Notas iniciais
ANTES DE TUDO, TRAILER DA FIC: http://youtu.be/b9vW2dt52qs Estou muito atrasada... Peço perdão por isso. Essa semana foi prova, prova, atividade, prova, lição atrasada, prova, matéria pra prova, estudos... FOI TERRÍVEL Ç_Ç Desculpa mesmo gente :/ (Esse cap n tem fotinha cauai -q pq? Pq eu n achei nada lgl no momento, mas caso eu ache, adc aqui T.T) Espero que gostem e boa leitura ♥ Betagem: Cora Félix.

O padre desceu os pequenos degraus da escadinha enquanto um jovem ruivo o seguia, ambos vestidos de maneira adequada para o local, a sotaina do padre era larga e confortável, a veste do jovem era tanto quanto à do senhor.

– Senhor. – Disse o garoto. – A igreja tem autoridade para perdoar os pecados através do sacramento da penitência?

– É claro. – Respondeu o homem de cabelos grisalhos e pele enrugada. – A Igreja tem esta autoridade porque a recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu”.

– Mateus 18:18. – Completou o ruivo. – Mas senhor, por que confessar e pedir perdão para um homem igual a mim?

O padre virou-se para o garoto e o olhou com um sorriso nos lábios.

– Só Deus perdoa os pecados, meu filho. O padre, mesmo sendo um homem sujeito a fraquezas como outros homens, está ali em nome de Deus e da Igreja para absorver os pecados.

– Como um intermediário ou instrumento do perdão de Deus? – Questionou-o.

– Assim como um médico é um instrumento para restituir a saúde física. – Respondeu o homem.

– Mas senhor... – O ruivo foi interrompido.

– Vá para casa, Patrick, está tarde. – Falou o velho.

– Poderei voltar amanhã? – Perguntou.

– A casa de Deus estará com as portas sempre abertas. – Respondeu.

– Voltarei assim que acordar! – Disse o jovem entusiasmado. – Boa noite, senhor.

– Boa noite, meu filho. – O senhor esperou que o garoto saísse da igreja e se dirigiu à pequena cabine onde ouvia as confissões.

Pegando a pequena cruz, ele a segurou e levou-a para perto da boca, onde sussurrou algumas palavras e colocou-a de volta. Ouvindo a porta da Igreja abrir, ele fica em silêncio, e espera, vendo apenas um jovem, não sabe ao certo se é uma garota ou um garoto por suas roupas largas e o capuz que cobria seu rosto.

O jovem se sentou no pequeno banquinho ao lado e abaixou a cabeça.

– Padre, eu pequei. – A voz masculina fina e doce saía dos lábios avermelhados.

– Diga, meu filho.

– Sinto que meu coração está apodrecendo.

– Por quê?

– Porque o ódio o habita e as sombras o devoram. – O jovem falou da maneira mais calma possível.

– Deixe que vá, abra seu coração para que o bem entre nele.

– Padre.

– Diga.

– Eu quero que aquele homem sofra, até os últimos dias de sua vida. – As palavras saíam da boca do garoto cada vez mais rápido. – Eu quero que seu sangue seja derramado lentamente, quero que sua dor seja tanta que possa ser palpável, eu quero que sua alma queime no inferno.

O garoto se levantou e começou a andar em direção à porta lentamente. O padre saiu apressado da pequena cabine.

– Meu filho!

O menor abaixou a cabeça e se virou, ainda impedindo que o padre visse seu rosto.

– Perdão, padre. – Ele sussurrou. – Agora que o senhor sabe, espero que teu Deus te proteja.

O homem de cabelos grisalhos deu alguns passos para trás e sentiu o ambiente ficar frio, o arrepio percorreu por todo seu corpo, ele correu até as escadinhas e tentou alcançar sua bíblia, quando sentiu mãos frias em seus pés...

* * *

– Yuki... – A mulher loira nua caminhava em sua direção, o que a diferenciava de Lizi eram seus olhos negros e a pele acinzentada. – Yuki...

O moreno olhava fixamente para aquela que se aproximava.

– Quem é você? – Perguntou.

– Yuki... – As paredes brancas ao redor tomavam uma cor escura conforme o sangue escorria por elas.

– Não se aproxime! – Gritou o jovem.

– Vamos dançar... – A garota sumiu e a música da pequena caixinha de música podia ser ouvida.

Yuki se virou e viu o homem, o mesmo que segurava a pequena caixinha escura, ele girava lentamente a manivela e sorria, o objeto se abriu e a miniatura do moreno estava lá, dançava de forma lenta, com passos que continham graça e suavidade.

Yuki acordou assustado e passou a mão pelo lençol, viu que estava em seu quarto, respirou fundo e olhou para a janela, Raiden estava parado olhando para ela. A luz da lua era a única que iluminava o local.

– O que está fazendo aqui? – Questionou o menor.

O maior o olhou e aproximou-se.

– Me responda. – Yuki elevou o tom de voz.

Raiden suspirou e subiu em cima do moreno e passou os lábios por seu pescoço.

– Ei! – Falou alto o menor enquanto batia no rapaz de cabelos brancos.

O maior segurou forte os punhos de Yuki e beijou-o, enquanto sua coxa roçava pelos membros íntimos dele. Aquilo era assustador para o moreno, as lágrimas brotaram em seus olhos, escorrendo por seu rosto em abundância.

Raiden sentiu o liquido e se afastou, o olhando em seguida, de certo modo aquilo o chocou.

– Está me machucando! – Gritou Yuki enquanto chorava.

O homem de cabelos brancos saiu rapidamente de cima do menor, e em passos largos se dirigiu à porta, ele se virou e seus lábios se movimentaram, porém, as palavras não saíram. Aquilo travou em sua garganta e seu peito estava apertado.

– Eu te odeio, Raiden! – Gritou o moreno, cobrindo-se por inteiro com o lençol logo em seguida.

Encolhido em baixo do tecido macio, ele parava de chorar, o barulho da porta pôde ser ouvido, o silêncio dominou o local, mas sua mente barulhenta fazia todo o serviço. Aquilo foi embaraçoso, algo que ele realmente não esperava, na verdade, o menor não sabia como se sentir em relação a tudo.

O mesmo fechou os olhos e quis sumir, estava com medo de dormir. Ele já não sabia se a realidade ou seus sonhos o assustavam mais.

* * *

Oliver debruçou-se sobre a mesa da cozinha naquela manhã, bocejando em seguida, ele olhou para Connor, que tirava um bolo do forno.

– Onde está Pierry? – Perguntou o negro.

– Dormindo. – Bufou o ruivo.

– Yuki? – Novamente.

– Também.

– E o Senhor White?

– Não o vi ainda, mas ouvi barulhos essa madrugada. – Oliver se sentou na cadeira, ajeitando a saia azul. – Vinha do quarto dele.

– Entendi. – Connor pegou uma fatia de bolo e deu ao menor, sentou-se na cadeira ao seu lado e encarou o teto.

O menor dava grandes mordidas no bolo fofo enquanto o homem pensava, algo estava errado e ele podia sentir, não apenas por ter um sexto sentido “aguçado”, mas as coisas davam passos errados há algum tempo, o trem estava de fato saindo dos trilhos.

A porta da cozinha se abriu e Raiden entrou por ela. Olhou para ambos que estavam sentados, os jovens se assustaram com a presença dele ali.

– Senhor... – Disse o ruivo, engolindo rapidamente o que tinha na boca.

– Oliver, pode nos dar licença? – Perguntou secamente o de cabelos brancos.

O pequeno movimentou a cabeça afirmativamente e saiu da cozinha com o resto do bolo, Raiden se sentou e olhou para Connor, o homem negro estava calmo de certo modo, porém, aquilo era algo incomum. Pegando uma xícara na bandeja no meio da pequena mesa, ele a enchia com chá, dando-a para o Senhor White.

– Camellia sinensis... – Disse Raiden, levando a xícara para perto da boca. – Chá branco.

– O senhor nunca erra. – Sorriu Connor.

Depois de um gole do líquido quente e de gosto suave, ele o olhou.

– Não tenho tempo para erros, mas talvez minha vida seja um.

– O senhor não veio aqui para tomar chá, certo?

O homem de cabelos brancos suspirou.

– Preciso que faça algo para mim.

– Diga e farei, senhor.

– Creio que algo está errado com Yuki, ele está estranho desde ontem quando voltamos. – O homem deu uma pequena pausa.

– Talvez ele só esteja assustado com tudo que viu.

– Talvez, mas não creio que seja só isso. Algo está o...

A porta se abriu e um homem de cabelos curtos e castanhos entrou lentamente, a roupa já dizia tudo, ele fazia parte da polícia e sua face era familiar para Raiden.

– Senhor White? – Perguntou o rapaz.

– Kal, certo? – O mesmo era assistente de Georgy, o chefe da polícia.

– Sim, senhor.

– Em que posso ajudar? – Perguntou Raiden.

– O Senhor Bruwi pediu que o chamasse imediatamente. – Respondeu Kal.

– Uh... Certo. – O homem se levantou e ajeitou o casaco, antes de ir para a porta, virou para Connor, que o observava em silêncio. – Não deixe que Yuki saia, e descubra o que está acontecendo, se possível, conto com você.

– Sim, senhor. – Disse o negro.

Raiden acompanhou Kal até a porta, Oliver já estava lá fora agasalhado e segurando as rédeas dos cavalos. Ambos olharam para o menor e movimentaram a cabeça, montando em seguida.

Kal Benatti seguia na frente e o Senhor White logo atrás. Da janela do seu quarto, Yuki olhava enquanto ambos se afastavam, o homem de cabelos brancos se virou lentamente e viu o moreno, que fechava as cortinas.

O trajeto foi longo e cansativo, começava a nevar e isso era um incômodo, ao menos no momento. O silêncio reinava e a única coisa que Raiden podia ouvir era sua própria respiração junto aos galopes do cavalo preto.

Chegando à igreja, um jovem ruivo estava sentado nas escadas em frente à mesma, ele chorava e parecia assustado, abraçando as pernas, afundava a cabeça nos joelhos. Ambos desceram dos cavalos e se aproximaram do garoto.

– Patrick. – Disse Benatti. – Vá para casa, não é uma boa hora e não queremos que apareçam mais pessoas. Vá.

– Como pode dizer algo com tanta calma?! – Gritou o garoto, debulhando-se em lágrimas. – Você viu?!

– Se acalme e vá para casa, é o melhor que tem a fazer. – Continuou.

– Eu não consigo! Eu estou com medo! – Continuou.

Kal sentou-se ao lado do menino e tentou acalmá-lo, olhando para o homem de cabelos brancos, ele balançou a cabeça. Raiden entendeu e prosseguiu só, degrau por degrau ele subia a pequena escada para a igreja, a grande porta estava entreaberta, ele só a empurrou.

A cena era grotesca. Os bancos cobertos de sangue e a trilha no meio deles levavam ao pior.

– Senhor White. – Disse Georgy se aproximando.

– O que aconteceu? – Perguntou Raiden, retirando as luvas brancas e enfiando-as no bolso.

– Padre Aulisio Michellin, setenta e oito anos. – Falou o senhor. – Ele foi encontrado pela manhã por Patrick Galleas.

O jovem observava o local enquanto ouvia Georgy, ao final daquela trilha, um homem estava pregado pelas mãos e pés nas paredes ao lado da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Seus olhos teriam sido arrancados de forma bruta, assim como o buraco que havia no meio do peito, aparentemente seu coração foi levado. O sangue que escorria do corpo dele passava pela parede, formando o desenho de um cálice. Como se seu corpo fosse oferecido a tal.

Caminhando em passos largos, Raiden aproximou-se do corpo, o cheiro de sangue se misturava a um cheiro desconhecido, a única certeza que tinha no momento era que aquele perfume doce pertencia a alguma flor.

O livro de capa preta estava jogado no chão, onde a poça de sangue o rodeava, o jovem abaixou-se bem próximo do objeto e o pegou, apenas uma bíblia. Algo marcava a página, com cuidado, porém já sujando suas mãos com sangue, Raiden o abriu. Para sua surpresa, a miniatura do boneco de Yuki estava lá, e próximo a Mateus 18:18, a palavra “Perdoado” estava escrita.

Raiden se assustou, o corpo se despregou da parede e caiu de bruços na poça de sangue, respingando assim no corpo do jovem. Ao olhar novamente para a bíblia, no lugar da pequena miniatura estava um pequeno botão de dama-da-noite.

Soltando a bíblia, Raiden corria em direção à porta da igreja, ele tinha de protegê-lo, independente do preço que teria de pagar, não deixaria que o tirassem dele, não ele, não Yuki.

– Senhor White! – Gritou Georgy. – Senhor White!

Ao chegar do lado de fora, pulava os pequenos degraus, quando Patrick levantou-se repentinamente e agarrou os braços de Raiden. Seus olhos estavam brancos e sua pele acinzentada.

– Não deixe que ele continue. – Sussurrou. – Detenha-o, detenha-o antes que seja tarde.

– Patrick? – Kal o puxou.

– Ele não fez por mal, não fez... – O ruivo desmaiou em seguida nos braços de Benatti.

Aquelas palavras soaram na mente de Raiden por longos segundos, ele já tinha ouvido a mesma frase antes, as exatas mesmas palavras. Mas de quem? Estava preocupado demais com o moreno para conseguir lembrar. Ao montar no cavalo, sentiu uma forte dor de cabeça, e próximo a esquina daquela rua, um jovem de capuz segurava uma caixinha preta de música enquanto girava a manivela.

Yuki, estou indo.

Notas finais
Então, eu fui atrás de um beta *WEEE* só que eu acho que vou esperar eternamente... Enfim, o que acharam do trailer? E do capitulo? AVISO: Próximo capitulo terá... SEQSU )o) (o( (é o que eu estou planejando, caso não tenha eu aviso nas notas iniciais e talz TuT) Eu quis escrever algo mais macabro nesse cap, pq o próximo vai ser mais amorzinho, I think :v espero que vocês tenham gostado, deixem comentários delicias deliciosas que a tia Yu ama ♥ u_u Até o próximo ♥