Notas iniciais
Gente tadinho do loiro né? eu juro que faço ele sofrer, mas amo ele

A conversa com o pai ajudou o loirinho que pouco a pouco voltou a normalidade, voltando sua energia para o balé e os cursos que resolvera fazer nas horas livres. Ocuparia sua mente e tempo com outras coisas que não fossem Ikki Savalas.

Tentou se afastar de Mime, mas o finlandês insistia em manter a amizade então Hyoga cedeu só evitando que ele e Ikki se encontrassem. Graças ao pai, pelo menos em casa Ikki estava proibido e depois de uma conversa que Camus e Milo tiveram, Ikki se afastou.

Contra a vontade do moreno diga-se de passagem.

— Mime 'cê tem falado com Hyoga? – Ikki indagou o namorado como quem não quer nada, num dia em que estava com Mime no apartamento do músico.

— Um pouco, ele anda arredio. – Mime se deitou no peito de Ikki – Só sei que o loirinho anda sofrendo um bocado. Você não conversa com ele, Ikki?

— O Hyoga é muito fechado, ele não conversa com ninguém. – se esquivou o moreno –Ele te falou alguma coisa?

— Ele me contou que gosta muito de um cara que é o maior patife, que esperou um tempão por ele só que o tal tava com outro... – Mime estalou a língua, alheio ao desconforto do moreno ao que ele dizia – Enfim! O loirinho é apaixonado por esse idiota, mas pelo que ele me disse Hyoga não está disposto a migalhas. Só que o cara é um cretino que não o deixa em paz, fica perseguindo ele mesmo estando com o namorado. Ikki você é mega ciumento com o Hyoga como não sabe disso?

Mime se ajeitou no colo de Ikki para olhá-lo.

— Imagina o quanto ele tá sofrendo Ikki! Você devia ajudá-lo.

Ikki não tinha o que dizer.

***

Depois dessa conversa com Mime, Ikki tentou de todas as formas falar com Hyoga, mas Camus estava sendo o pai superprotetor e colocara até Milo na jogada. Queria entender como tudo chegara aquele ponto. Gostava de Mime a ponto de trocar Hyoga por ele? E amava Hyoga realmente?

Começara tudo com aquele beijo inocente na beira da piscina e depois as mensagens trocadas repleta de gracinhas e os telefonemas tarde da noite, as fotos trocadas. Gostava do loirinho e muito! Trocaram aquele beijo instigante no quarto de Shun e sempre que podiam provocavam-se. A noite em que dormiram abraçados perto da lareira foi como se tudo estivesse perfeito e Ikki gostou muito de ter Hyoga em seus braços.

E Mime? Mime era bonito, doce e experiente. O amava de verdade e tinha personalidade, Ikki gostava da meiguice do francês...

Que difícil!

Esses pensamentos o acompanharam por aqueles dias e o lutador se sentia estressado por aquela confusão, mal por magoar Hyoga e porque não decepcionar Camus? A admiração do francês era tão importante quanto a do pai, já não bastava os problemas que enfrentava com a sua carreira! Estava tudo muito errado ultimamente.

Entrou em casa para encontrar um alvoroço, não que sua casa fosse o templo do silêncio, mas aquele dia estava se superando.

— Parabéns meu doce! – Marin abraçava Hyoga junto com Milo que viraram a chegada de Ikki, Aiolos e Aiolia estavam lá também junto com Shun e Shiryu.

— Ikki o Hyoga conseguiu o papel principal da montagem do balé de Atenas! – disse Shun animado para o irmão – Ele vai ser Otelo!

O alarde de Shun com que Hyoga se virasse para olhá-lo e logo um clima constrangedor se instaurou.

— Bem eu já vou indo, só queria contar pra vocês mesmo. – disse o loiro se afastando de Marin – Vou voltar pra casa, senhor Chateaubriand disse que eu posso secar uma garrafa de champanhe hoje! – comemorou o loirinho e todo mundo riu.

— Amanhã vamos fazer um jantar para comemorar. – Milo abraçou o garoto de novo – Traga aquele ranzinza.

— Porque vocês não estão se falando? – Hyoga quis saber.

— Teimosia. – foi Aiolos que respondeu.

— De teimosia meu pai entende. – Shiryu se aproximou e abraçou o loirinho – Parabéns loirinho! Você merece.

— Shi! Não me esqueci de você nossas aulas continuam de pé, eu só vou precisar rearrumar os horários... – Hyoga coçou a cabeça – Mas dou um jeito!

— Vem que eu vou te levar em casa e conversamos. – Hyoga e Shiryu saíram, Ikki acompanhou tudo intrigado. Estava claro que o loirinho o ignorou propositadamente, mas e aquela intimidade com Shiryu?

— O que eu perdi? – Ikki se virou para a família.

— Hyoga está ajudando Shiryu com o idioma russo. – explicou Aiolos voltando para a mesa do jantar assim como todos – O Shi está fazendo um curso da língua russa, mas está com algumas dificuldades e o loiro está ajudando-o.

— O Hyoga?! E porque ele não pediu ajuda para o Camus? Ele também fala russo!

— E quem importa? Ciúmes por acaso Ikki? – Aiolia cutucou e Ikki resmungou algo inteligível – Com medo de perder o loirinho?

— Tio não existe essa possibilidade. O Hyoga me ama e ele vai ficar comigo.

— Ikki senta aqui! – Milo bateu em uma cadeira ao lado dele onde o filho foi se jogar contrariado. O grego respirou fundo antes de se virar para o mais jovem – Garoto o que você quer afinal?

— Do que você tá falando pai?

— Ikki me escuta. O que você quer com o Hyoga? Você precisava brincar justamente com o loirinho, milhões de garotos na Grécia e tinha que ser justamente ele?

— Já começou errado isso aí. Agora está explicado porque o francês quer a sua pele Milo. – Marin balançou a cabeça pesarosa – Será que não entra na sua cabeça oca, que o Ikki tem que parar de bancar o escroto com todo mundo.

— A Marin 'tá certa pai, não é por que é o Hyoga, podia ser qualquer um e o Ikki ia continuar sendo um cretino. – Shun cortou o bife com um ar blasé – Ele não é tão fodão assim para ter dois caras legais aos pés dele.

— E você acha bonito isso Milo? Você acha normal que o seu filho brinque com esses rapazes dessa maneira? – Aiolos olhou o irmão que nada mais fez do que desviar o olhar – Não me admira que Camus esteja tão magoado.

— Ah não! Estou aqui para dar sermão no Ikki e não para levar sermão de vocês. – rebateu Milo irritado.

— E que moral você tem para educar seu próprio filho se é tão machista quanto ele?! – Aiolia riu – Milo olha a merda que você fez! Para consertar esse moleque você tem que começar por você.

— Vai perder o ruivo do mesmo jeito que o Ikki perdeu o Hyoga. – Shun ajuntou para indignação do pai e do irmão – Não façam essas caras! É verdade e tomara que o Shiryu fique mesmo com o loiro, se casem, tenham filhos e eles te chamem irmão para ser o padrinho.

Shun finalizou levantando o seu suco em um brinde, muito satisfeito em torcer a faca no orgulho de Ikki. Amava o irmão, mas nem por isso iria concordar com as atitudes dele.

***

Mesmo achando absurdo o que o filho dizia, sabia que no fundo ele estava certo. Devia se entender com Camus logo, mas não sabia se dessa vez teria sucesso.

Aquela confusão entre Hyoga e Ikki estava minando sua relação com o ruivo, boa parte das discussões entre eles se resumia a Camus exigindo que Milo fosse mais rígido com Ikki e Milo dizendo que não podia fazer nada. Não podia mesmo?

Já conversara com aquele cabeça dura inúmeras vezes, aconselhara Ikki de diversas formas, até implorou para que ele deixasse o loiro em paz. Todavia era nítido que o moreno amava Hyoga e o amor o fazia ser um tolo impulsivo e ciumento, embora ele ainda estivesse com Mime e isso se devia a incerteza de saber se o Hyoga o amava ou não. Como o russo era um poço de teimosia esse impasse nunca se resolveria.

A última discussão que tiveram deixara o francês de vez desgostoso consigo. Milo o acusara de ser intransigente e duro com Ikki, de ser superprotetor com Hyoga e de tentar fazer tudo para que o filho tivesse o que queria.

— Então é assim Milo? Você acha muito natural que Ikki siga enganando ambos até que decida qual dos dois quer e Hyoga tem que esperar? Ah claro, você não mudou nada Milo essa que é a verdade!

— Não mudei?! Então estar com você, dar pra você não é nada Camus? Acha que eu sempre fiquei dando para qualquer um assim? Você pode ser acostumado a isso Camus, eu não!

A veia estalando na têmpora era a única coisa que se mexia na expressão impassível do ruivo. Milo se arrependeu do que disse assim que fechou a boca, mas era tarde demais. Ele e sua maldita mania de não pensar antes de falar!

— Camus, desculpa eu não queria dizer aquilo, eu sei que...

— Porque eu não me surpreendo?! – Camus tentava a todo custo controlar a raiva e decepção que sentia ao ouvir aquelas palavras – Porque eu ainda acredito que você pode mudar?

— Camus eu não me arrependo de nós, eu quero que a gente fique juntos e eu adoro o que a gente tem...

— Adora... – riu o francês sarcástico – Você tem vergonha até de admitir que me ama! No fundo você se sente incomodado de me amar e ficar comigo, por isso acha normal o que o Ikki está fazendo. Você se consola com o argumento fútil de que Afrodite parece uma garota e um dia Shun vai se tocar e voltar a namorar garotas. ACORDA MILO! Você é gay, seus filhos são gays e não há nada que você possa fazer para mudar isso!

— Mas isso não tem nada a ver com a gente Camus!

— Se você não entende a relação, somos nós que não temos nada a ver um com o outro Milo.

— Você tá terminando comigo Camus?!

— Eu... – Camus arqueou o corpo e segurou o braço, uma dor aguda passou pelo braço esquerdo até o peito e o francês lutou para respirar.

Milo correu para ampará-lo, mas o ruivo o repeliu ríspido.

— Eu estou bem! Vá embora Milo e pense bem no que quer antes de me procurar de novo.

— Você não pode fazer isso Camus, eu não vou rastejar atrás de você de novo.

— Problema seu Milo.

Não se falavam desde essa discussão.

Hyoga saía do teatro sede da companhia de Atenas distraído pelos pensamentos em relação ao pai, tentava fazer o pai entender que Milo não tinha culpa de o filho ser um idiota. Nem ao menos sabia o porquê Camus estava com raiva de Milo.

— Ei loirinho vem sempre por aqui.

Ergueu os olhos para encontrar Shiryu encostado no carro com um sorriso, Hyoga retribuiu o sorriso para cumprimentá-lo. Que logo se transformou em gargalhada quando lembrou o que o outro falou.

— Ok, foi uma cantada ruim. – Shiryu acabou por rir também – Pelo menos fez você me notar. Vamos? Fui designado para acompanhar o cavalheiro até sua residência – e o moreno fez uma mesura.

— Não acredito! Disse ao senhor teimoso Chateaubriand que poderia ir para casa de metrô sem problemas.

— Me ofereci para buscá-lo, mesmo achando que você deveria ter um carro loiro. — Shiryu abriu a porta do carro para Hyoga entrar o que o loiro logo fez, estava tarde e já que Shiryu estava ali – Camus e eu estávamos falando em russo, aquele sotaque...

— Culpa do francês! Papai não mora na França há anos, mas nunca perde o sotaque.

— Sim, o francês dele ainda é impecável. Vou ser poliglota assim que nem ele quando crescer. – Shiryu piscou para Hyoga que riu e o japonês colocou o carro em movimento.

— Está quase lá, já fala japonês, grego, espanhol...

— Espanhol aprendido de uma forma não muito confiável admito. – riu de lado e Hyoga achou que lembrar de Shura o incomodava.

— Desculpe.

— Desculpe? Ah... Tudo bem Hyoga, foi Shura que me ensinou espanhol sim, os palavrões principalmente! A verdade é que ele me ensinou tantas coisas, não tenho raiva dele. Pelo menos ele foi sincero comigo o tempo todo.

— Ao contrário de certas pessoas não é? – o russo entortou a boca – Vamos parar de falar deles, é passado!

— É mesmo? Porque para nenhum dos dois parece.

— Pra mim está mais do que decidido. – rebateu o russo de forma cortante – Acredito que nós já conversamos sobre você não falar do Ikki comigo.

— Esse ódio todo aí é o que? – instigou o japonês e Hyoga bufou irritado olhando para ele – Tá ok, vou parar! É que sei lá vocês pareciam um bom casal juntos.

— Mas o Ikki não acha isso então você tem que se conformar como eu me conformei.

— Tudo bem loirinho. – Shiryu suspirou e aproveitando o sinal vermelho segurou na perna do outro em um gesto amigável – Vou para de insistir, sei que ele foi um cafajeste com você e imagino como se sente. Mas eu sou amigo dos dois e ainda acho que vocês se amam.

— Shiryu você é muito otimista. Não era pra ser e eu só tenho que seguir em frente agora.

Fizeram o resto do caminho em silêncio, de esguelha Shiryu lançava olhares para Hyoga, porém ele parecia não querer mais conversar. Era uma pena que o russo estivesse tão magoado, pensava consigo. Hyoga merecia ser feliz e ter alguém que o amasse. Eram apenas ele e Camus, embora o francês estivesse se entendendo com Milo, mas sabia que a felicidade completa de Camus dependia do filho estar bem também. Só que Hyoga parecia cada vez mais sozinho e ressentido. Não era certo, concluiu o japonês.

— Entregue. – disse Shiryu estacionando na frente da casa do loiro e saindo do carro junto com Hyoga, que parou na calçada para esperar o jornalista.

— Obrigado Shiryu pela corona e desculpe pelo descontrole, eu não sou o tempo todo assim.

— Desculpe pela insistência também. É que o Ikki anda marcando em cima de mim, por achar que você pode estar me ensinando russo do mesmo jeito que o Shura me ensinou o espanhol. – segredou o mais velho e Hyoga começou a rir.

— Bem que eu gostaria!

— Sério Hyoga? – Shiryu o olhou de soslaio e Hyoga corou sem jeito.

— Foi só força de expressão! – apressou-se em consertar e foi a vez do moreno de cabelos longos rir.

— Ok então, vê se descansa Hyoga. A gente se vê no sábado.

— Até Shi.

Hyoga entrou em casa ainda envergonhado, mas sorrindo pela possibilidade.

— Nada... Ele gosta de caras mais velhos. – pôs logo a idéia de lado.

No outro lado da rua Shiryu ainda no carro batia os dedos no volante lembrando do loirinho e do sorriso dele.

— O Ikki me mata! Tira essa ideia da cabeça Shiryu. – pediu a si mesmo, mas ria pensando na possibilidade.

***

Saga e Kanon jantavam olhando de vez em quando Shiryu que entre um sushi e outro olhava o celular, às vezes até interrompendo o caminho dos hashis até a boca para responder as mensagens.

— Namorado novo? – perguntou Kanon ao irmão – Shura?

— Não sei, mas não é o espanhol. Ele está com Aiolos esqueceu? – Saga tentou olhar para o celular do filho adotivo só para ter certeza. Aquele espanhol estava sendo mais do que uma pedra no seu sapato.

— Saga comece a aceitar que o seu casamento com Aiolos acabou, pelo menos o casamento convencional. – Kanon limpou os lábios e bebeu vinho – Porque não pensar em um relacionamento à três? Se não pode lutar contra, junte-se a ele.

— Sim eu vou seguir o conselho do cara que tem três ex-mulheres e namora atualmente um moleque da idade do meu filho, moleque esse que parece a filha dele com pinto. – Saga ironizou olhando para o irmão de forma cínica, o mais novo apenas deu de ombros.

— Misty e June se dão muito bem, ela até esqueceu um pouco aquela obsessão pelo Shun.

— Porque ela encontrou outra amiga para substituir o mais novo dos Savalas. – Saga olhou o filho que estava de novo no celular – Chega Shiryu largue esse celular! – Saga se impacientou jogando os talheres na mesa – Quem é que você não pode deixar esperando pelo menos na hora do jantar?!

— Desculpe. – Shiryu guardou o celular no bolso e voltou a comer cabisbaixo.

— Namorado novo Shiryu? – dessa vez Kanon perguntou ao sobrinho.

— Não é só um amigo... É o Hyoga, a gente tava conversando sobre alguns filmes.

— O Hyoga? O filho de Camus? – Kanon arqueou a sobrancelha – Não é aquele pestinha que o Saga odeia?

— Camus largava tudo por ele, o mimou demais! Deve ser um garotinho arrogante e insuportável. – ajuntou Saga fazendo pouco caso.

— Muito pelo contrário. Ele consegue ser bem melhor que a June se você quer saber. – Shiryu disse olhando os gêmeos e sem se preocupar se estava ofendendo a prima ou não – A June que é arrogante e insuportável. Assuma pai que você não gosta do Hyoga porque ele livrou o pai da cilada que é você.

— Aí bem no ego! – Kanon gracejou.

— Hum depois dessa vou deixar se "amigo" em paz.

— Melhor mesmo. – os gêmeos se olharam com um ar conspiratório até Saga revirar os olhos ao ver Shiryu tirar o celular do bolso outra vez.

***

— Relaxe, a meditação depende do seu controle sobre o corpo... – Afrodite abriu um olho para encontrar Hyoga com o celular respondendo uma mensagem – Ei!

— Para quem disse estar estressado pela estréia, você não tá nem um pouco preocupado em relaxar. – Shun saiu da sua posição de lótus e rápido como uma cobra pegou o celular do loiro – Quem é que está tomando toda a sua atenção assim? Vamos ver...

— Me devolve! – Hyoga se esticou para pegar o celular, mas Afrodite se juntou à Shun e pegou o celular, já estava em pé.

— Hum... Acho que temos romance no ar. – gracejou o sueco passando as mensagens e Shun se levantou a ele para ver também.

— Hiii, já vi esse filme. – Hyoga ainda tentava pegar o celular que ainda passava do moreninho para o sueco – E lá vamos nós.

— Ele é só meu amigo! Nós conversamos sobre coisas, sobre a Rússia e tudo mais... – sem conseguir pelos meios normais o bailarino decidiu apelar. Com o joelho acertou Afrodite nas partes baixas e torceu a mão de Shun para recuperar o celular, que ele rapidamente recolheu ao bolso – Parem de inventar coisas!

— Mas o Shiryu é bonito. Tem aqueles olhos verdes exóticos! – Afrodite fez uma careta massageando o local onde havia sido golpeado — Hyoga você me deixou impotente!

— Tomara. O Shi é meu amigo só... Ele nunca ficaria comigo, ele namorou o Shura gente!

— Tá sei, amigo... – Shun deu de ombros nenhum pouco convencido.

Se separados era difícil acreditar, quando Hyoga e Shiryu estavam juntos era praticamente impossível desmentir que havia alguma coisa rolando entre eles. No dia da estréia do loiro os Savalas em peso estavam lá para prestigiá-lo, a companhia de dança de Atenas apresentava naquela curta temporada a mais recente adaptação de Otelo. Hyoga estreava em sua primeira apresentação como bailarino principal.

Camus não cabia em si de orgulho! Nas aproximadamente duas horas de espetáculo quase sentia seu coração arrebentar de ver o filho dançando, encantando a todos e sendo alvo de palmas entusiasmadas pelo público. Milo também parecia embevecido e apesar de estarem estremecidos, o francês estava feliz de ter Milo ali naquele momento.

Ikki também estava orgulhoso do seu loiro e pensava que Hyoga nunca estivera tão belo. Mas o orgulho de Ikki logo foi substituído pela perplexidade e por que não o ciúme, ao ver o russinho ao final da apresentação depois de receber todas as felicitações de Milo e Camus, se jogar nos braços de Shiryu. O lutador achou demasiado a empolgação do japonês com o SEU LOIRO e estava prestes a intervir quando sentiu o toque da mão do pai em seu ombro, seguido do olhar reprovador dele.

— Obrigado por vir! – Hyoga deixou-se ficar nos braços de Shiryu que não parecia nenhum pouco preocupado em desfazer o abraço, os rostos próximos sorriam um para o outro – Sei que agora é ocupado demais senhor jornalista.

— Eu não perderia sua estréia por nada. Você foi perfeito!

— Estava! Ah por Atena eu treinei tanto, me esforcei tanto... – Hyoga se desvencilhou de Shiryu e se voltou para o pai — Você viu?! Eu consegui!

— Oui petit. – Camus voltou a abraçar o filho que agora estava em lágrimas e Camus também, a cena fazendo todos em volta emudecer.

— Vamos comemorar! Anda loirinho se apresse e vá trocar de roupa, vamos todos jantar e comemorar. – Milo abraçou o loirinho também e começou a movimentar todo mundo.

Na confusão Ikki aproveitou para puxar Shiryu para um canto tomar satisfações.

— Ei Shiryu o que tá rolando? – perguntou de pronto.

— Eu que pergunto o que tá rolando Ikki? – o lutador ainda segurava o jornalista pelo braço e Shiryu olhou para a mão de Ikki que só então o soltou.

— Olha Shi eu tava na minha porque você me falou que vocês eram amigos, mas é só olhar pra vocês dois pra ver que tá rolando alguma coisa.

— E se tiver Ikki? Qual o problema? Você tem que desencanar cara, o Hyoga não é mais seu namorado e você tem um namorado pelo que me consta. O nome dele é Mime, não Hyoga.

— Porra Shiryu eu já te expliquei! Você não pode...

— Olha Ikki o que eu vejo aqui é que o Hyoga merece alguém que goste dele de verdade. Ele é bom demais pra ficar esperando você se decidir. – Shiryu deu um aperto amigável no ombro do amigo – Perdeu amigo, sinto muito.

— Vamos! – Hyoga apareceu e todo mundo saiu para o jantar aparentando não ter notado a pequena discussão entre Ikki e Shiryu, este último inclusive agia naturalmente, falando e tocando em Hyoga sem se importar com o leonino raivoso atrás dele.