Notas iniciais
Olá, leitores lindos! Como vão? Espero que bem :D Fico muto feliz pelos comentários, obrigada mesmo a todos que deixaram suas opiniões. Vai-se mais um capítulo, espero que gostem!

Derrubo a bandeja no chão, o salão se vira para mim. Meu vestido, antes melado de bebida, agora está melado de molho também. Continuo procurando no salão alguém que irá se pronunciar, tem que existir outra Elena Gilbert. Não é possível.

– Você, Elena. – Damon desce das escadas e anda em minha direção, o público o acompanha com os olhos, assim como as câmeras. Ele segura em minha mão e me guia para onde ele estava antes.

Estou sem reação. Na verdade, estou furiosa. Só pode ser uma brincadeira de muito mal gosto. Alguma brincadeira que faz parte da tradição que Elis esqueceu de mim contar.

Gargalho. Isso é o que faço quando estou nervosa. O público gargalha comigo.

– Você deve estar muito emocionada, querida. – o homem baixo e gordo fala ao microfone e as risadas cessam, inclusive a minha. – Primeiro derrubou a bandeja e agora essa risada. Damon gosta de garotas com senso de humor. – ele pisca para Damon.

– Bem, não sei do que Damon gosta. Não o conheço. – houve um espanto no público, e retorno a falar. – Acho que ele não est...

– Elena sempre gostou de brincadeiras, não é meu amor? – ele me olha com um expressão de “não faça ou diga besteiras”. – Ela está cansada, mesmo sabendo que seria a escolhida não quis deixar de trabalhar até o momento do anúncio. – o público aplaude, os britânicos sempre admiraram os trabalhadores. – Acho melhor encerramos por hoje, quer dizer, vocês podem continuar com a festa, eu e minha futura esposa vamos nos retirar.

As pessoas começaram a gritar felizes, quase todas as pessoas, algumas meninas estavam bem irritadas. Eu continuava sem entender nada. Só queria esclarecer as coisas.

Damon me deu a mão, que aceitei com relutância, e saímos juntos para o andar superior. Onde passávamos as pessoas nos cumprimentavam e desejavam felicidades. Eu baixava minha cabeça, nunca recebi atenção. Ninguém reparava em mim, e de uma hora para outra era noiva de alguém que nem conhecia, que não queria ser.

Chegamos a um quarto enorme, repleto de fotografias. Linda a decoração, mas as fotografias me chamavam atenção. O brilhante da foto, e o momento do “click” pareciam imagens de filmes. Perfeitos. Por um momento me perdi naquelas lindas imagens, ou só estava com medo do que iria escutar de Damon.

O que eu poderia falar? Ele era meu patrão, eu só obedecia ordens. E estava muito furiosa para uma conversa, nunca enfrentei ninguém. Nunca gritei com alguém, e tudo que queria fazer naquele momento era gritar. Dizer que ele não podia fazer aquele comigo, que eu era uma pessoa e não um objeto, que eu não queria e nem iria me casar com ele. Mas, se tem uma lembrança da minha mãe que guardo, de maneira ativa, na memória é que não posso discutir com alguém até que eu esteja calma. Palavras machucam muito quando ditas de maneira errada. Não queria machucar ninguém, principalmente o meu patrão.

– Você deve estar feliz. – Damon fala depois de alguns minutos em silêncio. Quero socar o seu rosto, como ele pode pensar isso? Naquele momento todo o meu controle foge de mim, e explodo.

– Feliz? – dou uma risada – você está louco? Eu nem te conheço! Nem sei seu nome completo, você não leva em consideração meus sentimentos? Os meus desejos? Nunca pensou que se eu quisesse me casar um dia seria por amor?

– Você pode ter tudo que quiser – ele diz – não pode ser tão ruim.

– E você acha que sou um objeto? – grito com ele, a primeira vez que grito com alguém. Minha voz sai tão alta que até eu me assusto.

– Você ama outra pessoa?

– Não! Mas, isso não importa, o que importa é que eu não quero me casar com você. Isso é alguma brincadeira para entreter os convidados? – pergunto ainda acreditado que isso não possa ser real.

– Claro que não, Elena. Não faria isso com você.

– E faria eu me casar com alguém que não me importo? – pergunto irônica. – Você está bêbado ou drogado? Por que você me escolheu?

– Estou em perfeita condição. – ele ri, fico o encarando. Como ele acha graça em um momento com esse? – Escolhi você porque não tinha ninguém mais para escolher.

– Eu sou o resto? – pergunto ofendida, nem nas minhas poucas fantasias, bem realistas, imaginaria me casar por esses motivos. – Tinha tantas meninas lindas naquele salão. Nenhuma te interessava, não é possível. Você só pode estar blefando!

– Todos estavam interessadas pelo meu título e dinheiro. Odeio ter que escolher agora uma esposa, naquele momento que você entrou naquela sala eu acabará que chutar um móvel, praguejando sobre a minha infelicidade. E você entrou, a primeira pessoa que não me conhecia, a primeira conversa normal que pude ter sem que ninguém quisessem algo em troca. E você é tão bonita. E eu já pensava que aquilo poderia ser conveniente, e então, você me disse seu nome. – ele para, como se travasse uma luta com ele mesmo para ver se era certo dizer aquilo – Sabe, eu conheci seu pai.

Fico em choque, poucas pessoas falavam de meu pai. E quando as poucas mencionavam ele, meus olhos ficavam marejados. A dor da perda ainda era muito forte.

– Eu adorava as flores do jardim, elas dão de frente a varanda do meu quarto. Um dia eu resolvi conhecer o jardineiro, eu tinha 14 anos. – meu pai era o jardineiro do castelo, costumava dizer que ele fazia milagres com as flores. Ele parecia ser amigo delas, de alguma maneira elas desabrochavam para ele. – Seu pai era maravilhoso – aquilo me arranca uma lágrima. – passamos toda uma manhã conversando, ele me ensinava de plantas e eu aprendia empolgado. Ele era tão gentil com elas, que eu nunca pude esquecer dele. Sabe do que ele mais me contava, Elena? – Damon pergunta com os olhos brilhantes.

– O que? – pergunto com um sussurro. As lembranças estão, agora, em toda a minha mente.

– Que ele tinha uma filha doce, que parecia um anjo. Ele dizia que você era linda, meiga e a melhor criança que já existiu. – choro, não consigo suportar o peso de suas palavras. Damon me abraça. – Nunca esqueci do nome dele. – Damon fala alisando os meus cabelos, minha cabeça está encostada em seu largo peito. – Logo, depois as flores começaram a morrer. Fui procurar saber porque elas estavam assim, e descobri o que tinha ocorrido. Sinto muito. – ele me aperta mais em seu peito. – Ninguém devia sentir a dor de perder alguém. – ele fala como se enfrentasse seus próprios fantasmas.

Passo algum tempo chorando. Ele não diz nada. Me sinto confortável. Seu cheiro é agradável.

– Quando você me disse seu nome, logo associe. E pensei que não seria tão ruim se eu te escolhesse, você não tem família. Quer viver para sempre como uma empregada? – me afasto para o olhar.

– Foi muito gentil tudo o que você me disse, mas não posso me casar com você. Você não me ama, eu não te amo. Não te desagrada a ideia de se casar com uma mulher que você não ama?

– Não acredito mais no amor. – ele me diz amargurado.

– É uma pena, porque nem eu, que já perdi tudo. Meus sonhos, minha família, minha infância, minha adolescência, tudo. Não deixei de acreditar no amor, acho que é um sentimento nobre. Não quero deixar de acreditar nele, eu sei que ele existe em algum lugar, só preciso encontrar. – digo triste – acho que foi algo que meu pai me ensinou.

– Eu já encontrei o meu amor, mas ele fugiu de mim.

– Sinto muito, existem outros amores. Se empenhe mais em procurá-los, não se case comigo. Não faça isso, quebre essa maldita tradição, e escolha uma esposa quando você estiver pronto.

– Não posso fazer isso, Elena. — ele me olha triste. – Não posso decepcionar a Inglaterra, ainda tenho honra. – ele ri sem graça.

– Você terá que procurar outra pessoa para ser sua esposa. – digo firme.

– Não. – ele implora – não será tão ruim se casar comigo, prometo que não encosto em você, terei amantes, e você terá qualquer luxo.

– Por que não se casa com uma dessas amantes? – pergunto incomodada.

– Por favor, Elena. Elas são para o meu prazer, apenas isso.

– Não posso fazer isso, Damon.

– Você sabe que posso te obrigar?

– Você não faria isso. Tenho esperança que não seja tão esnobe ou ridículo.

– Tem razão – ele passeia pelo quarto, percebo que ele está nervoso. – pense nisso, me der a resposta amanhã.

– Ok! – vou em sua direção e lhe dou um beijo na bochecha – obrigada por me compreender. – ele sorri e diz.

– Pense com carinho.

– Pensarei. – digo saindo do quarto.

Tento ser o mais discreta possível, uma missão impossível. Quando chego no salão principal vários fotógrafos me cercam.

“Como conquistou o coração dele?”

“Como se sente sendo a primeira empregada a ser casar com o filho do rei?”

“Contos de fadas, não é?”

Permaneço calada, um grupo de seguranças me guiam até uma sala que nunca entrei antes. Ela é luxuosa como todo o castelo.

– Aqui você ficará bem. – um dos seguranças diz com uma voz grave. – Espere senhora Olga chegar, ele te guiará nesta nova fase.

Eles saem da sala, e aproveito para espiá-la. A sala é de livros, na verdade é uma biblioteca. Rodeio a sala tocando nas estantes de livros, é inacreditável a beleza daquele lugar. Todos os livros que tenho foram doados, eles estavam bem gastos. Aqueles livros eram bem conservados, e eram tantos que chegava a ser impossível contar sem lápis e papel.

– Senhorita Gilbert? – uma senhora de meia idade chama a minha atenção. Ela me olha afetuosamente. – Gostou da biblioteca?

– Oh, sim! Nunca vi algo parecido. – digo sorrindo, livros me provocavam felicidade.

– É incrível esse lugar. – ela passeia a visão por toda a biblioteca, confesso que é meu lugar favorito de todo o castelo, por isso que preferir de encontrar aqui. – Ela aponta para uma cadeira e vou me sentar lá. – Como conquistou, meu Damon?

– Esse é o problema – digo sincera – eu não o conquistei.

– Como assim?

– A primeira vez que o vi foi hoje. – ele se assusta, e depois, volta a expressão tranquila de antes.

– Você deve ter causado um impressão e tanto. – ela sorri. – Sei que deve estar cansada, mas é preciso saber que sua vida irá mudar completamente. Já tem um quarto especial para você no terceiro andar, lá é o quarto das noivas. Você terá que aprender várias coisas todo dia, coisas de etiqueta, vestimenta, modos. – faço uma cara de exausta, só de pensar me sentia cansada. Definitivamente, não iria me casar com ninguém! – Te explicarei melhor depois, é só necessário você ter uma noção. E saber que você não é mais uma funcionária da monarquia. Você agora faz parte da monarquia. – ela fala muito empolgada. Quero dizer a ela que não irei fazer parte de monarquia nenhuma, mas acho melhor dizer primeiro ao Damon.

– Isso é tudo? – pergunto fingindo uma cara de animada.

– Por hoje, é só! – ela pega na minha mão e diz – estou muito feliz pela escolha do Damon, é bom ver que o amor não se restringe a classes sociais, e que não terei que lidar com uma mesquinha. – rio com o seu comentário. – Pode ir para o seu quarto, querida. Você precisa descansar.

– Hoje posso dormi no meu quarto de sempre?

– Claro, mas só hoje.

O sol já está nascendo e não conseguir fechar meus olhos. Tudo ainda era irreal. Queria dormir e descobri que tudo não passava de um sonho. Minha cabeça latejava, meu corpo doía. Estava cansada, mas não conseguia relaxar. Precisava dizer minha decisão a Damon, passei toda a noite pensando nisso.

Tomo um banho, e coloco um vestido azul, o único arrumado que eu tenho. Quero, desesperadamente, falar com Damon. Não quero esperar, não quero falar com mais ninguém.

Sigo para o que acho que é seu quarto no castelo, entrei pela a cozinha. Os guardas me cumprimentam com um sorriso simpático. Agradeço aos céus por Elis não estar na cozinha, são 05:30 da manhã e por algum milagre ela não se encontra aqui. Sigo pelo corredor que me lembro, chego no segundo andar e bato na porta que não sai da minha cabeça, o quarto de Damon.

– Elena? – ele me olha surpreso, assim que abre a porta.

– Preciso dizer minha decisão, espero não ter te acordado. – entro em seu quarto.

– Não me acordou, não dormi nada. – ele me fala com a voz cansada, percebo que ele está com olheiras.

– Eu também não, várias coisas se passavam pela minha cabeça. – olho para o chão, não quero encará-lo. Não sou boa em lidar com essas situações.

– E então, o que decidiu?

Notas finais
Gostaram??? Por favor, pessoas lindas, deixem seus comentários, observações, dúvidas, anseios, sugestões. Por favor, mesmo! Não sejam leitores fantasmas, não é legal :( O que me move são os comentários, então, comentem se querem que a estória prossiga :D Beijos doces, e até a próxima