Notas iniciais
Eu demorei? Demorei, por motivos pessoais e peço desculpas... Eu chorei nesse capitulo? Sim, muito... Eu chorei relendo? Sim, demais... Eu espero que vocês chorem? Si *cof cof* Não, claru que não Eu espero que vocês gostem? Com toda certeza ;-; Boa leitura, nos vemos nas notas finais. Escrevi ouvindo essa música http://letras.mus.br/sleeperstar/details/ *coraçãozinho* (porque to com preguiça de procurar i-i)

Yuki sentiu o liquido quente descer por sua testa e pingar no chão, onde o vermelho se misturava ao branco da neve. Seu corpo estava dolorido, mas suas ultimas forças o mantinham de pé.

O moreno olhou para o céu e viu alguns fracos raios de sol passarem pelas nuvens, a brisa fria da manhã os acompanhava, sentiu as lágrimas transbordarem de seus olhos e traçarem um caminho por seu rosto pálido, o fino e fraco vapor saia de sua boca, finos cristais de gelo se formavam em seus lábios, estava tudo tão frio, era tudo tão frio.

✲ Eight Hours ago ✲

Raiden se virou na cama e viu que seu amado dormia, levou os lábios até a testa do pequeno dando um leve beijo. Sorriu e levantou-se, a lua ainda brilhava no céu escuro, as luzes do lado de fora da casa estavam acesas, Oliver estava próximo ao jardim.

White arqueou uma sobrancelha e vestiu a sobrecasaca, dando uma ultima olhada em Yuki, moveu-se em passos largos para fora do quarto. Estava tudo muito quieto, a porta do quarto de Pierry estava entreaberta, mas o rapaz decidiu não olhar.

O cheiro de biscoitos recém assados vinha da cozinha e certamente Connor estava sofrendo com sua insônia, novamente. Raiden pulou alguns degraus da escada e apressou os passos para a porta principal, abriu um de seus lados após atravessar a sala e sentiu o vento gélido passar suas vestes, tocando a pele e assim causando um calafrio.

O rapaz de cabelos platinados apressou-se ao ver o ruivo, sentiu os pés afundarem na neve fofa e o frio crescer pouco a pouco. Oliver olhava fixamente para a lua enquanto abraçava a si mesmo, seus cabelos finos bailavam com a brisa, que também movia levemente sua sobrecasaca bege.

– Oli? – Chamou White.

O pequeno virou levemente o rosto e sorriu.

– Olá, senhor.

– O que faz aqui?

Enquanto falava via o fino vapor sair de sua boca e sumir no ar, o menor voltou a olhar a lua e enfiou as mãos no bolso da veste.

– Estava pensando.

Raiden se aproximou pouco mais, parando ao seu lado. Olhou para o ruivo e em seguida para a lua.

– No que?

O silencio segurou a mão do vento e dançou com o mesmo, por longos minutos. White pensou que talvez não devesse ter perguntado tal, mas algo estava incomodando-o e o maior podia sentir isso.

– Raiden.

– Diga.

– O que você sente pelo Yuki?

O rapaz voltou a ficar em silencio, pensou no que responder, mas nenhuma palavra parecia boa o bastante, ele movimentou a cabeça negativamente enquanto Oliver o olhava.

– Porque a pergunta?

O ruivo deu de ombros e olhou para a neve que cobria seus pequenos pés.

– Algumas coisas não são o que aparentam ser, assim como um sentimento pode ser só uma ilusão.

Raiden enfiou as mãos no bolso da sobrecasaca e suspirou.

– Amor é uma palavra forte, e creio que eu nunca a usei.

– Por quê?

– Porque nunca tive motivos.

– Entendo...

O maior sorriu e fechou os olhos, sentindo o vento e vendo que o frio não o incomodava mais tanto assim.

– Mas eu o amo.

Oliver sorriu ainda encarando a neve em seus pés, mexeu as mãos no bolso de sua veste, tentando esquentá-las um pouco mais. White não abriu totalmente os olhos, mas pode vê-lo sorrir.

– Amor é uma palavra muito forte. – Disse o ruivo.

– É. – Concordou Raiden. – Mas como é ele, eu não me importo de usá-la.

O ruivo começou a caminhar sem um destino certo, seu sorriso esvaiu enquanto seus pés afundavam na neve. O maior observou-o partir em silencio, não que quisesse que o mesmo fosse, mas sabia que como a lua, ele voltaria logo.

Oliver tirou as mãos dos bolsos, e sentiu seus olhos pesarem, ele quis ser forte, como sempre foi, como deveria de ser. Mas passar todo aquele tempo ali estava tornando-o mais humano do que o desejado. E humanos sentem dor.

Yuki abriu os olhos lentamente, virou para os lados procurando Raiden, mas nada viu. Após um logo suspiro, se levantou e caminhou até a janela que estava entreaberta. Pode ver White, distante com sua sobrecasaca preferido, empurrou lentamente a madeira, assim fechando-a.

Sentiu o algo segurá-lo com força, um tecido branco era pressionado contra sua boca. O pequeno tentou se debater de todas as formas possíveis, mas o que segurava-o era forte demais. Sua visão ficou turva aos poucos, até que nada mais via.

.¸¸.* ✻ *.¸¸.

O moreno abriu os olhos, mas tudo continuava preto. O cheiro de enxofre e sangue era tudo o que podia sentir, seu estomago revirou e ele nada podia fazer, a cadeira onde estava era almofadada, suas mãos estavam presas e seus pés também, as vozes baixas vinham de não muito longe.

– Porque nós temos que vigiá-lo?

– Porque foi à ordem dada pela rainha até que Georgy e Kall chegassem.

– E o que aqueles dois merdas vão fazer? Sabe que eles são amigos do White.

– Ordens são ordens, Rusth.

– E-ei! – Chamou Yuki, assustado e enjoado.

– Ele acordou!

– Droga!

– Onde estou? – Seus olhos se encheram. – Onde estou?!

Um dos homens se aproximou segurando a arma, pronto para acerta-lo com um golpe. O moreno pode ouvir o barulho da porta se abrir.

– O que acha que está fazendo? – Aquela voz era muito familiar. – Saiam daqui.

– Sim, senhor.

Logo a venda foi arrancada de Yuki, sua pele estava mais branca que o normal, assim como as enormes e fundas olheiras se formavam em baixo de seus olhos, ele suava frio. Georgy o observava de uma distancia aceitável, e Kall observava o homem morto e pendurado, os inúmeros pedaços de vidros prendiam Vincent a parede, seus olhos estavam cinza, um cinza tão claro quanto de sua pele.

O homem velho suspirou e puxou uma cadeira, ignorando o cadáver, sentou-se e olhou para Yuki que ainda estava impossibilitado de se mexer.

Kall estava de certo modo, surpreso. Nunca esperava que alguém como o moreno fosse acusado de bruxaria e aquilo o assustava, pensar no fato de que talvez todas as mortes fossem culpa daquele garoto, o assustava. A ideia de ter que por um fim nisso, também o assustava.

– Onde estou? – Perguntou novamente o pequeno, desta vez, mais calmo. – Onde está Raiden?

– Provavelmente. – Buwi pegou um charuto e o acendeu, tragando-o com calma. – Está te procurando por ai.

O ruivo se aproximou e parou próximo do senhor, que tentava parecer calmo. Yuki forçou um riso e olhou para ambos, tentando se soltar das cordas que o prendiam.

– Podem me soltar agora, não é?

– Sinto muito...

– Mas... Eu não entendo! O que está acontecendo?!

– Confesse, Yuki. – Falou Kall.

– Confessar?

– Seus atos de bruxaria, todas as mortes, tudo. – Falou com calma o homem de cabelos grisalhos. – Até eu me surpreendi com tal, como fez para enfeitiçar Raiden? Ah, isso não importa. O rapaz deve estar sobres seus encantos, então teremos que por um fim nisso.

– Como assim? – O moreno forçou um riso novamente. – Deve haver algum engano, eu não sou nada disso! Eu não fiz nada disso!

– Yuki...

– Senhor Buwi! Acredite em mim! – As lágrimas começavam a descer por seu rosto. – Por favor! Eu nunca faria isso!

A porta novamente se abriu, a rainha adentrou pela mesma cercada de guardas, todos vestidos da melhor maneira possível, num jogo de cores de dourado e vermelho. A mulher ruiva o olhou, indiferente, e aquele olhar o fez lembrar-se de uma própria mãe.

– Senhor Buwi... – A jovem movimentou levemente a cabeça. – Kall...

– Minha senhora. – Disseram em coro.

– Meus guardas cuidaram dele agora, me acompanhem, por favor.

– Mas, minha senhora! Ainda queremos fazer perguntas! – Disse o ruivo. – Podemos descobrir coisas.

– Ou podem ser controlados como senhor White, sem mas, me acompanhem.

Georgy suspirou e olhou para o pequeno amarrado pela ultima vez, seus olhos pesaram com a culpa, talvez no fundo, ele soubesse que era tudo uma grande mentira. Talvez todos eles soubessem.

– Adeus, senhor Matsuki. – Sussurrou o velho antes de sair ao lado de Kall.

Os cinco homens na sala se olharam e sorriram. O moreno olhou para baixo desolado, sentiu o pé de um dos guardas acertar em cheio sua barriga, fazendo-o cair junto à cadeira. As lágrimas escorriam por seu rosto descontroladamente.

Não demorou a que outros viessem em seguida, em todas as partes do seu corpo. O pequeno fechou os olhos enquanto sentia todas as dores de uma única vez. Tentou buscar abrigo em boas lembranças.

Naquele momento tudo que veio em sua mente, foi a voz de sua mãe dizendo que ficaria tudo bem. O tudo bem que ela dizia antes de por o pequeno na cama, antes de dar a ele o ultimo pedaço de pão, antes de manda-lo a cidade, antes de vendê-lo.

Ele esperou esse tudo bem a anos e não conseguiu ver que tinha o achado a pouco tempo, não teve a oportunidade de aproveitar ao máximo e curtir os poucos momentos que valeram a pena em sua vida, mas tudo que podia fazer agora era se lamentar enquanto sentia seu corpo gritar por socorro.

Ele a perdoou, perdoou por tê-lo deixado ir naquela manhã fria de outono, perdoou-a por não o ter amado o suficiente e por não tê-lo abraçado de noite quando estava com medo dos trovões. Ele a perdoou do fundo de seu coração, porque se não fosse ela, ele não teria encontrado Raiden, ele não teria entendido que por algumas pessoas, vale a pena arriscar.

Yuki tossiu e sentiu um pouco mais de dor, não abriria os olhos agora, não naquele lugar, nem naquele momento. Forçava seus pulmões a aceitar o ar, e seu estomago a parar de doer, forçava-se a aguentar mais e mais.

Precisava dizer a Raiden, toda a verdade que estava escondida num lugar secreto dentro de si, precisava abraça-lo e pedir perdão, precisava dele.

Logo as cordas foram cortadas, o moreno abriu os olhos, o máximo que pode, enquanto era arrastado pelos braços como um animal quase morto. Ainda conseguia sentir suas lágrimas, seus lábios estavam cortados e inchados, seus olhos roxos e tinha quase certeza que algo estava quebrado.

Seus joelhos bateram em cada degrau enquanto os homens o levavam, mas ele não sentia-os direito, não mais. Chegando ao lado de fora do palácio, conseguiu ver inúmeros guardas armados em fila, à rainha estava ao lado de Georgy e Kall, e todos da pequena cidade vieram assistir sua dor.

– Vamos queimá-lo. – Disse a mulher ruiva ao lado do velho policial.

– Mas minha senhora... – Tentou falar Buwi.

Ela apenas o olhou e o mesmo se calou, abaixando a cabeça em seguida.

– Como quiser.

– Deixem que ande sozinho até aqui, quero que se rasteje pedindo perdão. – Falou a mulher revestida em ouro.

Os guardas soltaram-no, seu corpo se chocou contra o chão, mas ele se levantou, com as pernas tremulas, com seu corpo no fim, ele levantou e a olhou, as lágrimas em seu rosto impediam-no de ver qualquer coisa com nitidez.

– Rai... – Ele sussurrou com dificuldade.

✻ Now ✻

Sua visão era tirada aos poucos, suas forças estavam fugindo. Sabia que suas pernas falhariam quando sentiu alguém abraça-lo com calma.

– Me perdoe... – A voz de Raiden era inconfundível. – Me perdoe...

– Você... – O pequeno usava suas ultimas forças para falar. – Me achou...

O ódio enchia os olhos de Raiden, misturado com suas lágrimas, abraçou mais forte o moreno assim impedindo-o de cair.

– Raiden! – Gritou a rainha. – Solte-o!

– Eu não conseguiria fazer nada se não achasse-o... – Raiden sentiu os dedos de Yuki passarem por seu cabelo. – Eu não podia ter te deixado só!

– Eu tinha que dizer... Eu tenho que dizer... – Interrompeu o pequeno.

– Vou te levar pra casa! – Falou o maior.

– Raiden...

– Vamos embora daqui! Vou te dar uma vida melhor!

– Eu te amo...

Os olhos de White se encheram mais ao ouvirem as palavras ditas pelo pequeno, abraçou-o um pouco mais forte não conseguindo mais controlar a si mesmo, ou o que sentia.

– Eu também te amo, Yuki.

– Guardas! – Gritou a mulher. – Matem-nos!

– Não me abandone... – Sussurrou o moreno.

– Não abandonarei. – O maior sorriu.

– Apontar! – Falou alto o novo capitão.

– Nós seremos... – Falou White.

– Raiden! – Gritou Georgy.

– Eternos... – Completou Yuki.

– Fogo!

Os tiros acertaram ambos, mas seus corpos continuaram unidos, como o um que realmente era. Apesar de toda a dor, sabiam que por isso valia a pena, e que se não fosse daquela maneira, não seria certo, não seriam eles.

Raiden caiu para trás trazendo o corpo sem vida de Yuki consigo, deixando-o sobre si. O sangue de ambos se misturavam, assim manchando a neve branca, mas estava tudo bem, estava tudo bem agora.

Você tem noção do tempo? Acho que não, acho que nenhum de nós. Quem disse que quando a lua brilhar naquele céu escuro devemos nos deitar e deixar que o sono nos consuma? Onde está escrito que doze horas são a metade de um dia? Qual foi o anjo que desceu e falou que doze meses se tornam um ano? Onde estão as malditas explicações? Ninguém sabe, só dizem que é assim e é assim e nada mais. Mas me responda, se ninguém tem noção do tempo, como podem dizer que ele curará um coração partido?

Espero há anos uma solução para essa dor de cabeça constante, espero a anos uma luz no final desse túnel. Espero uma mão para me guiar, espero que meu peito pare de doer a cada passo que dou.

Apenas espero.

Alguém tem noção do tempo que eu espero?

E antes que o resto do tempo nos consuma, eu ainda estarei esperando para amá-lo numa próxima vida...

Notas finais
Espero que tenham gostado, e tenham chor... *cof cof* que tenham eternizado RaiYu nos seus kokoros HAUSHUEHUHAUSE Espero que não me xinguem, porque sou lecau ;-; Mas enfim, "A fic acaba assim?" Claro que não sei Ainda terá mais um capitulo e o epilogo (eu acho) Então preparem suas mentes, porque o próximo vai ser meio treta (tentei explicar pra uns amigos e eles bugaram ;-;) Enfim, sem mais delongas, vou ali no cantinho chorar ;-; Tiau meus podins *coraçãozinho*