Notas iniciais
Olá olá meus podins lindos *-* Aqui está mais um capitulo direto do forninho -q ( EXPLICAÇÃO - toda parte em Itálico, fora a frase do personagem no começo, são fragmentos do passado, ou alguém tendo um sonho, ou... A vocês entenderam U_U) Espero que gostem, nos vemos nas notas finais, boa leitura! *UU* Betagem: Cora Félix.

"Eu, você... E meu pé na sua cara."

– Yuki Matsuki

~~ * ~~

A brisa fria invadiu o quarto, os passos do pequeno garoto de cabelos castanhos faziam com que as tábuas de madeira rangessem, debruçando-se na janela, ele observava o sol forte logo pela manhã, o cheiro de terra molhada e o perfume das folhas do jardim de sua mãe se misturavam num aroma maravilhoso.

– Yuki! – A voz feminina encheu os ouvidos do jovem que saía apressado do local.

Descendo as escadas de dois em dois degraus, sentia o assoalho gelado nos pés descalços. Correu até a cozinha, onde encontrou a mulher de cabelos compridos e um sorriso singelo, a mesma se aproximou, abaixando-se em frente ao moreno, acariciou a lateral de seu rosto pálido e beijou sua testa, seus lábios quentes ficaram lá por longos e preciosos segundos, ao se afastar, Yuki podia ver que os olhos de sua mãe traziam algo diferente consigo, apesar do beijo doce que transmitia felicidade, seu olhar parecia estar pesado por tamanha dor, algo que talvez ela não pudesse carregar e ele não compreendesse.

– Mãe... – O menor olhava fixamente para a mulher que se virava rapidamente para a pia.

– Querido, pode comprar pão para mim? – Ela o interrompeu. – O dinheiro está na mesa...

Yuki pegava o dinheiro enquanto sua mãe aparentava lavar alguns talheres na pia quase limpa, o jovem se virou e foi em direção à porta da frente, ainda olhando de lado para a mulher que abaixava a cabeça aos poucos, não muito longe.

O moreno soprou um pedaço da franja que começava a cobrir seu rosto enquanto caminhava, seu cabelo já estava grande, e aquilo o incomodava de certa forma. Observando o chão empoeirado, ele caminhava ao lado das árvores em direção à pequena vila não muito longe, seu coração estava pesado e de certo modo ele havia absorvido parte da tristeza de sua mãe para si.

Ao perceber, suas costas já haviam se chocado contra o chão, o susto foi grande, mas não sentia dor, em cima de Yuki, um garoto com aproximadamente a mesma idade ou pouco mais, estava sobre ele, o moreno olhava pasmo a pele pálida e os cabelos brancos e curtos do menino, que abria seus olhos lentamente.

Yuki se perdeu no mar dos olhos do jovem, que o fitava sem reação. O vento soprou mais uma vez com a brisa daquela manhã, movimentando a franja do rapaz que estava por cima, mostrando seu olho direito que há pouco estava coberto, os pequenos detalhes roxos em volta da pupila agora eram visíveis, seu coração queria saltar de seu peito.

– D-desculpe... – O garoto se levantou e esticou a mão para o menor.

– Tudo bem... – Yuki segurou sua mão e o mesmo o levantou.

– Desculpe mesmo... – Disse, chutando uma pequena pedra. – Eu estava correndo e não olhei para frente...

O maior observava o moreno se limpando, seu rosto corou ao perceber que encarava a bunda avantajada do menor.

– Já disse que tudo bem, uh... Nunca te vi por aqui, qual seu nome?

– Me chame de White... Meus pais me proibiram de dizer meu nome e blábláblá. – Bufou.

O moreno riu.

– E o seu? – Perguntou o outro, abrindo um sorriso torto ainda com as bochechas coradas.

– Yuki.

– Yu! – O sorriso do maior se abriu um pouco mais. – Posso te acompanhar?

– A-ah... – Acho que sim.

Ambos caminharam por longos minutos em passos lentos, enquanto trocavam ideias e riam por assuntos bobos aleatórios, o moreno estava se divertindo, o que não acontecia há um certo tempo. Esquecendo-se um pouco da tristeza de sua mãe, abria espaço para sorrisos e gargalhadas. White o fitou por alguns segundos após o ultimo assunto morrer, Yuki corou automaticamente e encarou o chão.

– Você parece uma menina. – O maior riu.

– N-não! Não pareço! – O jovem ao responder já poderia ser comparado a um tomate, tanto pelo bico que fazia suas bochechas parecerem inchadas quanto pela cor das mesmas, que tomava um tom mais forte.

O menor começou a correr em direção à pequena padaria, enquanto o outro o seguia correndo o mais rápido que podia. Pouco depois, ambos parando em frente a um beco ao lado da padaria, ofegantes, White torceu o nariz e fez uma careta.

– Você é lento. – Yuki riu.

– Estou enferrujado. – Bufou o maior. – Faz tempo que não brinco assim.

O moreno continuava a rir, até que fechou os olhos e se encostou à parede, respirando devagar. White se aproximou e pensou muito enquanto observava o menor, aproximando-se mais, ele colou rapidamente seus lábios aos dele, tirando-os na mesma velocidade.

Yuki o olhou pasmo, seu rosto rubro dizia o suficiente no momento, o maior enfiou as mãos no bolso e o encarou.

– Você realmente parece uma menina...

Em silêncio, o menor se dirigiu à padaria enquanto o outro o acompanhava, o silêncio reinou até ouvirem o barulho de tiros, os assaltantes correram e no desespero do momento, um dos homens agarrou Yuki, seus olhos se arregalaram enquanto a arma era apontada para sua cabeça.

Os habitantes olhavam de longe enquanto outros acionavam a polícia, o moreno fechou os olhos, que se enchiam de lágrimas rapidamente.

– Eh, solte-o. – Disse rispidamente White.

– Quieto, garoto! – Gritou o homem.

– O que vai fazer com ele? É só um garoto normal, com uma família normal...

– Cale a boca! – Gritou mais enfurecido o homem.

– Não seria melhor pegar um da família White no lugar? – O garoto encarou o chão, enfiando novamente as mãos no bolso da calça.

– O que está fazendo? – Sussurrou Yuki.

– White? – O homem jogou o menor no chão e bruscamente puxou o maior.

– O que está fazendo?! – Indagou o comparsa.

– Ele é um White! – Respondeu o homem, colocando a arma engatilhada na cabeça do jovem.

Enquanto os homens discutiam, o maior de cabelos brancos olhou para Yuki ainda caído no chão, paralisado.

– Yuki... – Sussurrou. – Corra...

Yuki abriu os olhos rapidamente e se sentou na cama, isso lhe trouxe uma pequena dor de cabeça passageira, massageando a nuca, ele observou todo o local. O grande quarto era iluminado pelos raios de sol que invadiam passando pelas cortinas brancas, suas mãos escorregaram pelo lençol claro de algodão, as paredes decoradas com inúmeros quadros e a cômoda ao lado da janela. As roupas dobradas e com um aroma agradável estavam sobre o pequeno banquinho, próximo à cama.

– Eu vou servir! – O moreno pôde ouvir a voz vinda de fora do quarto.

– Não vai! Eu quem vou.

– Eu!

– Eu quem vou!

– Calem-se. – A voz grossa e ríspida exigia obediência.

A porta foi aberta devagar e isso causou um pequeno rangido. A bandeja com alguns bolinhos, bule e uma xícara de porcelana era carregada por um homem alto de cabelos compridos e negros amarrados num rabo de cavalo, a pele bronzeada e os olhos verdes musgo.

Logo em seguida, dois rapazes baixinhos invadiam o quarto, com um sorriso de orelha a orelha, um loiro, outro ruivo, ambos com os olhos cor de mel e a pele clara.

– Bom dia! – Disseram em coro os meninos.

– Ah... – Yuki os observou por alguns segundos. – Bom dia... Ond.

– Eu sou Pierri – Disse o loiro o interrompendo.

– Eu Oliver. – O ruivo deu uma risadinha. – E aquele ali é o Connor. – Apontou para o rapaz alto que servia o chá.

– Você está na residência do Senhor White. – O jovem negro caminhou até o moreno que ainda estava sentado na cama, entregou a ele a xícara com o chá, que pelo cheiro, parecia ser camomila. – Yuki, certo?

O mesmo balançou a cabeça afirmativamente, enquanto olhava para o líquido cor âmbar, o som de notas de piano começou a ser ouvido, formando assim uma doce melodia, os dois menores se espantaram com tal som e saíram correndo do local. O moreno pôde notar que por alguns segundos Connor também ficou ao menos um pouco chocado.

– Bem... Coma e se vista de maneira adequada. – Continuou o rapaz, apontando para as roupas no banquinho. – Siga o corredor e desça, estaremos lá.

Assim dizendo, saiu do quarto em seguida. Yuki suspirou e terminou de beber o líquido morno, abocanhando um bolinho enquanto se vestia. O traje lhe caiu perfeitamente bem, pensando no momento, ele percebeu há quanto tempo não usava algo assim.

Terminando de arrumar as luvas brancas nos dedos finos, ele se dirigiu ao corredor comprido e largo da casa, mais quadros decoravam as paredes escuras, assim como armaduras antigas e espadas. O som das notas do piano ficava cada vez mais alto, descendo as grandes escadas, a porta para a saída estava no fim daquele salão, vasos com flores enfeitavam os cantos e o grande lustre refletia alguns raios de sol com seus pequenos cristais.

A melodia mais alta enchia os ouvidos do rapaz, que se dirigiu à direita. Seguindo o som, abrindo a porta lentamente, viu o enorme piano e o homem de cabelos brancos na altura do pescoço, seus dedos deslizavam com perfeição sobre o instrumento.

Raiden olhou para Yuki e abriu um sorriso singelo, o vento invadia o local pelas grandes janelas, enquanto o moreno se aproximava aos poucos, pôde notar os pequenos detalhes roxos próximos às pupilas, aqueles olhos tão familiares.

O maior sorriu ainda tocando o piano, infelizmente o perfume das flores não podia ser sentido, afinal, o inverno havia matado todas no jardim em frente à mansão.

– Estou enferrujado. – As palavras saíram automaticamente da boca de Raiden, e nem mesmo ele entendia, só queria dizer, tinha de dizer. – Faz tempo que não brinco assim.

Yuki arregalou os olhos e pela primeira vez em anos, seu coração bateu rápido novamente. Seus lábios se mexeram, mas as palavras ainda estavam presas em sua garganta. Ele pensou que nunca o veria novamente, e agora, mais uma vez, ele o salvou.

O moreno cerrou os punhos e fechou o rosto.

– Ainda pareço uma menina? – Uma aura negra se formava em torno do jovem, talvez o mesmo tenha guardado um pouquinho de rancor.

– Ahn? – O maior estava quase se lembrando de algo importante que havia se esquecido aos onze anos, após o assalto à padaria, isso o incomodou imensamente durante esses dez anos. Ele sabia que estava com alguém e que algo o prendia àquela pessoa, mas era como se apenas ela fosse apagada, assim como as conversas, um branco em sua mente, apenas.

– Raiden! – A mulher de cabelos compridos e loiros entrava rapidamente na sala, o vestido comprido e rosa claro se arrastava um pouco pelo chão, enquanto ela corria em direção ao que parava de tocar o piano.

– Lizi... – Disse o maior sem muita animação.

Os seios fartos da mulher saltavam conforme ela vinha em sua direção, abraçando-o por trás, a loira sorria. O cabelo ondulado chegava perto da cintura fina, os olhos verdes e a pele de porcelana a tornavam quase uma boneca.

– Senhor. – Dizia o homem alto de cabelos azulados na porta. – Senhorita Miller está aqui, o encarregado da rainha trouxe uma carta e pediu que você a lesse o mais rápido possível.

– Certo, com licença. – O maior se curvou levemente e saiu do local, enquanto a jovem fazia biquinho ao vê-lo ir.

Ela suspirou e sentou-se no pequeno assento em frente ao piano. Yuki encarava o chão enquanto ainda cerrava os punhos.

– Uh, você é novo aqui, qual seu nome? – Perguntou Lizi.

– Yuki. – Respondeu secamente.

– Ahh, um servo novo? – Ela cruzou as pernas. – Deveria ser mais gentil com a futura Senhora White.

O moreno sentiu uma pequena pontada no peito, a jovem levantou-se e andou em torno do rapaz que ainda olhava para o chão.

– Você parece ser forte... – Ela passou os dedos levemente pelas costas do mesmo. – Ah, seria uma pena se eu roubar você para ser meu por uns tempos, não é?

Em frente a Yuki, ela se jogou, fazendo-o segurá-la pela cintura automaticamente. A loira acariciou a lateral de seu rosto e sorriu.

– Se é noiva dele, deveria ser leal. – Disse ríspido o moreno. – Ou só menos atirada, garotas assim são fúteis. – Ele sorriu sarcasticamente.

– Como?!

– Lizi. – Raiden estava parado na porta com as mãos enfiadas no bolso.

– Rai! – Ela se recompôs, e fez uma carinha inocente para o mesmo, as lágrimas brotaram em seus olhos e Yuki se espantou com aquilo. – Ele queria abusar de mim! Faça algo!

O maior olhou para cima e suspirou.

– Certo... – Disse o mesmo.

Caminhando em direção a ambos, Raiden olhava para o lado. Lizi abriu um pequeno sorriso vitorioso, enquanto o ódio e o nojo por aquela mulher crescia dentro de Yuki. Parando em frente a Yuki, segurou seu queixo e puxou-o para si, colando seus lábios aos dele, o moreno e a loira ficaram chocados, o coração do menor batia rápido e ele não tinha mais o controle de seu corpo.

– Você é meu, não tente abusar dela. – Disse ele com total calma, após o leve beijo.

Lizi rangeu os dentes, saindo em passos largos da sala. O rosto de Yuki tomou cor rapidamente, ainda com os punhos cerrados, o moreno mudou sua pose e tentou deferir um soco no rosto do maior, que segurou sua mão com facilidade, envolveu um braço em volta da cintura dele e o puxou para perto.

Olhando para baixo, Yuki sentia que seu coração ainda estava na mesma velocidade que pouco atrás, suas pernas estavam bambas e para ele aquilo era estranho, pensou que talvez por um novo tipo de raiva que sentia.

– Eu... – Disse o moreno com dificuldade. – Eu vou te matar.

Rainder riu, soltando a mão do menor, segurou seu queixo e o puxou, fazendo-o olhar para si.

– Esperarei por isso.

Seus olhos se encontraram, e novamente Yuki podia ver os pequenos detalhes roxos nadando naquele mar claro e calmo próximo às pupilas levemente dilatadas.

Notas finais
E então o que acharam? *33* Espero mesmo que tenham gostado! Caso achem algum erro de português por favor me falem (Eu reli e arrumei várias coisas, mas sempre tem alguma que passa ç.ç) Aguardo ansiosamente a opinião de vocês, obrigado a todos que estão acompanhando e aos que favoritaram e os comentários *--* amei todos! Bem, até a próxima meus podins!