Simbionte: Anger

3 Pilha de corpos, cheiro de sangue.


Um disparo foi ouvido, e logo após, um estranho barulho de aço fervendo atingindo a água fria. Timur, ainda de olhos fechados, estranhava o fato de estar vivo.

“Nós não vamos morrer aqui.” Ele ouvia, dentro de sua cabeça, a mesma voz tenebrosa que ouviu em seu pesadelo.

Aquela substância escura e esverdeada havia saído de seu corpo e se expandido em um formato de redoma à frente de seu rosto e o projétil que a atingiu foi corroído, como se fosse por uma espécie de ácido muito forte. A substância então começou a ser expelida por todo o corpo do soldado, espalhando-se por cima de seu uniforme como se fosse uma nova vestimenta, porém, cobrindo todo o seu corpo. O estranho “uniforme” possuía volume como se fossem músculos, e à medida que cobria suas pernas, seu ferimento era instantaneamente curado. Sua cabeça foi completamente coberta pela substância, que formou uma máscara viva, com grandes e ameaçadores olhos brancos, os mesmos que Timur havia visto em seu pesadelo, e uma boca enorme cheia de dentes pontiagudos. O soldado foi levantado por tentáculos da “roupa viva”, que saíram de suas costas, o empurrando do chão para erguer-se sobre seus pés.

Timur estava assustado, não tinha ideia do que estaria acontecendo, e os terroristas estavam paralisados pelo medo daquilo. Era algo nunca antes visto por nenhum dos homens que ali estavam. O soldado russo, agora com seu corpo controlado por aquele ser que havia assombrado sua noite anterior, estava com uma aparência amedrontadora. Era como se fosse um homem muito grande e musculoso, completamente nu, exceto pela ausência de um órgão genital à mostra. Sua pele era completamente escura num tom esverdeado e reluzente como se estivesse coberto de óleo. Ele não possuía cabelos, e seu rosto, quase demoníaco, assustaria qualquer veterano de guerra.

“FOME!” Ele gritava com sua voz monstruosa para os terroristas, que àquela altura do campeonato, resolveram abrir fogo contra a criatura na qual Glazkov havia se tornado.

O monstro não havia sido ferido pelos projéteis que o atingiram. Eles derretiam na superfície de sua grossa pele. A criatura então esticava sua mão direita até um dos terroristas, que gritava de dor enquanto seu corpo, coberto pelas grandes garras do monstro, era corroído de uma maneira brutal e perturbadora de se assistir. Enquanto isso, com sua mão esquerda, ele toma os rifles de todos os outros quatro terroristas, e as armas são completamente derretidas em sua posse. Tudo isso aconteceu num piscar de olhos.

Após matar um dos terroristas da forma mais hedionda possível e desarmar os outros quatro, ele agarra um dos restantes e os outros correm em direção ao carro. O homem que ele capturou não havia sido corroído, mas a criatura expandiu sua boca e devorou o corpo do terrorista da cintura pra cima de uma vez só. Enquanto isso, os outros três inimigos restantes entravam em seu veículo e tentavam o ligar para escapar do monstro, que jogou para o lado as pernas do oponente que havia devorado e deu um salto sobre-humano em direção ao veículo.

Quando aterrissou em cima do capô do veículo, que acelerou, ele transformou sua mão direita em uma grande broca, e com um golpe, perfurou o teto do carro, podendo observar lá dentro os três sobreviventes que tentavam escapar da sua insaciável sede de sangue. Os terroristas não paravam de gritar, desesperados, clamavam por misericórdia e usavam termos religiosos que expressavam todo o seu medo de morrer e arrependimento. Então com outro golpe, esticando seu braço direito, a criatura perfurou o chão do veículo até cravar sua broca no solo, forçando a parada do mesmo. Ele desceu do capô do veículo e andou até a janela do motorista, que chorava e falava sem parar em sua língua incompreensível para o monstro. “Minha nossa, você tá enchendo o meu saco.” O monstro falou num tom enojado enquanto lançava um jato de sua mão que grudava no maxilar do terrorista e se tornava rígido, prendendo seus lábios e o impedindo o terrorista de falar. O monstro então, calmamente andava até a janela dos assentos traseiros do carro, e, ao colocar seu rosto em frente ao vidro fumê, era atingido por um tiro de escopeta vindo de dentro do carro, que destruiu o vidro, porém o rosto da criatura permanecia intacto enquanto os projéteis derretiam em sua face.

“JÁ CHEGA! ISSO AGORA É UMA SESSÃO DE TORTURA!” O monstro gritava com sua enorme boca aberta, mostrando seus dentes apavorantes e sua enorme língua. Ele arrancou a porta traseira do veiculo com suas próprias mãos nuas e rapidamente imobilizou todos os terroristas e os prendeu aos seus respectivos assentos com seus tentáculos retráteis. “Eu esperei muito tempo pra poder vivenciar uma experiência como essa novamente, então eu irei aproveitar cada momento...” Ele encarava de perto um dos homens, respirando em seu rosto, fazendo com que urinasse em suas próprias calças de tanto pavor. A besta então segurou com sua mão direita (que havia voltado a ser uma mão comum) um dos braços do homem e começou a puxá-lo lentamente. “Vamos ver o quanto você aguenta sem gritar....” o monstro continuou puxando o braço do homem até que chegou ao máximo que o corpo dele poderia aguentar. Então ele puxou mais forte, deslocando seu ombro, arrebentando cada tendão, dilacerando a carne e rasgando sua pele. O som de seu braço sendo arrancado foi suprimido pelos gritos agoniantes do homem. A criatura havia arrancado o braço de uma pessoa viva na base da pura força física.

Enquanto isso, Timur assistia tudo, apavorado e impotente, dentro daquela roupa viva que cometia aquelas atrocidades usando seu corpo como veículo. Ele sabia que já matava terroristas de qualquer forma, mas aquilo era muito pior do que o que os próprios terroristas faziam com pessoas de religiões diferentes da deles. Ele sabia que aquilo não era injusto, mas ainda era perturbador, e completamente desumano.

“O-o que e você!? Por quê está fazendo isso!? Você não podia só matar eles de uma vez!?” Dizia Timur, desesperado, dentro da cabeça do monstro que dominava seu corpo.

“O que sou eu??? Não é hora pra te explicar. É difícil perceber que estou ocupado??” A criatura respondia, e, logo após, devorava o braço decepado do terrorista, que já estava à beira da morte por conta do sangramento.

“M-meu Deus! Sai do meu corpo! Acabe com essa selvageria!” Dizia o soldado russo para a criatura. Tudo o que ele queria era parar de assistir aquela cena apavorante.

“QUE MERDA! TÁ BOM! COMO VOCÊ É IRRITANTE!” Reclamava o monstro, aos gritos.

“Vocês tem muita sorte que esse otário tem estômago fraco. Eu ia me divertir muito com vocês.” Dizia a criatura se dirigindo aos terroristas apavorados. “Mas agora eu vou ter que acabar com isso de uma vez.” Complementava ele, enquanto rapidamente devorava, em apenas uma mordida, a cabeça do homem que havia desmembrado, e perfurava, com um tentáculo pontiagudo lançado de seu ombro, o coração do outro terrorista que estava imobilizado ao lado do rapaz decapitado. Após isso, andou até a janela do banco do motorista, arrancou sua porta e quebrou, com suas próprias mãos, o pescoço do homem que dirigia o veículo. A velocidade e tranquilidade do monstro ao tirar, com toda aquela frieza, as vidas daquelas pessoas, era algo que Glazkov nunca havia visto antes. O que restou naquele lugar foi uma pilha de corpos e um forte cheiro de sangue. O que restou no coração do monstro foi prazer e uma forte ânsia por mais.