Notas iniciais
Ufa até que enfim! Voltamos depois da manutenção do site, embora o capítulo já estivesse atrasado bem antes disso. GOMEM GOMEM!! De novo aqueles problemas $$$ me atrapalharam Mas aqui vai mais caps e eu queria agradecer imensamente pelos reviews maravilhosos. Pela linda recomendação da Bruna, obrigado querida, obrigado mesmo Aviso de Lemon no caps ENJOY

Hyoga ensaiava no seu estúdio de balé em casa, os movimentos fluíam perfeitos em meio a sua concentração. Podia ter certa dose de impulsividade em tudo na vida, mas balé era seu sagrado refúgio e se dedicava a isso de corpo e alma.

Shun entrou no estúdio e foi sentar no canto da parede de espelhos para esperar o amigo terminar de treinar, estava muito ansioso, mas não podia fazer muita coisa quanto a isso. Ikki também estava treinando duro para se preparar para as classificatórias do UFC, Milo quase enfartou ao ouvir do filho que ele iria entrar para essa categoria de luta. O moreno colocara na cabeça que queria lutar UFC e sair do esporte tradicional. Seu novo treinador, um italiano meio maluco ex-campeão da categoria até 80 quilos achava que Ikki tinha tudo para ser um campeão mundial.

O filho mais novo de Milo se sentia meio deslocado entre os dois, o irmão mais velho e o melhor amigo por não saber direito o que fazer da vida. Terminou a escola, fez o conservatório de música, mas sentia que não era bem aquilo que queria. Não conseguia decidir nem qual faculdade cursaria porque estava cheio de dúvidas... Tudo que Shun se resumia era em dúvidas ultimamente.

— Ei cara você 'tá muito tempo aí? – Hyoga se aproximou e Shun acordou de seus devaneios – Nem vi você chegar.

— O Camus disse que eu podia esperar você aqui. – Hyoga se aproximou e Shun acordou de seus devaneios.

— Podia ter me chamado.– Hyoga sentou ao lado dele no chão. – O que houve? Tudo bem?

— O Dite me convidou para sair! – Shun segurou Hyoga pelos ombros os olhos verdes arregalados, Hyoga não entendeu porque o alarde – Só nós dois! Sem June, sem ninguém!

— Você vai ter um encontro com o Afrodite?! – a pergunta estava impregnada de incredulidade.

— Não! Quer dizer... Não sei!

— Aceita ora!

— Hyoga ele é homem!

— E o que tem demais? – Hyoga olhou para o amigo de esguelha com um ar malicioso – ‘Tá com medo de gostar?

— Você não está ajudando. – Shun colocou a cabeça entre as mãos.

— Shun se você não quisesse realmente não estaria nessa angústia. Assume Shun que você 'tá louco para aceitar.

— Mas Hyoga e a June? E como eu vou lidar com Afrodite? Ele é tão mais velho e experiente... – Shun corou e baixou os olhos – Se ele me achar um babaca?

— Você disse a ele que era virgem? Que nunca ficou com um cara?

— Não. – Shun levantou o rosto, nos lábios um risinho – A gente conversa um monte de besteira e ele é meio pervertido, eu não ia ficar por baixo não é? – os adolescentes riram o moreninho um pouco envergonhado – Acabei inventando um monte de coisas! Ah Hyoga pelos deuses, me ajuda!

— Ajudar no que Shun? Essas coisas só fazendo! Não existe um curso básico de como transar pela primeira vez Shun. – Hyoga olhou desconfiado para o amigo que o olhava esperançoso e o loirinho entendeu o tipo de ajuda que o amigo queria – Ah Shun sem essa! O Ikki vai achar que é coisa minha.

— Ninguém precisa saber Hyoga!

— Shun tira essa ideia da cabeça por Atena!

.
***

— Hyoga eu não vou conseguir fazer isso.

— Vai sim não se preocupe. – Hyoga tomava banho enquanto Shun assistia a "vídeos educativos" no notebook – Na hora você nem vai pensar em mais nada, Afrodite tem cara de que sabe bem o que faz.

Shun mordeu o lábio voltando aos vídeos esperando o amigo sair do banho, já tinha visto inúmeros vídeos que Hyoga sugerira para o "curso intensivo para sua primeira noite", mas ainda achava que a prática era amiga da perfeição.

O loiro saiu do banheiro depois de um banho relaxante, que era tudo que merecia, já que passava horas ensaiando. Na semana seguinte começariam os testes para Otelo e ele precisaria estar perfeito.

— Eu realmente não acredito que aconteça do jeito que está nesses vídeos.

— Basicamente, embora os vídeos exagerem.

— Ainda queria tentar...

Hyoga parou no meio do quarto olhando o amigo que o fitava com aqueles lindos olhos pidões, Shun até mordia o lábio ansioso o que era muito fofo. O loiro lambeu os lábios, ainda indeciso sobre se aceitava ou não a proposta do melhor amigo.

— O Camus vai chegar é isso?

— Papa viajou, voltará só amanhã à noite. Podemos tentar... Hoje à noite.

— Porque agora não?

— Porque a pressa Shunzinho? – Hyoga pegou o queixo de Shun com os dedos longos e baixou o rosto até capturar os lábios rosados nos seus, o moreninho se assustou com o beijo, porém se deixou levar. Primeiro só o roçar de lábios, cálido e doce como provar uma fruta suculenta, só que Shun estava sem paciência e intensificou o beijo deixando a língua tímida provar o lábio inferior do loirinho.

Era o sinal que Hyoga esperava. Incentivado, o russo segurou a nuca do meio japonês com firmeza e invadiu a boca dele com a língua ávida, varrendo cada canto com perícia. Já não era tão inocente e depois de ter saído com Radamanthys e outro antigo amigo da escola sua sensualidade natural que havia sido desperta.

— Pela deusa! – arfou Shun quando se separaram – É assim que os meninos beijam?

— Isso aí Shunny. "Bem vindo ao outro lado do espelho Alice." – se afastou do amigo e foi procurar uma roupa. Não acreditava que ia fazer aquelas coisas com o amigo, mas conhecia Shun pra saber que se não fosse ele seria outro — Diga à Milo que vai dormir aqui e nós podemos tentar seguir em frente. Só o básico Shun e sinta-se grato!

***

Quando Shun saía do quarto animado com a sua "noite" encontrou o irmão o esperando na porta com uma pequena bolsa nas mãos.

— Onde vai?

— Ficar de olho nas "moças" que vão dormir sozinhas naquela casa enorme.

— Ficar de olho? Pelos deuses eu não... Pai! – apelou para Milo que estava no sofá olhando algumas correspondências.

— O Camus me pediu para não deixar o Hyoga sozinho Shun e eu não vou poder dormir lá hoje, tenho que terminar uma escultura. – respondeu o grego sem parar o que estava fazendo – O loirinho ainda está de castigo e Ikki vai cuidar para que ele não apronte.

"Puta que pariu" pensou o mais novo irritado, com um torcer de lábios ele saiu com Ikki em seu encalço. Atravessaram a rua e entraram na casa dos Chateaubriands, Shun estacou quando viu que Hyoga não estava sozinho.

— Olá Shun! Que bom te ver. – Afrodite sorriu para os Savalas se levantando do sofá em que conversava com Hyoga.

— Hum... Festa do pijama das garotas?! – Ikki olhou os três enquanto se jogava no sofá.

— O que você 'tá fazendo aqui?! – só então Hyoga reparou que Ikki estava ali na sua casa.

— Eu faço a mesma pergunta! – Shun olhava para Hyoga irritado apontando Afrodite com a cabeça. – Que diabos você quer trazendo o Afrodite aqui?!

— Um ménage? – o loirinho tinha uma expressão divertida no rosto, Shun cobriu o rosto com as mãos pensando que estava perdido.

— Hyoga qual foi a parte do...

— Relaxa, vai ser divertido. A gente só precisa se livrar do Ikki!

— Então pense em alguma coisa gênio porque ele está aqui para vigiar você!

— Ah não acredito!

***

— Aí loiro eu sei que você tá aprontando alguma então qual é do sueco aqui? Você não disse que ele era uma boneca? – Ikki perguntou a Hyoga enquanto os dois preparavam os petiscos e o suco para assistirem os filmes que os outros dois escolhiam na sala.

— Ciúmes?

— Rá! Vai sonhando loiro.

— Então não te interessa. – Hyoga retrucou cínico, Ikki trincou o queixo ante o atrevimento do outro.

— Eu posso contar para o seu pai que você trouxe um cara aqui enquanto ele tava viajando. – Ikki se colocou atrás do russo e falou próximo ao ouvido dele.

— Vá em frente. É o Afrodite e meu pai já sabe que ele está aqui, assim como você e Shun. Papa está mais preocupado com o que eu poderia fazer com você Ikki.

Ikki juntou o corpo do loiro prensando-o na bancada, colocando as mãos uma de cada lado do russo, Hyoga não se mexeu nem um milímetro esperando o próximo gesto do moreno.

— E o que pretende fazer? – murmurou o lutador na orelha do loiro, aproveitando para deixar uma mordida.

— Fazer você provar do seu próprio veneno?

— Você não esquece isso! – Ikki se afastou irritado voltando para os sanduíches.

— Não vi você se livrar do Mime. – o loiro pegou a bandeira dos sucos e saiu da cozinha, Ikki o seguiu um pouco depois e o encontrou junto de Shun e Afrodite no tapete.

Como aquele loiro sabia que ele ainda estava com Mime? É verdade que andava treinando muito e quase não se viam, mas não terminara o relacionamento deles e ainda mantinham contato pela internet e pelo celular, Mime não ia mais a casa de Ikki. Estava sendo bem discreto então como ele sabia?

Ikki ainda se perguntava isso bem tarde aquela noite enquanto Hyoga dormia enrolado nos edredons ao seu lado, Shun e Afrodite estavam há muito no quarto do loiro. Ikki quando pensou em intervir recebeu um olhar mortal do irmão então achou melhor continuar a ver "O Senhor dos Anéis" e não se meter. Hyoga dormira no meio do segundo filme.

Olhou uma mensagem no celular, era de Milo querendo saber como tudo estava. Será que contava ao pai que Shun estava atacando a Barbie sueca no quarto?

"Tudo bem" mandou com uma foto do bolinho de edredons ao seu lado, depois ele mesmo desligou tudo e deitou ao lado do seu rolinho primavera de edredons para dormir ali mesmo no colchão de Camus ao lado da lareira.

Cheirou os cabelos claros do russinho adormecido, perdido em olhá-lo. Hyoga tinha uma expressão cândida na face e Ikky quase não conseguia em resistir em beijá-lo, mas se controlou porque sabia o quanto aquele loiro sabia ser encrenqueiro. Já seria problema quando ele acordasse na manhã seguinte e o encontrasse dormindo ali, mas isso era amanhã, naquele momento ele aproveitaria o momento nem que fosse para dormir abraçado aquele russo difícil.

***

O moreno teve um vislumbre do por que Hyoga estava tão informado da sua vida com Mime, algumas semanas depois da festa do pijama. Há dias sem ver o namorado, Ikki resolveu fazer uma surpresa e buscar Mime no conservatório onde o finlandês dava aulas de harpa. O músico agora dava aula para os alunos do primeiro módulo.

Chegou bem a tempo da saída vendo os alunos atravessarem os portões felizes por mais um dia de aula terminado. De onde estava o carro pode ver Mime saindo sorridente, conversando com Hyoga e pareciam muito íntimos. O mais velho viu Ikki de longe e acenou, depois ambos os rapazes foram até o carro do lutador.

— Ikki que surpresa! – Mime se inclinou sobre a janela para beijar o moreno – Pensei que você estaria treinando.

— Por isso revolveu passear com seu novo amigo? – Ikki indicou Hyoga com a cabeça, que apenas sorriu de lado para o tom desconfiado do moreno – Não devia estar no balé loiro?

— Vim falar ao meu amigo Mime que ele foi aceito para a orquestra sinfônica de Atenas!

— Acredita Ikki?! Eu consegui! Chega de aulas, eu vou tocar na orquestra!

— Nós vamos trabalhar juntos. – Hyoga acrescentou enquanto Mime se jogava nos braços do namorado.

— Ikki seu irmão foi maravilhoso. Estou há dois anos tentando entrar, nem sequer conseguia o teste. Ele conseguiu o teste, falou com o próprio regente!

— Ah Mime não foi nada! Você é muito talentoso e merecia uma chance. – estava sendo sincero, a cada dia que conhecia o rapaz músico, mais o admirava. As coisas começavam a ficar confusas para Hyoga.

— Vamos aproveitar que o Ikki está aqui e sair para comer alguma coisa?! Vem com a gente Hyoga.

— Não quero atrapalhar. – Ikki arqueou a sobrancelha, desconfiado, não estava entendendo nada – Vou indo embora, até mais Mime.

— Não Hyoga, você não precisa ir.

— Anda loiro, vem com a gente e eu deixo você na companhia de balé depois.

— Não obrigado. – antes que Mime insistisse Hyoga se afastou, o que o finlandês estranhou.

— O que será que deu nele? – Ikki e Mime se entreolharam.

***

— Não, não! Hyoga você precisa se concentrar!

— Desculpe Surt.

— O que deu em você hoje? – o ruivo olhou Hyoga que baixou os olhos para ouvir a reprimenda que não foi pequena, do coreógrafo, mas a merecia. Não estava concentrado o suficiente.

Acabou sendo suspenso do ensaio e teve de voltar para casa, mas uma para o seu dia desastroso! Ver Mime e Ikki juntos e conhecer o finlandês como conhecia agora acabava de vez com seus planos. A ideia era infernizar a vida dos dois até que Ikki terminasse com o músico, mas agora descobrira que Mime amava Ikki de verdade e se o moreno não terminava com ele é porque era um patife. Deixaria Ikki em paz para que eles fossem felizes, mas sentia-se péssimo com tudo aquilo.

Chegou em casa e depois de um banho fez algo para comer, indo em seguida deitar na cama do pai. Gostava de ficar ali quando se sentia mal, abraçou os travesseiros e sentia-se protegido.

***

Camus chegou em casa encontrou Hyoga adormecido, abraçado ao seu travesseiro e encolhido como quando era um menino. Deixou sua pasta e paletó no sofá de canto e sentou com cuidado na cama para não acordar o rapaz, acariciando os cabelos do filho com carinho. Eram raros aqueles momentos de fragilidade, Hyoga era muito autossuficiente e como Camus era difícil em demonstrar que estava sofrendo. Se ele estava ali era porque algo muito grave acontecera.

Deixou o filho dormindo e foi para a cozinha preparava o jantar, pensando no que poderia estar acontecendo com o seu pequeno.

— Camus? – Milo chamou na sala e logo surgiu na cozinha onde o ruivo estava – Boa noite Camye. Vim buscá-lo para jantar. Vamos sair todos para levar Shiryu para sair, ele está na maior fossa.

— Fossa? O que aconteceu? Não me diga que...

— Ele e Shura terminaram – Milo abraçou o ruivo e o beijou delicadamente – Parece que o espanhol não esqueceu certo ator grego, que deixou Saga plantado no aeroporto porque não resistiu a um certo espanhol...

— Coitado do garoto! – Camus balançou a cabeça – Não vou poder ir Milo, o Hyoga não está bem...

— Não está? O que ele tem? Ah adolescentes! Mas quem sabe sair não o anima? Todo mundo vai menos o Aiolos porque agora a maioria quer matá-lo inclusive ele próprio.

— Obrigado Milo, mas eu quero ficar em casa com o meu pai. – Hyoga ouvira a conversa e resolveu aparecer antes que o grego convencesse o pai, sabia que Ikki estaria lá e o moreno era a última pessoa que queria ver naquele dia.

— Ah loirinho o que você tem? – perguntou Milo soltando Camus e indo até o loiro.

— Nada só quero ficar em casa. – Hyoga sentou no balcão da cozinha.

— Ih! Me deixa ir embora então, todo mundo parece meio na fossa hoje. – Milo passou bagunçando os cabelos do loirinho e saindo do cômodo, Camus colocou uma taça de vinho na mão do filho e serviu outra para si.

— Vai me deixar beber?

— Só uma taça e é vinho, faz bem. – Camus voltou para as suas panelas – Vai ajudar você a desabafar?

— Vou precisar de mais uma taça então. – Hyoga bebeu um bom gole de vinho olhando o líquido rubro dentro da taça.

— Não quis sair com os outros por causa de Ikki não é?

— Ah pai eu sou um idiota! – a voz do loirinho saiu embargada e Camus emudeceu, ver seu filho chorando sempre quebrava sua aparente indiferença – Porque simplesmente não parar de gostar? Insistir em uma coisa que você sabe que não dá certo? O Mime é um cara legal sabe, ele ama o Ikki de verdade e meio que não merece que eu fique entre eles. O Mime não sabe! Ele consegue ser mais tapado que eu nisso e se o Ikki não termina com ele, é porque no fundo ele gosta dele também. Quem tá sobrando nessa história?

— Petit... – Camus foi até o filho afagar os ombros dele e Hyoga sentiu o bolo na garganta ficar maior.

— Eu tenho vontade de voltar para Rússia porque eu não aguento vê-los juntos! Porque eu não quero mais fraquejar sempre que ver o Ikki, que ficarmos sozinhos em algum momento... Ele é um cretino e eu o odeio, mas não o bastante para ceder sempre que ele me toca.

— Vocês... – Camus indagou alarmado.

— Não! Trocamos uns beijos, a gente se provoca... Ele não desiste e eu vou acabar não resistindo porque apesar de tudo eu amo ele. – Hyoga bebeu o resto do vinho — Às vezes tenho vontade de morrer.

— Nunca mais diga uma bobagem dessas! Hyoga pelos deuses nunca mais diga isso. — Camus achava que estava preparado para as crises da adolescência, mas ao ouvir aquilo do filho começou a se desesperar — Você tem toda uma vida pela frente e não pode ficar assim por causa de alguém que nem se importa! Tem que superar e tentar ser feliz. Tem o balé, tem seus amigos e tem a mim. Você não pensa nas pessoas que o amam?

— Pai, calma! – o garoto olhou assustado para o rompante do pai e logo se viu esmagado sob o abraço do pai, Hyoga se sentiu pior por deixar o pai aflito daquela forma. "Quanto egoísmo! Eu aqui querendo morrer por causa daquele idiota e olha o meu pai!" – Pai não fica assim, desculpa! Foi só drama, força de expressão... Eu nunca vou deixar você. 'Tô mal, mas vai passar não é? É que eu tô só me sentindo um bosta agora.

— Mon ange você não é um bosta, pare de dizer essas besteiras.

— Relaxa pai, vai ficar tudo bem. – Hyoga forçou um sorriso para Camus, tentando desanuviar a expressão de desalento do pai. – É bom saber que você 'tá comigo pai.

— Nunca se esqueça que eu o amo petit. – Camus segurou o rosto do filho entre as mãos, depois beijou o alto da cabeça dele – Nunca vou deixar de amá-lo.

Terminaram a noite enroscados nos edredons perto da lareira, meio tontos de vinho e conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Camus se sentia um tanto culpado por estar em um momento maravilhoso em sua vida amorosa enquanto o filho sofria daquele jeito, mesmo que soubesse que aquele tipo de coisa fosse inevitável. Mas achava que pelo menos deveria falar com Ikki para manter-se longe do filho.

Milo acabou aparecendo bem tarde naquela noite, estava um pouco alto por causa do ouzo que bebera no jantar. Tentando não fazer barulho Camus e ele foram para o quarto do francês e mesmo cheio de coisas na cabeça, o ruivo se deixou levar pela voragem desenfreada de Milo, precisava também do amor e carinho do grego naquele momento.

Caíram na cama aos beijos, as línguas se tragando sôfregas e Milo sentindo o sangue pulsar, a racionalidade de Camus totalmente substituída pelo desejo.

— Vamos tentar uma coisa diferente hoje mon cher? – sussurrou Camus enquanto lambia um dos mamilos túrgidos do corpo bronzeado abaixo de si, a mão massageando a ereção potente de Milo e Camus sabia que bêbado e excitado do jeito que Milo estava, se Camus pedisse para que ele vende-se um dos filhos o grego não hesitaria em fazer.

Com um sorriso de gato da Alice no país das maravilhas, Camus desceu a boca para a ereção de Milo e começou a chupar com vontade minando o resto de controle do outro. O grego gemeu alto e Camus agradeceu a ideia do isolamento acústico no seu quarto, ideia do megalomaníaco abaixo de si. Ainda chupando Milo, Camus introduziu um dedo na entrada do outro que não reclamou nenhum pouco, apenas gemeu um pouco mais e foi assim com o segundo. O ruivo estava muito satisfeito, embora soubesse que no dia seguinte Milo o mataria.

— Ah Camus! – Milo arqueou o corpo quando sentiu Camus tocá-lo num ponto dentro do seu corpo.

Camus se ergueu sobre o corpo do grego e o beijou lentamente, a língua varrendo a boca carnuda e mordendo os lábios carnudos quando se afastou para olhar a face afogueada do amante, o corpo alvo ondulando sobre o de Milo. Provocando, enlouquecendo o grego que já não conseguia conter os gemidos desenfreados.

— E então petit? Posso? – Camus lambeu os lábios de Milo, mordeu o queixo quadrado do grego.

— Pode Camus, pelos deuses o que você quiser!

Com um risinho sacana Camus virou Milo, ao mesmo tempo em que pegava o tubo de lubrificante na mesa de cabeceira, Milo deixava as mãos apertarem o corpo de Camus ao léu, onde conseguia tocar. O ruivo desceu uma trilha de beijos pelas costas musculosas até as nádegas, mordendo-as e passando o lubrificante no próprio pênis. Com cuidado começou a penetrar Milo que crispou os dedos sobre os lençóis, mas não pediu para parar, ao contrário. O grego começou a movimentar os quadris para trás fazendo com que Camus penetrasse mais rápido e fundo, o ruivo soltou um som rascante de apreciação e aumentou as investidas.

— Vem Camus! – Milo se ergueu um pouco colando as costas no peito de Camus, colocando os braços para trás e puxando as nádegas do francês como podia. Estava enlouquecido!

— Era o sonho da sua vida hein?! Ser fodido assim? Tá gostando grego? – Camus segurou os quadris de Milo no lugar, investindo cada vez mais forte e rápido.

— Ah ruivo safado! – Milo voltou a ficar de quatro, a cara enfiada no colchão e quase aos gritos, Camus ondulou os quadris e saiu, voltando a penetrá-lo de uma vez – Puta merda que gostoso!

"In vino veritas" no vinho está a verdade. Era uma frase que se aplicava muito bem aquele momento, pensou Milo quando acordou na manhã seguinte e sentiu uma dor leve em uma parte específica do corpo. Ainda nu saiu da cama andando esquisito e foi para o banheiro fazer xixi praguejando contra deus e o mundo, ainda mais contra o deus ruivo que dormia largado na cama enorme. Voltou para o quarto e olhou para o Adônis de pele de alabastro que ressonava como o mais feliz dos patifes. "Não acredito que se aproveitou de mim ruivo safado!" pensou em desalento, mas um sorriso brotou nos lábios carnudos quando lembrou Camus dizendo obscenidades. Ah o vinho faz maravilhas! Estava excitado de novo.

— É a minha vez ruivo. – Murmurou se jogando na cama outra vez e alisando o corpo perfeito ao seu lado tentando despertar Camus.

— Pai eu já vou e... Puta merda! — Hyoga estacou na porta e rapidamente a fechou, vermelho de vergonha e tentando apagar da mente que vira seu pai e Milo nus na cama.

— Você traumatizou meu filho Milo, o que vou fazer com você? – falou Camus sem abrir os olhos.