Sim, meu mestre
1 Prólogo.
Notas iniciais

"A frieza nada mais é que o acumulo de decepções."
– Raiden White.
* * *
O jovem alto, aparentemente forte, e de cabelos brancos caminhava pelas ruas vazias enquanto seus olhos azuis estavam fixos nos pequenos flocos que caiam, o cachecol escuro que tampava parte de seu rosto voava junto ao vento, um passo lento era seguido de outro, suas mãos estão enfiadas no bolso escuro do sobretudo.
– Senhor White! – Gritavam dois homens de longe.
O mesmo suspirou e entrou rapidamente em um beco ao seu lado direito, aumentando a velocidade dos passos, Raiden não queria tê-los por perto no momento, tinha muito o que pensar, estava tão bagunçado e aquilo parecia estranho, parando atrás de um carro, via os dois homens correrem um para cada lado.
– Senhor White!
O rapaz magro e numa altura mediana tentava ficar em pé, em frente à ponte não muito longe. Seus cabelos estavam grudados ao sangue que escorria de sua testa e se misturava ao suor, ofegante e com a visão embaçada, ele não agüentaria muito.
– Yuki, onde pensa que vai. – O homem que o seguia puxou-o.
– Chega! – Gritou enfurecido o rapaz.
O homem riu.
– Só acaba quando eu disser. – Com um pedaço de ferro em mãos, deferiu um golpe na lateral do rosto do menor que caiu. – Fica difícil assim Yuki.
O moreno estava pálido e desnorteado, seu corpo já estava no limite e o sangue pingava de sua boca manchando o lençol frio em baixo de si.
– Não é um bom serviçal, não conseguimos te vender, acho que não temos outra escolha, fizemos um mal negocio te comprando do seu pai. – O homem riu. – Realmente um desperdício de tempo e dinheiro.
Por que? As lagrimas escorriam pelo rosto do menor, a dor em seu peito gritava mais alto que suas dores físicas. Porque pai? Porque não me ajudou mãe? Nem com o decorrer dos anos vocês vieram me procurar... A raiva lhe subiu rapidamente, ele se levantou e o homem o observava pasmo, os olhos verdes de Yuki mostravam a dor, o medo e o ódio se misturando.
O chute no estomago do homem foi certeiro, apoiando-se no pequeno muro da ponte, ele tentava se recuperar.
– Ora seu pirralho imundo!
Raiden voltava a caminhar, quando ouvia tais palavras, de longe podia ver a briga entre o homem loiro e o jovem moreno, ele se aproximava mais rápido para tentar intervir. Pegando-o pela gola da blusa rasgada, o agressor levantava o rapaz, atirando-o no lago congelado.
– Senhor White! – Gritou um dos jovens que o procurava.
O gelo de quebrou e o moreno afundava, sem pensar direito, Raiden correu para o local, tirando o sobretudo e pulou no buraco que se formou, a água fria congelava seu corpo aos poucos, queimando-o de um jeito intenso, mas ele não poderia deixá-lo morrer.
Segurando o braço do moreno o maior nadava com suas forças restantes para cima. Saindo do lago, ele o arrastou e deitou-o na neve, aproximando seu rosto ao dele, percebeu que o mesmo não respirava, tampando seu nariz, juntou seus lábios e assoprou, em seguida começando as massagens cardíacas, mas o menor não reagia.
Mãe... Porque você me abandonou... Porque deixou que ele me vendesse, achei que éramos uma família... Porque...
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