Simplesmente Complicado
14 Capítulo 14
Notas iniciais
– Nós reunimos todo mundo aqui nesse almoço porque temos um comunicado importante para fazer.
Camus e Milo levantaram olhando a família toda reunida, o francês à direita do grego que estava na cabeceira da mesa. Hyoga e Shiryu, Shun seguido de Afrodite à esquerda. À direita Marin e Aiolia com Seiya entre eles, os bebês estavam nos carrinhos ali próximos. Aiolos e Shura, Hilda e Ikki completavam a mesa. O lutador viera de vez para Atenas, treinaria agora no seu país já que tinha o cinturão. Chega de ficar longe de casa!
– Camus e eu decidimos nos casar. – disse Milo com um sorriso enorme e houve um alvoroço danado em volta.
– Já não era sem tempo! – exclamou Ikki da ponta da mesa – Quando vocês iam levar isso a sério?
– Oh agora ele está dando conselhos. – gracejou Hyoga e Ikki apenas riu de lado erguendo a taça de champanhe para o loiro. Shiryu apenas observou como eles pareciam bem à vontade um com o outro – Antes tarde do que nunca!
– O processo de adoção vai ser mais fácil se eles se casarem oficialmente. – explicou a advogada Hilda. Curiosamente Milo se dava muito bem com as ex-mulheres de Kanon, elas o adoravam.
– Agora eu entendo porque não se separou oficialmente do Saga na época do Shiryu Aiolos. – disse Milo voltando a sentar e Camus fez o mesmo.
– Foi uma ótima ideia na época, mas graças a deus essa separação saiu! — Aiolos levantou as mãos para o alto, Shura afagou seus ombros — Podemos marcar as datas juntas o que acha Shura?
– No vejo problema cariño. – Shura apertou a mão de Aiolos por baixo da mesa – Vamos passar a lua de mel na Espanha?
– Finalmente acabou a pouca vergonha dessa família, todo mundo casado como tem que ser. – Aiolia ajuntou satisfeito.
– Quem vai usar o vestido? – Marin perguntou empolgada.
– O Milo claro, eu fiz o pedido. Ele vai usar o vestido. – Camus se serviu de um pouco mais de carne e Milo o olhou feio – O que é? Uma exceção hoje mon dieu!
– Estou de olho em você francês! Não ouse morrer antes de casar comigo.
O almoço seguiu assim, todos voltados para os casamentos. Shiryu em um determinado momento saiu da mesa e foi para a cozinha ficar mais a vontade para mandar emails e verificar coisas do trabalho, tinha muitas coisas pendentes para aquela semana. Ainda tentava achar uma maneira de contar ao namorado e ao pai que poderia ir morar nos Estados Unidos no verão.
Tirou os olhos do tablet e fitou o namorado que estava junto de Shun e Afrodite no quintal, os outros dois bombardeavam o loiro de perguntas sobre a viagem. Sentia-se um cafajeste! Não conseguira contar e deu graças a deus por Camus insistir com Hyoga de dormir na casa deles, como o loiro tinha um pouco de vergonha de fazer sexo na casa do pai, só dormiram mesmo. Não era um patife completo, falaria com o loiro e se ele o perdoasse continuariam de onde pararam, mas ele teria a consciência tranqüila para ter o loiro outra vez.
– E aí Shiryu tudo certo? – Ikki entrou na cozinha indo direto para a geladeira.
– Oi Ikki tudo bem e com você?
– Tudo sim.
Shiryu voltou aos emails, Ikki ficou ali ao lado tomando a água e olhando para o quintal, para o mesmo ponto que Shiryu olhava minutos antes. O lutador desviou o olhar sem graça quando sentiu que Shiryu o observava.
– Ele não é mais um garotinho, mesmo que não tenha crescido muito. Eu tinha dificuldade em dissociar ele daquela figura de pequeno príncipe da Sibéria que tinha dele, era quase infantil e sagrado e talvez por isso eu sentisse tanto ciúme dele.
– E agora Ikki, o que ele é para você? – Shiryu perguntou fitando o amigo com atenção.
– O Hyoga sempre foi especial para mim Shiryu, eu que era muito estúpido. – Ikki balançou a cabeça se voltando para o japonês – Só quero que ele seja feliz agora e vocês estão juntos, então sei que ele está em boas mãos. Só não desperdice a chance de tê-lo Shiryu, porque eu não vou te perdoar.
– Você finalmente amadureceu.
– Tarde eu diria. – Ikki saiu da cozinha indo para o interior da casa e Shiryu permaneceu ali agora totalmente inseguro sobre que rumo tomar.
“O que eu faço Atena me ajude!”
***
– Sei que você já não é muito eloquente por natureza, mas hoje está se superando Shiryu. – Hyoga se virou na cama para fitar o namorado.
O fim de noite estava sendo calmo e frio no apartamento do japonês, estavam aproveitando para ficar a vontade e para matarem a saudade. Fazia semanas que não se viam pessoalmente, mas Shiryu parecia longe e preocupado e apesar de não querer pressionar o namorado Hyoga não resistiu em comentar sobre o silêncio e afastamento do moreno.
– Só pensando em algumas coisas. – Shiryu afagou a perna do loiro tentando aparentar uma naturalidade que não sentia a conversa com Ikki mexeu com ele. Saber que apesar de se manter longe, Ikki ainda era apaixonado por Hyoga o incomodava ainda mais agora com a sua transferência para Nova York. E ainda tinha Shunrei...
Hyoga mordeu o canto da boca e desistiu de bancar o compreensivo, indo sentar no colo de Shiryu uma perna de cada lado do corpo do outro.
– Você está tenso. – murmurou junto aos lábios finos do outro, as mãos massageando os ombros largos sob suas mãos.
Shiryu tomou a boca vermelha na sua devagar, chupando os lábios de Hyoga e provando-os com a língua, as mãos segurando a cintura estreita. Hyoga invadiu a boca do outro com a língua ávida segurando-o pela nuca e Shiryu gemeu apertando as nádegas roliças sob a bermuda do pijama que ele usava. Era tão difícil resistir a ele, pensou em Ikki ali próximo do russo e ele lá em Nova York...
– Senti a sua falta. – murmurou Hyoga ondulando os quadris sob os de Shiryu que já sentia a ereção pulsar – Você sentiu a minha?
– Sim... – Shiryu deixava os lábios provarem a pele clara do pescoço bailarino, as mãos apertando os quadris e forçando-o para baixo para que Hyoga sentisse a sua urgência.
O moreno tomou um dos mamilos rosados na boca os sugando, Hyoga jogou a cabeça para trás gemendo. Afastaram-se apenas para se livrar das poucas roupas e então eles voltaram para um beijo duro e quente, Hyoga deitou sobre Shiryu provando a pele amorenada e lambendo o tórax até abocanhar a ereção generosa do japonês e sugar a glande. Levou o falo do outro fundo na boca aveludada fazendo Shiryu arquear-se na cama.
A felação continuou intensa e enlouquecedora e percebendo que Shiryu estava muito perto, Hyoga se afastou e subindo novamente no corpo de Shiryu trocando um beijo com o outro enquanto se encaixava sobre ele. Shiryu segurou as nádegas de Hyoga e começou a prepará-lo, o loirinho manteve o ritmo dos quadris excitando os dois ainda mais. Shiryu adorava a entrega do russo, o jeito sensual que ele permitia liberar naquele momento. Hyoga era tão quente...
Hyoga se encaixou sobre o membro túrgido e enquanto descia sobre ele, Shiryu distribuía beijos no pescoço e ombros do bailarino. A cada vez ficava melhor, Hyoga experimentava novas sensações com Shiryu e começava a descobrir que o sexo poderia ser muito prazeroso.
As estocadas ganharam ritmo ao mesmo tempo em que a respiração se tornava difícil, o prazer tomando conta da razão e dos corpos. Shiryu deitou Hyoga na cama e elevando os quadris do loiro, começou a investir firme e rápido dentro do corpo do outro que já gritava o ápice se aproximando e o fazendo perder a vergonha. Quando Shiryu começou a masturbar Hyoga ao mesmo tempo em que estocava, o loiro gozou em um grito estrangulado. Shiryu não aguentando ver o prazer do loiro também gozou grunhindo.
***
Depois de um banho Hyoga usando o roupão de Shiryu foi mexer no notebook do moreno, o namorado estava preparando algo para comerem na cozinha. Mexeu nas suas redes sociais, viu alguns vídeos até que por engano ele pegou o celular ao lado do notebook, pensando que era o seu, mas se enganara. Já pensara inúmeras vezes em trocar o seu aparelho por ser igual ao de Shiryu.
Curiosidade, aquariano é naturalmente curioso e nada melhor para atiçar a curiosidade de um, do que uma notificação nova de email no canto da tela brilhando naquele momento.
– Shiryu seu bobo. – murmurou rindo baixinho ao desbloquear com facilidade o celular do namorado, uma senha muito óbvia diga-se de passagem. E então começou a fuçar tudo.
Email da editora-chefe do Cosmopolitan informando a Shiryu em primeira mão que ele era o novo correspondente internacional do jornal, que ele se preparasse para viajar em alguns dias. Para morar em Nova York por quatro anos.
O email era muito atencioso, cheio de dicas a respeito do novo país e informando que ela também iria, sobre como passariam o tempo livre e tudo mais, assim Shiryu não precisava se preocupar.
– Hyoga vem...
– Você vai embora! – Hyoga olhou para Shiryu na voz um tom acusador.
– Embora? Do que você ‘tá falando? – Shiryu o olhou confuso e se não fosse muito rápido, seu celular tinha ido direto para a parede. Enquanto desbloqueava e procurava o motivo daquela fúria toda, Hyoga continuava a esbravejar.
– Semana que vem! Quando pretendia me dizer?! E QUEM É ESSA BISCATE QUE PARECE ANIMADA DEMAIS COM A POSSIBILIDADE DE VOCÊS VIAJAREM JUNTOS?! – a essa altura o lourinho já andava pelo quarto como um animal enfurecido.
Shiryu já tinha visto o email e agora precisaria de todo o seu poder de persuasão para acalmar Hyoga, nem acreditava que Shunrei tinha mandado um email daqueles para ele. Agora entendia a fúria do outro.
– Hyoga eu ia contar, mas precisava ter certeza ainda e... Não é como se fosse o fim do mundo! É só o Estados Unidos, nós podemos continuar e ver no que dá.
– Nem pensar Shiryu! Eu namorei o Ikki à distância e você viu o que aconteceu.
– Eu não sou o Ikki! Não somos mais adolescentes que merda Hyoga! – Shiryu se irritou com aquela comparação.
– E você acha que eu vou ficar muito tranquilo aqui, sabendo que você está lá do outro lado do mundo com essa tal de Shunrei? QUEM É ESSA MULHER SHIRYU?! Por que ela se acha no direito de tratá-lo com tanta intimidade?!
– É editora do Metropolitan, minha chefe! Nós... – hesitação e era tudo que Shiryu não poderia demonstrar agora, mas era um péssimo mentiroso – Somos só amigos.
– Você nem olha na minha cara para dizer isso Shi! E nem cogita a possibilidade de não ir. – Hyoga mordeu o lábio, sentia-se enganado e ferido. Achava que estava começando a ser amado, assim como começava a amar também e se enganara.
De novo.
– Tudo bem Shiryu. Você está livre para fazer o que quiser. – Hyoga tirou o roupão e começou a vestir suas roupas que deixara em uma cadeira próxima, Shiryu o pegou pelo braço ao que o outro se desvencilhou com rudeza.
– Hyoga me escuta. Essa promoção é uma coisa que eu procuro há muito tempo, mesmo antes de a gente começar a namorar. A Shunrey... Ela só é alguém que está interessada, mas é com você que eu estou. Nós prometemos não foi? E tá dando tão certo Hyoga, porque não podemos esperar esse tempo, tentar manter o nosso relacionamento mesmo a distância?
– Por que não existe sentimento suficiente para manter ele desse jeito, você sabe disso. Principalmente da sua parte! Estou vendo nos seus olhos que isso é tudo que quer, não vai desistir e eu nem quero que desista. Eu posso ver também que não é só Shunrei que parece interessada, se você me amasse nem precisaria esconder as coisas de mim. – o rosto do loiro estava vermelho pelo esforço de segurar o choro. Não ia se permitir chorar era estúpido passar por aquilo de novo. Será que não era suficientemente bom para ninguém? Se Shiryu chegasse e lhe contasse que estava interessado em sua chefa, ele não se surpreenderia. Era nítido no modo que Shiryu falou dela, do jeito íntimo do email – Não quero que você jogue na minha cara depois que desistiu do seu sonho por mim.
Hyoga se afastou do moreno e pegou sua bolsa que levava para os ensaios, para começar a catar suas coisas pelo apartamento do namorado. Tinha muitas coisas lá já que invariavelmente ficava por lá, indo da Companhia de Balé direto para lá. Hyoga aceitava em parte a decisão de Shiryu. Sabia que o japonês almejava sonhos grandiosos, ele também era assim. Porém, quando entrou em conflito deixar a família e seus sonhos, Hyoga optou por não realizá-los. Jamais deixaria aqueles que amava para trás, nem por Shiryu!
Notou também que ele não estava disposto a seguir o moreno se ele lhe pedisse e o mais importante, Shiryu em nenhum momento cogitou pedir. Não se amavam realmente, estavam se iludindo juntos.
– Eu levo você em casa. – Shiryu desistiu de tentar argumentar, não queria ter aquela conversa com Hyoga porque sabia que o loiro se sentia rejeitado e ferido com a sua decisão. Queria poder agir diferente, mas não conseguia desistir do seu sonho por conta do loirinho. Perceber isso lhe doía também, porque achava mesmo que conseguiria amá-lo – Eu não queria que você ficasse tão magoado assim loiro...
– É inevitável. – Hyoga colocou a alça da bolsa de forma transversal em si e olhou uma última vez para moreno – Boa sorte na sua nova vida Shi.
Hyoga foi embora sem olhar para trás, Shiryu ainda foi atrás dele e o alcançou na porta do apartamento, não deixando que ele a abrisse.
– Fique aqui, deixe-me levá-lo. Está muito tarde para você sair assim...
– NÃO! Deixe-me ir embora, eu não quero mais olhar na sua cara será que vou ter que desenhar?!
Shiryu o deixou ir, não iria forçar o bailarino ainda mais, mesmo que a culpa o corroesse. Sabia que Hyoga era muito teimoso quando queria, então só esperava que ele chegasse bem em casa.
Já na rua Hyoga segurava a alça da mochila como se sua vida dependesse disso. As teimosas lágrimas banhando o rosto bonito. Tudo parecia estar desabando naquele momento sobre ele, "O meu grande dom de estar na merda quando todo mundo parece feliz!", pensava amargo. Olhou para os lados a procura de um táxi e praguejou porque não havia nenhum, era tarde talvez só conseguisse um na avenida.
Continuou andando afogado em seus pensamentos pessimistas, sentia que precisava de alguém para desabafar. Pensou rápido em todos os amigos que tinha e descartou a maioria, talvez Shun o escutasse, mas sabia que uma hora daquelas Shun estava muito ocupado com Afrodite. Nem cogitou o pai porque apesar de serem muito amigos, não queria preocupá-lo de novo. Mime veio a sua mente...
Meio improvável a amizade dos dois, mas ela se intensificou apesar de tudo e Ikki, inclusive houve um momento insólito em que Hyoga consolou Mime por dias depois do término do namoro com Ikki.
Pegou o celular e começou a procurar o número do finlandês, já chegava à avenida. Ouviu alguém correr atrás de si e em seguida sua bolsa ser puxada com uma violência tão grande que o susto e a força que o outro usou o fez girar, escorregando da calçada para a rua em uma queda junto com o ladrão, pois a bolsa estava bem presa ao seu corpo. O fato é que ambos caíram na rua bem no momento em que um carro passava. O veículo atingiu mais o ladrão do que o bailarino, mas Hyoga caiu no asfalto molhado de mau jeito.
Saga saiu do carro praguejando pelo contratempo e amaldiçoando os deuses por aquele dia estranho, só estava indo ver o filho e quem sabe descarregar a frustração no vinho. Olhou para o homem caído na frente do seu carro e depois para o outro no lado.
– Merda! Dois ainda! – Saga passou a mão nos cabelos.
– Ai! Merda! – ouviu o arquejo do outro que tentava se sentar no asfalto – Meu pé!
– Hyoga o que você faz aqui?! – o grego ajudou o rapaz enquanto ligava para a emergência e para a polícia, era o procedimento. O loirinho tentou ficar em pé com a ajuda do outro, mas não conseguiu firmar o pé direito no chão sem uma dor lancinante.
– Acho que quebrei o pé! – disse em lágrimas – Ele tentou me assaltar! E você o atropelou Saga, será que ele morreu?
– Não seja exagerado, nem foi tão forte sim. A ambulância já está vindo... Vem vou te ajudar a sentar aqui no carro para esperar os paramédicos.
Alguns minutos depois uma ambulância e Shiryu estavam no local, o assaltante sendo removido para o hospital enquanto a polícia pegava o depoimento de Hyoga e Saga. O loirinho fora atendido e teve o pé imobilizado, iria ao hospital no carro de Saga quando fosse liberado.
***
Quando Camus entrou no quarto do filho o encontrou olhando o nada, o pé estava em uma bota de gesso depois de passar por uma intervenção. Hyoga rompera os ligamentos do pé na queda e já havia falado com os médicos, as notícias não eram boas. Também falara com Surt aquela noite e soubera que Hyoga não seria mais o bailarino principal da Companhia, haviam escolhido outro, mais velho e mais experiente porque o russo se recusava a viajar por um longo período.
Ao chegar ao hospital encontrou Saga ao lado de Shiryu que parecia inconformado, adivinhou que algo acontecera, caso contrário Shiryu estaria dentro do quarto não fora. Outro fato era a própria história do acidente, algo muito grave ocorreu entre os dois ou Hyoga não teria saindo no meio da noite assim.
Mais uma vez seu pequeno estava passando por uma avalanche de problemas.
–Petit? – chamou se aproximando da cama e sentando ao lado do russinho que ao ver o pai já tinha os olhos cheios de lágrimas.
– Papa... – disse Hyoga aos soluços – Me abraça.
Camus trouxe o filho para os seus braços apertando-o forte junto a si enquanto ele chorava.
– Shiu... Vai ficar tudo bem mon ange.
– Já falou com os médicos pai? Vou ficar pelo menos oito meses sem dançar, isso se voltar a dançar!
– Petit você vai voltar a dançar! Vai ficar tudo bem, só você fazer tudo direito e tem a fisioterapia.
– É tudo castigo só pode! Eu não estava me esforçando o suficiente. Não sou um bom bailarino, um bom namorado, por isso está acabando pai... Eu sou um completo fracasso!
– Não! Não de novo não meu filho! Pare de dizer essas coisas ouviu?! – Camus sacudiu o filho fazendo-o olhar para si, a expressão do ruivo era raivosa e não desesperada como da primeira vez que ouvira algo parecido – Tudo que está acontecendo é uma fatalidade! Você não pode assumir a culpa de tudo. E tudo que ensinei a você sobre nunca desistir, sobre seguir em frente?! Onde está sua coragem Alexei? – agora tinha toda a atenção do filho, Hyoga sabia que para o pai chamá-lo pelo primeiro nome é porque estava muito irritado – Não pode assumir essa atitude derrotista! Talvez seja a hora de você começar a pensar em outras coisas para a sua vida, que talvez o balé não seja realmente o que você vai fazer a vida toda. Que tal agora pensar numa faculdade ou um curso diferente que queira fazer? Quanto ao Shiryu... – soubera por alto lá fora conversando com Shiryu e Saga sobre a briga dos dois, mas o japonês não contara muita coisa. Seu tom vacilou, mas iria até o fim – Você o ama muito petit? Porque não ir com ele para Nova York?
Hyoga olhou para o pai estarrecido e não conseguiu evitar que as lágrimas viessem de novo aos seus olhos, sem acreditar que Camus estava lhe propondo aquilo. Camus estava lhe dando a chance de ir para longe se quisesse, mesmo que isso lhe doesse. Eram tão unidos! E Hyoga sabia do receio do pai em se afastarem, mas ali estava Camus incentivando-o a buscar a felicidade longe dele. Nunca teve dúvidas que o pai o amava muito, mas aquela era a prova maior que Camus poderia lhe dar.
– Não... – sussurou o loiro voltando a abraçar o pai – Não posso ir embora e deixar você ou o Milo, todo mundo... Ficaria incompleto onde quer que esteja! Shiryu não vale esse sacrifício.
– Eu o amo mon ange, quero vê-lo feliz. – Camus acariciou os cabelos do filho.
– Eu sei pai, eu vou ficar feliz. Mas aqui, perto de você e da minha família.
Ficaram assim abraçados até que Hyoga adormeceu, assim que isso aconteceu, um pouco depois de Milo entrar e também conversar com o russo, Camus saiu do quarto para ligar para casa a fim de avisar o resto da família. Saga e Shiryu ainda estavam no corredor.
– Como ele está?
– Dormindo. – retrucou Camus olhando Shiryu que parecia desolado, sentia pena por tudo ter acabado daquela maneira. Achava Shiryu um excelente rapaz – Obrigado por trazer Hyoga e cuidar de tudo Saga, ainda bem que estava lá para ajudá-lo.
– Eu pedi para levá-lo, pedi que ficasse...
– Ele devia estar muito magoado Shiryu, eu o conheço muito bem.
– Ele é teimoso, puxou a você. – Saga comentou rindo de lado num gesto de desdém.
– Ainda bem. – foi o que Camus respondeu sem se abalar em seguida colocou a mão no ombro de Shiryu – Eu quero conversar com você direito, quero saber o que aconteceu. Hyoga não ficaria tão magoado apenas com a sua transferência.
– Shiryu não tem culpa se o garoto criou expectativas demais.
– Pai fica na sua, por favor.
– Mas é verdade Shiryu...
– Ah Saga você não perde a oportunidade de ficar calado...
– O que você não aguenta Camus é as pessoas falando a verdade sobre o Hyoga.
– Estou sentindo algum sentimento mal resolvido aqui? – Milo abriu a porta do quarto, escutara tudo do quarto, mas não aguentou ao ouvir aquilo – Camus querido ligue para Marin, ela deve estar nervosa e você sabe como ela fica...
– Esqueci completamente. – Camus saiu andando pelo corredor pegando o celular.
– Milo... Deixe-me vê-lo por favor. – Shiryu pediu.
– Hyoga está dormindo e precisa descansar agora, você também. Vá para casa Shiryu, amanhã vocês conversam seja lá o que aconteceu entre vocês. – Milo envolveu os ombros do sobrinho com um braço e lhe beijou o alto da cabeça – Vá Shi. E você seu imprestável, faça algo de bom para alguém e leve seu filho para descansar. PARE de ser estúpido!
– Milo não vá se achando só porque está com o ruivo viu? Eu conheço você!
– Então se me conhece fique longe do Camus, não me faça quebrar essa sua cara. Chega de alfinetar o ruivo com esse seu inconformismo! Foi rejeitado por ele? Bem feito! Agora fora daqui!
– Você devia me agradecer, eu trouxe o loiro para o hospital.
– Não fez mais do que sua obrigação, afinal você atropelou ele! Se ele não voltar a dançar eu vou te processar ouviu Saga?!
– Era só o que me faltava! – o geminiano estava indignado. Mas essa agora para a sua noite catastrófica! – Ele foi empurrado para a rua eu não pude fazer nada!
– Mentira! Eu duvido que você tenha visto ele, vive no celular enquanto dirige.Devia quebrar sua cara agora.
– Milo! – Shiryu já estava no meio dos dois e os seguranças do corredor e Camus já se aproximavam ao ouvir as vozes alteradas. – Pai! Vamos embora.
– Ah ta e ser escorraçado por esse moleque?! Escuta aqui Milo, veja bem como fala comigo.
– Gente chega! – Shiryu estava a ponto de ele mesmo bater nos dois.
***
– Só mais um pouco... E pronto! –Hyoga se desvencilhou dos braços de Milo e Camus e sentou na cama, o grego apressando-se para ajeitar os travesseiros nas costas do mais jovem. Camus apoiou o pé engessado na cama sob um travesseiro.
– Confortável? – quis saber Camus e Hyoga assentiu mordendo o lábio – Descanse um pouco, Shun disse que vem lhe ver assim que sair do trabalho e Mime virá amanhã. Comprei um celular novo para você, o Ikki escolheu o aparelho e disse que é muito bom.
– Tudo bem obrigado pai. Agora eu acho que vou dormir.
– Vamos deixá-lo descansar Camye. – Milo bagunçou os cabelos do loiro e levou Camus com ele. Hyoga se acomodou nos travesseiros e ficou olhando o teto por um tempo, estava sentindo-se triste mesmo prometendo ao pai que não ficaria.
Pegou o notebook que estava ao seu lado na cama, sorriu notando as diferenças do quarto. A cama fora trocada por uma maior, seus objetos preferidos espalhados no lado que não ocupou: notebook, os livros, seu tablet e os carregadores próximos, o celular novo já fora da caixa e ligado, seu violão. Na mesa de cabeceira tudo que ele precisava de necessidades básicas, os remédios... Camus pensara em tudo.
Colocou alguma música para tocar enquanto mexia nas suas redes sociais e agradecia os votos de melhoras que recebera. A janela do "inbox" surgiu o surpreendendo.
"Uma lista de auto piedade para você passar por essa loiro, para você chorar tudo que tiver que chorar na fossa, mas é só até ouvir todas as musicas ok? Depois quero ver o seu sorriso". Dizia a mensagem de Ikki com um link do YouTube contendo uma lista de mais de 50 vídeos. Hyoga colocou para tocar e na primeira música começou a rir.
– Seu grande bastardo! — gritou para o quarto vazio, mas ria.
"Can't help falling in love" começou a ecoar no quarto através do som potente das caixas do notebook.
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