”
“Não!”
“Não!”
“Ops!” um homem bastante atraente se virá em minha direção.
- Desculpa, estou perdida. – falo baixando a cabeça e saindo do lugar.
- Espere. – ele diz me fazendo parar. – também estou perdido. – ele sorri, mostrando um sorriso maravilhoso.
- Não posso te ajudar. Ou você está a fim de se perder mais? – ele ri. – Isso aqui é um labirinto. Imagino as pessoas que moram aqui, como devem se perder fácil.
- Você não conhece a realeza? – ele pergunta curioso.
- Não.
- Nunca os viu?
- Não, só trabalho para eles. Não sei o que faria perto deles.
- Você seria você mesma. – ele diz se aproximando, e agora posso ver a cor dos seus olhos: Azul límpido. – São pessoas normais.
- Desculpa, você também é rico ou não seria convidado. Você não entende, ricos e pobres não se entendem. É a vida, é o mundo. – suspiro.
- E o uniforme é assim mesmo? – ele aponta para minha roupa melada. Me envergonho, posso levar um grande carão por isso. – Desculpa – ele segura meu queixo — não quis envergonhá-la.
- Tropecei em algo e derramei champanhe em mim. Sou um desastre total, tenho que limpar. – vou em direção a porta. – Adeus, tenha uma boa festa. – sorrio.
- Até mais, como se chama?
- Gilbert, Elena Gilbert.
Finalmente, encontro o banheiro, me limpo depressa e sigo para o salão. Ele está mais cheio e animado. A música passeia por todo o ambiente e as moças estão cada vez mais ansiosas. Os olhos delas brilham de emoção.
- É com grande alegria que anuncio a entrada do homem mais importante da noite. Damon Salvatore, senhores e senhoras. Rapazes e moças. – o salão é tomado por palmas e gritos estridentes, me viro em direção a voz e quase caio para trás. O filho da realeza, meu patrão, era o homem com quem conversava agora a pouco? Que falei várias besteiras? Agora eu estava nervosa, poderia levar sérias broncas. Espero que ele já tenha esquecido da nossa conversa. Talvez tenha. Afinal, sou só uma empregada. – Damon, você terá que fazer sua decisão. – Um homem baixo e gordo fala.
- Não posso nem comer? – Damon abre os braços e arranca risadas.
- Temo que não. A Inglaterra não pode esperar mais. Toda a realeza se aproxime. – Vejo três pessoas indo em direção a Damon, todos muito bonitos, que exalavam poder. – Siga o seu coração, querido. – a rainha fala tocando no braço de Damon.
- Eu seguirei.
- Pois bem, quem será a contemplada? – todo o salão está em silêncio.
- Elena Gilbert.
Notas finais
A avaliação de vocês será muito importante para o andamento da estória, ou seja, mais comentários me motivam a escrever mais rápido.
Comente!!! :D :D
Falem se gostaram ou odiaram, podem ser sinceros, sugestões são sempre bem-vindas.
Beijos e obrigada por chegarem até aqui.
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