Sim, meu mestre
13 Epilogo.
Notas iniciais

Pierry observava tudo do amplo corredor do castelo, seu olhar estava direcionado para Raiden e o pequeno caído sobre seu peito. Os dedos claros do loiro tocaram no vidro da grande janela. A respiração calma acompanhava as batidas de seu coração.
– Como desejou, meu mestre. – A voz rouca encheu o local, o homem da caixinha de música se aproximou e sorriu. – Minha senhora quer o... Pagamento.
– Por quê? – Os olhos de Pierry se encheram rapidamente, prestes a transbordar, o jovem olhou-o com desprezo. – Por quê?! Porque a dor continua?!
– Em nenhum momento prometi que passaria. – Um largo sorriso se abriu no rosto do homem.
– Faça parar! Faça acabar! – Ordenou.
– A morte já não será o suficiente? – Questionou-o.
– Eu... Eu estou com medo e está doendo. – O pequeno olhou para o vidro que refletia sua imagem, seus cabelos loiros estavam escuros, num tom quase negro.
– Derek. – Chamou Oliver parando próximo ao mesmo. – Ainda há tempo.
– Vá embora! – Disse alto o senhor que carregava a caixinha de música. – A alma dele pertence a minha senhora.
– Derek...? – O jovem olhou para seu reflexo e via as lágrimas rolarem descontroladamente, lembrando aos poucos de tudo que havia acontecido e de toda dor que novamente se repetia, num ciclo infinito.
Ele já havia vivido aquilo e com a ajuda de Oliver voltava como Pierry num passado distante para impedir a si mesmo de fazer o trato, o trato para vingar sua irmã. O que estava fazendo afinal? Viveria aquele momento quantas vezes? Sentiria quantas vezes essa mesma dor?
– Ele se arrependerá e será perdoado, Garlic. – Oliver se aproximou do jovem e pousou a mão em seu ombro.
– Não permitirei. – Reclamou o outro. – A alma dele...
Derek encostou a testa no vidro e fechou os olhos por alguns segundos, ignorando completamente toda a discussão que acontecia, sentia a mão quente do ruivo em seu ombro, as lágrimas traçarem o mesmo caminho por seu rosto e a dor encheia seu peito.
Ele não queria fazer tudo que fez novamente, não queria lembrar quantas vezes teve que sentir a mesma dor para não saber o que fazer no final, porque a dor o havia cegado e isso nenhum deles poderia dizer o contrario e aquela verdade, era a pior delas.
O sangue de todos eles estava em suas mãos e sujando sua alma, mas ele só queria que sua irmã estivesse ali, queria repartir um ultimo pedaço de pão e ficarem alguns dias sem ter o que comer, queria achar sementes perto das arvores e correr para seus braços, para que ambos fossem plantar flores num jardim improvisado. Ele queria tudo, inclusive o nada.
O moreno abriu os olhos e sentiu por alguns instantes o cheiro doce do perfume de Christin, assim como seus braços em torno dele, a dor o abandonou por alguns segundos, até que aquela boa sensação o deixa-se também.
O tempo parou. Virou-se para trás e viu ambos rapazes, mais uma vez observou atentamente as grandes asas brancas de Oliver e seu olhar sério, assim como as asas negras de Garlic e seus olhos escarlate.
– Perdão... – O sorriso se abriu nos lábios do pequeno no mesmo instante em que as lágrimas voltavam a rolar por seu rosto. – Christin.
* * *
A neve já derretia, a grama começava a surgir em meio ao branco, pequenas folhas cresciam nas arvores e o cheiro da primavera estava ai. Oliver caminhou lentamente pelo local e enfiou as mãos no bolso da sobrecasaca preferida, olhou para as lapides em sua frente e sorriu.
– Eu o vi morrer por amor, mais de uma vez. – Falou baixo o ruivo. – Talvez eu sinta falta de tudo isso...
O pequeno se abaixou e bateu as costas da mão na neve, deixando visível ambos os nomes, Raiden White e Yuki Matsuki. Seus olhos pairaram sobre aquelas letras gravadas na pedra fria.
– Ou talvez nos vejamos, numa próxima vida. – O jovem se levantou e começou a caminhar em direção a Connor, que o esperava. – Adeus, meu mestre.
E mesmo depois da morte, suas almas ficaram juntas.
O amor permaneceu intacto.
Aqui jaz Raiden White e Yuki Matsuki.
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