Sim, meu mestre
9 Capitulo VIII - Espíritos do inverno
Notas iniciais

Some winters ago
Christin passou a mão pelo lençol e abriu os olhos vagarosamente, os raios fracos passavam pela janela e fulguravam o pequeno quarto, seus olhos esmeralda agora estavam pincelados pelo dourado do sol da manhã, a pele clara e sensível combinava perfeitamente com as pequenas sardas em suas bochechas, os lábios avermelhados davam um toque a mais no rosto levemente arredondado da garota, seu cabelo comprido e ondulado tinha alguns tons de loiro, desde um girassol até o de um botão novo de Cymbidium Arcadia.
Levantou-se e vestiu um de seus singelos vestidos, não eram muitos, mas o suficiente para usar durante a semana. Lavou o rosto e olhou para a janela, ela odiava aquele frio, odiava saber que enfim o inverno havia chegado.
Os negócios se tornavam quase impossíveis nessa época do ano, afinal era difícil cultivar flores com a neve por todos os lados, além de que as condições financeiras tornavam tudo um pouco mais difícil.
A moça saiu do quarto e preparava o café da manhã com o pouco que ainda tinha, haviam começado novamente há pouco tempo e isso não era fácil, após cortar o ultimo pão, ela pegou um copo e encheu-o de leite, em seguida sentou-se conferindo as sementes de flores que ainda tinha.
– Ci... – Bocejou o garoto baixo de cabelos loiros que ainda vestia seu pijama totalmente remendado.
– Já preparei seu café Derek, então coma logo. – Disse a mais velha.
O menino apenas movimentou a cabeça e sentou-se na cadeira, pegou o pão e o olhou por longos segundos, viu que era apenas pão. Pronto para abocanhar o alimento notou os olhos de sua irmã sobre ele, soltou a comida no prato e juntou as mãos.
– Deus, obrigado por essa refeição!
Após dizer, o pequeno enfiou o pão na boca, distribuindo mordidas e saboreando. Só podia fazer duas refeições ao dia e amava tudo que sua irmã lhe proporcionava, então comia com gosto e para alguém tão pequeno seu apetite de leão surpreendia qualquer um.
– Vou ir à cidade hoje, tenho que arrumar algum emprego.
Derek parou de comer por um momento e a olhou, seus olhos se encheram de medo.
– Mas...
Ela sorriu de um jeito doce e isso fez o medo do menor apenas aumentar em seu peito, distribuindo-se por seu corpo, e agora até o pão não parecia tão gostoso assim.
Um garotinho de cabelos pretos caminhou pela cozinha e se sentou na cadeira disponível, olhou para Derek e sorriu.
– Bom dia! – Disse animado.
– Bom dia Pierry. – O loiro ofereceu-lhe um pedaço de seu pão, mas o moreno recusou.
A moça olhava para seu irmão sem entender, achou que já tinha se acostumado com a ideia de que ele podia ver e falar com espíritos, mas de certo modo aquilo estava sendo difícil. E esse era o principal motivo de ambos morarem tão longe da cidade, Christin não queria que ninguém o machucasse e faria de tudo para evitar tal.
– Não saia de casa, ok? – Disse à mulher que seguia até a porta.
– Sim, Ci.
– Não deixe ninguém entrar. – Continuou.
– Sim, Ci.
– Não mexa em nada perigoso.
– Ci...
A jovem suspirou e segurou a maçaneta da porta.
– Desculpe, costume. – Ela forçou um riso. – Tome cuidado.
Assim dizendo, por fim a jovem saiu de casa na esperança de encontrar na cidade seu melhor amigo. O trajeto foi longo, a cela do cavalo era desconfortável e Chris sentia toda a região – próxima aos quadris – dolorida.
As pessoas riam e conversavam pelas ruas, como ainda era começo do inverno a neve no chão não os incomodavam tanto, deixando o clima na pequena cidade agradável. A loira caminhava pelo local puxando as rédeas do cavalo velho, ela gostava do que via, tudo parecia muito bem.
Um grupo de cinco garotas bem vestidas estavam na esquina próximas a simples padaria, elas riam enquanto olhavam para Chris, a jovem tentava ignorar, mas aquilo a deixava mal. Afinal, no inverno as dores se repetiam.
John Beccali, pai dos jovens, morreu antes que Derek pudesse chegar; cheio de dividas foi caçado e morto por Lucius White. Após a morte de seu marido, Lire entrava em depressão e isso certamente prejudicaria Derek. Sozinha, Chris tinha o trabalho de arrumar dinheiro e cuidar da mãe, a saúde da garota sempre foi frágil, mas sua força de vontade e esperança eram fortes para mantê-la de pé. Quando o seu pequeno irmão chegou ao mundo sua mãe se despediu do mesmo. Ela não sabia o que fazer, não sabia e o inverno já havia chegado.
Tentando ignorar as garotas que riam dela, a loira se dirigiu a uma casa cinza – com um formoso jardim –, ela bateu palma e esperou e rezou para que Vincent estivesse em casa e não sua esposa.
Logo o homem alto e forte saia pela porta da frente, trazendo consigo com largo sorriso. Seus olhos cor âmbar brilhavam, seu cabelo preto estava maior do que de costume. Chegando até Chris pegou sua mão e encostou seus lábios na mesma.
– Vamos, entre. – Ele fez o gesto para que ela fosse à frente.
Tudo estava bem organizado, um lilás leve cobria as longas paredes, os quadros pintados com delicadeza enfeitavam todos os cantos, o vaso no lado direito continha flores brancas, elas pareciam terem sido recém-colhidas.
– Sabe que vim pedir sua ajuda novamente... – Ela suspirou o olhando enquanto andava.
– Todo inverno você vem. – Ele riu. – Vou te ajudar... Mas mudando de assunto, seu irmão parou de ver coisas?
Ela movimentou a cabeça negativamente e entrelaçou os próprios dedos, estava fraca, não comia há dois dias para que seu irmão pudesse ficar forte e saudável, não havia o suficiente para os dois.
– Posso te arrumar um emprego numa loja de pedras aqui perto. – Ele sentou-se na cadeira e olhou para a janela.
– Pedras?
– Pedras preciosas.
Ela se espantou e mordeu o lábio inferior.
– Num lugar desses...
– Você ganharia muito bem. – Vincent sorriu.
Sabendo que o moreno era capitão da guarda real da rainha, acreditou que para ele seria fácil arrumar esse serviço a ela. A jovem abriu um largo sorriso, mas percebeu a malicia nos olho do amigo, algo que nunca havia visto antes.
– Mas isso tem um preço. – O sorriso dele se escondeu aos poucos enquanto ele se aproximava da garota. – Terá que dormir comigo ao menos duas noites na semana.
– O que? – Ela se assustou com tal. – Não!
– Não? – O homem riu.
– Não, Vincent! – Chris se dirigiu em passos largos em direção à porta, já pronta para sair sentiu a mão do rapaz em seu braço. – Eu não preciso da sua ajuda, darei meu jeito!
– Acontece que você não tem escolha. – O moreno apertou seu braço.
Infelizmente a esposa do homem havia viajado para encontrar seus pais e Christin arrependeu-se amargamente de ter desejado que ela não estivesse ali, estava fraca demais para fazer algo, ele ERA grande demais para ela conseguir fazer algo, ela estava com medo, tentou fugir e gritar já que bater era inútil, mas mesmo assim, ele a possuiu.
* * *
Seu corpo todo doía, as marcas das mãos de Vincent estavam por todos os cantos, ela se sentiu suja e chorou todo o tempo, já estava de noite e a loira estava preocupada com Derek que havia ficado só o dia todo. Ele iria comer o que? Sua dor era tamanha que apagou durante o ato, viu que o moreno dormia, vestiu-se e tentou sair, mas suas pernas estavam bambas, ela não sabia o que fazer. Nunca pensou que perderia sua virgindade de tal maneira.
Mas não podia pensar em nada agora além de seu querido irmão, isso lhe daria forças, ela sabia. Correu para fora de casa com dificuldade, montou em seu cavalo e só conseguiu cavalgar até a igreja, estava no seu limite.
O padre terminava de varrer a calçada quando viu a jovem, correu até a mesma para ajuda-la. Tirou-a do cavalo e tentou falar com a mesma, mas era em vão, ela nem ao menos estava mais consciente. Colocando-a em um dos bancos, voltou para amarrar o cavalo e em seguida adentrou na igreja, onde Patrick olhava para a moça.
– Quem é ela? – Perguntou o ruivo. – Nunca a vi por aqui.
– Eu também não sei... – O padre olhou diretamente para os seios fartos da garota que quase saltavam para fora, seu vestido estava rasgado. – Patrick.
– Sim, senhor? – Respondeu o menor.
– Vá para casa, já está tarde.
– Mas senhor! Quero continuar a discussão, meus argumentos são bons! Pensei nisso o dia todo.
O padre o encarou e arqueou uma sobrancelha.
– Certo, pegue um lençol para a garota e terminamos essa discussão.
Patrick correu até os fundos da igreja onde Aulisio Michellin dormia todas as noites e pegou um de seus lençóis, voltou o mais rápido possível e cobriu Christin.
– Pronto. – Ele sorriu.
– Deus é bom, meu caro. – Começou o velho.
– Não, senhor. Deus é ruim, “Jeremias 18:11 assim diz o Senhor: Olhai! Estou forjando mal contra vós, e projeto um plano contra vós.”, porque alguém bom faria algo assim?!
– Você leu o resto? “Convertei-vos, pois, agora cada um do seu mau caminho, e melhorai os vossos caminhos e as vossas ações.” – Completou Aulisio.
– Mas do mesmo jeito, senhor! Porque alguém bom traria o mal? “Isaías 45:7, Eu formo a luz, e crio as trevas, eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas.” – Disse o ruivo.
– Tudo está sob o domínio de Deus, inclusive Lúcifer e seus seguidores. – Suspirou o senhor. – Nada está acima dele, tudo muda se você interpretar errado tais palavras.
– Mas...
– Vá para casa, Patrick.
O jovem fez uma careta e deu boa noite, saindo em seguida. Aulisio olhou para a cruz pregada na parede e em seguida admirou um pouco mais a bela garota, pegou-a e levou até seu quarto onde a deitou em sua cama, ajoelhou-se próximo a janela e pediu perdão a Deus. Perdão pelo que estava prestes a fazer.
* * *
– Ei, Derek. – Chamou Pierry.
– Sim? – Respondeu o loiro que olhava pela janela aguardando a chegada da irmã.
– Já parou pra pensar o que seu nome significa? – Questionou-o.
– Minha irmã diz que é “dádiva divina”. – Respondeu. – Por quê?
– Só curiosidade. – O moreno se sentou na cama. – Quando eu acordei, me disseram que meu nome era Pierry, e quando eu perguntei o porquê, eles disseram “rochedo”.
Derek se virou para o garoto sem entender e sentou-se na cama ao seu lado, ele balançava as pernas impaciente, queria que sua irmã voltasse logo, estava com medo. Com muito medo.
– Eu entendi depois de um tempo. – Continuou. – Eu não sinto nada, entende? Eu não tenho sentimentos além da raiva, mas nem ao menos sei o porquê desse ódio dentro de mim, eu apenas sinto.
– Que estranho... – O loiro olhou para os próprios pés.
– Está preocupado, não é?
Derek apenas movimentou a cabeça afirmativamente e olhou para a janela.
– Ela nunca demorou tanto assim.
– Se quiser, podemos procurar ela pela manhã. – Sugeriu Pierry.
– Seria ótimo... Eu não ia estar sozinho, então acho que posso, não é? – O garoto sorriu.
Logo um frio fúnebre encheu o local repentinamente.
– Não escute, entendeu? – Falou o moreno. – Não...
Seu amigo logo desapareceu e o garoto se espantou com tal. Uma moça loira se aproximava, seus olhos eram escarlates e sua pele tão clara que chegava a ter um tom cinzento. Seu vestido negro era comprido e de algodão, seus pés descalços não tocavam o chão.
– Quem é você? – Perguntou o menor.
– Vão tirá-la de você. – Disse q mulher.
– Q-quem é você?! – Perguntou novamente se levantando. – Vá embora!
– Eu sou o começo, o fim, a certeza e a duvida. – Ela sorriu. – E você vai precisar de mim, logo.
– Saia da minha casa! – Gritou.
Rindo a mulher se desfez em chamas negras e levou consigo o frio. Derek deitou em sua cama e fechou os olhos.
– Durma! Durma! – Falou para si mesmo. – Amanhã você vai acordar e tomar café com Ci! Amanhã ela vai estar aqui! Amanhã vamos plantar flores juntos! Amanhã nós dois vamos comer pão... Amanhã eu vou abraça-la...
Demorou, mas o sono o envolveu num abraço, ele dormiu até os raios de sol invadirem seu quarto na manhã seguinte, ele ainda usava a mesma roupa simples e seu cabelo estava completamente bagunçado.
– Derek! Acorde, já é de manhã, podemos procura-la. – Pierry chamava no pé da cama.
O loiro abriu os olhos e a luz atrapalhava sua visão, ele virou na cama algumas vezes, sua cabeça doía e ele sentia fome, esperou ouvir barulhos vindos do quarto de Christin, como todas as manhãs, entregando que a mesma havia acordado, mas a não ser pela voz do moreno no pé da cama e pela respiração de Derek, nada podia ser ouvido.
– Vamos, Derek! – Brigou o moreno.
Deixando a dor de cabeça para lá, o loiro lavou o rosto após se levantar e calçou o sapato velho – mas confortável – e corria em direção à cidade junto de seu amigo “imaginário”.
E o caminho era mais longo do que podiam imaginar, seus pés doíam e seu estomago roncava, além das leves dores na cabeça. Precisava de uma carga a mais de energia, o moreno que corria a seu lado parecia não sentir nada, estava indiferente.
Chegando no local desejado, eles olhavam as pessoas por todos os lados, aquilo era estranho para Derek, pois o mesmo não costumava sair muito, a não ser quando muito necessário.
– Onde você acha que ela está? – Indagou o loiro.
– Não sei, podemos perguntar para as pessoas. – Respondeu Pierry. –
– Mas... Ci sempre disse pra não falar com estranhos. – Lembrou.
– Se não perguntarmos nunca vamos acha-la!
Logo as pessoas começavam a olhar para Derek, que falava “sozinho”. Os cochichos em questões de segundos viraram outras coisas, tais como “ele deve ter sido amaldiçoado por uma bruxa!”, “ele é louco?”,” e se ele for um demônio?”, “ele não é aquele menino que mora perto do bosque?”.
Vincent andava furioso pela cidade a procura de Christin, quando avistou o menino. Ambos agora parados em frente à igreja se olhavam.
– Estou com um mau pressentimento, Derek... – Sussurrou Pierry.
– Eu também...
Não muito longe Raiden montado em seu cavalo conversava com Georgy e Kall, além de mais alguns policiais. Alguns guardas reais estavam em frente à padaria conversando com as cinco garotas e havia mais pessoas próximas ao local, as conversas ainda continuavam, risos e o cheiro de pães frescos passavam com a brisa fria.
A porta da igreja foi aberta bruscamente com Chris saindo correndo pela mesma, ela segurava os locais rasgados de seu vestido, impedindo que partes de seu corpo fossem mostradas, estava machucada e aparentemente exausta.
– Ci... – Derek e Pierry a olharam espantados.
O padre saia logo em seguida, correndo e tentando alcançar a garota.
– Peguem-na! – Gritou Aulisio. – Peguem a bruxa!
Várias pessoas se espantaram, inclusive Vincent. Logo os guardas reais e alguns policiais partiam em direção a garota, tropeçando na escada em frente à igreja – consequência de sua pressa – Chris machucou-se ainda mais, porem levantou em seguida, arregalou os olhos ao ver seu irmão.
O padre pegou a moça pelos cabelos e as lagrimas rolavam pelo rosto sujo da loira, enquanto ela tentava soltar-se.
– Essa mulher! – Gritou. – Faz feitiçarias! Ela nega Deus! Durante meu sono ela tentava destruir nossa igreja!
A jovem não tinha forças nem ao menos para se defender, então deixava que sua dor saísse pelos olhos. Derek se aproximava rapidamente da irmã quando foi pego por Vincent, o mesmo segurou seus braços.
– Temos que mata-la! – Gritou um dos guardas reais.
E o povo concordou em um grito, Raiden observava tudo de longe enquanto Georgy e Kall se aproximavam do padre. O rapaz de cabelos brancos certamente sabia o que aconteceria, ou o que já aconteceu, jogar os pecados de um padre em uma jovem seria a melhor saída, não é Aulisio?
– O braço direito da rainha deve mata-la! – Gritou um na multidão e todos os outros concordaram, logo os olhares se voltaram para Raiden.
Em trotes lentos o cavalo de White o levava para perto, ele encarou a mulher, indiferente.
– Não sujarei minhas mãos. – Disse ríspido.
Salve-a, por favor, por favor salve-a, Derek implorava mentalmente, clamando por seu Deus, por favor, DEUS, POR FAVOR!
– Sabe que isso chegará aos ouvidos da Rainha, Raiden. – Disse Vincent. – E você deve obedecer a suas ordens, e uma delas é: “Mate todo e qualquer tipo de criatura que negue Deus”. Faça, ou será acusado de cumplicidade e morto.
Minha vida não vale mais do que a dela, pensou White desmontado do cavalo e pegando sua espada, mas ainda tenho que ajudar Oliver e Connor... O homem se ajoelhou em frente à garota que chorava e com o polegar desenhou uma cruz em sua testa.
– Me perdoe. – Sussurrou para que apenas Christin ouvisse. – Que Deus lhe tenha.
Assim dizendo, enfiou a espada em seu coração. Os olhos de Derek se arregalaram, e a dor encheu todo seu ser, pisando forte no pé de Vincent, o homem o soltou e o menino abraçou a irmã, sujando sua roupa do sangue da mesma.
– Não! – Ele soluçava.
– Derek. – Ela falou com dificuldade. – Corra.
O loiro olhou para a garota e seus olhos já estavam sem vida, ele gritou e correu, correu sem rumo, correu sem ninguém ao seu lado, correu até seus pés doerem e seus joelhos se encontrarem com a neve que cobria aquela floresta, ele nem ao menos sabia onde estava.
O grito estridente do pequeno garoto carregava ódio e dor, as lágrimas persistiam em atravessar seu rosto pálido, a floresta estava coberta pela neve branca e os espíritos que o cercavam contemplavam a ferida que se formava em seu peito.
A presença dos mesmos era insignificante para o rapaz. Novamente gritos rasgavam sua garganta enquanto a dor atassalhava seu frágil coração.
A mulher da noite passada surgiu, ela olhou-o com indiferença, após isso abriu um largo e lúgubre sorriso, ela trazia a fragrância de morte consigo. Ao seu lado um homem alto de cabelos negros e compridos segurava uma pequena caixinha de música.
– E agora... – Indagou a loira.
– Mate-os! – Gritou o pequeno menino, suas mãos atingiram a neve fofa. – Faça com que todos sofram! – Sua voz exigia obediência. – Todos!
O homem com a pequena caixinha de música riu, não um riso, aquilo era quase uma gargalhada. A mulher sorriu e sumiu em fogo negro.
Os espíritos ao redor o deixaram só, o homem esvaeceu em questões de segundos, e o garoto ajoelhado no chão macio e gélido, tentava conter as lágrimas, aquilo estava matando-o de dentro para fora.
– Senhor! – Gritou um guarda. – Ele está ali!
O homem de cabelos brancos se aproximou rapidamente do menino, pousou a mão em seu ombro e observou-o chorar, durante mais do que alguns minutos. O silencio passeava de mãos dadas com vento naquele bosque. Desfaça-se em pétalas, desfaça essa dor.
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