Sim, meu mestre

6 Capitulo V - Especial de Natal


Notas iniciais
Olá meus podins, como estão? Bem, o natal é amanhã e como prometido aqui está o especial. Nos vemos nas notas finais, boa leitura :3 Aviso: A músiquinha da batata é uma parodia de "você quer brincar na neve", então pfvr leiam no ritmo -qq

✻ Two days ago ✻

— Pretendo não demorar. — Pronunciou o homem de cabelos brancos enquanto arrumava a cela no corcel.

— Mas você disse que não é perto. — Resmungou Yuki.

— Necessitam dos meus serviços, além de que foi uma petição direta da Rainha. — Raiden montou no animal e olhou para o menor. — Não é algo que eu possa abdicar.

O moreno encarou o chão coberto pelo lençol branco e macio, franziu as sobrancelhas e torceu o nariz numa careta, retornando a afrontar o maior que já segurava as rédeas do cavalo.

— O natal está logo ali.

— Eu sei.

— Você deveria passar conosco. — Yuki cerrou os punhos ao falar.

Raiden sorriu com a boca fechada, um sorriso de canto.

— Eu jamais comemorei tal, não vejo motivos para começar agora.

Sem pensar duas vezes, os lábios do moreno se abriram, mas as palavras ditas não foram as próprias que passaram por sua cabeça.

— Então parta logo! — Pisando firme na neve rapidamente ele voltava para a mansão.

A cena de o menor sair marchando de volta para a morada arrebatou algumas risadas do maior, que em seguida massageava a nuca antes de finalmente partir.

O moreno empurrou bruscamente a porta entreaberta, ainda pisando firme no chão ele deixava a neve de suas botas espalhadas num trilho enquanto subia as escadas.

— Yuki. — Chamou Connor.

O mesmo virou o rosto pausadamente, os olhos semicerrados e o fogo prestes a sair de sua boca certamente seriam capazes de fazer um Connor assado delicioso para a ceia de Natal.

O negro olhou pouco espantado para o garoto que se virava como um robô, mas o anseio de rir veio logo em seguida, claro que teve de ser contido.

— Ele vai voltar para a comemoração? — Indagou o mesmo.

O silencio permaneceu durante um longo tempo, Yuki fitou os próprios pés, a neve no calçado começava a derreter.

— Não.

Connor suspirou e ajeitou o avental de pano, tirando o tecido que amarrou na cabeça.

— Já era de se esperar. — O negro forçou um sorriso. — Ele nunca fica mesmo.

Pierry e Oliver jaziam sentados próximos à escada, os garotos ouviam a conversa, cabisbaixos. Yuki arregaçou as mangas da blusa amarrotada e sorriu.

— Nós teremos o melhor dia, a melhor ceia. — Voltando a subir as escadas, o moreno enfiou as mãos no bolso da calça larga e sussurrou. — Com ou sem o senhor White.

Os jovens se olharam e sorriram, as coisas seriam melhores este ano. Connor parecia surpreso com as palavras do moreno, mas ao mesmo tempo sentiu uma pequena pontada de felicidade.

* * *

✻ Christmas ✻

Já era tarde e o sol fraco se ocultava atrás das árvores secas. O vento frio acompanhou-os durante todo o dia, junto com uma ligeira cerração e a neve que agora cobria o chão e os telhados.

Oliver estava de fato animado com a ideia da ceia, com toda certeza eles se divertiriam muito. O cheiro doce vinha da cozinha, Connor já deveria estar cozendo alguns de seus pratos preferidos. Apesar de passar boa parte de seu dia com Pierry ninguém conhecia o ruivo melhor que o maravilhoso chef.

Oliver encarou o reflexo no espelho durante alguns instantes, a franja comprida já cobria um de seus olhos , mais tarde teria de dar um jeito nisso. Penteou lentamente os fios finos e macios, em movimentos plácidos.

Ajeitou o pijama, do qual teve preguiça de tirar, e correu em direção à saída, percorreu em passos lentos o corredor largo e bem enfeitado. Bateu exatamente três vezes na porta de madeira maciça, tentando de algum modo, tirar seu amigo Pierry do quarto. O mesmo estava desanimado desde o começo do dia.

— Pierry... — Falou Oliver.

A resposta para o jovem foi apenas o silencio, e aquilo o incomodava profundamente. O ruivo respirou fundo e estava determino a fazer de tudo para animar o amigo. Começou a pensar em batata, talvez porque o loiro amava o alimento, não tanto quanto Oliver, mas eles dividiam gostos iguais.

— Pierry... Você quer comer batata? — Uma música talvez não fosse uma má ideia, pensou o pequeno. — Inteira ou cortada.

A imaginação do ruivo foi longe, onde as luzes os rodeavam e seu vestido comprido e num tom azul bebê se enchia de brilho, a perfeição o acompanhava nesse show.

— Há tanto tempo não como cozida, assada ou frita. — Segurando o microfone invisível, ele prosseguia com charme. — Até em palitinhos já esperei!

Oliver se jogou na porta do amigo e pousou a mão em seu peito.

— Eu me sinto tão vazio e Connor lá... Esperando o fogão ligar! — Um pequeno desafinamento o atrapalhou seguido de uma tossida rápida. — Pierry... Você quer comer batata...?

— O que você ta fazendo? — Pierry estava ao seu lado segurando algumas flores.

O ruivo se recompôs e o fitou, pouco decepcionado.

— Está ai há quanto tempo? — Indagou.

— Pouco. — O loiro abriu a porta do quarto e virou-se para Oliver. — Só consegui ouvir batata. — Dando uma pequena pausa, ele olhou para as folhes. — Vamos ter batata na ceia?

O ruivo balançou a cabeça afirmativamente. Eu espero que você caia, pensou Oliver quase tendo um pequeno tique.

— Isso é bom. — Pierry sorriu. — Bem, até mais tarde Oli.

O ruivo se virou e viu Connor rindo na porta de seu quarto. Marchando rapidamente até o local, Oliver fitou o negro.

— Ta rindo de que? — Murmurou.

— Pierry... Você quer comer batata? — Cantarolou sarcasticamente.

— Se você não diva, não desdive os divantes. — O pequeno cruzou os braços e fez bico.

— Você “divaria” mais na minha cama. — Um sorriso e um olhar totalmente malicioso caiam sobre o ruivo que agora se encontrava corado.

Vendo que o pequeno estava sem graça Connor afagou seus cabelos, virou-se em seguida pronto para entrar em seu quarto quando sentiu os dedos quentes de Oliver em seu pulso.

— Vou te dar seu presente essa noite. — Sussurrou e correu em direção a seu aposento em seguida.

O negro não pode conter o largo sorriso, assim como não pode negar que estava ansioso para tal, um banho quente e terminar de arrumar a mesa enquanto o peru assava era tudo que precisava fazer.

Oliver já estava se arrumando, embora estivesse pouco apreensivo sabia que seria ótimo como da ultima, penúltima, antepenúltima e muitas outras experiências com o maior, além de que teria que ter uma extensa conversa consigo mesmo e com sua bunda.

Yuki estava jogado em sua cama, as janelas estavam abertas e a brisa fria envolvia o quarto, as roupas limpas que havia selecionado com cuidado estavam em cima do assento almofadado, as flores no pequeno jarro de cristal já estavam secas e sem vida.

O animo do moreno estava tão longe que seria difícil achá-lo no breve período de tempo que restava. O mesmo rolou pela cama e enroscou-se no lençol de algodão, encarando o teto ele esperava encontrar a força para levantar e se arrumar.

Pierry já estava pronto, sentado na cadeira em frente à escrivaninha ele observava o desenho antigo ligeiramente queimado. A moça no papel era muito parecida com o loiro, a não serem pelas pequenas sardas distribuídas pela pele branca, seus cabelos eram curtos e um tom mais escuro que o de Pierry, o sorriso era doce e transmitia certa serenidade.

O rapaz sorriu olhando o retrato e ajeitou as flores próximas a folha, ajustou a blusa e o cachecol que contornava seu pescoço.

— Feliz véspera de Natal, Christin...

* * *

Todos se reuniram na sala de jantar, um local amplo, com uma mesa comprida e farta. Os pratos com doces estavam entre os salgados, em uma combinação admirável de cores de aromas.

Oliver sentou-se próximo a salada de batatas, o vestidinho curto e azul estava impecável, com a franja cortada seus olhos verdes destacavam-se, as meias até as coxas eram brancas com pequenos delineies da mesma cor que o traje, uma verdadeira boneca. Connor o admirava discretamente enquanto se sentava a sua frente, o cabelo preto estava preso em um rabo de cavalo, a camisa bem abotoada e as calças combinaram com perfeição a seu corpo.

Pierry usava uma blusa de frio e seu cachecol favorito, os shorts eram largos e confortáveis para a situação, o cabelo estava jogado para a direita e alguns fios caiam sobre o rosto pálido. O jovem moreno que o acompanhava ainda estava aborrecido com a ausência de Raiden, mas queria parecer bem, dobrou as mangas da blusa de frio branca e abotoou o ultimo botão próximo ao pescoço, a calça escura o deixou, de certo modo, mais atraente, mas infelizmente a pessoa que queria impressionar não estava lá.

As conversas entre os jovens correram naturalmente, como se aquilo fosse a coisa mais normal possível e risadas vinham consequentemente, em especial quando Oliver abria a boca para falar algo.

A comida estava de fato deleitável e a atmosfera naquela noite estava excelente, Yuki nunca havia rido tanto em uma única ocasião. Os olhos de Connor e Oliver se encontraram inúmeras vezes, causando certo enrubescimento no ruivo, que tentava fitar apenas a pouca comida em seu prato.

Pierry massageava a barriga estufada e dolorida, enquanto tentava alcançar o ultimo cookie no prato.

— Estava ótimo Connor. — Falou Yuki.

— Realmente. — Oliver comia o pouco de bolo que estava em seu prato.

— Obrigado. — Sorriu o negro.

— Alguém vai ter que me rolar lá pra cima de alguma maneira. — Gemeu Pierry engolindo o alimento em sua boca.

Algumas risadas a mais foram arrebatadas. Conversa vai e vem e as horas passaram sem deixar aviso. O relógio da sala badalou doze vezes, e o natal afinal estava lá batendo na porta.

— Bem, acho que feliz natal. — O negro deu uma risadinha.

— Feliz natal! — Disseram Oliver e Pierry em coro.

Yuki apenas riu.

— Oli, pode me ajudar a arrumar aqui? — Perguntou Connor enquanto tirava os pratos.

— Claro. — Respondeu o ruivo ajeitando o vestido.

Enquanto os dois tiravam a mesa, Yuki e Pierry dirigiam-se a sala continuando a conversar. E mais uma hora se foi com risadas e brincadeiras.

Não demorou muito mais para que Connor e Oliver viessem para sala, o pingente e colar no pescoço do ruivo brilhavam tanto quanto seus olhos, a felicidade estava estampada em seu rosto e em todos seus movimentos. Os rapazes só vieram dar boa madrugada e partiram para cima, talvez para algo melhor. O loiro e o moreno continuaram na sala por certo tempo.

— Ei... Vá devagar! — Disse Yuki.

— Estou indo.

— É minha primeira vez, você sabe, é difícil!

— Falta muito pouco... — Sussurrou Pierry.

— Você não pode... Eu não consigo.

— Eu sei que posso...

— Está doendo! — Gemeu Yuki — Não aguento mais. — Os braços do moreno falharam e ele se chocou contra o chão frio.

Pierry fez uma ultima flexão, se sentou ofegante e falou:

— Finalmente! — Seguido de uma gargalhada maligna. — Ganhei de você!

— Isso é injusto. — Bufou Yuki. — Você nem ao menos fez direito.

— A vida é injusta. — O loiro deu mais algumas risadas antes de se levantar. — Vou me deitar. — Bocejou. — Estou exausto...

— Tudo bem, eu arrumo as coisas aqui, durma bem.

Pierry subiu as escadas e foi para seu quarto, o moreno não demorou a fazer o mesmo, após juntar os jogos apagou as luzes e se dirigiu rapidamente a seu aposento.

Desabotoando os botões da blusa de frio branca, ele se sentou na janela e observou a neve cair, a lua estava lá e era a única iluminação que tinha no momento. O menor abraçou um de seus joelhos e continuou a admirar, o pouco de vapor que saia da sua boca durante a respiração prendeu sua atenção, por longos minutos estavam apenas só ele e sua mente.

A porta se abriu lentamente e Raiden entrou pela mesma, fechando-a em seguida. Em passos pausados ele se aproximou da larga janela e se sentou ao lado de Yuki. O moreno fitou-o, o silencio falava por eles, e assim permaneceram, ambos se olhavam e nenhum dava o primeiro passo, até que gemidos vindos do quarto ao lado atrapalharam o momento.

— Tsc. — Raiden revirou os olhos. — Esse é um dos motivos pelo qual eu não fico aqui.

— E porque voltou?

— Tenho meus motivos.

Yuki olhou para a neve novamente até sentir os dedos frios de Raiden tocarem sua mão, o anel posto em seu dedo anelar era de tamanho médio e com uma pedra num tom azul claro, os desenhos gravados na prata ofereciam um toque a mais no pequeno objeto.

O moreno olhava encantado para a própria mão, o maior permaneceu em silencio e esperava que o objeto tivesse agradado, antes que pudesse se levantar Yuki segurou suas mãos e abaixou a cabeça, ambos continuaram em silencio por mais algum tempo.

— Obrigado... — Sussurrou o pequeno.

Ao erguer o rosto, pode ver o quão estavam próximos, a pele de Raiden estava gelada e a brisa gélida movimentava a franja que cobria seu olho, o perfume do maior era doce e agradável, Yuki tinha que admitir que estar tão perto dele estava lhe causando um grande frio na barriga.

O rapaz de cabelos brancos se aproximou lentamente e o moreno fechou os olhos, então pode sentir seus lábios frios e macios se encaixarem com perfeição aos seus, mas os mesmo se afastaram na mesma velocidade que vieram.

As bochechas rubras do menor queimavam e seu coração batia rápido, Raiden afagou o cabelo de Yuki e se levantou caminhando em direção à saída. Virando ligeiramente o rosto para o menor que ainda o olhava, sorriu maliciosamente.

— Agora você me pertence duas vezes mais.

— Como é?! — O moreno se exaltou.

O maior riu e abriu a porta.

— Feliz natal, Yuki.

O menor observou-o ir embora, olhou para o anel e sorriu.

— Feliz natal, Raiden.

Notas finais
Então, espero que tenham gostado e quero muito, muito mesmo que deixem a opinião de vocês, afinal... É importante pra qualquer escritor saber o que seus leitores pensam :3 Estou pensando ainda no que vou fazer da minha vida e quando vou voltar a escrever... Creio que não vou demorar, mas sei lá... Bem, boas festas meus podins ♥ Espero que se divirtam muito :3