Simbionte: Anger
1 O Combatente.
Notas iniciais
Enquanto a “Guerra Civil” dos Vingadores acontecia nos Estados Unidos, o tempo não parava na Síria, em meio a verdadeira guerra civil dos militares contra os terroristas e opositores que instauravam o caos no país. A Rússia, aliada do governo sírio na guerra civil contra terroristas e rebeldes, moveu tropas de seu exército até o país, para auxiliar no combate armado.
Em um terreno de conflito intenso entre soldados sírios e russos contra terroristas fortemente armados e treinados, um soldado russo chamado Timur Glazkov, enviado pela SPETSNAZ, força antiterrorista russa, para combater os soldados do Estado Islâmico, colocava sua vida em risco em um confronto de curta distância contra oponentes muçulmanos radicais.
Glazkov não gostava da situação em que se encontrava. Ele foi recrutado obrigatoriamente pelo Exército a combater as forças Islâmicas, e temia diariamente por sua vida e pelo risco de nunca mais ver o sorriso de sua noiva, Lena. Tudo o que ele queria era acabar com aquela guerra de uma vez e voltar para sua terra natal e para sua família.
O que ninguém sabia, é que, abaixo do campo de batalha a céu aberto em que Glazkov lutava, no subterrâneo, existia um laboratório secreto de origem desconhecida completamente abandonado.
As prateleiras, mesas e aparelhos empoeirados do laboratório serviam como moradia para insetos, fungos e ratos.
Uma explosão causada por um morteiro no solo acima do laboratório causou um pequeno tremor sísmico na área atingida. Nenhum soldado russo foi afetado pela arma, mas o tremor, mesmo que pequeno e supostamente insignificante, foi forte o suficiente para derrubar um velho armário que existia no laboratório, antes sustentado na parede por pregos velhos e enferrujados e pedaços de madeira já apodrecidos. Coincidentemente nesse armário havia um frasco de vidro lacrado por uma velha rolha de cortiça já ressecada pelo tempo, que, com a queda do armário, despedaçou-se no chão empoeirado.
Este pequeno frasco continha um estranho e viscoso líquido cinzento, que espalhou-se lentamente pelo chão, e, após o choque, tornou-se verde e reluzente. A misteriosa substância, após alguns segundos, começou a se mover pelo laboratório, passando por cima da sujeira e outras substâncias químicas que se espalharam pelo chão junto com o armário caído. Enquanto andava pelo solo, como uma poça ambulante, a “gosma viva” absorvia as impurezas e materiais químicos que “atropelava” pelo caminho, e o tom de sua cor alterava-se, tornando-se cada vez mais escura e opaca.
Após alguns minutos de “caminhada” pelo laboratório, a substância, agora de uma cor verde-musgo e bem menos reluzente, encontrou um rato distraído, que roía um dos pés de uma velha mesa de madeira. A gosma avançou na direção do roedor em uma velocidade inexplicável, e após entrar em contato com o animal, grudou-se ao mesmo e entrou em sua pele como se tivesse sido absorvida pelo bicho. O bicho ficou paralisado por pelo menos 10 segundos, até seus olhos ficarem brancos e ele começar a correr pelo laboratório, como se procurasse por uma saída. Após um tempo, ele encontrou um duto de ventilação aberto no qual conseguiu entrar e seguir pelas tubulações do lugar.
Enquanto isso, acima do laboratório, na superfície, Timur descansava com seus companheiros em uma guarita, num local um pouco mais afastado da constante troca de tiros, que, ao cair da noite, cessava-se temporariamente. Ele estava num batalhão de pouco mais de uma dúzia de homens, todos exaustos e famintos, se preparando para mais um jantar desanimador composto apenas por alimentos de sobrevivência do exército. Glazkov só conseguia pensar em sua insatisfação e melancolia por estar naquela guerra, e se lamentava por novamente não poder comer a comida de sua noiva, enquanto mastigava aquela carne de paladar insípido e artificial.
Após comer menos da metade de seu jantar, Timur sentia-se mal. Não estava indigesto pela comida, mas sentia-se física e mentalmente desconfortável e não sabia o motivo. Ele deixou seu prato praticamente cheio de comida pra trás na área onde os soldados jantavam e foi para seus aposentos mais cedo que os outros. Os dormitórios eram divididos em quatro pessoas por barraca, nas quais existiam duas beliches e outras pequenas mobílias do tipo que se encontra em quartos.
Ao entrar em seu dormitório, sentou-se em um pequeno banco e começou a tirar seu coturno.
“Tudo bem aí?” Alguém falava com ele.
Ao virar-se para a direção da qual a voz veio, Glazkov vê seu companheiro, o Sargento Kovak, na entrada da barraca onde estava. Yuri Kovak era um homem alto e enxuto, de mais ou menos 35 anos, de olhos claros e cabelos escuros. Ele sempre se preocupou bastante com todos os seus companheiros combatentes, e provavelmente notou o comportamento de Timur.
“Eu não tô me sentindo legal... Acho que a tensão de trocar tiros todos os dias com aqueles terroristas não tá fazendo bem pra minha cabeça...” Glazkov falava enquanto organizava seus calçados em baixo de sua cama.
“Eu entendo... Sabe, soldado, todos estão sob pressão, mas ninguém vai deixar ninguém pra trás aqui. Você pode contar comigo se quiser conversar, e se precisar de algo eu estou à sua disposição, ok?” Dizia o sargento com um sorriso acolhedor e confortante em seu rosto.
“Obrigado pela preocupação, mas no momento eu acho que só preciso descansar um pouco meu corpo e mente. O dia de hoje foi tão cheio quanto o resto do mês.” Respondia o soldado enquanto tirava a parte superior de seu uniforme de combate e a dobrava, colocando-a em baixo da cama logo após, junto de seu coturno.
“Entendido, então tenha um bom descanso e uma boa noite!” Kovak concluía a conversa.
Após Glazkov prestar continência a Kovak, o sargento saía da barraca e o soldado sentava-se em sua cama. Timur admirava Kovak por sua bondade e altruísmo. Saber que uma pessoa tão boa quanto ele poderia morrer a qualquer momento diante de seus olhos era só mais um motivo pra odiar o fato dele estar naquela guerra.
Enquanto isso, próximo ao acampamento, onde havia um riacho, uma sutil saída de esgoto, que desembocava no mesmo, “cospe” o rato que havia sido atacado pela estranha “substância viva”.
Ele parece desorientado, e ao analisar seus arredores, encontra-se rodeado de pura vida selvagem e vegetal, com exceção de uma distante fonte de luz e calor que, por algum motivo, conseguia sentir vinda de uma direção específica. Ele correu em direção a luz, e, em pouco tempo chegou no acampamento onde o esquadrão de Glazkov descansava.
O abrigo mais próximo do rato no momento em que encontrou o acampamento era o de Timur, e ele entrou no mesmo, se esgueirando por baixo de uma das “paredes” da barraca. O soldado estava em sua cama, já em um sono profundo, e o rato se aproximou furtivamente. Ao chegar em um dos pés da cama de Glazkov, o rato encostou no móvel e a gosma que havia o atacado abandonou seu corpo, escalando até alcançar o homem que ali dormia. A substância rapidamente deslizou pelo colchão e se acoplou á pele do rapaz, logo entrando em seu corpo como se houvesse sido absorvida, assim como havia acontecido anteriormente com o roedor. O evento não parecia ter causado nenhum incômodo ao homem, que continuou dormindo tranquilamente. O rato, desorientado, não correu por muito tempo após a criatura deixar seu corpo, morrendo alguns minutos depois de sair da cabana.
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